domingo, 11 de agosto de 2013

CAFÉ DA MANHÃ ESPECIAL PARA MEU PAI

Meu pai, desde cedo com a mesa arrumada...

Mesa improvisada, para dar conta das comidinhas

Atividade frenética na cozinha, cada um numa panela...

Fazendo as tapiocas para a sobrinha colocar manteiga e enrolar, produção coletiva...

Geléia de morango feita em casa...

Meu irmão arrumando o cuscuz, este feito com leite de coco...

Minha sobrinha cortando a pimentinha para temperar a carne moída...



Olha a linda sobrinha esperando o leite ferver e meu filho mais velho ajudando na tapioca...



Hoje o dia começou muito cedo e ainda não acabou. Explico: às 5:30h da manhã meu despertador toca. Preciso tomar um remédio em jejum absoluto e engoli-lo a seco. Abro os olhos, pois, tonteio no escuro em busca do comprimido, ainda bem que minúsculo e fecho de novo os olhos. Às vezes durmo, outras não. Às seis da matina o despertador toca de novo. Desta vez, tenho que colocar o bloco na rua e levantar de verdade, o que faço quase sempre com muita preguiça.

Como sempre, ao ouvir o barulhinho do relógio, tateei o remédio mas o danado caiu no chão. Ao levantar para pegá-lo, lembrei do filho mais velho que havia saído para a cervejinha da sexta e fui conferir se o bruguelo já estava em casa são e salvo.  Filho conferido, encontro na sala o bilhete do mais novo: "Mãe, vou ali e volto logo". Mas que logo é esse, penso eu? Claro, vou no quarto dele confirmar se o logo não demorou e se ele está inteiro e ressonando.

Eu sei, podem rir, mas desde que me dou por mãe não tenho mais vida própria. Os meninos nem são mais meninos há um bom tempo. Um deles já namora firme e o outro está prestes a fazer dezoito e segundo ele, fazer o que quiser. Escuto calada e paciente os arroubos desse pequeno mais alto do que eu com um misto de ternura e riso: mal sabe ele que agora é que a porca começa a torcer o rabo, mas deixo que ele descubra sozinho.

Tudo isso para dizer que perdi o sono do sábado e resolvi me jogar no mercado, um prazer renovador. Já estou na fase de ter feirantes amigos com quem puxo histórias e já me dou ao luxo de comprar peixe apenas na banca do Rui e da Socorro. A goma, branquinha feito a neve que eu nunca vi de perto, só na banca da esquina. O porco tem que vir do seu João, que me enrola toda vez. "Seu João, essa carne é dura?" pergunto dele, para ouvir numa risada: "Duro é osso, minha filha, essa carne é mole, mole." Mas seu João, insisto, o senhor me deu pernil dianteiro, não é? Não é mais duro?" Ao que ele dá outra risada e confirma o logro, "'É minha filha, mas amolece".

Já encomendei o pé de manjericão novo da Vanuza, que no próximo sábado terei que buscar. E vim carregada de ovo caipira, não sem antes recomendar ao vendedor: "Me dê ovo caipira de verdade, se a gema não for amarelinha, o senhor vai se ver comigo". E lá vai o homem jurar de pé junto que ali só caipira legítima. Saio rindo com o pacote na mão. Antes que vocês pensem que nossos feirantes são desonestos, aviso que tudo é farra, matreirice das boas, para ter prazer de rir, regatear, ganhar um maço de maxixe verdinho de presente e ficar mais feliz.

Digo para a vendedora: "A senhora colocou um maço de maxixe a mais". "É que ele estava aqui sozinho, tem problema não". E para que os vizinhos não se separem nem na panela, saio carregando três ao invés de dois maços de pequenos maxixes que irão ser cozidos junto com o feijão verde acabado de debulhar. Até nabo de uma descendente da colônia japonesa comprei hoje. É que não tinha visto pelo mercado ainda, plantado aqui mesmo.

Vim carregada de pimentinhas e chicórias e folhas de couve para o charuto do almoço. Hoje foi a Ivone, minha fiel escudeira, quem fez o prato. Uma delícia! Aproveitei e comprei peixe para o meu pai, além de maxixe peruano. Um surubim fresquinho, cortado em postas, pronto para o cozido que ele tanto ama. Acho que puxei do meu pai esse jeito de gostar de conversar com todo mundo. Ele, onde chega, se espalha. Daí a pouco já está às gargalhadas, rindo de alguma história, com algum conhecido que acabou de encontrar. E hoje, antes das oito, quando cheguei na casa dele debaixo de uma chuva grossa e promessa de frio nesse Hades tupiniquim, já o encontrei no mercantil do outro lado da rua.

Ele tem algumas sequelas motoras do AVC de alguns anos atrás, mas isso não alterou sua risada nem sua alegria de viver. Pegou carona com um colega e veio abrir a porta. "Minha filha, o pão aqui acabou. Vamos ali na outra padaria?" "Claro, pai, vamos lá" e vamos juntos comprar o pão do dia. Cresci com ele nos acordando de madrugada com pão manual fervendo, ou pão de milho com castanha ou mingau na lata de leite em pó. Às vezes, era saltenha, tão quente que precisava comer assoprando, mas como era bom. Puxei do meu pai o gosto pela boa comida, por cozinhar, pela comida quente e fresca, pelos mercados. Da minha mãe, para que não fique enciumada, vem o amor pelas plantas, pelos doces, pelas roupas de cama e mesa.

E amanhã, ou melhor, daqui a pouco, pois agora já é domingo, estaremos reunidos no café para meu querido pai, para festejar junto com meus irmãos e marido, filhos e cunhadas, sobrinhos e sobrinhas, além da minha querida mãe e nos alegraremos por todos os pais, incluindo os pais de coração, que tanto amor e generosidade colocam no mundo, como meu querido companheiro, a quem agradeço. E para que a lista se complete, muitas alegrias para o pai dos meus filhos e também para seu pai, avô deles.

O café da manhã de hoje foi construído coletivamente, ao melhor estilo da família italiana que não somos, pois as descendências são de portugueses e cearenses. Um varreu a casa, o outro preparou a carne para comer com a macaxeira, uma cunhada fritou os ovos, fizemos tapioca e cuscuz que o meu irmão arrumou e quem não cozinha ajeitou a mesa, levou pratos ou simplesmente ficou vendo a banda passar, para ajudar depois na limpeza geral. Como falam dez de cada vez e todos contam histórias ao mesmo tempo, nos entendemos perfeitamente. O café se estendeu quase pelo almoço e mesmo assim não demos conta de acabar tudo, mas chegamos perto.Que venha o próximo!

Geléia de morango caseira
(sou apaixonada por geléia de morango e nesta época, eles chegam por aqui bonitos, vindos de Minas e é o que basta para jogá-los na panela)

03 caixinhas de morangos bem lavados, retirados os cabinhos
Açúcar refinado quanto baste
Suco da metade de um limão Tahiti

Numa panela de fundo grosso, coloque os morangos, mais ou menos 01 xícara de açúcar e o suco de limão. Deixe em fogo baixo, com cuidado para não derramar, mexendo de vez em quando. Amasse levemente alguns morangos com o garfo, com cuidado para não se queimar. Retire a espuma que vai se formando e deixe secar um pouco. Prove para ver se precisa de mais um pouco de açúcar, que deverá ser acrescentado aos poucos, para que não se perca o ponto. Tenha perto um pires e coloque um pouquinho da geléia de vez em quando, para testar o ponto, que deve ficar meio pastoso. Desligue e coloque ainda quente em um pote próprio para geléia. Coma com pão ou no bolo ou até na tapioca, como minha cunhada degustou de manhã. Bom apetite!
  
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Hades: inferno grego, analogia com o calor às vezes insustentável que temos por aqui.
Saltenha: espécie de salgado, muito comum na Bolívia e no Acre, que pode ser assado ou frito, mais usual por aqui, onde o recheio mais comum é de frango com batatas.     


domingo, 4 de agosto de 2013

INSPIRAÇÃO

Meu minestrone de fim de noite, delicioso!

Já falei aqui que domingo é o dia da preguiça. Até cozinho, mas quase sempre escapulo ou faço uma massa rápida e simples. Também é o único dia em que, quando não vou ao mercado, acordo tarde. Hoje foi um desses dias. Acordei quase 11 da manhã e apenas porque recebi uma bandeja de café na cama, com flor e tudo. Ah, o amor, que bom que é...

Portanto, nem me mexi para fazer o almoço e terminei comendo fora. Ao voltar, improvisei uma massa para o filho menor e um amigo e acabou, joguei-me no sofá para atualizar os programas de culinária. E aí, quando a fome começou a apertar e eu já me preparava para um cachorro-quente na lanchonete, comecei a ver o programa do Jamie Oliver, "Fugas Culinárias", desta vez para Veneza.

Lá, ao preparar um minestrone para um grupo de detentas, na horta do presídio feminino da cidade, ele mostra quanto vale o sabor de uma comida fresca, feita na hora. Não tenho horta em casa ainda, mas meu manjericão está firme e forte no vasinho. Na geladeira, legumes comprados ainda ontem. Foi o que bastou, além da fome, para me decidir. Portanto, mãos à obra, sem medo de ser feliz! O resultado ficou uma delícia, apesar da foto não estar tão boa.

Meu minestrone

Usei uma wok (panela japonesa) mas pode ser feito num caldeirão ou panela larga que você tenha em casa.

Ingredientes
(podem variar de acordo com o que você tenha em casa)

01 cebola picada
02 dentes de alho amassados
08 pequenos quiabos, limpos e cortados em pedaços
01 cenoura média fatiada
03 folhas de couve
01 batata grande, em cubinhos
01 pimenta cambuci, picada
02 pimentas vermelhas não ardosas, picadas
05 pimentas biquinho
01 pepino japonês em cubinhos
02 fatias de abóbora japonesa, com casca, picadas
10 tomatinhos cereja maduros
03 folhas de chicória picadas (típica aqui da nossa região)
04 talos de salsinha, picados
01 molho de cebolinha, picado
01 punhado de manjericão picado
Um punhado de macarrão cru, bem quebradinho, ou uma massa pequena, própria para minestrone
01 colher rasa de açúcar, caso precise corrigir a acidez
1/4 de xícara de vinho branco (opcional)
Azeite
Sal e pimenta
Queijo parmesão ralado na hora, para finalizar

Observação: você pode usar os legumes que quiser, arroz ou macarrão, feijões, uma carne curada ou linguiça, enfim, o céu é o limite! Aconselho apenas fazer o refogado de cebola e alho primeiro e colocar a água aos poucos, para que o sabor não se perca, pois o cozimento é rápido, uma vez que os legumes e verduras são cortados miudinho.

Modo de Fazer

Coloque a wok ou a panela que for usar em fogo baixo, acrescente azeite (02 a 03 colheres de sopa) e coloque os quiabos em pedaços, para fritar levemente. Após 2 ou 3 minutos, retire-os e reserve-os. Acrescente a cebola picada e o alho à panela e mais azeite, se precisar. Quando dourar um pouco, coloque as cenouras fatiadas. Acrescente a couve em pedaços grandes, a abóbora e a batata e um pouco de sal e pimenta, a gosto. Coloque um pouquinho mais de azeite, acrescente os tomates e um pouquinho de água, pelas beiradas da panela. Vá acrescentando os demais ingredientes e mais um pouquinho de água, para que os crus possam cozinhar. Coloque o vinho, se for usar, bem como o açúcar, caso esteja ácido. Acrescente o macarrão picado e mais um pouquinho de água. Prove e ajuste o sal e a pimenta, se for necessário. Tampe a panela e deixe cozinhar. Por último acrescente as ervas picadas e o pepino em cubinhos. Para servir, coloque em um prato fundo, rale queijo parmesão na hora a gosto e acrescente um pouquinho de azeite. Se tiver fôlego, coloque bananas cortadas ao comprido numa frigideira, acrescente manteiga e açúcar a gosto, vodka com baunilha e deixe cozinhar. Quando amolecer, polvilhe açúcar com canela, colheradas de creme de leite e esqueça que amanhã já é segunda-feira!




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Minestrone - veja mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Minestrone



BOLO XADREZ

Bolo xadrez, um clássico...

Já havia dito no post anterior que minha família não é nada pequena. As comemorações e encontros às vezes precisam ser em partes, para que a gente dê conta dos convidados. Então, como recebemos a visita de uma tia querida e dois de meus primos, resolvemos oferecer um jantar e como sempre, rir muito das inúmeras histórias e causos que já fazem parte do folclore da família.

Eu e minha fiel escudeira Ivone passamos o dia na labuta, até de noite. Fiz um filé ao molho de balsâmico e vinho do Porto para os carnívoros (adaptado da sempre maravilhosa Carla Pernambuco, no livro Desejo), cuscuz marroquino com vegetais e passas, gateau de batatas, uma linda moqueca de surubim e camarão e de sobremesa, os velhos e sempre imperdíveis pudim de leite e bolo xadrez.

O bolo xadrez não é uma receita diferente e sim uma técnica diferente, ao mesclar os bolos branco e de chocolate com um recheio de goiabada mole e cobertura de brigadeiro. Existem formas especiais para fazê-lo que diminuem o trabalho de cortar os retângulos e agrupá-los um ao lado do outro, mas como não a tenho, usei o método tradicional.

Tudo lindo, tudo maravilhoso, convidados esperando com fome e na hora H, nossos convidados especiais não apareceram. Minha tia, ao passar a manhã participando da cavalgada que abre um dos principais eventos do nosso Estado (a Feira Agropecuária e de Negócios) não aguentava pôr os pés no chão. Não, ela não estava cavalgando e sim num dos inúmeros caminhões organizados pelas comitivas em apoio a seus peões, com toda a infra-estrutura, mas mesmo assim, o cansaço foi demais.

Nem deu tempo de tirar as fotos da comilança, mas consegui salvar uma foto do bolo. Divido com vocês essa receita simples, mas deliciosa. Aproveite!

Bolo Xadrez

(observação: para esta quantidade, você precisará de duas formas retangulares iguais, de aproximadamente 31cmx23cmx3cm)

Ingredientes

Para o bolo:

250 g de manteiga
02 xícaras de chá de açúcar refinado
03 ovos em temperatura ambiente
03 xícaras de chá de farinha de trigo peneiradas
02 xícaras de chá de leite
1/2 xícara de chá de chocolate em pó (não utilizar Nescau)
01 colher de sopa de fermento para bolo

Para o recheio

350 a 400 g de goiabada
1/2 xícara de água
01 dose de Vodka ou outra bebida de sua preferência (opcional)

Para a cobertura

01 lata de leite condensado
01 colher de sopa de chocolate em pó
01 colher de sopa de cacau em pó
30 g de chocolate em barra, meio-amargo
01 colher de sopa de manteiga
1/2 xícara de leite
01 dose de bebida de sua preferência (opcional) 



Modo de Fazer

Meça e separe todos os ingredientes. Unte e enfarinhe as duas formas. Ligue o forno e dê início à preparação dos bolos, batendo a manteiga com o açúcar até esbranquiçar. Acrescente os ovos um por vez, bata mais um pouco e vá alternando a farinha e 1 1/2 xícara de leite. Por último, acrescente o fermento, misture e rapidamente distribua aproximadamente metade da massa numa das assadeiras. À massa que restou na tigela, acrescente o chocolate em pó e o restante do leite, misture para homogeneizar e despeje na outra assadeira. As duas devem conter quantidades aproximadas de massa. Leve ao forno até que esteja assado. Enquanto isso, coloque a goiabada cortada em pedaços numa panela, acrescente a água e a bebida, se for usar. Leve ao fogo baixo, mexendo, até que a goiabada fique pastosa, numa consistência boa para espalhar. Numa outra panela, coloque os ingredientes da cobertura e mexa bem, em fogo baixo, até que vire um brigadeiro mole. Reserve. Desenforme os dois bolos com cuidado e corte-os em retângulos. Optei por fazer apenas três fileiras, para que os gulosos de plantão comessem bolo antecipadamente, mas dá para incluir uma quarta fileira. Meu bolo branco ficou um pouquinho maior do que o de chocolate, então fui arrumando os retângulos de acordo com o tamanho. Num prato grande, coloque um retângulo de uma cor, passe goiabada no meio e cole o outro retângulo, de outra cor. Vá alternando as cores, de acordo com a foto, sempre colando com goiabada. Quando for fazer a fileira de cima, passe goiabada também, para que fique bem firme. Ao final, cubra com o brigadeiro mole e coloque raspas de chocolate meio-amargo para enfeitar, ou outro enfeite de sua preferência. Aproveite!

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Livro: Desejo, de Carla Pernambuco, editora do Bispo 


domingo, 21 de julho de 2013

CAFÉ ACREANO

Parte da família, preparando-se para o café...

Temos uma família nada pequena. Quando voltei para o Acre e resolvi comemorar aniversário, contamos mais de setenta pessoas entre os parentes mais íntimos. Ou seja, precisamos fazer convites parciais, sob pena de reunir uma multidão. Desta vez, chamamos para um café minhas cunhadas, cunhados e sobrinhos, além dos filhotes aqui de casa e de d. Neuza, minha sogra, uma senhora pra lá de animada.

Ainda faltaram Neuma e Riva, além do Gabriel, mas deu para fazer uma farra. Teve fotos, música no violão, muita conversa e comilança até quase passarmos mal. Emprestei o nome do café acreano ao Jorge Henrique, do Café do Theatro e foi um sucesso! Só faltou o bodó (que é como chamamos o bolinho de chuva) por absoluta falta de tempo, mas tinha pão de milho com leite de castanha (cuscuz), carne moída e ovo mexido para compor a baixaria, suco de abacaxi da safra, banana frita com açúcar e canela, bolo com café, tapioca com manteiga, queijo e de quebra, hommus e manjar branco, além de abóbora japonesa assada, que não são acreanos, mas fizeram uma graça.

Meu cunhado Carlos adorou o cuscuz e me perguntou como fazer para deixá-lo macio, então resolvi postar a receita, apesar de não ter as fotos do prato. Quando fui tirar as fotos das comidas era tarde, ficam para a próxima! Quando eu era pequena, meu pai comprava muito cedo o pão de milho, feito pela dona Lídia e vendido pelo Damião, seu filho, acomodados em um tabuleiro de madeira. Eles eram pequeninos e tinham um furo no meio, deliciosos bem encharcados com o leite de castanha. 

Ainda hoje, aos sábados e domingos, no mercado, dá para para comprar as talhadas de cuscuz quentinho, mas é difícil usar o milho de verdade, que demanda mais tempo e uma logística diferenciada, pois precisa ficar de molho para hidratar e ser bem moído, para só então ser cozido. Como passei muitos anos no Ceará, me acostumei em chamar cuscuz ao invés de pão de milho e regá-lo com leite de coco, que fica igualmente delicioso. Mas com o leite de castanha o sabor é imbatível, experimente!

Pão de milho (ou cuscuz) com leite de castanha

500 g de flocos de milho pré-cozido (eu prefiro usar o flocão, ao invés da milharina. Dá aproximadamente 4 1/2 xícaras de chá)
2 1/2 xícaras de água (se estiver muito seco, talvez precise um pouquinho a mais)
sal a gosto
10 castanhas do Brasil, cruas, batidas com aproximadamente 1/2 xícara de água. Se ficar muito grosso, coloque um pouquinho mais de água
manteiga, a gosto

Modo de Fazer

Numa tigela, coloque os flocos de milho, a água e o sal e misture bem, para umedecer bem a massa. Deixe descansar por 30 minutos, mexendo de vez em quando. Após esse tempo, coloque água para ferver na cuscuzeira, e vá colocando punhados da massa no fundo de metal com furinhos, sem apertar, até despejar tudo. Tampe e deixe cozinhar. Quando estiver quase no ponto (o cheiro é bem característico e ao tirar um pouquinho com o garfo, vê-se que está macio) coloque duas ou três colheradas de manteiga por cima, despeje o leite de castanha sem coar (se não gostar dos pedacinhos de castanha na massa, coe antes) e torne a tampar. Pode ser servido na cuscuzeira, ou retirado para uma travessa de servir com um garfo, misturando levemente para que fique bem solto. Acrescente mais um pouquinho de manteiga a gosto e mais leite, se desejar. Caso prefira com leite de coco, proceda da mesma forma, usando uma garrafinha de leite de coco integral. Como variação, pode colocar coco ralado na massa antes de assar ou pedaços de queijo coalho, que fica também muito bom.
Aqui no Acre se usava fazer o cuscuz despejando a massa num prato, cobrindo com um pano de prato bem limpo, apertando bem e virando de cabeça para baixo numa panela de água fervente, para receber o vapor. Prendia-se o pano no prato com um ferro pesado, para que o cuscuz não caísse na panela. Fiz muito isso quando era pequena, pois por aqui não tínhamos cuscuzeira. Aproveite e sirva com carne moída sequinha e bem temperada, ovo mexido e cheiro verde: com esse nome, culpa da modernidade, virou baixaria. Nome recente, dizem que por obra e graça da Toinha, lá do Mercado do Bosque, que batizou a mistura deliciosa e apreciada por todos por aqui. Bom apetite!

AMARELO




Antes que alguém diga que só penso em comida (embora seja verdade), informo que esse frango não foi feito hoje. É que a falta de tempo para postar algumas receitas me fez acumular matérias e estou tentando sair do prejuízo. Então, vão acontecer alguns atropelos temporais, pelos quais peço desculpas. Mas, isso não tira o sabor desse franguinho simples, bom para comer com um arroz branco quentinho ou até mesmo uma massa simples. Tenho uma certa resistência a frango de granja, mas com jeitinho ele fica muito bom. Aproveite, é ótimo!

Frango ao molho de laranja do meu jeito 

Coxas e sobrecoxas de frango, na quantidade desejada
alho, sal, pimenta do reino para temperar
01 ou 02 folhas de louro
02 pitadas de curry (mistura de especiarias) comprado pronto
suco de 01 ou 02 laranjas
01 colher de sopa de molho de soja
01 colher de sopa de azeite

Modo de Fazer

Tempere as coxas e sobrecoxas com sal, alho amassado e pimenta do reino a gosto. Acrescente as pitadas de curry e esfregue por todos os pedaços de frango. Reserve por 30 minutos. Numa panela, coloque o azeite e acrescente as coxas e sobrecoxas temperadas. Acrescente a folha de louro e deixe refogar por alguns minutos, apenas para selar os pedaços. Leve ao forno moderado em assadeira untada com azeite e vire de vez em quando, até estarem quase no ponto. Ferva o suco de laranja com o molho de soja até reduzir e engrossar um pouco. Retire a assadeira do forno, acrescente o suco reduzido e deixe por mais alguns minutos. Remova o frango para o prato de servir e coe o molho da assadeira por cima. Sirva com arroz branco ou massa simples. Bom apetite! 

COLOCANDO A PREGUIÇA DE LADO

Nhoque de batata e abóbora japonesa, com molho de carne e parmesão...




Dia de domingo, vocês já sabem, minha coragem estará sempre no dedão do pé. Mas, quando a fome apertou, lembrei que tinha abóbora japonesa cozida e carne moída pronta na geladeira. Cresci comendo o nhoque de batata da minha mãe, caseiríssimo e delicioso. Então, como nao tinha batatas suficientes para o tamanho da fome do pessoal aqui de casa, juntei com a abóbora numa proporção meio a meio e deu muito certo.

A preguiça foi embora ante a perspectiva de um sabor novo, pois ainda não tinha experimentado misturar batata com abóbora para fazer o nhoque. Essa abóbora é mais doce, daí um certo receio que se mostrou infundado, pois foi só colocar sal na medida certa e um bom queijo parmesão, que o sabor ficou maravilhoso! As quantidades não estão exatas, mas dá para ir provando e corrigir o sabor, caso necessário. Experimente!

Nhoque de abóbora japonesa e batata 

Para o nhoque

04 batatas médias, cozidas
06 a 07 pedaços não muito grandes de abóbora cozida (mais ou menos a mesma quantidade de batata, talvez um pouquinho mais)
01 ovo (de preferência caipira)
50 g de queijo parmesão ralado na hora (aproximadamente) e uma quantidade maior para polvilhar na hora de servir
sal a gosto
farinha de trigo para dar liga, quanto baste

Modo de Fazer

Amasse as batatas e a abóbora, até homogeneizar. Acrescente o ovo, o queijo ralado e o sal. Comece a acrescentar a farinha de trigo, misturando devagar, até que a massa dê para enrolar. (Eu não uso muita farinha, prefiro que a massa fique ainda meio grudenta para não perder o sabor. Na hora de cortar, polvilho mais farinha para não grudar). Coloque uma panela com água para ferver e acrescente sal, como quem vai cozinhar macarrão. Separe porções, polvilhe uma bancada de trabalho com bastante farinha e enrole a massa em cordões. Com uma faca afiada, corte pequenos quadrados e com um garfo, faça pequenos frisos, de leve, para que o molho possa aderir melhor. Vá despejando com cuidado os nhoques na água, que precisa estar fervente. Assim que eles subirem, recolha-os com uma escumadeira e delicadamente, coloque-os numa peneira para escorrer um pouco a água. Montei os de hoje direto nos pratos em que seriam servidos, mas você pode colocá-los em uma travessa untada com manteiga ou azeite, para que não grudem. Acrescente o molho de sua preferência e mais queijo ralado se desejar e bom proveito!

Para o molho de carne moída

400 a 500 g de carne moída já cozida, bem temperada ou preparada na hora com temperos de sua preferência como alho, pimenta do reino, chicória 
01 lata de tomate pelado
03 pimentinhas doces, picadas, ou outra de sua preferência
sal a gosto
01 a 02 colheres de sopa de açúcar para equilibrar a acidez, caso seja necessário
folhas de manjericão, a gosto

Modo de Fazer

Refogue a pimentinha picada em um pouco de azeite, acrescente a carne moída já preparada e cozida, misture e acrescente a lata de tomate picado com o molho. Acerte o sal e acrescente o manjericão. Se estiver muito ácido, vá colocando açúcar aos poucos, apenas para equilibrar a acidez. Espere ferver, desligue o fogo e sirva normalmente por cima dos nhoques.

Obs: você também pode fritar os nhoques em azeite e servir com outro molho de sua preferência, fica delicioso!





E DE MEIA-NOITE ÀS SEIS DA MANHÃ, O QUE VOCÊ FAZ? COMIDA, ORAS!

O pão sírio, o hommus e o babaghanoush, para matar a fome da madrugada... 






A massa sendo preparada, esticada e assada para comer quentinha...





A berinjela grelhada, o  pote de tahine e o babaghanoush já pronto...



Levante a mão para cima quem, numa roda de trabalho bem amigável, ante às inúmeras tarefas do dia a dia e a absoluta falta de tempo para cumpri-las todas, não se deparou com a clássica pergunta, feita por algum gozador de plantão: "_ E de meia-noite às seis da manhã, você faz o quê?"

Nesse mundo modernoso em que vivemos, só sendo bailarina para dar conta das múltiplas atividades como mãe e esposa, profissional, amiga, militante política, cozinheira e blogueira nas horas vagas. Ainda precisa fazer mágica ou definir prioridades para ir à manicure e ao cabeleireiro e tomar um cafezinho na livraria ou assistir a um filminho aos domingos. E quase sempre, quando estou exausta, cozinhar termina sendo uma atividade de relaxamento que me dá um prazer enorme, ainda que às vezes, entre pela madrugada, como no dia do pão sírio.

Uma noite dessas, ao atualizar meus vídeos de culinária, deparei-me com a receita de duas pastas que nós aqui em casa adoramos, o Hommus e o Babaghanoush, feitos respectivamente de grão de bico e berinjela grelhada, com a adição de tahine, feito a partir das sementes de gergelim. No programa (Brasil no Prato, da Carla Pernambuco, na Sky, de quem sou fã absoluta) foram apresentadas algumas receitas diferentes da culinária árabe, feitas por uma convidada e essas duas pastinhas, mais fáceis, foram feitas pela própria Carla, titular do programa.

Foi o que bastou para eu relembrar de um livro maravilhoso sobre pães, do Emmanuel Hadjiandreou, (vide Para saber mais, logo abaixo), com uma receitinha mais do que fácil  de pão sírio, que encantou meu filho mais novo ao inflar no forno feito um balão. 

Berinjela grelhando na chapa do fogão, misturada depois com tahine e limão e um grão de bico já cozido, batido com limão e tahine fizeram os acompanhamentos perfeitos e depois da meia-noite, eu e meu filho mais novo estávamos comendo pão quente e pastinhas felizes da vida.

Aqui no Acre, a colônia árabe de sírio-libaneses (basicamente) já nos presenteou com um legado de comidinhas que fazem parte do nosso cotidiano, das nossas comemorações e lanches diários. Alguns pratos já estão bem adaptados, como o charuto, saboreado aqui com um generoso molho de tomate, cebolas e cheiro verde, embora possa ser comido no original nas casas dos descendentes. 

Não há acreano ou acreana que eu conheça que não se encante pelos quibes e esfihas vendidos em qualquer esquina, o tabule, as pastinhas de grão de bico e berinjela, os charutos, arroz com lentilhas e muitos outros, adaptados ou não. Portanto, se você se enquadra nessa categoria, mãos à obra. É fácil de fazer, mais ainda de comer e você ainda terá por alguns dias quitutes prontos na geladeira prontinhos para receber os amigos e familiares. Bom proveito!

Pasta de grão de bico (Hommus), ligeiramente adaptada 

250 g de grão de bico, deixado de molho em água morna e cozido na panela de pressão, com um pouco de sal
1/2 xícara da água do cozimento
04 a 05 colheres de sopa de tahine
03 colheres de sopa de suco de limão ou a gosto
sal a gosto
aproximadamente meia xícara de água, ou um pouco mais, se necessário
azeite na hora de montar o prato

Modo de Fazer

Bata no liquidificador o grão de bico, a água do cozimento, o tahine, o suco de limão e o sal. Pode ser necessário acrescentar um pouquinho mais de água ou suco de limão. Prove e ajuste. Espalhe a pasta no recipiente que vai servir, acrescente por cima um fio de azeite e se desejar, páprica doce ou raminhos de salsa, para enfeitar. Essa receita rende bastante.

Pasta de berinjela (Babaghanoush)

02 berinjelas grandes e firmes, com casca
03 a 04 colheres de sopa de tahine
02 a 03 colheres de sopa de suco de limão
sal a gosto

Modo de Fazer

Grelhe as berinjelas diretamente na chama do fogão, virando-as com um garfo até a casca ficar bem escura. Coloque-as em um saco plástico e deixe esfriar, para que a casca saia mais facilmente. retire-as do saco e vá puxando a casca com delicadeza. corte o cabo, abra as berinjelas e retire as sementes. Vão ficar algumas, mas não tem problema. Lave-as para retirar resíduos da casca e pique-as na faca, bem miudinho. Acrescente o tahine, o suco de limão e sal a gosto, misturando para homogeneizar. Reserve. Na hora de servir, coloque um fio de azeite e enfeite com páprica doce ou ramos de salsinha.  

Pão Sírio (ligeiramente adaptado)

200 g de farinha de trigo (aproximadamente 1 1/2 xícara + 1 colher de sopa)
3/4 de colher de chá de sal
1/2 colher de chá de fermento biológico seco
120 ml de água morna (1/2 xícara de chá ou mais, caso a farinha esteja muito seca, como foi o meu caso)

Modo de Fazer 

Misture a farinha e o sal em uma tigela e reserve. Misture a água e o fermento em outra tigela, maior. Adicione a mistura seca à líquida. (No meu caso, foi necessário acrescentar quase 1/2 xícara de água a mais, em função do teor de umidade da farinha. Sugiro colocar a 1/2 xícara da receita e depois, caso seja necessário, acrescentar água muito devagar e misturando, até dar o ponto). Misture bem até formar uma massa e deixe descansar coberta com um pano de prato por dez minutos. Após esse tempo, sove a massa suavemente, cubra e deixe descansar mais dez minutos. Repita o procedimento de sovar e deixar descansar por mais duas vezes, sove, cubra e deixe descansar por 1h, coberta. Quando a massa dobrar de tamanho, retire o ar, divida-a em aproximadamente seis porções e numa superfície enfarinhada, faça bolinhas e deixe descansar por dez minutos. Preaqueça o forno a 250 graus e coloque na grade do forno uma assadeira sem untar, para aquecer. Com o rolo, abra as bolinhas de massa em círculos.( Na receita original, pede-se que aguarde mais dez minutos, mas só deixei o tempo do manuseio com a forma, pois não queria nenhum miolo. Para mim, foi suficiente). Polvilhe bastante farinha nas massas, retire a assadeira quente do forno e coloque os círculos. Leve ao forno novamente e aguarde até que estufem. O tempo varia, é preciso olhar de vez em quando. Tenha cuidado ao esticar as bolinhas, para que não se rompam, pois aí elas não estufam, embora assem normalmente. Assim que estufarem, retire do forno. Caso vá comê-los imediatamente, sirva com o complemento ou recheio de sua preferência. Caso contrário, coloque os pães ainda quentes em um saco plástico, empilhados um sobre o outro, sem fechar, até que esfriem. Feche o saco e guarde em geladeira, se for o caso. Eles podem ser aquecidos direto na boca do fogão, grelhados com um pouco de azeite ou comidos frios, são deliciosos e práticos!

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Para saber mais:

Brasil no Prato - apresentado por Carla Pernambuco e convidados. Jornalista, dona de restaurante, blogueira e muito mais, esse programa é uma verdadeira aula, gostoso e explicativo. No canal Bem Simples, da Sky.

Pães - Receitas passo a passo de pães doces e salgados, focaccias, pizzas e outros - Emmanuel Hadjiandreou, Publifolha