domingo, 24 de setembro de 2017

DE VOLTA AO GAME!




O bolo de arroz, aqui em versão goiana, com batata e creme de arroz. O cuiabano leva macaxeira, coco e arroz socado e peneirado
Eu, Johnny, Dannya, Alzira e Chirley. E nossas luxuosas ajudantes Sara (sobrinha da Alzira que nos acompanha sempre) e Clarinha (filha da Dannya)
O público lotou nossa mesa...
Eu sei, não adianta desculpa! É falta de tempo mas antes, é falta de organização mesmo. Tratar mal a agenda me deixa desconfortável mas já estou no caminho da recuperação! E entre uma coisa e outra, atendi ao convite da amiga Dannya, tão ocupada quanto eu, para fazer um curso técnico de cozinha no Senac. Um pequeno detalhe: o curso dura um ano e dois meses e acontece de 19 às 22h, todos os dias!

Sei cozinhar. Caseiramente falando, me viro. Não sei cortar um frango, nem desossar um cordeiro, mas ninguém morre de fome. Leio muito, muito, assisto tudo o que posso e provo e experimento o que dá. Também me aventuro bastante na cozinha mas nunca fiz curso de nada. E não sei bulhufas da cozinha profissional, nem mesmo ligar aqueles fogões-espaçonave que comumente fazem parte do cenário profissional. E não poderia agora pensar em curso superior de gastronomia à distância, que é por enquanto a opção que temos por aqui. Preciso do calor humano, do contato, das risadas solidárias na cozinha, do aprendizado coletivo.

E pensei: se minha amiga, que tem dois filhos pequenos, se animou a fazer, eu também posso! No caso da minha amiga, a mais velha até nos ajudou na nossa primeira oficina, o que mostra o acerto da decisão dela. E quanto a mim...nem imaginava que ia me divertir tanto! Meu filho mais velho sempre me diz que quando trabalhamos fazendo o que gostamos, não tem trabalho, tem divertimento. É verdade! Hoje em dia,  trabalho em atividades ligadas à gastronomia, pois em breve teremos aqui no Estado a primeira Escola de Gastronomia e Hospitalidade, um sonho liderado pela Primeira Dama e arquiteta Marlúcia Cândida. 

Muitas vezes, ao conversar com um chef, observar a feitura de um prato ou planejar uma atividade ligada à área, me dou conta de que o prazer é imenso, apesar do cansaço, dos eventuais desgastes, da correria...e aí, quando resolvi entrar no curso do Senac, que é o primeiro nessa linha, não sabia bem o que me esperava. O que sabia, tinha certeza, é que seria um momento só meu, de investir no que amo fazer, de reencontro comigo mesma. Cozinha é afeto, é aconchego. Sem isso, para mim não tem sentido.

Não deu outra: estou adorando tudo! Voltar a estudar, fazer trabalhos, cozinhar e conhecer pessoas, interagir, descobrir coisas novas. Minha turma é bastante eclética. Tem estudantes e donas de casa, funcionários públicos e cozinheiros, músico e fisioterapeuta , enfim, é uma festa! Aprendemos em um processo rico de troca de experiências, informações e muita risada!

E outro dia, nossa tarefa era apresentar um pouco da cozinha brasileira. Ao nosso grupo coube a cozinha pantaneira, tão rica, cheia de influências do Paraguai e da Bolívia (como a sopa paraguaia e a chipa - do Paraguai, e saltenhas e arroz boliviano da Bolívia), que vieram se somar à comida original dos índios, à influência portuguesa, a do sul do país, enfim, um verdadeiro caldeirão.

O tempo era minúsculo e numa verdadeira maratona escolhemos servir o bori bori (bolinhos de fubá com queijo, cozidos no caldo de um frango que acompanha o prato,  na mesma panela e complementados com arroz, um prato guarani) e furrundu (mamão verde ralado e cozido com rapadura). A sopa paraguaia não houve tempo para fazer, então a preparei dois dias depois, para um lanche coletivo.

A maior recompensa? A primeira, provar pra nós mesmos que se quisermos fazer, podemos fazer. Parece simples, mas não é. É desafio, mas é plenamente possível. E depois, ouvir uma colega da sala, matogrossense, emocionar-se ao falar do furrundu que experimentou na nossa mesa e lembrar da mãe...isso sim, não tem preço!

E hoje, experimentei uma receita de bolo de arroz onde, diferentemente da versão cuiabana (que leva arroz deixado de molho, socado e peneirado e macaxeira), usei batata e creme de arroz. Deixado para fermentar de um dia para o outro (deixei na geladeira pois nosso calor é insano), rendeu bolinhos fofos e convidativos.

Reproduzo aqui esta receita, para que você a faça para o café da manhã dos seus queridos, com a promessa de testar a versão cuiabana assim que possível.

Bolo de arroz levemente adaptado
(As quantidades abaixo correspondem à meia receita)

Ingredientes

500 g de açúcar (na próxima, recomendo um pouco menos. Meu marido adorou, mas achei que ficou bem docinho. Nada que um café forte e sem açúcar não resolva).
1 xícara de água
1 xícara de manteiga (usei 200 g)
4 ovos batidos ligeiramente com garfo
1 colher de sopa de fermento em pó
1/2 xícara de batata cozida e amassada
erva-doce e canela a gosto (usei 1/4 de colher de chá de erva-doce e pitadas de canela)
1 pitada de sal (não consta na receita original)

Modo de Fazer

É preciso começar na véspera. Numa panela, coloque água e açúcar (de novo, reduzirei um pouco o açúcar na próxima vez que o fizer, mas é a única ressalva), mexa bem e leve ao fogo. Deixe ferver uns cinco minutos e aguarde esfriar. Deve formar uma calda e se for preciso, com uma colher, faça movimentos para a frente e para trás, mexendo em linha reta para ajudar a dissolver o açúcar. Numa tigela, coloque o creme de arroz. Derreta a manteiga (pode ser no microondas) e jogue-a quente no creme de arroz, mexendo bem. Acrescente os demais ingredientes e por último misture a calda de açúcar. Mexa até ficar bem homogêneo. Cubra, deixe crescer até o dia seguinte. (Como aqui é muito quente, optei por levar à geladeira depois de 1h e deixar até o outro dia.Tirei da geladeira 1h antes de assar). No dia seguinte, coloque a massa em forminhas de empada ou similares, bem untadas e polvilhadas de farinha. Leve ao forno quente até assar. Deliciosos com um cafezinho!





O bori bori...uma panela imensa foi consumida com a maior rapidez. Nessa foto não tem muito molho, mas ele foi servido com o molhinho! E olha o tamaninho das porções!

Sopa paraguaia

(diferentemente do que o nome pode indicar, é um bolo salgado, delicioso, de origem paraguaia e muito comum no Pantanal, bom para servir em lanche. A foto que salvei está muito ruim e por isso não a reproduzo aqui, mas vale muito a pena fazer.)

Ingredientes

2 cebolas grandes picadinhas
1 colher de sopa de manteiga com sal
1 xícara de água
4 espigas de milho verde (usei 4 potes de milho em conserva, doce, totalizando 1,2 kg)
1 xícara de leite
3 ovos separados
1 xícara de queijo fresco ralado grosso ou cortado em cubinhos (usei queijo minas frescal e um pouco de queijo da região)
6 colheres de sopa de fubá
1 colher de sopa de fermento em pó
Sal a gosto

Modo de fazer 

Numa frigideira, coloque a manteiga e a cebola. Deixe fritar sem queimar, mexendo sempre. Acrescente a água e deixe ferver. Desligue o fogo e reserve. No liquidificador, coloque os grãos de milho frescos ou os da conserva (sem a água), junte o leite e bata bem. Acrescente a cebola com o caldo do cozimento, as gemas e o queijo e bata bem. Despeje numa vasilha, acrescente o fubá, misture e junte o fermento em pó. Acrescente as claras batidas em neve com cuidado, para que não percam volume. Coloque em assadeira untada e polvilhada e leve ao forno quente até dourar. Corte em quadrados ou losangos e sirva. (Os colegas da turma deixaram a assadeira limpinha!)



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Fonte:
Revista Cláudia Cozinha Especial, editora Abril, 641 n. 410A

Bolo de arroz: Receita do livro Antiga e Moderna Culinária Goiana, de Divina Maria de Oliveira Pelles (coletada pela revista Cláudia Cozinha)

Sopa paraguaia: Receita de dona Francisca da Costa Barros, a dona Quinha, de Campo Grande,MS (coletada pela revista Cláudia Cozinha)

Bori bori ou vori vori: para saber mais acesse a maravilhosa aula dada pelo chef Paulo Machado, um amigo do Acre (e que pela pressa, só assisti depois de apresentarmos o prato!! E ele fala da nossa farinha de Cruzeiro do Sul, um luxo!) 

- https://tvuol.uol.com.br/video/frango-boribori-04024C1B3170E4B15326

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