domingo, 23 de março de 2014

COMER BEM É FÁCIL



O sanduíche já pronto, com pão ciabatta caseiro, tomatinhos e um suco mix para acompanhar...


Ando muito saudosa dos meus filhos. Então, enquanto chega o dia de encontrá-los, o jeito é ir enganando a saudade com bons livros e atividades prazerosas. Sexta passada, precisando de momentos de silêncio, fui na hora do almoço à Livraria Paim, do Manoel e da Luísa, amigos de longa data. O Manoel, que todo mundo só chama de Paim, começou no ofício há muitos anos. Tinha na Universidade uma pequena mesa, sempre apinhada de livros, prontos para a venda. Mas tinha, mais do que livros, o ingrediente principal para fazer sucesso com estudantes não tão providos de recursos: uma fé inabalável na nossa honestidade, que o fazia vender livros "fiado" para quem quisesse comprar.

E todos queriam. Quem não tinha cheque, entrava no caderninho do Manoel. Quatro, cinco, seis vezes... e olhe lá se muito estudante que hoje posa de bacana não tivesse conhecido o Paim pra financiar seus livros. Nada mais justo então, que hoje ele ocupe um prédio confortável, onde dá para sentar e folhear livros, tomando um cafezinho para relaxar após o almoço ou, no meu caso,  minimizar a saudade dos filhos. E, passeando por entre as estantes, meu olhar foi imediatamente atraído para um título nada convencional: "O Mel de Ocara", de Ignácio de Loyola Brandão.

Achei tão inusitado que pensei ter havido um erro de grafia, afinal, Ocara, no Ceará, é um pequenino município distante cento e poucos quilômetros de Fortaleza, já no sertão, lugar que frequentei por muitos anos e onde ainda mora o pai de meus filhos e amigos. Ao pegar o livro e descobrir que o escritor, tão conhecido e premiado, falava exatamente desse pedacinho de Brasil, ao lembrar do sabor de seu ótimo mel, fiquei comovida. É como se o eixo Rio-São Paulo estivesse de vez conhecendo o Brasil, seu povo, suas histórias, sem medo de ser feliz.

Prosseguindo por entre os livros, dispostos numa ordem muito especial, deparei-me com um pequeno volume de Mario Vargas Llosa contendo os textos de seu primeiro livro, "Os Chefes" e uma novela, "Os Filhotes". Ainda puxei pelo braço o livro de Mort Rosenblum, escritor e jornalista, ex-editor da International Herald Tribune, "Um Ganso em Toulouse".
No seu primeiro capítulo, ele já dá uma ideia do conteúdo, quando diz: " Só na França um pão vem com o telefone do apoio técnico e um manual de instruções repleto de filosofia", ao falar de um dos artistas mais respeitados na França, o padeiro Lionel Poilâne, falecido em 2002. As histórias de como a comida é encarada pelos franceses, as dores do fast food e do McDô (apelido do McDonald's na França), entre outros, são um deleite para quem curte ler sobre comida.

E por fim, com um copinho de cappuccino na mão, perdi-me na Antologia Poética de Carlos Drummond de Andrade, poeta maior, gênio reservado cujas palavras explodem os sentidos, atravessam a calmaria e mostram que são capazes de lhe fazer pegar o telefone e declarar o seu amor para o marido, simples assim, com o lindo poema Campo de Flores (veja e escute este poema na bela interpretação de Paulo Autran). 

E para não dizer que só falo de doces, que tal sentar-se no sofá da sala com seus livros preferidos, degustando um belo sanduíche de ciabatta caseira com costela desfiada, tomando um delicioso suco vermelho, mistura feliz do restaurante Greens, lá de Cuzco? A saudade não passou, mas que ficou bem acompanhada, lá isso ficou. 

Sanduíche de costela desfiada no pão ciabatta caseiro, com suco de beterraba, maracujá e manga

Para o pão

01 pão ciabatta, cortado ao meio pelo comprimento
01 tigelinha com tomates cereja temperados com azeite, sal e vinagre
01 porção de costela cozida ou assada no forno, desfiada e refogada com um pouco de alho e azeite ou marinada com uma misturinha de molho de soja, mostarda, vinagre e azeite, a gosto
Fatias de queijo muçarela, a gosto (descobri recentemente que esta é a grafia correta, vai entender)
Manteiga, a gosto, se desejar
Mostarda ou outro condimento, a gosto, se desejar

Modo de Fazer

Passe um pouquinho de manteiga no pão. Coloque a carne, previamente desfiada e já refogada em uma frigideira com alho e azeite. Feche o pão e leve a uma sanduicheira para derreter o queijo. Acompanhe com uma tigela de tomates cereja temperados e condimentos de sua preferência.
Você também pode marinar a carne, já desfiada, com um pouquinho de molho de soja, mostarda e vinagre, além de azeite, a gosto, que dê para envolver a carne. Aí é só misturar bem  e proceder da mesma maneira.

Suco de beterraba, maracujá e manga do Greens Organic

Ingredientes

01 manga Haden, média
02 a 03 maracujás, com as sementes
1/2 beterraba média,ou um pouco mais, se desejar
Açúcar, água e gelo a gosto, caso deseje mais ou menos grosso

Modo de fazer

Em um liquidificador, coloque a beterraba crua, cortada em pedaços, junto com a polpa dos maracujás e a manga, também cortada em pedaços. Se não quiser, não precisa tirar a casca da beterraba e da manga. Acrescente açúcar e água a gosto e algumas pedras de gelo, se desejar. Bata bem, prove, ajuste o açúcar, peneire e tome. Delicioso!


Observações:

Já dei aqui uma receita de ciabatta (veja em http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2014/02/um-novo-momento.html), mas desta vez usei fermento natural à base de passas, feito em casa com as orientações da receita de Rogério Shimura (veja em https://rogerioshimura.wordpress.com/category/fermento-natural-levain/). Mais trabalhoso, sem dúvida, mas o resultado é um sabor mais ácido, delicioso, de um pão que demora muito mais tempo para ficar pronto, mas que compensa as mordidas. Caso não tenha paciência, compre um bom pão e siga com a receita.)

Veja aqui uma receita de costela assada no forno: http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2013/09/costela-ja-pronta-e-antes-ainda-com-os.html)

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Para saber mais:

Greens - restaurante orgânico em Cuzco, Peru - acesse https://www.facebook.com/GreensOrganic

Livraria Paim - www.livrariapaim.com.br

sábado, 22 de março de 2014

DOCE ESTILOSO

O suflê de chocolate, prontinho para ser saboreado...

Acho que já disse aqui, mas se não, estou dizendo agora, que meu cérebro é doce, ou melhor, pensa em doce o tempo inteiro. Não necessariamente para comer, embora eu me perca em qualquer pote de doce de leite escuro e bom ou naquelas compotas de goiaba brilhantes que parecem grandes orelhas. Isso para não falar da banana caramelada de uma churrascaria daqui, a Estrela, a melhor que eu já comi até hoje.

Chocolates, não podem faltar na minha casa. Sempre meio-amargos e às vezes um ao leite muitíssimo bom, como o que ganhei um dia desses de uma amiga querida. De chocolate, tem os brigadeiros e mousses, o bolo cremoso ou o do dia-a-dia, o chocolate quente e o gelado, um pedacinho derretendo no céu da boca para matar a fome de doce...não sou chocólatra, entretanto. Preciso dele por perto, mas passo muitos dias sem comê-lo.

Com o chocolate e o doce de leite, dá para rechear um pão caseiro, outra das minhas paixões. Um bom pão, macio, com um naco de chocolate meio-amargo dentro, que ao ser assado, vira aquele creme molinho, faz a perdição anti-dieta de qualquer cidadão ou cidadã de bem. Portanto, quando um dia desses, ao assistir o ótimo programa da Rita Lobo ( o Cozinha Prática, no GNT), deparei-me com esse suflê mais do que tentador, não tive outro remédio senão ir imediatamente para a cozinha.

O agravante é que não posso comer muito açúcar. E aí, com a sobra dos suflês, que foram assados, mas também podem ser comidos como mousse, incrementei um maravilhoso sorvete de doce de leite que estava a postos no freezer, esperando alguma visita ou mesmo aquela horinha em que precisamos de doce. Basta esfarelar os pedaços e misturar ao sorvete.

Então, mãos à obra e abasteça seu congelador com umas reservas para os momentos de ócio ou para quando a visita chegar sem aviso, é tiro e queda! Sugiro apenas um tantinho a mais de açúcar, caso você não goste de comer o chocolate meio-amargo, ou mesmo a substituição por um com menor teor de cacau. E, claro, se conseguir, coma pouco!



O chocolate, no início do preparo...


Como mousse e antes de assar, quando vira suflê

Ingredientes para os suflês (ou mousses)
(adaptado da receita de Rita Lobo, do Cozinha Prática, no GNT)

160 g de chocolate meio-amargo com 50 % de cacau (usei com 60 %, mas fica bem amargo, se preferir, use um de menor teor de cacau)
01 colher de sopa de cachaça de boa qualidade
04 ovos em temperatura ambiente
1/4 xícara de açúcar refinado
manteiga e açúcar cristal para untar e polvilhar a forma
açúcar de confeiteiro para polvilhar após assado, se desejar 

Modo de fazer

Caso vá fazer a receita como suflê, passe manteiga e polvilhe açúcar cristal (usei o refinado) em quatro ou cinco tigelinhas que possam ir ao forno e reserve. Pique o chocolate e leve-o ao banho-maria até que derreta. Reserve. Passe as gemas por uma peneirinha, acrescente a cachaça e misture-as ao chocolate derretido, depois que ele estiver frio. Reserve. Bata as claras até que espumem, acrescente a metade do açúcar e continue batendo até que tripliquem de tamanho. Acrescente o restante do açúcar e bata mais um pouco. Junte essa mistura ao chocolate, aos poucos, misturando de baixo para cima, em movimentos leves e circulares, para que o ar não se perca. Coloque a mistura nas tigelinhas, limpe as bordas para que o suflê cresça corretamente e deixe-os na geladeira por 24h. Após esse tempo, coloque as tigelinhas numa assadeira, em forno alto (200 graus) até que eles cresçam e fiquem assados, de 15 a 20 minutos, mas é bom conferir com 15 minutos. Retire do forno, polvilhe açúcar de confeiteiro, se desejar. Sirva-os ainda quentes. Caso não vá assá-los, não precisa untar as tigelas e o tempo de geladeira cai para três ou quatro horas antes de servir. Com as sobras do suflê assado, incremente sorvetes, cremes ou o que mais desejar. Uma delícia!

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Para saber mais:

Rita Lobo - http://gnt.globo.com/receitas/Mousse-ou-sufle-de-chocolate.shtml

Churrascaria Estrela - Rua Rui Barbosa, n. 470, Rio Branco, Ac - tel: (68) 32227760



domingo, 9 de março de 2014

PARA RECOMPOR AS FORÇAS


Iogurte com granola caseira, mel e sementes de chia...



Figo seco, damasco, cereja seca, cranberry seca, tâmaras, coco ralado, aveia, linhaça, passas brancas e pretas, gergelim preto


Nozes e nozes pecã, castanhas do Brasil

Eu amo doces. Bolos, biscoitos e qualquer sobremesa melosa que se derrame poderosa com suas caldas densas serão sempre objeto de paixão. Mas, aqui e ali, frutas e grãos, acompanhados de um bom iogurte e um mel de primeira qualidade, saciam lindamente a vontade de comer açúcar e de quebra, deixam a dieta mais saudável.

Então, aproveite para fazer essa granola caseira, baseada em receita do Jamie Oliver e junte as frutas secas e grãos que você tem em casa, adaptando ao seu gosto. Se desejar, faça um bonito pacote e presenteie seus queridos, eles vão amar!

Granola caseira
(baseada em receita de Jamie Oliver, publicada no blog www.pecadodagula.blogspot.com)

Ingredientes

200 g de aveia (usei uma caixinha com flocos grossos)
150 g de nozes variadas (usei castanha do Brasil, noz, noz pecã)
50 g de sementes a gosto (usei gergelim preto e linhaça)
50 g de coco seco ralado ( usei coco ralado e tostado no forno levemente)
150 g de frutas secas variadas (usei tâmaras, passas brancas e pretas, cranberries, cerejas, damascos e figo seco)
01 colher de chá de canela (ou mais um pouco, a gosto)
05 colheres de sopa de mel (usei apenas uma, mas pode aumentar)
05 colheres de sopa de óleo de canola ou milho (usei apenas 04)

Modo de fazer 

Pique todas as frutas em pedaços menores. Reserve. Corte as nozes em pedaços pequenos e reserve. Numa assadeira, coloque a aveia, as nozes picadas, as sementes que você usar e a canela, o óleo e o mel. Misture bem e espalhe numa camada fina. Leve ao forno por 25 minutos ou até que fiquem crocantes, mexendo de 05 em 05 minutos, para que não queimem. Tire do forno, acrescente as frutas secas picadas e mexa de vez em quando até esfriar, para não ter risco de queimar. Deixe esfriar bem e guarde em potes tampados na geladeira ou em sacos de celofane ou latas, para dar de presente. Você pode acrescentar quaisquer outras nozes, frutas secas ou sementes, desde que mantenha aproximadamente a proporção. Para servir, coloque por cima de um bom iogurte natural (veja receita em http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2012/10/iogurte-de-cupuacu.html) e se desejar, acrescente mel e um pouco de chia. Delicioso! Nunca mais você vai querer comprar granola, vá por mim!



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Obs: As frutas secas e grãos estão disponíveis nos nossos supermercados. O figo seco e cranberries e cerejas, você acha na Cia. do Marisco, entre outros petiscos. Algumas sementes, como a de girassol, que usarei na próxima granola, você encontra já descascada no Novo Mercado Velho, nas lojinhas de produtos naturais.

Endereços:

Supermercado Araújo: veja em www.araujosuper.com.br

Cia. do Marisco: veja em https://pt-br.facebook.com/CiaDoMariscoAlimentos

Novo Mercado Velho: veja em 
www.ac.gov.br e pagina20.uol.com.br/08082006/especial1.htm



sexta-feira, 7 de março de 2014

CARNAVAL DE ANTIGAMENTE






O bolo, com pedacinhos da farinha de amêndoas feita em casa e a calda de limão siciliano...
"A estrela d'alva no céu desponta
E a lua anda tonta com tamanho esplendor
E as pastorinhas pra consolo da lua
Vão cantando na rua lindos versos de amor
Linda pastora morena da cor de madalena
Tu não tens pena de mim
Que vivo tonto com o teu olhar
Linda criança tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre sempre te amar
                    Noel Rosa, Pastorinhas (veja em http://letras.mus.br/noel-rosa-musicas/125752/ )


Até hoje, esta bela canção de Noel Rosa é uma das lembranças mais queridas dos meus carnavais de adolescente começando a ficar adulta. Íamos ao Rio Branco, um clube local, eu e os primos e primas, devidamente acompanhados por um adulto, que era sempre o meu pai. No final da festa, havia uma grossa canja de galinha fervente na casa de minha tia Myosote e depois disso, íamos mortos de cansados tomar um bom banho e dormir até a hora do bloco do sujo.

Havia também o Urubu Cheiroso, bloco cheio de charme e ginga, além da bateria impagável do Abelhal. Era uma farra só, onde a turma da Seis de Agosto, meu bairro de nascença, juntava-se aos foliões que vinham de outros bairros, atraídos pela alegria e pelo som. Eu ficava ainda um bom pedaço em frente ao antigo Hotel Chuí, onde hoje é sede da Prefeitura, depois do bloco da tarde,  até as pernas avisarem que era hora de pegar o beco, ou melhor, o caminho de casa.

De tarde, a companhia eram os primos e amigos. Às vezes, eu me desgarrava um pouco e ia para casa sozinha, já no início da noite, aguardar até a hora do clube, numa energia que nem sei de onde tirava, já que nunca bebi uma gotinha que fosse de álcool. Acho que a idade ajudava muito, porque hoje me canso só de pensar na maratona. Sempre adorei carnaval, principalmente as marchinhas antigas, o frevo e o samba de raiz.

Não sou saudosista, gosto do presente, mas me encho de saudades ao lembrar dessa época em que a maior preocupação era se o dinheiro ia dar para comprar os aviamentos das fantasias que improvisávamos. Para isso, íamos sempre na dona Silvia, que tinha uma banca lá pelo Mercado, um caos total que só ela entendia, mas onde se achava de tudo, da meia arrastão às purpurinas. 

Hoje, ando meio preguiçosa, embora aqui e ali participe de um bom baile nos moldes de antigamente, puxado a máscaras, serpentinas e confetes. Mas, nesse Carnaval estou de repouso forçado em casa, me recuperando de dores no braço e aproveitei para colocar algumas receitinhas que já deviam ter sido postadas e a falta de tempo impediu. Por isso, depois da farra, aproveite para brindar os seus queridos com uns agrados de derreter corações!


Bolo de amêndoas, polenta e limão siciliano da Nigella  (retirado do blog A cozinha coletiva, ligeiramente adaptado)

Explico: conheci esse bolo no blog do Richie, um arquiteto doceiro dos bons, que por sua vez o tirou das receitas da Nigella...)
Esse é daqueles bolos que não se esquece jamais e que merece ficar sempre no repertório de qualquer doceira que se preze: molhadinho, delicioso com uma xícara de café...


Ingredientes

Para o bolo

200 g de manteiga sem sal
200 g de açúcar
200 g de amêndoas moídas (Usei 162 g de amêndoas cruas, fervidas por 1 minuto, depois esfregadas para retirar a pele, levadas ao forno só para secar e batidas no liquidificador. deu quase 1 xícara)
100 g de farinha de milho para polenta
1 1/2 colheres de chá de fermento químico
03 ovos em temperatura ambiente
raspas de 02 limões sicilianos

Para a calda

suco de 02 limões sicilianos
125 g de açúcar de confeiteiro (atenção, não usar o impalpável. Usei 1 xícara quase cheia)

Modo de fazer

Ligue o forno em 180 graus. Numa tigela, bata muito bem a manteiga com o açúcar. Em outra tigela, junte a farinha de milho para polenta, as amêndoas moídas e o fermento. Misture alternadamente à manteiga com o açúcar e junte um ovo de cada vez, até ficar homogêneo. Adicione as raspas de limão e leve ao forno até assar. Numa panelinha, junte o suco de limão com o açúcar de confeiteiro e leve ao fogo até que ferva e o açúcar derreta. Quando retirar o bolo do forno, despeje imediatamente a calda quente. Aguarde esfriar para desenformar. Polvilhei por cima um pouquinho de açúcar de confeiteiro, mas nem precisa. É uma delícia, experimente!

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Para conhecer o ótimo blog do Richie, acesse:

http://www.acozinhacoletiva.blogspot.com.br/ 

e da Nigella: www.nigella.com



quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SALADA IMPROVISADA

A saladinha, pronta para degustar...


Existe pelo menos uma coisa,  a meu ver,  que diferencia as pessoas comuns daqueles chamados "loucos por cozinha", entre os quais me incluo. É a capacidade insuperável de experimentar e ficar como criança quando qualquer dessas experiências é bem-sucedida. Cozinhar para mim, é um ato de extremo carinho e aconchego. Não me vejo fazendo comida para o inimigo. Não me vejo alimentando alguém pelo qual não tenho respeito. 

E mesmo quando faço comida para mim, quero que o prato esteja arrumado. Não consigo comer "gororoba", com o perdão dos adeptos das comidas atacadas de madrugada, geladas, misturadas no fundo da frigideira com um ovo mole. Quando o cidadão ainda consegue fritar o ovo, é claro. Quando não, sei de primos e irmãos que na calada da noite misturavam colheres de arroz e feijão, um pouco de farinha e carne e em pé mesmo, mandavam ver.

Claro, comidinhas assim tem o seu valor e uma boa dose de memória afetiva e há quem não as troque por nada no mundo. Fosse comigo, na era pré-microondas, cada grão de arroz ou pedacinho de carne seria rigorosamente esquentado em panelinha separada, arrumado no prato um do ladinho do outro, sem mistura. Mas, é claro, nada tenho contra a "'gororoba". O fato de não conseguir comer não me tira o respeito por ela, que fique claro. Meu marido mesmo adorava comer umas misturas de arroz, feijão, ovo e Miojo, tudo junto e misturado.

E então estou eu, num domingo de noite à frente da televisão, vendo o ótimo programa de um chef  israelense/britânico chamado Yotham Ottolenghi, quando ele apresenta uma linda salada de figo, laranjas e queijo, em visita à ilha de Maiorca, na Espanha. Não resisti. Da receita original, só tinha em casa limão siciliano, laranja meio azeda e orégano fresco, mas quem é que para o bichinho da experimentação? No lugar dos figos frescos, pêssego (e de lata)! No lugar do queijo macio, um mais duro, embora fresco.

Apesar do improviso, o sabor ficou delicioso. Recomendo experimentar, como jantar leve. Se a quantidade de alho cru não lhe agradar, diminua um pouco. Adoro alho, mas cru não me faz tão bem e na próxima reduzirei um pouco mais. E quando aparecerem figos no supermercado, repetirei a dose, com um queijo mais macio. 

E da próxima vez, antes de fazer a mistura de arroz e feijão gelado, com um pouquinho de farinha e ovo para dar liga, experimente esta saladinha rápida e deliciosa!





Salada improvisada (baseada na receita do chef Yotam Ottolenghi)

Ingredientes

Para a salada

01 laranja sem casca e sem a parte branca, sem caroços, cortada em rodelas finas
Algumas metades de pêssego em lata, a gosto (experimente fazer com a fruta fresca, se encontrar)
04 colheres de sopa de açúcar

Para o molho

O caramelo que sobrou na frigideira
01 1/2 colher de chá de suco de limão siciliano
01 colher de chá de cachaça
1/2 dente de alho pequeno amassado
Queijo fresco, em cubos, a gosto (aproximadamente uma fatia bem grossa)
sal a gosto
pimenta do reino a gosto
Azeite a gosto
Folhinhas de orégano fresco, a gosto (se não tiver, use um pouquinho de orégano seco)

Modo de fazer

Numa frigideira de fundo grosso, coloque as quatro colheres de sopa de açúcar, até formar um caramelo não muito escuro. Não deixe queimar. Arrume as fatias de laranja e as metades de pêssego, para que fritem levemente, por aproximadamente 30 segundos de cada lado. Retire as frutas para uma travessa. Desligue o fogo, passe o que sobrou do caramelo quente para uma molheira, acrescente imediatamente o alho amassado, o suco de limão, o azeite e a cachaça, mexendo bem. Coloque sal e pimenta, a gosto. Arrume as frutas num prato de servir ou travessa, coloque os cubos do queijo que for utilizar, regue tudo com o molho e salpique as folhinhas de orégano. Sirva com pão, se desejar. Delicioso! 

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Para saber mais sobre o chef Yotam Ottolenghi:

http://en.wikipedia.org/wiki/Yotam_Ottolenghi


domingo, 16 de fevereiro de 2014

ALMOCINHO DE DOMINGO




  
O prato, pronto para servir. Em cima do filé, um dos dentes de alho assado...

O filé, depois de ir ao forno...






As bananas na chapa com os cristais de flor do sal, o pimentão imerso em azeite e depois, misturado ao feijão...
Confesso que hoje acordei com a maior preguiça. Depois de tomar meu chá de hortelã de verdade e comer uma tapioca feita na hora (não estou podendo tomar café, entre outras coisas, daí tenho me acabado nos chás, ou melhor, infusões de hortelã, camomila e cidreira), fiquei matutando com meus botões se ia ou não fazer o almoço. Sabem como é, meus filhotes estão longe e às vezes, prefiro convencer meu marido que é melhor sairmos para comer fora. Bom, às vezes é , às vezes não.
Mas aí pensei que ontem comprei um excelente filé no açougue do Paulo, que fica ali no Bosque, em frente à padaria Nossa Senhora do Rosário (já falei dele aqui: http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2013/08/carne-de-sol-e-sombra.html, e também um feijão de praia, como o chamamos por estas bandas, fresquinho e rápido de cozinhar. Banana comprida madura pero no mucho e um pimentão vermelho completaram as ideias e me levaram de vez para a cozinha. Não estou comendo frituras, evito gorduras e nada de cítricos por enquanto, devido a uma pequena grande crise de gastrite por pura desobediência.
Então, enquanto espero a consulta com o especialista e me sentindo melhor, cometi umas pequenas infrações e fiz o filé frito, mas em compensação, nada de ácidos na salada de feijão. Quem puder e quiser, pode jogar um pouquinho de vinagre ou suco e raspas de limão, que também ficará muito bom. Portanto, se está como eu, com saudade dos filhos mas desejosa de agradar ao marido querido, pegue o avental e se aventure. Com certeza, os amigos e a família vão agradecer. E, se estiverem todos longe, faça um agrado para si, pois com certeza você a pessoa que mais lhe importa. Então, mãos à obra!
O filé foi inspirado em um prato do chef Claude Troisgros, no programa Que Marravilha!. Suprimi etapas, mudei alguns ingredientes, pois não os tinha em casa, mas a verdade é que ficou muito bom! A salada pode ser acrescida com outros ingredientes, caso você deseje e a banana assada na chapa de ferro foi uma aposta, pois não estou comendo frituras. Achei que acompanhou o filé muito bem, junto com a salada. Na receita do chef Claude, o acompanhamento são batatas assadas no forno, depois preenchidas com um molho à base de queijo Brie e presunto de Parma. Resolvi fazer outra coisa e acho que ficou mais leve, mas se desejar, troque os acompanhamentos a seu gosto. 
Filé com molho de vinho (baseado em receita do chef Claude Troisgros), salada de feijão de praia e banana assada na chapa de ferro
Ingredientes
Para o filé
06 bifes grossos de filé (tornedor), (obs.: depois do filé já limpo, desprezam-se as pontas e a cada 3 ou 4 dedos, faz-se o corte, obtendo-se bifes bem grossos)
Sal e pimenta a gosto
Ramos de alecrim e tomilho
3 a 4 dentes de alho, com a casca
02 a 03 colheres de manteiga
Azeite para fritar
Para o molho
04 colheres de sopa de cebola roxa picadinha
02 colheres de sopa bem cheias de manteiga
02 colheres de sopa de whisky
01 colher de sopa de molho de soja
04 colheres de sopa de vinho do Porto ruby (há três tipos de vinho do Porto, usei o ruby)
Modo de fazer
Para o molho
Numa frigideira de fundo grosso, coloque 01 colher de  sopa bem cheia de manteiga e em seguida acrescente a cebola picadinha. Vá mexendo até dourar um pouco, acrescente o whisky, o molho de soja e o vinho do Porto e deixe reduzir um pouco, mexendo sempre, pois esta quantidade é bem pequena. Em seguida, coe numa tigelinha e acrescente a outra colher de manteiga fria, mexendo bem. Prove e se necessário, acrescente uns grãozinhos de sal. Não achei preciso acrescentar a mistura de farinha e manteiga da receita original para engrossar, ficou no ponto ideal. Reserve.
Para o filé
Em uma frigideira, de preferência de fundo grosso ou de ferro, acrescente azeite a gosto, aguarde esquentar e coloque os bifes de filé, dois por vez, para que selem dos dois lados e criem uma pequena crosta, ficando ainda crus no interior. Acrescente sal e pimenta a gosto e os galhos de alecrim e  tomilho, além do alho com casca e 01 colher bem cheia de manteiga. Como fiz mais bifes, sugiro que fique bem atento(a)  ao ponto da carne, que deve fritar rapidamente de ambos os lados. Vá retirando os bifes (dois a dois) e colocando-os em uma travessa que possa ir ao forno. Quando selar todos os bifes e acabar de colocá-los na assadeira, regue-os com os líquidos da frigideira, alho e ervas e reserve. Uns dez a quinze minutos antes de servir, coloque a assadeira no forno bem quente, sem cobrir. Após esse tempo, retire-os, coloque-os no prato de servir e regue-os com o molho que ficou separado, levemente aquecido. Sirva com os acompanhamentos.
Para a salada de feijão
Ingredientes
02 xícaras de chá de feijão de praia cozido em água e sal, firme
02 colheres de sopa de cebola branca, bem picada
01 colher de chá de alho amassado
01 colher de sopa de cebola roxa picadinha
01 colher de chá de vinho do Porto tipo ruby
01 colher de sopa de molho de soja
06 colheres de sopa de azeite
01 pimentão vermelho pequeno assado, sem pele, cortado em quadradinhos (deixe o pimentão inteiro na chama do fogão até que a pele fique preta, coloque em seguida dentro de um saco plástico e feche. Aguarde esfriar, esfregue até a pele sair, lave, retire as sementes e corte em pequenos pedaços)
Sal a gosto
Modo de fazer
Misture todos os ingredientes em uma tigela, com 02 das 06 colheres de azeite e sem o pimentão. Reserve na geladeira. Numa tigelinha pequena, coloque o pimentão já cortadinho e as 04 colheres de azeite restante e deixe curtir um pouco. Próximo de servir, misture o feijão reservado com o pimentão em quadradinhos e o azeite no qual ele ficou embebido. Prove o sal e ajuste, se precisar.
Para a banana
01 a 02 bananas compridas (ou da terra, como também é conhecida), maduras, mas ainda bem firmes
01 colher de sopa de manteiga
grãos de flor de sal, a gosto  (Na falta, use sal grosso batidinho)
Modo de fazer
Corte cada banana pelo comprimento em três partes e ao meio, mantendo a casca. Numa chapa de ferro bem quente, sem untar, coloque-as com a casca para baixo e besunte levemente com manteiga na parte de cima. Após alguns minutos, vire-as para baixo. Depois de alguns minutos, vire-as novamente, coloque mais um pouquinho de manteiga e vá procedendo desta forma até perceber que ela já está com a coloração mais amarelada, sinal de que está toda assada. Desligue o fogo e tampe-as com uma folha de papel alumínio, para que o cozimento continue e ela fique mais macia. Na hora de servir, aqueça-as levemente e coloque uns grãozinhos de flor de sal por cima.
Para montar o prato
Coloque um bife de filé, regue com o molho, acrescente uma porção de salada de feijão fria e dois pedaços ou três de banana por prato. Bom apetite!

A fleur de sel de Guérande, para a finalização do prato...
Nota: (flor de sal é a primeira camada de sal que se forma, retirada manualmente. Seu uso agora está sendo mais difundido. Na aparência, lembra o sal grosso, mas seu sabor é mais sutil, tem cristais crocantes e não tão salgados. Usei a de Guérande, cidade francesa que a produz, mas no Nordeste já está sendo produzida também. Deve ser colocada no final da preparação, para não perder sua crocância).
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Para saber mais:
Receita original do chef Claude Troisgros: gnt.globo.com/.../Tornedor-de-file-mignon-com-batata-recheada-ao-brie

domingo, 9 de fevereiro de 2014

UM NOVO MOMENTO...

Depois de pronto, com um pouco de mel e manteiga...




Estou vivendo um momento muito especial. A chamada maturidade ou os quase cinquenta anos não me tiraram nada da jovialidade nem da alegria de viver, mas os filhos, esses danados com quem a gente passa a vida inteira a cuidar, compartilhar, beijar, abraçar, chorar, brigar, ensinar, aprender e mais uma quantidade imensa de verbos que só refletem uma relação de amor que nem dá para explicar direito, esses danados crescem e como é de praxe, querem cuidar de suas vidinhas, é claro.

Nada mais justo e nada mais apoiado, mas que dá saudade e dificuldade nos primeiros meses, ah, isso dá. Não tem mais menino perto pra reclamar da demora no banho, nem pedir pro outro que vá fazer o supermercado, nem dá mais para entrar no quarto de madrugada e olhá-los dormindo tranquilos e imaginar que há tão pouco tempo eram tão pequeninos e precisavam de você para tudo..."Mãe, viu minha meia? Cadê aquela bermuda? Mãe, faz um cafezinho? Mãe, deixa de grude... "

O que posso fazer agora? Torcer pelo sucesso deles e continuar acompanhando do mesmo jeito...há uns seis mil e poucos quilômetros de distância, mas afinal, para que servem a tecnologia, as novas mídias e as redes sociais? E quando a saudade apertar demais, o avião está bem aí...ou quase, mas dá para encarar de vez em quando.

Já tenho uma linda nora, muito educada e tranquila, no namoro mais do que charmoso com o mais velho. E o mais novo, ah, esse tem umas amigas simpáticas que já chegam em casa entrando direto para o quarto, mas calma, só para estudar, pelo menos por enquanto...ele acaba de concluir uma etapa muito importante de sua vida e se prepara agora para encarar a faculdade de Medicina, sonho mais do que acalentado e conquistado com muito, muito esforço, motivo de orgulho para todos nós, que o conhecemos.

Mas como tudo nessa vida também tem o lado bom, já dá para encontrar os amigos mais vezes, sem me preocupar com o jantar dos rapazes nem com o horário da escola de manhã. Os livros, esses que já faziam parte do meu dia a dia, estão com um tempinho mais livre e quanto às comidas, únicas a sofrer algum abalo pela falta de consumidores fiéis aqui pertinho, já escalei família e amigos para os necessários compartilhamentos. E, depois de três dias adoentada, estou voltando às trincheiras. Devagar, ainda não aguento comer comida de panela, mas ontem consegui fazer uma ciabatta, o pão preferido do meu marido, parceiro de sempre, que me cuidou nesses dias de chá e torradas.

Essa receita é simples, fácil e resolvi substituir uma parte da farinha branca pela integral, o que deu um sabor a mais. Comemos quentinhos, com um pouco de manteiga e mel e foi um excelente jantar para mim. Dá para comer o que sobrar no outro dia, tostando as fatias na sanduicheira com um pouquinho de manteiga. Ficam ótimas com chá ou café! Esta receita é do ótimo padeiro, como ele mesmo se define, Olivier Anquier, apresentador do canal GNT e autor de livros de culinária.


Ciabatta do Olivier Anquier (levemente adaptada)

Ingredientes (para metade da receita original, o que rendeu 09 pães de tamanho médio)

500g de farinha de trigo branca (usei 03 xícaras de farinha branca e 01 de farinha integral + 01 colher de sopa - cada xícara de farinha tem 120g)
400 ml de água morna (01 xícara de líquido vale 240 ml, é só adaptar)
15 g de fermento biológico (usei 01 colher de sopa + 1/4 de colher de sopa)
10 g de sal (salguei a gosto, aproximadamente 02 colheres de chá, mas é bom provar a massa)
50 ml de azeite de oliva de boa qualidade

Modo de fazer

Numa vasilha grande, misture as farinhas, peneiradas, junto com o sal. Dilua o fermento na água morna. Se quiser, pode acrescentar o sal por último, é o mais recomendado. Junte a água com fermento à mistura de farinha e sal, se já o tiver colocado. Mexa bem, pois a massa é bem mole, até ficar mais consistente. Adicione o azeite e sove bem. Esta massa é muito mole, portanto não estranhe, ela não vai formar uma bola. Deixe descansar por aproximadamente 1h, coberta com filme plástico, ou até que a massa dobre de tamanho. Vire a massa, após esse tempo, em uma mesa ou outra superfície polvilhada com farinha. Corte a massa em retângulos, jogue um pouco de farinha por cima e coloque em assadeira previamente untada com azeite, de preferência pegando-a por baixo com uma espátula, pois a massa é bastante mole. Coloque a assadeira em forno pré-aquecido por uns 15 a 20 minutos e leve os pães para assar por aproximadamente 20 minutos ou de acordo com o seu forno. Eles não vão dourar, por isso fique atenta ao forno. Quando ficarem firmes na parte de baixo, estarão prontos, pois eles não crescem muito, ficam meio achatados, daí o seu nome, que em italiano quer dizer "chinelo". Coma-os ainda quentinhos, com uma boa manteiga, mel ou geléia, uma delícia!

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Esta receita foi publicada na revista Faça e Venda n. 72, de jan/2006, na reportagem com Olivier Anquier

Para saber mais:

http://www.olivieranquier.com.br/livros/