quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

SALADA IMPROVISADA

A saladinha, pronta para degustar...


Existe pelo menos uma coisa,  a meu ver,  que diferencia as pessoas comuns daqueles chamados "loucos por cozinha", entre os quais me incluo. É a capacidade insuperável de experimentar e ficar como criança quando qualquer dessas experiências é bem-sucedida. Cozinhar para mim, é um ato de extremo carinho e aconchego. Não me vejo fazendo comida para o inimigo. Não me vejo alimentando alguém pelo qual não tenho respeito. 

E mesmo quando faço comida para mim, quero que o prato esteja arrumado. Não consigo comer "gororoba", com o perdão dos adeptos das comidas atacadas de madrugada, geladas, misturadas no fundo da frigideira com um ovo mole. Quando o cidadão ainda consegue fritar o ovo, é claro. Quando não, sei de primos e irmãos que na calada da noite misturavam colheres de arroz e feijão, um pouco de farinha e carne e em pé mesmo, mandavam ver.

Claro, comidinhas assim tem o seu valor e uma boa dose de memória afetiva e há quem não as troque por nada no mundo. Fosse comigo, na era pré-microondas, cada grão de arroz ou pedacinho de carne seria rigorosamente esquentado em panelinha separada, arrumado no prato um do ladinho do outro, sem mistura. Mas, é claro, nada tenho contra a "'gororoba". O fato de não conseguir comer não me tira o respeito por ela, que fique claro. Meu marido mesmo adorava comer umas misturas de arroz, feijão, ovo e Miojo, tudo junto e misturado.

E então estou eu, num domingo de noite à frente da televisão, vendo o ótimo programa de um chef  israelense/britânico chamado Yotham Ottolenghi, quando ele apresenta uma linda salada de figo, laranjas e queijo, em visita à ilha de Maiorca, na Espanha. Não resisti. Da receita original, só tinha em casa limão siciliano, laranja meio azeda e orégano fresco, mas quem é que para o bichinho da experimentação? No lugar dos figos frescos, pêssego (e de lata)! No lugar do queijo macio, um mais duro, embora fresco.

Apesar do improviso, o sabor ficou delicioso. Recomendo experimentar, como jantar leve. Se a quantidade de alho cru não lhe agradar, diminua um pouco. Adoro alho, mas cru não me faz tão bem e na próxima reduzirei um pouco mais. E quando aparecerem figos no supermercado, repetirei a dose, com um queijo mais macio. 

E da próxima vez, antes de fazer a mistura de arroz e feijão gelado, com um pouquinho de farinha e ovo para dar liga, experimente esta saladinha rápida e deliciosa!





Salada improvisada (baseada na receita do chef Yotam Ottolenghi)

Ingredientes

Para a salada

01 laranja sem casca e sem a parte branca, sem caroços, cortada em rodelas finas
Algumas metades de pêssego em lata, a gosto (experimente fazer com a fruta fresca, se encontrar)
04 colheres de sopa de açúcar

Para o molho

O caramelo que sobrou na frigideira
01 1/2 colher de chá de suco de limão siciliano
01 colher de chá de cachaça
1/2 dente de alho pequeno amassado
Queijo fresco, em cubos, a gosto (aproximadamente uma fatia bem grossa)
sal a gosto
pimenta do reino a gosto
Azeite a gosto
Folhinhas de orégano fresco, a gosto (se não tiver, use um pouquinho de orégano seco)

Modo de fazer

Numa frigideira de fundo grosso, coloque as quatro colheres de sopa de açúcar, até formar um caramelo não muito escuro. Não deixe queimar. Arrume as fatias de laranja e as metades de pêssego, para que fritem levemente, por aproximadamente 30 segundos de cada lado. Retire as frutas para uma travessa. Desligue o fogo, passe o que sobrou do caramelo quente para uma molheira, acrescente imediatamente o alho amassado, o suco de limão, o azeite e a cachaça, mexendo bem. Coloque sal e pimenta, a gosto. Arrume as frutas num prato de servir ou travessa, coloque os cubos do queijo que for utilizar, regue tudo com o molho e salpique as folhinhas de orégano. Sirva com pão, se desejar. Delicioso! 

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Para saber mais sobre o chef Yotam Ottolenghi:

http://en.wikipedia.org/wiki/Yotam_Ottolenghi


domingo, 16 de fevereiro de 2014

ALMOCINHO DE DOMINGO




  
O prato, pronto para servir. Em cima do filé, um dos dentes de alho assado...

O filé, depois de ir ao forno...






As bananas na chapa com os cristais de flor do sal, o pimentão imerso em azeite e depois, misturado ao feijão...
Confesso que hoje acordei com a maior preguiça. Depois de tomar meu chá de hortelã de verdade e comer uma tapioca feita na hora (não estou podendo tomar café, entre outras coisas, daí tenho me acabado nos chás, ou melhor, infusões de hortelã, camomila e cidreira), fiquei matutando com meus botões se ia ou não fazer o almoço. Sabem como é, meus filhotes estão longe e às vezes, prefiro convencer meu marido que é melhor sairmos para comer fora. Bom, às vezes é , às vezes não.
Mas aí pensei que ontem comprei um excelente filé no açougue do Paulo, que fica ali no Bosque, em frente à padaria Nossa Senhora do Rosário (já falei dele aqui: http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2013/08/carne-de-sol-e-sombra.html, e também um feijão de praia, como o chamamos por estas bandas, fresquinho e rápido de cozinhar. Banana comprida madura pero no mucho e um pimentão vermelho completaram as ideias e me levaram de vez para a cozinha. Não estou comendo frituras, evito gorduras e nada de cítricos por enquanto, devido a uma pequena grande crise de gastrite por pura desobediência.
Então, enquanto espero a consulta com o especialista e me sentindo melhor, cometi umas pequenas infrações e fiz o filé frito, mas em compensação, nada de ácidos na salada de feijão. Quem puder e quiser, pode jogar um pouquinho de vinagre ou suco e raspas de limão, que também ficará muito bom. Portanto, se está como eu, com saudade dos filhos mas desejosa de agradar ao marido querido, pegue o avental e se aventure. Com certeza, os amigos e a família vão agradecer. E, se estiverem todos longe, faça um agrado para si, pois com certeza você a pessoa que mais lhe importa. Então, mãos à obra!
O filé foi inspirado em um prato do chef Claude Troisgros, no programa Que Marravilha!. Suprimi etapas, mudei alguns ingredientes, pois não os tinha em casa, mas a verdade é que ficou muito bom! A salada pode ser acrescida com outros ingredientes, caso você deseje e a banana assada na chapa de ferro foi uma aposta, pois não estou comendo frituras. Achei que acompanhou o filé muito bem, junto com a salada. Na receita do chef Claude, o acompanhamento são batatas assadas no forno, depois preenchidas com um molho à base de queijo Brie e presunto de Parma. Resolvi fazer outra coisa e acho que ficou mais leve, mas se desejar, troque os acompanhamentos a seu gosto. 
Filé com molho de vinho (baseado em receita do chef Claude Troisgros), salada de feijão de praia e banana assada na chapa de ferro
Ingredientes
Para o filé
06 bifes grossos de filé (tornedor), (obs.: depois do filé já limpo, desprezam-se as pontas e a cada 3 ou 4 dedos, faz-se o corte, obtendo-se bifes bem grossos)
Sal e pimenta a gosto
Ramos de alecrim e tomilho
3 a 4 dentes de alho, com a casca
02 a 03 colheres de manteiga
Azeite para fritar
Para o molho
04 colheres de sopa de cebola roxa picadinha
02 colheres de sopa bem cheias de manteiga
02 colheres de sopa de whisky
01 colher de sopa de molho de soja
04 colheres de sopa de vinho do Porto ruby (há três tipos de vinho do Porto, usei o ruby)
Modo de fazer
Para o molho
Numa frigideira de fundo grosso, coloque 01 colher de  sopa bem cheia de manteiga e em seguida acrescente a cebola picadinha. Vá mexendo até dourar um pouco, acrescente o whisky, o molho de soja e o vinho do Porto e deixe reduzir um pouco, mexendo sempre, pois esta quantidade é bem pequena. Em seguida, coe numa tigelinha e acrescente a outra colher de manteiga fria, mexendo bem. Prove e se necessário, acrescente uns grãozinhos de sal. Não achei preciso acrescentar a mistura de farinha e manteiga da receita original para engrossar, ficou no ponto ideal. Reserve.
Para o filé
Em uma frigideira, de preferência de fundo grosso ou de ferro, acrescente azeite a gosto, aguarde esquentar e coloque os bifes de filé, dois por vez, para que selem dos dois lados e criem uma pequena crosta, ficando ainda crus no interior. Acrescente sal e pimenta a gosto e os galhos de alecrim e  tomilho, além do alho com casca e 01 colher bem cheia de manteiga. Como fiz mais bifes, sugiro que fique bem atento(a)  ao ponto da carne, que deve fritar rapidamente de ambos os lados. Vá retirando os bifes (dois a dois) e colocando-os em uma travessa que possa ir ao forno. Quando selar todos os bifes e acabar de colocá-los na assadeira, regue-os com os líquidos da frigideira, alho e ervas e reserve. Uns dez a quinze minutos antes de servir, coloque a assadeira no forno bem quente, sem cobrir. Após esse tempo, retire-os, coloque-os no prato de servir e regue-os com o molho que ficou separado, levemente aquecido. Sirva com os acompanhamentos.
Para a salada de feijão
Ingredientes
02 xícaras de chá de feijão de praia cozido em água e sal, firme
02 colheres de sopa de cebola branca, bem picada
01 colher de chá de alho amassado
01 colher de sopa de cebola roxa picadinha
01 colher de chá de vinho do Porto tipo ruby
01 colher de sopa de molho de soja
06 colheres de sopa de azeite
01 pimentão vermelho pequeno assado, sem pele, cortado em quadradinhos (deixe o pimentão inteiro na chama do fogão até que a pele fique preta, coloque em seguida dentro de um saco plástico e feche. Aguarde esfriar, esfregue até a pele sair, lave, retire as sementes e corte em pequenos pedaços)
Sal a gosto
Modo de fazer
Misture todos os ingredientes em uma tigela, com 02 das 06 colheres de azeite e sem o pimentão. Reserve na geladeira. Numa tigelinha pequena, coloque o pimentão já cortadinho e as 04 colheres de azeite restante e deixe curtir um pouco. Próximo de servir, misture o feijão reservado com o pimentão em quadradinhos e o azeite no qual ele ficou embebido. Prove o sal e ajuste, se precisar.
Para a banana
01 a 02 bananas compridas (ou da terra, como também é conhecida), maduras, mas ainda bem firmes
01 colher de sopa de manteiga
grãos de flor de sal, a gosto  (Na falta, use sal grosso batidinho)
Modo de fazer
Corte cada banana pelo comprimento em três partes e ao meio, mantendo a casca. Numa chapa de ferro bem quente, sem untar, coloque-as com a casca para baixo e besunte levemente com manteiga na parte de cima. Após alguns minutos, vire-as para baixo. Depois de alguns minutos, vire-as novamente, coloque mais um pouquinho de manteiga e vá procedendo desta forma até perceber que ela já está com a coloração mais amarelada, sinal de que está toda assada. Desligue o fogo e tampe-as com uma folha de papel alumínio, para que o cozimento continue e ela fique mais macia. Na hora de servir, aqueça-as levemente e coloque uns grãozinhos de flor de sal por cima.
Para montar o prato
Coloque um bife de filé, regue com o molho, acrescente uma porção de salada de feijão fria e dois pedaços ou três de banana por prato. Bom apetite!

A fleur de sel de Guérande, para a finalização do prato...
Nota: (flor de sal é a primeira camada de sal que se forma, retirada manualmente. Seu uso agora está sendo mais difundido. Na aparência, lembra o sal grosso, mas seu sabor é mais sutil, tem cristais crocantes e não tão salgados. Usei a de Guérande, cidade francesa que a produz, mas no Nordeste já está sendo produzida também. Deve ser colocada no final da preparação, para não perder sua crocância).
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Para saber mais:
Receita original do chef Claude Troisgros: gnt.globo.com/.../Tornedor-de-file-mignon-com-batata-recheada-ao-brie

domingo, 9 de fevereiro de 2014

UM NOVO MOMENTO...

Depois de pronto, com um pouco de mel e manteiga...




Estou vivendo um momento muito especial. A chamada maturidade ou os quase cinquenta anos não me tiraram nada da jovialidade nem da alegria de viver, mas os filhos, esses danados com quem a gente passa a vida inteira a cuidar, compartilhar, beijar, abraçar, chorar, brigar, ensinar, aprender e mais uma quantidade imensa de verbos que só refletem uma relação de amor que nem dá para explicar direito, esses danados crescem e como é de praxe, querem cuidar de suas vidinhas, é claro.

Nada mais justo e nada mais apoiado, mas que dá saudade e dificuldade nos primeiros meses, ah, isso dá. Não tem mais menino perto pra reclamar da demora no banho, nem pedir pro outro que vá fazer o supermercado, nem dá mais para entrar no quarto de madrugada e olhá-los dormindo tranquilos e imaginar que há tão pouco tempo eram tão pequeninos e precisavam de você para tudo..."Mãe, viu minha meia? Cadê aquela bermuda? Mãe, faz um cafezinho? Mãe, deixa de grude... "

O que posso fazer agora? Torcer pelo sucesso deles e continuar acompanhando do mesmo jeito...há uns seis mil e poucos quilômetros de distância, mas afinal, para que servem a tecnologia, as novas mídias e as redes sociais? E quando a saudade apertar demais, o avião está bem aí...ou quase, mas dá para encarar de vez em quando.

Já tenho uma linda nora, muito educada e tranquila, no namoro mais do que charmoso com o mais velho. E o mais novo, ah, esse tem umas amigas simpáticas que já chegam em casa entrando direto para o quarto, mas calma, só para estudar, pelo menos por enquanto...ele acaba de concluir uma etapa muito importante de sua vida e se prepara agora para encarar a faculdade de Medicina, sonho mais do que acalentado e conquistado com muito, muito esforço, motivo de orgulho para todos nós, que o conhecemos.

Mas como tudo nessa vida também tem o lado bom, já dá para encontrar os amigos mais vezes, sem me preocupar com o jantar dos rapazes nem com o horário da escola de manhã. Os livros, esses que já faziam parte do meu dia a dia, estão com um tempinho mais livre e quanto às comidas, únicas a sofrer algum abalo pela falta de consumidores fiéis aqui pertinho, já escalei família e amigos para os necessários compartilhamentos. E, depois de três dias adoentada, estou voltando às trincheiras. Devagar, ainda não aguento comer comida de panela, mas ontem consegui fazer uma ciabatta, o pão preferido do meu marido, parceiro de sempre, que me cuidou nesses dias de chá e torradas.

Essa receita é simples, fácil e resolvi substituir uma parte da farinha branca pela integral, o que deu um sabor a mais. Comemos quentinhos, com um pouco de manteiga e mel e foi um excelente jantar para mim. Dá para comer o que sobrar no outro dia, tostando as fatias na sanduicheira com um pouquinho de manteiga. Ficam ótimas com chá ou café! Esta receita é do ótimo padeiro, como ele mesmo se define, Olivier Anquier, apresentador do canal GNT e autor de livros de culinária.


Ciabatta do Olivier Anquier (levemente adaptada)

Ingredientes (para metade da receita original, o que rendeu 09 pães de tamanho médio)

500g de farinha de trigo branca (usei 03 xícaras de farinha branca e 01 de farinha integral + 01 colher de sopa - cada xícara de farinha tem 120g)
400 ml de água morna (01 xícara de líquido vale 240 ml, é só adaptar)
15 g de fermento biológico (usei 01 colher de sopa + 1/4 de colher de sopa)
10 g de sal (salguei a gosto, aproximadamente 02 colheres de chá, mas é bom provar a massa)
50 ml de azeite de oliva de boa qualidade

Modo de fazer

Numa vasilha grande, misture as farinhas, peneiradas, junto com o sal. Dilua o fermento na água morna. Se quiser, pode acrescentar o sal por último, é o mais recomendado. Junte a água com fermento à mistura de farinha e sal, se já o tiver colocado. Mexa bem, pois a massa é bem mole, até ficar mais consistente. Adicione o azeite e sove bem. Esta massa é muito mole, portanto não estranhe, ela não vai formar uma bola. Deixe descansar por aproximadamente 1h, coberta com filme plástico, ou até que a massa dobre de tamanho. Vire a massa, após esse tempo, em uma mesa ou outra superfície polvilhada com farinha. Corte a massa em retângulos, jogue um pouco de farinha por cima e coloque em assadeira previamente untada com azeite, de preferência pegando-a por baixo com uma espátula, pois a massa é bastante mole. Coloque a assadeira em forno pré-aquecido por uns 15 a 20 minutos e leve os pães para assar por aproximadamente 20 minutos ou de acordo com o seu forno. Eles não vão dourar, por isso fique atenta ao forno. Quando ficarem firmes na parte de baixo, estarão prontos, pois eles não crescem muito, ficam meio achatados, daí o seu nome, que em italiano quer dizer "chinelo". Coma-os ainda quentinhos, com uma boa manteiga, mel ou geléia, uma delícia!

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Esta receita foi publicada na revista Faça e Venda n. 72, de jan/2006, na reportagem com Olivier Anquier

Para saber mais:

http://www.olivieranquier.com.br/livros/


domingo, 26 de janeiro de 2014

IRMÃ MADALENA E A COSTURA DA PACIÊNCIA

Irmã Madalena, sempre sorridente, com a caixinha de música para costurar paciência, ao lado do meu marido Marcos Afonso e eu


Conheci Irmã Madalena ainda criança, aí pelos meus doze anos de idade, quando ela foi minha professora de Artes na sexta série, no colégio Imaculada Conceição, de freiras católicas. Lembro muito bem da calça boca de sino que eu usava quase todos os dias nesta época, com listras rosadas em tons diferentes e do jardim interno da nossa escola, onde as aulas aconteciam, numa sala próxima. Essa área da escola não era liberada para todo mundo e só podia ir ali quem "tinha negócio". Por isso era para mim meio que um jardim secreto e colorido.

Irmã Madalena, da Congregação Servas de Maria Reparadora,  sempre foi uma santa, para aturar com bom humor e mão enérgica, aqui e ali, toda sorte de meninos e meninas loucos para fazer travessuras, explodindo de energia acumulada. Não que fôssemos insolentes. Nada disso. Eu lembro que era até muito quieta. Mas imaginem turmas de 12 a 15 anos tendo aulas de artes em 1977 e vocês terão ideia do que ela tinha pela frente.

Com suas aulas aprendi a fazer um fantoche e grude para colar o que fosse preciso, pois era mais acessível e não gastava os minguados salários de nossos pais com cola branca. Colocava-se jornal de molho e depois de uns dias passava-se com água no liquidificador, espremia-se e depois juntava-se cola, formando uma massa que era modelada em cima de um saco redondo cheio de milho para formar a cabeça. Depois de seco, pintávamos e colocávamos roupinhas e enfeites.

Foi nessa época que acabei com toda a coleção de fronhas e lençóis brancos que minha mãe havia comprado para abastecer a casa. Irmã Madalena também dava aulas de pintura e como eu adorava pintar, a cada lição eu corria para o guarda-roupa de casa, puxava uma fronha ou lençol ainda na embalagem e com um ou outro na mão, rumava para a aula. Lá, os enchia de frutas e flores, cujas pinceladas tinham sempre o olhar benevolente da Irmã. Ainda bem que minha mãe era compreensiva e a aluna não de todo má, de maneira que não se criou nenhuma tragédia, para minha sorte.

Passei muitos anos sem ver Irmã Madalena e quando voltei para o Acre, descobri que ela é muito amiga da família de meu atual marido, além de devota de Nossa Senhora de Guadalupe, por quem tenho especial carinho. Trabalhadora aos extremos, esse doce de pessoa sempre deu sua contribuição onde foi requisitada, tendo passado vários anos no hospital Santa Juliana, aqui no Estado, em Portugal e em várias localidades Brasil afora, espalhando seu sorriso e sua alegria. Sempre me senti criança de novo, além de bem protegida,  em todas as vezes que a encontro.

Mas nesses dias, soubemos que a Irmã está enferma, repousando para sua recuperação. Nada que tire  o seu sorriso e sua esperança. E ao fazermos uma visita, meu marido e eu nos emocionamos muito com a história de sua vida e com sua fé inabalável. Hoje com setenta e poucos anos, Madalena era ainda uma menina de família muito humilde, vinda do Ceará para tentar a sorte por aqui, quando decidiu ser freira, após ter acesso à vida de Joana Angélica.

Morando em um ramal longe da cidade, quando conseguiu convencer os pais, pegou um dos irmãos e saiu pela mata ainda de noite. Um pouco assustada, resolveu pernoitar na floresta até que o dia clareasse e conseguiu chegar ao convento da cidade para se apresentar, na manhã seguinte. Isso foi em Sena Madureira, cidade do interior do Acre. Tanto insistiu que conseguiu convencer o bispo local de sua vocação, após ser pega ajoelhada na igreja fazendo promessa para todos os santos presentes, de um por um. Perguntamos para ela se em algum momento teve dúvidas do caminho escolhido. A resposta veio rápida e firme: "Nunca!". Irmã Madalena toca piano, pinta, borda e ainda cozinha, tendo feito inúmeros cursos no Rio, em Santa Catarina e outras localidades do Brasil.

Descobri que a herança cearense a fez abrir mão de um presente. Minha sogra, ao viajar para o Nordeste uma época, recebeu a dica: "Neuza, se é de você trazer para mim algum presente, eu troco por castanha de caju!!" E ao conversarmos sobre receitas nesta visita, descobri que sua paixão por nata deu origem a um biscoitinho, famoso entre as freiras. A veia de cozinheira foi imediatamente atiçada: "Irmã, não teria a senhora esta receita?"

Pois na próxima visita não é que ela estava com uma folhinha de caderno na mão, com a preciosa receita anotadinha e tudo? Havia pedido a alguém que fizesse a busca e conseguiu localizar esta e uma outra receita, cuja foto anexo a  este post. Meu marido, sempre que a visitamos, leva flores. Ela ri, encantada e diz que todo mundo pergunta quem a está mimando. Da última vez que estivemos com ela, recuperava-se do tratamento, mas sem reclamar de nada. Levamos uma caixinha de música que por uma dessas incríveis coincidências, reproduz a música "Pour Elise", de Beethoven, que ela toca ao piano e que era a música com que um irmão a recebia, sempre que o visitava.




A caixinha fez o maior sucesso, por imitar de forma muito perfeita uma máquina de costura, com pedal e tudo. Mas o sucesso maior foi pela frase com que meu marido entregou o presente para ela: "Irmã, esta máquina é para a senhora costurar paciências..." Estamos agora com todas as energias voltadas para sua recuperação, que esperamos que aconteça breve. Fiz a receitinha como a original, usando nata caseira e salgada. Usei 1/2 colher de sopa do fermento, mas não recomendo. Substituí na receita original para 1 colher de chá, mas resolvi testar também sem o fermento e achei o resultado melhor. 

Fiz outros dois testes, desta vez usando nata industrializada, da marca Balkis. Em um deles, mantive as proporções da receita original, apenas tirei o fermento. No outro, inverti as quantidades de farinha e amido de milho. Neste caso, precisei colocar um pouquinho mais de amido, farinha e açúcar (1 colher de sopa de cada e 1/2 colher de sopa de açúcar) e ficou uma massa mais macia. É um biscoitinho mais rústico, que você não deve manusear demais, para que a massa não fique dura. Das opções que testei, achei melhor a receita original, sem o fermento. Então, mãos à obra, ainda dá tempo de fazer para o domingo! Bom apetite!










Biscoitinhos de nata da Irmã Madalena (adaptada)

Ingredientes

02 xícaras de farinha de trigo
01 xícara bem cheia de amido de milho
01 xícara de nata
01 xícara de açúcar
01 colher de sopa de manteiga
01 colher de chá de fermento em pó (achei melhor o resultado sem o uso do fermento)
01 pitada de sal

Modo de fazer

Misture todos os ingredientes apenas até homogeneizar, enrole em bolinhas e arrume na assadeira, sem untar. Achate as bolinhas com um garfo, coloque em forno moderado pré-aquecido por uns dez minutos ou até assar. Esse biscoito não fica dourado, só a base escurece um pouquinho, por isso preste atenção ao forno. Aguarde esfriar e coloque-os em potes bem vedados ou em saquinhos de celofane para dar de presente. Experimente com chá, café ou chocolate quente!

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Para ouvir:

Uma das versões de Pour Elise, de Beethoven: 
http://www.youtube.com/watch?v=yAsDLGjMhFI

Outra versão, mais parecida com a caixinha de música:
https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=4389074753650099561#editor/target=post;postID=9218871653757797679;onPublishedMenu=allposts;onClosedMenu=allposts;postNum=0;src=postname

sábado, 18 de janeiro de 2014

O PARAÍSO É AQUI


Embrulhadinha para presente, faz a alegria dos famintos...


Perdoem-me a ausência de postagens, mas os dias tem seguido vertiginosos. Acabo de completar 49 longas voltas ao redor do sol, na cidade de Cusco, no Peru, numa viagem linda e cheia de descobertas. Sou a feliz mãe de um filhote recém-aprovado para Medicina na UFC - campus de Sobral,  e essa sucessão de fatos e alegrias vem afetando de forma positiva minha rotina. "Muita coisa acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos..."


Estou quase travada e o grau de ansiedade aumentou. Filhos saindo de casa, filhos cuidando da vida, filhos longe...por mais que a preparação seja grande, os motivos nobres e os fatos inevitáveis, é certo que quando a saudade aperta só resta enxugar as lágrimas e ficar feliz com as boas notícias. Mas me pego passando longe dos quartos deles, cujas portas mantenho fechadas. Assim, parece que a qualquer momento um deles vai abri-la pedindo um cafezinho...é senhores, vou levar um tempinho para me acostumar, mas chego lá.


Junte-se a isto uma necessidade premente de fazer uma dieta de verdade e por causa disso, não é que eu vá postar só folhas a partir de agora, que aliás, são deliciosas. Mas vou precisar presentear mais a família e os amigos a cada receitinha mais encorpada...melhor para eles, não? 

Então, lembrando do filhote mais velho que é louco por torta de maçã (leia em http://www.mesanafloresta.blogspot.com.br/2012/09/a-torta-do-meu-filho.html) e de um pastel de banana que comi esses dias, com leite condensado e queijo, resolvi fazer um teste com essa ótima massa que já uso para outras tortas e empadas. Essa massa me foi passada por d. Thereza, avó paterna dos meninos, em um curso feito em Rio Branco, muitos anos atrás. É uma delícia. Sugiro apenas não misturar muito, para que não fique dura e usar os ingredientes em temperatura ambiente.

Você pode embalar os pedaços em papel celofane, prender com fita e dar de presente aos queridos ou servir na próxima festinha de família. Bom apetite!

Torta de banana comprida frita com leite condensado e queijo coalho

Ingredientes para a massa

300 g de farinha de trigo peneirada
200 g de manteiga com sal, em temperatura ambiente
01 ovo e 01 gema
01 gema de ovo passada na peneira e misturada com 01 colher de chá de azeite, para pincelar

Ingredientes para o recheio

05 bananas compridas grandes, maduras, sem casca, fritas em óleo (a banana comprida é chamada de banana da terra em outros locais)
300 ml de leite condensado ou a gosto
01 xícara de queijo coalho ralado ou a gosto
canela em pó, a gosto

Modo de fazer

Numa tigela, misture a manteiga e os ovos. Acrescente a farinha aos poucos, misturando com um garfo, apenas até agregar os ingredientes. A partir daí, misture levemente com as mãos, apenas para homogeneizar a massa. Deixe a massa descansar um pouco. Após uns dez minutos, abra a massa entre duas folhas de plástico filme com um rolo, deixando-a fina. Forre o fundo e as laterais da assadeira ou pirex com a massa. Polvilhe um pouco do queijo ralado. Arrume as fatias de banana frita cobrindo todo o fundo da assadeira, numa primeira camada. Polvilhe queijo ralado e coloque colheradas do leite condensado a gosto. Polvilhe canela por cima e vá repetindo as camadas até acabarem os ingredientes ou encher a forma. Abra o restante da massa da mesma forma, cubra a torta, pincele a gema de ovo com azeite em cima e coloque no forno pré-aquecido, por mais ou menos 30 minutos ou até assar. Deliciosa!! Se quiser, sirva com um pouco de creme de leite ou mais leite condensado, para os loucos por doce!






LEITE CARAMELADO

O leite bem morno, mexido com um pauzinho de canela...


Quando eu era bem pequena, nossa cozinha ficava em um cômodo na parte final da casa e à frente de quem entrava nela, havia um pequeno jirau. Esse puxado de madeira, ainda muito presente nas casas mais humildes Brasil afora, era um dos meus locais preferidos, onde eu passava  um bom tempo em pé numa cadeira, lavando louça. Antes que alguém pense que minha querida mãe explorava meus talentos precoces, explico: por ter apenas irmãos, não brinquei muito de casinha. Meu divertimento maior era pegar louça de verdade e no tempo que Bombril® durava,  passar horas esfregando panelas, só para ver aquela espuma consistente ir cobrindo de branco minhas mãos.

Eu era tão miúda que precisava da cadeira pra alcançar o jirau. Embaixo dele o chão estava sempre empoçado, pois a água utilizada não era canalizada e demorava um pouco para que a terra absorvesse o excesso. As galinhas e pintinhos ficavam sempre por ali, mais do que interessados em alguma eventual sobra de alimento dos pratos e panelas após lavados.

Foi nessa pequena cozinha de minha infância que lembro da minha mãe preparando uma gemada, que eu rapidamente me interessei em aprender. Gemas amarelinhas  bem batidas em um prato, depois colocadas na tigela pra receber o leite quente ou o chá de jatobá e bem polvilhadas de canela. Receita infalível para a gripe, mas a mim acalmava e dava um conforto enorme.

Desde pequenina, sempre gostei da cozinha. Minhas tarefas eram bem simples, mas eu as fazia com muita concentração. Minha mãe, ao nos ver com gripe ou resfriado, além da gemada, nos preparava uns "lambedores" deliciosos, com malvarisco e outras ervas, cozidas em água e açúcar, que viravam um xarope para tosses e outros males, que reproduzi para meus filhos muitos anos depois, usando apenas os filtros da memória.

Mamãe é  farmacêutica formada, mas jamais deixou de nos tratar enquanto crianças com banhos de cozimento feitos com ervas coletadas na vizinhança, chás e remédios caseiros. Também nunca deixou de nos levar na rezadeira ao menor sinal de moleza ou “espinhela caída”. Dona santa, uma velhinha miúda e muito simpática, nos recebia em sua casa, aquela penca de meninos magrelos, com todo o carinho. Com um barbante, media o antebraço de cada menino ou o meu.

Ato contínuo, esticava o barbante de um ombro ao outro da criança da vez e comparava com a medida do antebraço . Se sobrasse barbante, o diagnóstico estava dado: o menino ou menina estava com “espinhela caída” e era preciso algumas rezas com um galhinho de arruda para ficar bom. Até hoje não sei as consequências dessa "terrível" doença, que certamente devia preocupar muito as mães de antigamente. 

Havia também o temível "quebranto". Esse  acometia basicamente os recém-nascidos. Bastava que o bebê começasse a ficar molinho, sem apetite e com choro fácil para que uma rezadeira de confiança fosse acionada. Justiça seja feita, em quase todos os casos após as rezas, os bebezinhos recuperavam o viço, até que a próxima visita do “olho grande” aparecesse e recomeçasse todo o processo. Da “espinhela caída” não ouvi mais falar. O "quebranto", por sua vez,  segue firme e forte assombrando as famílias.

Em Ocara, no interior do Ceará, havia uma querida senhora, já falecida, mãe de uma numerosa prole. Para dar conta da alimentação de todos, ela aproveitava praticamente tudo que se mexia, incluindo lagartos e sapos. Depois dos filhos já adultos e casados, todos trabalhadores rurais, adquiriu algum conforto, junto com o marido, também aposentado.

Do lado esquerdo de sua cozinha sempre muito limpa e arrumada, ficava o fogão a lenha, para a comida do dia a dia. O fogão a gás quase nunca era usado e apenas enfeitava a cozinha com sua brancura. Quando eu ia por lá, dona Franca (esse era o nome dela) abria uma exceção e fazia pra mim umas “bruacas”, espécie de massa de bodó de formato mais achatado. Ela misturava a farinha, ovo e fermento com suco das laranjas de seu quintal,  ao invés de leite, que comíamos quente, com café coado na hora, uma delícia.

Prevenida, sempre tinha embaixo do armário umas macaxeiras de molho na água para fazer a puba. Assim, quando acabava a safra, ela tinha o seu estoque de farinha garantido para o mingau que gostava de tomar. Após fermentar, essa macaxeira era lavada, escorrida e peneirada. Colocada para secar, sua farinha dá  um mingau muito saboroso. Fresca, a puba entra em bolos como o Souza Leão, oriundo de um tradicional engenho do Recife e aqui no Acre, é a base do tradicionalíssimo pé de moleque, assado em folhas de bananeira e vendido em todas as feiras de Rio Branco.

Além da gemada, havia o leite caramelado, bom para os males da garganta e tão acolhedor quanto. Aproveite para fazê-los na próxima chuva e sinta-se tão abraçado como eu me sentia.



Gemada da minha mãe

Ingredientes

Gemas de ovo, quanto baste
Açúcar, a gosto
Chá de jatobá (feito com água e jatobá, depois coado) ou leite quente, a gosto
Canelá em pó, para polvilhar

Modo de fazer 

As quantidades são indicativas. Para cada gema batida, use aproximadamente 01 colher de sopa de açúcar e 200 ml de chá ou leite, além da canela a gosto, mas você pode variar de acordo com seu paladar pessoal. Passe as gemas na peneira, bata-as muito bem e acrescente o açúcar. Bata mais um pouco e acrescente o chá ou o leite quente. Misture, coloque no copo de servir e polvilhe canela a gosto. Uma delícia!

Leite caramelado

Ingredientes

200 ml de leite
02 a 03 colheres de sopa de açúcar
canela em pó ou em pau, se desejar

Modo de fazer

Numa panela de fundo grosso, derreta o açúcar até ficar com uma cor marrom dourada. Não deixe queimar. Aos poucos, vá derramando o leite com cuidado, pois o caramelo sobe de uma vez. Vá mexendo aos poucos até que o leite vá ficando cor de caramelo. Despeje no copo ou caneca, acrescente o pauzinho de canela ou canela em pó e se delicie. Esse leite é especial para dor na garganta, pelo menos eu não o dispenso. Você pode acrescentar um pouquinho mais de leite ou açúcar de acordo com o seu gosto pessoal.

Bom apetite!

  

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

EU SAÍ DO PERU, MAS O PERU AINDA NÃO SAIU DE MIM



O rocoto, picante e delicioso...

Voltei para o Acre há uns sete anos, após ter vivido por quase vinte em Fortaleza e há muito tempo estava nos planos conhecer os vizinhos. Fui à Cobija (Bolívia) algumas vezes, pelo passeio e para comprar bugigangas, que ninguém é de ferro. Nesta pequena cidade, ligada ao Departamiento de Pando, o atendimento costuma ser meio brusco e pouco simpático. Na verdade, mais afugentam que acolhem, com uma ou outra exceção.
É óbvio que isso não vale para todos os bolivianos,  mas culturalmente estamos meio que acostumados com o comportamento dos que convivem conosco de forma mais constante. Por causa disso, meio cismada, resisti um pouco aos frequentes convites para chegar um pouquinho mais longe e visitar o Peru. Aquele preconceito básico e arrogante que fica tão escondido que às vezes o negamos até para nós mesmos.

Não vou repetir aqui aquela máxima de que se arrependimento matasse, estaria já eu bem durinha. Após um longo e cansativo ano, à beira de um ataque de nervos, combinamos eu e o Marcos de ter uma pequena lua-de-mel. E aí, para não repetir cantinhos charmosos e já visitados, juntei a fome com a vontade de comer e com o apoio de uma querida amiga, a Karla Martins,  verdadeira incentivadora dos casais apaixonados, compramos a passagem.

A essa altura, os amigos que já conheciam Lima ou Cuzco, ou Arequipa, ou Puno, começaram a nos falar das belezas do Peru, da comida, da tranquilidade...o tempo passou, mas não havíamos ainda organizado a viagem, não tínhamos hotel nem sabíamos ainda o que iríamos fazer por lá. Foi aí que entraram em cena mais dois anjos da guarda, mais anjos do que guardas, pois nos ajudaram em todo o detalhamento da viagem: o Bosco e a Maida, donos de uma agência de viagens itinerante e personalizada, a Maanaim.

Itinerante porque vai onde o cliente está e fomos atendidos em casa, às dez horas da noite, hora possível para a agenda de quem vive correndo, nós e eles. Personalizada porque você diz o que quer e eles montam uma viagem tão gostosa que já estou até mesmo pensando na próxima. Fizemos programa de turista e os nossos programas. 

Em Lima, conhecemos museus, praças e mercados. Fomos a restaurantes e cafés históricos. Visitamos um cassino de manhã cedinho , ainda vazio mas não menos bonito (ganhei 7 dólares). Feirinha de antiguidades, comida de rua e até mesmo uma troca de armas no Palácio do Governo com o fundo musical de Carmina Burana.
Fomos ao Centro Histórico de Lima, cheio de praças floridas, palácios e um hotel, o Bolívar, onde um belo Ford Bigode está exposto no salão principal. Turistas chegam em bandos com suas câmeras fotográficas, desejosos de levar pedacinhos de história, mas Lima não é só para ver: principalmente, Lima é para sentir. Desacelerar. Fiquei tão encantada, que ainda estou retornando aos poucos para minha cidade e para a correria do dia a dia.  

E a comida? Ah, a comida...Gaston Acurio, o chef  mais conhecido do Peru, lançou a comida peruana para o mundo. Hoje os ceviches e tiraditos  fazem bonito por onde passam. As influências chinesas estão por toda parte, nas inúmeras chifas, restaurantes populares presentes em todos os distritos de Lima. Mas tem a comida criolla, com seus cozidos e feijões, tem os mais de 3.000 (você não leu errado) tipos de batatas, os inúmeros tipos de milho...tem uma batata para acompanhar a acidez do ceviche, tem uma que é só água para o cozido, tem uma de duas cores que se come frita com casca e nó, tem... Vá para Lima, correndo!
E tem o drinque onipresente de lá, o pisco sour. Feito com um fermentado de uva, o pisco é acrescido de açúcar, limão e clara de ovo. Dá vontade de beber como suco, de tão gostoso, mas como não tenho hábito, fiquei quase embriagada com um só...delicioso! No hotel em que nos hospedamos, tivemos além da gentileza habitual, uma deferência: como fiz questão de conhecer a cozinha, o chef em pessoa nos acompanhou, mostrando todas as praças e a produção dos pães, biscoitos e bolos. À chef patissierère Valéry e ao chef Rafael e toda a equipe, simpaticíssimos, nossa eterna gratidão.
Poderia passar muito tempo falando da emoção de conhecer uma cultura irmã, riquíssima, milenar, mas penso que não poderei reproduzir a contento a felicidade que tivemos. Deixo algumas fotos para que vocês se sintam tentados e como eu, arrependida de não ter ido antes.

Os chilles, pimentas secas...

O suco amarelo é de lúcuma, uma fruta diferente e adocicada, com gosto de caramelo...

Vista do avião, na chegada...

A gorjeta tem um nome engraçado...

Miraflores, o bairro onde ficamos, ao entardecer...

Show típico...

O ford bigode exposto no Hotel Bolívar...

Sobremesa onipresente, à base do milho roxo, muito comum no Peru...

Pimentas picantes no mercado...

Frutas diferentes e deliciosas no hotel...

Centro de Lima...

Idem

Suspiro limenho, delicioso...

Flores em todas as praças...

Café da manhã no hotel...

Passeio em Miraflores...











As fotos acima são nos mercados da cidade...

No restaurante La Mar, de Gaston Acurio, uma entradinha básica e enorme...

Os molhos prontos no mercado, para temperar aves, carnes e peixes e o que mais a imaginação mandar...

Banana comprida (ou da terra) verde frita, aperitivo...




No museu...

O pisco sour...

No museu...

Milho frito, delícia do La Mar...

Centro de Lima...

Cachorrinho vestido para ganhar uns cobres para o dono...

Sapota, fruta doce servida em Puerto Maldonado...

Centro de Lima...

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Viagem realizada em abril/2013, para Lima,Peru

Alguns endereços:

Maanaim Turismo: www.maanaimturismo.com - tel: 55 (68) 9971-3232/9214-7131/8119-4422

Hotel Marriot, Lima - veja em www.marriot.com

La Mar Cebicheria - veja em http://lamarsf.com