quarta-feira, 6 de março de 2013

COMIDINHAS DE INVERNO

Biribá, banana comprida, bacuri, pimentas, castanha do Pará (ou do Brasil), cajarana, mingau de tapioca com mungunzá da d. Francisca, coquinho, pé de moleque na folha de bananeira, maxixe peruano: as delícias do inverno




Seu Raimundo fez questão de sair na foto com suas castanhas...


Cacau...

E o bacuri, delicioso!

Folhas de jambu para o tacacá...

Já falei aqui que o Mercado é o meu Parque de Diversões particular. Adoro ir de manhã cedo, nos finais de semana em que o sono não me domina, para tomar mingau de tapioca com mungunzá, comer pão de milho (cuscuz) com leite de castanha e olhar aquelas verduras brilhantes. Nem tudo o que reluz é ouro e não espero encontrar produtos produzidos de forma alternativa ou mesmo uma grande variedade de produtos orgânicos. 

Mesmo assim, adquirir frutas ou verduras da época já são de alguma forma uma garantia a mais quanto à qualidade e nesta época de inverno por aqui, em que as chuvas caem sem muito aviso, as pupunhas de casca brilhante dão um colorido a mais às ruas. Estão penduradas por qualquer feirinha de bairro, na maior simplicidade. O maxixe peruano, como o chamamos por aqui, é outro que espalha seu verde-claro nas barracas do mercado.

As duas receitas que trago aqui talvez nem mesmo possam ser assim chamadas. A pupunha não costuma ser comida de outra forma que a cozida na água e sal, talvez com um pouco de manteiga. Mas, já começa a aparecer nos eventos com um pouco de queijo cremoso, geléia ou acompanhamento equivalente e é um ótimo petisco para acompanhar a cervejinha gelada.

Quanto ao maxixe, é comum recheá-lo com uma mistura de carne e arroz ou simplesmente carne moída bem temperada, com molho de tomate. Mais simples, imposível, mas o sabor compensa. Portanto, se você não mora por esses lados, mas vai receber um amigo ou parente querido, peça que ele leve na bagagem um pouco de pupunha e maxixe, você não vai se arrepender!


Os cachos de pupunha, a pupunha cozida e depois descascada, com a geléia de pimenta da Casa da Li



Pupunha com geléia de pimenta

Ingredientes

10 pupunhas cozidas com casca, na panela de pressão, em água e sal, por 30 a 40 minutos ou até ficar macia
Geléia de pimenta a gosto (aqui, usei a ótima geléia de pimenta da simpaticíssima Li, dona da Casa da Li, em São Paulo)
Outras opções: cream cheese  com gergelim, geléia de cupuaçu (servido no Afa Bistrô, restaurante de Rio Branco), pasta de atum etc

Modo de Fazer

Descasque as pupunhas, retire o caroço e corte em quartos. Recheie a gosto e sirva. 




O maxixe peruano, após recheado, com limão e pimenta, para comer de joelhos...


Maxixe peruano recheado

15 maxixes peruanos, retiradas as sementes, com a tampinha cortada
Arroz cozido e carne moída já cozida com todos os temperos, misturados, em quantidade que dê para rechear os maxixes (as quantidades são indicativas)
Tomate, cebola e pimentão em rodelas, a gosto
Molho de tomate
Coentro, cebolinha, chicória, cortados miudinho, a gosto
Sal, se for necessário

Modo de Fazer

Prepare uma quantidade de arroz e carne moída que após prontos, possam ser misturados e sirvam de recheio para o maxixe. Se quiser, você pode usar só a carne moída, bem temperada. Retire a tampinha dos maxixes, coloque uma pitadinha de sal, recheie, feche com um palitinho e arrume-os delicadamente numa panela larga. (Como os maxixes cozinham rapidíssimo, prefiro usar arroz e carne já cozidos). Acrescente as rodelas de tomate, pimentão e cebola a gosto e os demais temperos, se desejar, regue com o molho de tomate, ajuste o sal e leve ao fogo, até que os maxixes fiquem macios. Sirva como prato único, com uma boa pimenta, ou no caso de utilizar só a carne para o recheio, com um arroz soltinho. Bom apetite!

**********************************************************************
Casa da Li - casadali.com.br - R. Aspicuelta, 23 São Paulo

Afa Bistrô -Afa Bistrô D'Amazônia - Rua Franco Ribeiro, 109, Centro - Rio Branco - Ac (68) 32241396


sábado, 16 de fevereiro de 2013

PARA CONFORTAR A ALMA




Comida, assim como música, tem essa capacidade de trazer conforto e acolhimento, pelo menos para mim. Esta semana, a morte de um parente querido e solidário, de forma estúpida e inesperada, me fez ver mais uma vez o quanto precisamos dar atenção e amor a quem nos é caro. Tudo fica muito relativo e as pequenas coisas perdem a importância. Aproveitar bem esse tempo que temos aqui, de forma tranquila, honesta e respeitosa, me parece ser uma boa medida.


E, como já disse a escritora e colunista Nina Horta, dona do buffet Ginger, em São Paulo, nada como ter por perto a chamada "comida de alma", que é claro, muda conforme as boas lembranças de cada um, o conforto ou bem-estar a ela associados. Pode ser aquele caldo da avó, a farofa de ovos da mãe, o leite caramelado para as noites frias. Aqui em casa, fazemos um gratinado simples de batatas que é adorado por todos e muito simples de preparar. Aproveite quando precisar de conforto para a alma, mas ele é bom em qualquer situação.






Gratinado Simples de Batatas

Ingredientes

6 a 8 batatas médias (evite usar as muito grandes, que se prestam mais para a fritura), descascadas e cortadas em fatias bem finas, de preferência com cortador ou mandolina
1 1/4 xícara de leite
2 colheres de sopa de manteiga, mais manteiga para untar o pirex
2 colheres de sopa de requeijão
100ml de creme de leite integral
sal a gosto
queijo parmesão ralado na hora (não uso o de pacotinho, normalmente muito salgado), a gosto
(obs:  as quantidades acima são indicativas, você pode acrescentar mais creme, mais requeijão ou até um pouco mais de batatas. Apenas mantenha a proporção ou acrescente mais um pouco do seu ingrediente preferido, a gosto).

Modo de Fazer

Coloque as batatas, já cortadas em fatias bem finas, em água fervente com sal e deixe por alguns minutos, para que elas fiquem pré-cozidas, mas sem ficarem moles. Escorra-as e reserve. Numa tigela, misture o leite, creme de leite, o requeijão e o sal a gosto (apenas para salgar levemente). Em um refratário que possa ir ao forno, passe manteiga no fundo e dos lados e vá arrumando a primeira camada de batatas, que pode ser dupla, para que não fique muito fina. Distribua por cima flocos de manteiga e uma parte da mistura de leite, creme e requeijão. Polvilhe com o queijo ralado e proceda da mesma forma com a segunda camada (se fizer mais camadas, proceda da mesma forma até acabarem os ingredientes). Polvilhe bastante queijo ralado e leve ao forno moderado, coberto com papel alumínio, até que a batata termine de cozinhar. Retire o papel e deixe mais alguns minutos até que se forme uma crosta dourada e o líquido seque. Sirva como prato único, com uma saladinha ou como acompanhamento de um belo filé.

**************************************************************************************
Dedicado à memória do primo André, a pessoa mais solidária que conheci.



domingo, 27 de janeiro de 2013

PARA OS DIAS DE CHUVA




A essência caseira de emburana de cheiro e mais atrás, a de baunilha (fava), ambas com vodka...


Um dia desses, ao folhear um livro da coleção Claudia - Cozinha Regional Brasileira, da Abril Coleções, deparei-me com uma receita do falecido chef Paulo Martins, do Pará,  um dos grandes responsáveis pela divulgação da cozinha amazônica Brasil afora. A receita era doce, de madalenas em calda de cumaru. Madalenas, para mim, são pequenos bolos ou quadrados de bolo imersas em calda de maracujá, que é uma das coisas que minha mãe mais gosta de comer. Fiquei curiosa, pois levava emburana, ou emburana-de-cheiro, ou cumaru-de-cheiro e mais um sem-número de nomes.
Fui ao mercado (Novo Mercado Velho, assim mesmo) e na banca das ervas e sementes procurei pela semente. A mocinha que me atendeu mostrou dois pequenos pacotes, um com cascas, mais suave e o outro, com as sementes, de cheiro mais forte. Fiquei inebriada. Comprei um pacotinho de sementes e resolvi fazer um extrato caseiro: um com água, como manda o livro e outro com vodka. O cheiro das sementes é delicioso e coloquei aproximadamente quinze delas em duas garrafinhas, há uns dez dias atrás.
Estão ambas na geladeira, com o líquido já bem escuro. Utilizei uma colher de sopa das sementes imersas em água no leite em que mergulhei fatias de brioche para fazer uma rabanada (vou postar a receita mais na frente). O perfume é fantástico, mas é bom não exagerar, pois fica bem forte. Ela é bem comum no Nordeste, usada em remédios para bronquite.

Resolvi experimentar no bolo e hoje, com o dia menos quente, nada melhor do que chocolate. Como resolvi voltar a estudar inglês, o escolhido foi o brownie, receita tipicamente americana, que forma uma casquinha na parte de cima e é cremoso por dentro, bem macio. Se você deixar passar o ponto, vira um bolo de chocolate denso e saboroso, mas não será mais brownie. A receita que eu utilizo saiu publicada na Revista Gula há muito tempo atrás, não lembro qual edição. Utilizei nozes e coloquei uma colher de sopa do extrato (se é que posso chamar assim) caseiro de cumaru de cheiro (ou emburana).

Aumentei um pouquinho o chocolate, por pura preguiça de medir a quantidade exata e o bolo ficou ainda mais cremoso, principalmente no meio. Não marquei o tempo de forno, mas utilize o forno moderado pré-aquecido e após uns 20 minutos, enfie a ponta da faca no centro. Se estiver muita líquido, deixe mais um pouco, pois o tempo varia de um forno para outro, por isso nunca dou tempo de cozimento.
 Ao contrário dos bolos comuns, a massa no ponto correto ainda deverá estar grudenta, não crua, quando você fizer o teste. Desligue o forno, retire o bolo para interromper o cozimento e aguarde esfriar para fatiar. Experimente com uma bola de sorvete de creme e uma calda quente de chocolate, como sobremesa, ou com uma xícara de café. Minha amiga Sandra devorou alguns pedaços e aprovou!

BROWNIE (Receita da Revista Gula, adaptada)

Ingredientes

6 ovos grandes em temperatura ambiente
2 1/3 xícaras de chá de açúcar refinado (você também pode usar o demerara)
300g de chocolate meio amargo, picado
200g de manteiga
1 1/2 xícaras de farinha de trigo peneirada
1 colher de sopa de extrato caseiro de cumaru (emburana)
nozes picadas, castanhas ou avelãs, a gosto (opcionais)
caso não tenha o cumaru (emburana), pode usar 1 colher de chá de extrato de baunilha ou 1/4 de fava (as sementinhas de dentro, raspadas)
Modo de Fazer
Pré-aqueça o forno. Derreta o chocolate com a manteiga em banho-maria e reserve. Misture os ovos inteiros com o açúcar, acrescente a mistura de chocolate com manteiga já fria, a farinha de trigo e as nozes ou castanhas, se usar. Acrescente a essência de emburana de cheiro ou baunilha. Misture todos os ingredientes apenas para homogeneizar a massa. O brownie não precisa de fermento. Arrume numa assadeira retangular e leve ao forno moderado. Fique atenta (o), pois o bolo deve ficar ainda cremoso no centro. Espere esfriar para cortar, não aconselho que desenforme, pois a casquinha de cima é muito frágil e dá beleza ao bolo. Bom apetite!

Algumas definições, artigos e receitas para emburana podem ser vistas aqui:
(Não deixe de acompanhar o ótimo blog de minha querida amiga Neide Rigo, o come-se, com suas ótimas matérias, cujo endereço está aí em cima.)

DIA DA PREGUIÇA


O molho, depois de assado. Se preferir não passar no liquidificador, pode picá-lo bem miudinho...



Aqui em casa somos todos apaixonados por massa. Quando eu arranjo braços fortes, me aventuro e produzo as tiras largas para a lasanha, pequenos raviolis ou espaguete, os mais fáceis. Para cada um, um molho ou recheio diferente, um bom azeite, um bom parmesão ralado na hora e aí é só felicidade. Porém, quando os braços fortes escasseiam, o jeito é partir para a massa já pronta, jogá-la numa panela de água fervente com sal e juntar um molhinho básico.

Dia de domingo é o meu dia de preguiça. Não gosto nem mesmo de cozinhar e por mim, lagarteava o tempo inteiro. Então, se não sairmos para comer em algum lugar, nada será mais rápido e fácil do que um bom macarrão. Costumo ter no freezer pacotes de molho já pronto, para os dias de muita preguiça. Acompanhe com queijo parmesão ralado na hora, uma saladinha básica e uma taça de vinho ou um suco feito na hora. Os puristas podem nos matar, mas como não bebo, é o que faço.

Ao molho, pois. A receita abaixo aprendi no programa da Anabel, uma australiana cheia de dicas e receitinhas curinga e saborosas. Prefiro separar em porções e congelar depois de pronto, para os dias em que estou sem coragem. Veja como:

Molho de tomate da Annabel

Ingredientes

1,5kg de tomates maduros, em gomos, com pele e sementes
2 pimentões vermelhos cortados em tiras, sem as sementes
1 cebola grande, cortada em fatias finas
2 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de azeite
4 dentes de alho descascados e fatiados
1/4 xícara de extrato de tomate
Alecrim a gosto
1 pimenta dedo de moça picada, sem sementes (caso queira uma versão mais picante, não retire as sementes)
Sal a gosto

Modo de Fazer

Espalhe os tomates, pimentões e cebola numa assadeira grande. Numa tigela, coloque o azeite, açúcar, o alho, extrato de tomate e o sal. Misture e espalhe por cima dos vegetais na assadeira, de maneira a envolvê-los bem. Coloque em forno baixo e mexa de vez em quando, até que eles assem e os líquidos evaporem, com cuidado para não queimar e nem secar por completo. prove e ajuste o sal, se necessário. Se desejar, acrescente algumas folhas de manjericão na hora de assar. Espere esfriar um pouco e bata no liquidificador  se quiser mais pastoso. É uma delícia por cima da massa, com azeite e queijo parmesão ralado, com uma bruschetta (fatia grossa de pão italiano com uma cobertura, que pode ser tomate, berinjela, enfim, qualquer coisa) e o que mais a sua imaginação mandar. Você pode congelar em porções no freezer, sem prejuízo do sabor. Bom apetite!

domingo, 13 de janeiro de 2013

PARA GOSTAR DE COMER


O linguado, já pronto. Ao servir, coloque em volta o molho de leite de coco e dendê. O caldinho de tomate levemente engrossado vai numa molheira à parte.


Prometo, ainda faço um curso de fotografia. Primeiro, porque adoro e segundo, para deixar as fotos do blog mais apresentáveis. Se eu pudesse retransmitir por imagem o perfume, o sabor, a delicadeza de algumas comidas, confesso, ficaria bem contente. Na semana passada, fui surpreendida com um lindo café da manhã por ocasião do meu aniversário. Meu maridinho conseguiu até mesmo levar meus pais, meus filhos e alguns amigos do meu antigo trabalho e junto com meus colegas atuais, a quem sou grata, tomamos café na Tentamen, que faz parte do patrimônio histórico e cultural de nossa cidade. Portanto, muito obrigada pelo carinho e delicadeza de todos. 

Era na Tentamen que aconteciam os principais bailes de antigamente. Lá meus pais frequentaram muitas festas e também era lá, que eu, pequenina e envergonhada, me escondia embaixo das mesas nas festas de carnaval. Hoje o prédio, após revitalizado pelo Governo do Estado, faz parte da FEM - Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, onde trabalho. Entre outras atividades culturais, está disponível para a comunidade, mediante agendamento e pagamento de uma pequena taxa de utilização e está sempre com a agenda cheia. 

Não fizemos festa em casa. Na sexta, véspera do meu aniversário, recebemos alguns amigos para colocar a conversa em dia. Como eles saíram após a meia-noite, ganhei o segundo parabéns para você do dia e no sábado, minha querida e barulhenta família, ou melhor, uma pequenina parte dela, veio almoçar comigo.

Gostaria imensamente de ter feito uma grande festa, para agradecer por tantas coisas boas que vão acontecendo na vida da gente e que às vezes, parecem tão banais que nem damos a devida importância. E, que fique claro: isso não é o jogo do contente da Polyana, é só uma constatação. Afinal, ter uma família amorosa e amigos queridos para estar perto é tão importante, tão necessário que deveríamos estar comemorando o tempo todo.

É assim que eu me sinto. Aos quase cinquenta anos, ainda tenho fôlego e alegria para mais cinquenta, quem sabe. Talvez, pudesse relaxar mais, deixar a vida correr mais levemente. Quem sabe, eu consiga um dia, não perdi as esperanças. E, inaugurando um novo cardápio aqui em casa, experimentei esse peixe, muito simples e saboroso. Como queria comer logo, precisei fazer com o peixe que tinha em casa, um linguado congelado.

Mas, o sabor é delicioso. A receita vem de um médico cardiologista de Ribeirão Preto, que largou o ofício para se dedicar apenas às panelas. O nome dele é João Roberto Pereira da Silva e ele tocava o restaurante La Pyramide, no mesmo local. Hoje, ao pesquisar o restaurante para colocar o endereço, descobri que o mesmo fechou em 2010 e seu dono dedica-se agora à consultoria na área e outras tarefas. A receita original foi publicada na Revista Casa e Comida, n.3, de fev/mar/2010. Aqui em casa, precisei improvisar, pois não tinha tomate fresco nem robalo, que foi o peixe utilizado por ele. Mesmo com ajustes, o prato foi aprovadíssimo por todos.Faça, você não vai se arrepender!


O peixe com o leite de coco e o dendê em volta e o molho de tomate por cima, pronto para ir ao forno...

Linguado ao Leite de Coco e Dendê

(Adaptado da receita original de João Roberto P. da Silva, do La Pyramide, publicada na revista Casa e Comida n. 3, de fev/mar de 2010) 

Ingredientes

Para o peixe

600g de filé de linguado (Ou outro peixe de sua preferência)
1 vidro de leite de coco, de 200ml
3 colheres de sopa de azeite de dendê
sal e limão

Para o molho de tomate

2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 dentinho pequeno de alho, batido com uma pitada de sal
1 lata de tomates pelados, com o molho, bem picadinho
2 raminhos de manjericão fresco, ou a gosto, sem os talos (aproximadamente 20 a 25 folhinhas não muito grandes)
1 pimenta dedo de moça, picada, sem as sementes
1 pitada de sal
3 colheres de chá de açúcar para corrigir a acidez (que me perdoem os puristas, mas foi necessário)
2 colheres de chá de amido de milho
1/4 xícara de água

Modo de Fazer

Para o peixe

Lave o peixe em água corrente (após descongelado), e deixe de molho em água com limão por dois ou três minutos. Após esse tempo, lave novamente, escorra e salgue de um lado só, com um pouco mais de sal do que o necessário, mas não demais. Reserve por dez minutos. Após esse tempo, lave ligeiramente para retirar o excesso de sal, escorra e seque com papel toalha ou um pano de prato limpo. Arrume os filés em uma assadeira (ou pirex), untada com azeite de oliva. Distribua o leite de coco entre os filés, sem derramar por cima e faça o mesmo com o azeite de dendê, em fio. Reserve.

Para o molho de tomate  

Coloque o azeite de oliva numa frigideira, junto com o alho batidinho e deixe fritar um pouco, sem dourar. Acrescente os tomates picados, com o molho, uma pitada de sal e ajuste com o açúcar, provando para que não fique ácido. Se precisar, acrescente mais um pouquinho de açúcar. Acrescente a pimenta dedo de moça picadinha e o manjericão fresco picado. Deixe ferver um pouco, prove e ajuste o sal. Desligue o fogo. Peneire os tomates numa tigela e reserve o caldo. Por cima de cada filé, já na assadeira, acrescente montinhos de tomate. Leve ao forno moderado, até borbulhar e o peixe estar cozido, o que não demora muito, de 15 a 20 minutos, a depender do forno. Retire a assadeira do forno e reserve. Coloque o caldo de tomates peneirado numa panelinha, acrescente amido de milho dissolvido na água e deixe engrossar um pouco. Prove e ajuste o sal e a acidez, se necessário. retire os filés da assadeira com cuidado, colocando-os no prato de servir, com o molho de coco e dendê em volta. Sirva com arroz branco e o molho de tomate peneirado, à parte. Delicioso!

(Na receita original, foi usado robalo e tomate fresco, ao invés do de lata) 


sábado, 29 de dezembro de 2012

O ERRADO QUE DEU CERTO

A geléia, pronta para dar de presente...
Já faz uns dias que deveria ter publicado por aqui a receita de uma ótima geléia de laranja, pedaçuda, com um amarguinho muito, muito leve e realmente deliciosa. Eu não levei muita fé, achando que ela ficaria muito amarga, mas foi uma grata surpresa experimentá-la. A receita vem do livro A Cozinha da Alcobaça, de Laura Góes, que tem uma linda pousada em Petrópolis, no Rio e produz essas delícias para o café da manhã dos hóspedes. Como ela rende bastante, ainda deu para presentear alguns sortudos.
Mas, resolvi fazer uma quantidade maior e deixei a laranja muito tempo no fogo, sem seguir adequadamente os preciosos conselhos de dona Laura. E fiquei com um pote enorme de uma geléia mais para doce, com uma cor mais escura e com menos calda. Fui esperando para ver o que fazia, ou se vinha alguma ideia salvadora, ou melhor, uma receita salvadora que me permitisse aproveitar de outra forma aquela montanha de doce.
E como o santo dos cozinheiros tarda mas não falha, assisti a um antigo programa da Nigella, que eu adoro, e ela executava um bolo de tangerina, onde a fruta é cozida com casca e nó e vira um bolo lindo. Eu já tinha tentado fazer a tal receita há uns bons meses atrás e tinha dado com os burrros n'água: por algum motivo, as lindas tangerinas geraram um bolo tão amargo que com muita pena eu tive que jogar fora, pois ficou intragável.
Porém, ao ver de novo o programa decidi arriscar e trocar a tangerina pela geléia de laranja, além de estimar as quantidades da fruta e retirar o açúcar da receita, uma vez que a geléia já o tinha em quantidade suficiente. Cruzei todos os dedos da mão e levei ao forno. Não me arrependi. O resultado é fantástico! O bolo fica molhadinho, perfeito para acompanhar uma xícara de café forte. Para um dia de festa, eu colocaria uma ganache de chocolate meio amargo por cima e partiria para o abraço. Experimente você também!
A receita da geléia que apresento aqui é a correta, que fica maravilhosa com uma torradinha e um pedaço de queijo fresco. Para o bolo, escorra um pouco da calda de forma a ficar mais consistente. 
Geléia de laranja da dona Laura Góes 
Ingredientes
3 laranjas de casca mais grossa, maduras (usei a laranja comum), com casca e caroços
1/2 limão siciliano, com casca e caroços
Açúcar quanto baste
(Esta quantidade é para metade da receita. Se quiser, basta duplicar)
Modo de Fazer
Parta as laranjas ao meio (se quiser, pode deixá-las inteiras), coloque-as em uma panela onde caibam confortavelmente, junte a metade do limão, todos com cascas e caroços e cubra de água, deixando passar uns dois dedos. Leve a panela ao fogo e cozinhe-os até que as cascas estejam bem macias. Se for preciso, acrescente um pouco mais de água. Quando estiverem cozidas, reserve o líquido na panela, retire as frutas e coloque-as em uma tábua ou prato grande. Retire apenas os caroços. Não se preocupe, é assim mesmo. Dona Laura, cuja receita foi retirada de um livro inglês, passa as frutas em uma peneira de metal, mas no original elas são cortadas em pedacinhos bem pequenos, cascas, parte branca, bagaço, tudo junto. Eu não tinha a tal peneira e prefiro a geléia mais pedaçuda, então piquei bem miudinho. Volte tudo para a panela, junto com o líquido do cozimento. (Caso tenha sobrado muito líquido, pode descartar um pouco). Ligue o fogo e espere reduzir o líquido. O ponto certo é quando estiver aparecendo o fundo da panela, mas sem secar demais. Nessa hora, coloque o açúcar. Usei do refinado, aproximadamente meio quilo, mas é bom não acrescentar todo de uma vez e sim aos poucos e ir provando. A partir daí, é muito rápido. Quando o açúcar dissolver e ferver, praticamente é hora de desligar o fogo. Faça o teste, colocando um pouco em um pires para observar a consistência. Coloque a geléia ainda quente em potes esterilizados previamente, tampe, espere esfriar e voilá!.

O bolo, prontinho para o café...
Para o bolo (bem adaptado)
Ingredientes
2 xícaras de geléia pedaçuda de laranja, consistente, com pouca calda
2 xícaras de farinha de amêndoas (caso não tenha, compre amêndoas, ferva ligeiramente para tirar a casca, seque um pouquinho no forno e passe no liquidificador até ficar bem fina)
6 ovos
1 colher de sopa de fermento químico para bolo
Modo de Fazer
Passe manteiga e polvilhe farinha de trigo em uma forma média, redonda. Bata a geléia no liquidificador. Se ficar muito grossa, acrescente não mais do que 2 ou 3 colheres de sopa de água. Acrescente a farinha de amêndoas e os ovos e bata até ficar bem homogêneo. Misture o fermento sem bater e despeje a mistura na forma. Leve ao forno médio, pré-aquecido, por 30 ou 40 minutos, ou até que enfiando um palito saia seco. O bolo é bastante úmido e delicioso. Se desejar, faça uma ganache com chocolate meio amargo derretido e creme de leite e coloque por cima do bolo. Bom apetite!
(Veja aqui a receita original do bolo:

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

E O NATAL CONTINUA...




Ri muito, apesar do aperreio, ao saber que minha cunhada, ontem parada por uma blitz mais do que cumpridora dos seus deveres, desesperou-se ao pensar no peru no forno, àquela altura inocente do motivo do atraso e esperando pacientemente para cumprir o seu papel social de todo Natal, acabando com a fome das nossas barrigas.

Depois de tudo resolvido, lembrei-me de outros longínquos Natais, onde era permitido a nós, então crianças, ficarmos acordados até meia-noite, pois ceia que se prezasse não podia ser servida antes. E para nossa agonia, que eu me lembre, nenhum adulto bonzinho dava nada para comermos e ficávamos ali ansiosos pelo Papai Noel e pela comilança, que nunca era pequena.

Quando cresci um pouquinho, era sempre encarregada da maionese, caseira, é claro. As verduras e legumes tinham que ser cuidadosamente enxutas, para que nenhuma gota de água atrapalhasse o molho, que eu fazia com gema cozida e crua passada em peneira, azeite, sal e umas gotinhas de limão. Era a noite de ver o estouro do "champagne" (um espumante quase sempre doce, tomado aos golinhos) e de ver a família reunida e ouvir histórias, muitas histórias.

Às vezes, algum de nós, os pequenos, dormia antes da meia-noite. Na hora certa, porém, era ruidosamente acordado com votos de Feliz Natal por toda a família e tenho na lembrança todos aqueles calorosos abraços. E a nossa alegria ao encher a árvore de luzinhas coloridas, um verdadeiro deleite. Festa, barulho bom, crianças correndo e muita, muita comida serão sempre as imagens que terei para guardar dessas noites.

Mas, o melhor mesmo ainda era acordar de manhã e ver ao lado da cama alguns pacotes, com seus laços de fita colorida. Até hoje, meu encantamento por pacotes de presente continua igual.

Hoje, como ontem, estarei perto da família e de amigos. Um pouquinho em cada casa, um aconchego aqui, outro ali e uma vontade imensa de que o mundo seja mais solidário e gentil em todos os demais dias do ano. Que não precisássemos ver uma enxurrada de brinquedos de um lado e meninos famintos de outro e que nenhum lixo fosse jogado pela janela. Nunca.

Mas, apesar disso tudo, quero pensar que lutamos para fazer pelo menos um pouco do necessário e que se trabalho tanto e tiro da minha família e de mim mesma tantas horas é porque quero e preciso que esse mundo nos dê mais orgulho e que, como já disse aqui antes, as boas intenções possam ser sentidas o ano inteiro.

Por isso e porque acordei com David Garrett tocando maravilhosamente bem, quero festejar a vida. E para o almoço, com direito a RO* e pratos novos, reproduzo para você uma receita fácil, rápida e adaptada do programa Cozinha Prática, com a Rita Lobo, no GNT. Deixei de lado o salsão, por não encontrá-lo, apesar de ela dizer que é imprescindível e a salsinha, por não ter em casa. Não precisou, juro. O prato é uma delícia e merece ser degustado mesmo assim.

Salpicão de frango da Rita Lobo (bem adaptado)

Ingredientes

4 coxas e sobrecoxas de frango, com pele
2 peitos de frango pequenos, com pele e osso
2,5 colheres de chá de sal
3 dentes de alho
1 xícara de vinho branco
1/2 xícara de passas brancas (ou a gosto)
2 potes de iogurte natural
1/4 xícara de azeite
2 colheres de chá de curry (mistura de especiarias) ou um pouco mais, se desejar
2 a 3 maçãs vermelhas, com casca e caroços, fatiadas finamente na mandolina (descascador de legumes e frutas) ou, como farei agora, em pedacinhos menores
Suco de 01 limão para passar nas maçãs (usei o siciliano, mas pode ser do comum)
Sal a gosto e pimenta do Reino moída, se precisar
Nozes picadas, a gosto
Salsão e salsinha picada, a gosto (na minha versão, opcionais)


Modo de Fazer

Faça uma pastinha com o alho e o sal, batendo num pilão. Coloque as coxas, sobrecoxas e os peitos de frango na assadeira, levante delicadamente a pele e tempere com a pastinha reservada. Acrescente a xícara de vinho branco, cubra com papel alumínio e leve ao forno moderado por 1h e 10 minutos. Após esse tempo, retire o papel alumínio e deixe aproximadamente 10 minutos. Desligue o forno, espere esfriar um pouco, retire as peles e ossos e desfie em pedaços grandes ou menores, se desejar. Acrescente algumas colheres do caldo que se formou na assadeira, para que não fique ressecado. Reserve. Coloque as passas em uma tigela e acrescente duas colheres de sopa do caldo da assadeira, para hidratar. Reserve. Em outra tigela, coloque os dois potes de iogurte, o azeite, uma pitadinha de sal e o curry e misture bem. Prove e ajuste o sal, se necessário. Esprema o suco de limão e reserve. Passe as maçãs pela mandolina (mandoline, em inglês) e se desejar, corte-as menores e coloque em uma tigela, acrescentando o suco de limão reservado, para que elas não escureçam. Coloque o frango em uma vasilha grande, acrescente o molho, as passas escorridas e a maçã. Se utilizar, coloque o salsão a gosto e um punhado de salsinha bem picada.Prove e ajuste o sal, se precisar. Separe uma travessa bonita para servir ou monte pratos individuais. Acrescente nozes picadas por cima, a gosto e sirva, após deixar gelar um pouco. É delicioso! Se sobrar, pode ser usado para recheio de sanduíches feitos com pão integral, frios. Aproveite!
Observações:
Esse post deveria ter sido publicado ontem, mas não houve condições para tal, então deixei o texto da forma que estava. E, aproveito para oferecer o tema de Missão Impossível, com o ótimo David Garrett!
Assista aqui: