domingo, 9 de setembro de 2012

A TORTA DO MEU FILHO






Domingo só consigo acordar direito depois de uma bela xícara de café sem açúcar e qualquer coisinha para mastigar. Pode ser um pedaço de bolo ou mesmo uma fatia da torta de maçã do Ian, meu filho mais velho. Os amigos dele a chamam de "lendária torta de maçã", porque nunca conseguem comer um pedaço, sempre acaba antes. Ele não dá, não vende nem empresta e ainda pede que eu faça uma para ele e outra para as visitas.

Exageros à parte do meu filho formiguinha, a massa que eu usava era ligeiramente diferente, mas como tenho por hábito perder qualquer objeto que me caia nas mãos, a receita andava em um pequeno caderno, desaparecido e não encontrado. Por comodidade, hoje uso uma variação, que é também muito saborosa. O recheio pede maçãs, açúcar, manteiga e canela, além de passas e umas gotinhas de limão. Acompanhe com uma xícara de café ou chocolate e se tiver passarinhos por perto, como eu, aproveite para relaxar. Bom domingo!

Torta de maçã do Ian

Ingredientes

Para a massa

200 g de manteiga
300 g de farinha de trigo
1 ovo inteiro
1 gema
1 pitada de sal (Se usar manteiga salgada, não precisa)

Para o recheio (deve ser preparado antes, para poder esfriar)

10 a 12 maçãs vermelhas, nacionais, descascadas e fatiadas
3 a 4 colheres de sopa de manteiga
4 a 5 colheres de sopa de açúcar branco
4 a 5 colheres de sopa de açúcar mascavo
Passas pretas a gosto
Canela a gosto
Gotas de suco de limão
Gema para pincelar
Creme de leite batido com suco de limão a gosto, para acompanhar

Modo de fazer a massa

Numa tigela, coloque a manteiga, o ovo inteiro e a gema. Misture levemente. Acrescente a farinha e a pitada de sal, se usar. Misture com as pontas dos dedos apenas até unir a massa, para que ela não fique dura. Deixe descansar por uns 15 minutos. Após esse tempo, abra a massa entre duas folhas de papel filme, com um rolo, e forre uma forma redonda para torta, deixando uma parte da massa para a cobertura. Por cima, coloque o recheio já frio. Abra o restante da massa da mesma forma, cubra a torta e faça alguns furos com um garfo, para que o vapor possa sair. Pincele toda a superfície com gema de ovo passada na peneira e leve ao forno até dourar. O forno deve estar quente, pré-aquecido. Depois de uns dez minutos, a temperatura pode ser reduzida.

Modo de fazer o recheio

Descasque as maçãs e fatie-as finamente. Deixe de molho em água e suco de limão, para não escurecerem, enquanto você termina. Arrume-as bem espalhadas em uma assadeira retangular que ocupe duas bocas do fogão. Por cima, coloque a manteiga, polvilhe os açúcares (você pode usar só o branco ou só o mascavo, se gostar), as passas, a canela, as gotas de limão e vá mexendo de vez em quando, revirando as fatias até que cozinhem e se forme um doce com um pouco de calda. Não deixe as fatias de maçã desmancharem. Pode ser preciso acresce. ntar um tico de água, para que não queimem. Prove uma fatia, deve estar macia. Pode ser necessário acrescentar um pouquinho mais de manteiga ou açúcar, prove sempre. Não deve ficar muito doce. Deixe esfriar e utilize. Caso queira acompanhar com o creme de leite, misturo uma lata para o suco de meio limão, mas fica a seu critério. Bom apetite!

domingo, 2 de setembro de 2012

SEMANA DE ENLOUQUECER



O arroz com galinha caipira, perfeito com ovo cozido...


Nem falo mais que ando correndo. Vai que alguém pensa que é pra impressionar e fico eu achando que bem podia tirar uns minutos pra fazer nada, coisa tão importante de vez em quando. Eu tento, nem sempre consigo, é bem verdade. Mas, queixas à parte, a semana que passou teve umas corridinhas adicionais bem justificáveis e entre mortos e feridos, ainda estou inteira para contar a história.

E como vida sem emoção não tem graça, acordo ontem com uma notícia alvissareira: nem uma gota de água na casa e a bomba quebrada. O maridinho, encarregado de resolver essas questões delicadas, estava de partida para uma palestra que iria ministrar no Município vizinho e aí comecei a corrida por um bombeiro, fazer o quê? Liga dali, procura dacolá, todos os conhecidos prestando serviços em ramais e longe, muito longe.

Tive então, a ideia salvadora: ligar para o meu pai, afinal de contas, o seu João da 06 de Agosto, mais conhecido como Capabode, tem resolução para tudo e conhece todo mundo. Meu querido pai passou por um delicado problema de saúde anos atrás e ficou com algumas sequelas motoras, mas continua divertido e bem-falante. É animado e se deixar, até dirigir quer, embora não seja recomendável. Para suprir essa demanda, minha querida mãe, uma senhora de apenas 77 anos, é quem pilota o carro e assim, lá vão eles ao shopping, às compras e socorrer filhos aperreados.

Pois o meu pai tinha mesmo um bombeiro conhecido. Telefonemas para cá e para lá, eu já com as mãos na cabeça, eis que de repente me chegam os dois aqui em casa, salvadores da pátria, trazendo o bombeiro a reboque. E meu pai, apreciador de café, que fiz na hora para acompanhar o bolo de milho, olhou para mim, já feliz com o problema resolvido e disse:"Minha filha, lembre sempre que você tem pai".

Essa declaração simples, carregada de tanto carinho, que fez os meus velhos saírem de casa numa manhã de sábado para trazer um bombeiro à casa da filha me fez ver que nada no mundo pode ser melhor do que ter família perto, sempre a postos, pronta para ajudar em qualquer situação. A minha é assim. Entram filhos, marido, irmãos, tios e tias, primos e primas, cunhados e cunhadas. Apesar das diferenças, estamos sempre juntos e misturados, o que pra mim é um prazer.

Prova disso é a estante de 30 anos que meu irmão resgatou da casa da nossa mãe, mandou pintar e me entregou em casa, estante essa que há uns dois anos eu prometo levar e pintar, pois é uma peça antiga de ferro, objeto de desejo meu desde que sou meninota e que ele, conhecedor da irmã que tem, mandou ajeitar.

Portanto, deu pra fazer a galinha caipira cozida e acompanhar com um macarrão caseiro que precisa de máquina manual e uma meia hora para ser feito e devorado. Passarei a receita mais para a frente, não se preocupe, viu, Solange? Por hoje, aproveitei as sobras da galinha, desfiei, refoguei alho e cebola numa panela de barro, a moela cozida e bem picada e o arroz. Depois basta acrescentar a galinha desfiada, o caldo e mais um tico de água e aproveitar. E de sobremesa, que ninguém é de ferro, banana comprida frita na manteiga, polvilhada de açúcar e depois, arrematada com leite condensadoMais diet, impossível. Bom apetite!

Arroz com Galinha Caipira

Ingredientes

1/2 galinha caipira cozida, desfiada, com o caldo do cozimento (quantidades aproximadas)
1 cebola branca, média, picada
1/2 cebola roxa, média, picada
Cebolinha picada, a gosto (pode usar também chicória, salsinha, coentro, a gosto)
Colorau, a gosto
2 folhas de louro, secas
A moela da galinha, cozida e picada bem pequena (opcional)
2 xícaras de arroz cru, lavado (aproximadamente)
6 dentes de alho médios (ou menos, se preferir), amassados
Óleo
Água fervente quanto baste

Modo de Fazer

Numa panela de barro média (ou outra de sua preferência) coloque 2 a 3 colheres de óleo, espere esquentar e acrescente o alho amassado, deixando dourar sem queimar. Acrescente a moela picadinha, caso use, as cebolas picadas e deixe refogar um pouco. Acrescente o arroz, colorau a gosto,a cebolinha picada e deixe refogar bem, mexendo sempre, para não queimar o arroz. Após, acrescente a galinha desfiada com o caldo (previamente fervido e ainda quente) e complete com água fervente até cobrir a preparação. Deixe em fogo baixo, cubra a panela e acompanhe o cozimento. Se usar panela de barro, ao desligar o fogo, deixe um pouquinho de líquido no fundo, pois ela continua cozinhando, para evitar que o arroz queime. Sirva acompanhado de ovo cozido, se desejar.





Banana Comprida Frita à Minha Moda

Ingredientes

Banana comprida (pacovã) a gosto, maduras, mas firmes
Manteiga e óleo para fritar
Açúcar
Leite condensado

Modo de Fazer

Divida ao meio a banana e corte ao comprido cada metade, em fatias. Frite em manteiga com um tico de óleo, para não queimar. Vá colocando em um prato com papel absorvente, até acabar. Volte com as bananas para a frigideira em fogo baixo, coloque um pouquinho de manteiga e vá polvilhando de açúcar. Deixe um pouco até derreter e formar em algumas partes, um caramelo. Não precisa derreter todo. Cuidado para não queimar. Retire as bananas para um prato de servir e por cima, despeje o leite condensado em fio, a gosto, nas bananas ainda quentes. Malhe por uma semana, mas coma tudo sem pestanejar, é uma delícia! 

domingo, 19 de agosto de 2012

JERIMUM COM MOLHO BRANCO DE CASTANHA




Ando meio na preguiça e embora não pare de alimentar os filhotes e maridinho meio que compulsivamente, testando pães, bolos e outros petiscos, o domingo amanhece às vezes com cara de cama, jornal e café, nada mais.

Mas, sabe como é, o filho mais velho já dirige e apesar de não morrer de amores por mercado logo de manhã, é educado e solidário e aí lá vamos nós, só umas frutas e uma goma fresca...só que o jerimum estava olhando luminoso para mim e o seu Manoel fez uma propaganda irrepreensível. Não resisti e trouxe o jerimum caboclo já limpo e cortado, sem saber ainda o que fazer com ele.

Não tinha filhote na banca de peixes da Socorro e do Rui, mas o surubim estava bonito e aí um pouquinho para moqueca não fazia mal,  quem sabe para amanhã? O plano hoje, afinal, era almoçar fora, ainda que fosse na casa da mãe, com toda a família reunida. A preguiça não deixou. Completei o café com uma tigela de mingau de tapioca com milho (mungunzá) e rumei para casa.

Meu filho, já acostumado com a propaganda enganosa da mãe, não se abalou com as várias sacolas em cada braço, mãe, você não tem jeito...

Já havia guardado o peixe e tirado uma carne de sol para dessalgar quando mudei de ideia. O surubim foi fatiado mais fino, lavado com água e limão, depois só água para tirar o limão e salgado. Depois, tirei o excesso de sal com mais água, enxuguei de um por um os filezinhos, passei na farinha de trigo e fritei na chapa. Ficaram meio tostados de um lado, mas uma delícia com o arroz e o jerimum cozido em água e sal, depois refogado com alho e um pouquinho de manteiga, antes de receber o molho branco de castanha do Pará (ou do Brasil). Muito bom, bem suave! E de quebra, vai a receita da torta de banana do Dom Pastel, uma pizzaria lá de Fortaleza.

A torta não foi feita hoje, mas estou devendo esta receita para a Silvana Camargo faz um bom tempo e portanto, não custa colocar a mão na massa. Ela foi fornecida pela dona da pizzaria, em um programa da Ana Maria Braga (sim, eu já assisti algumas receitas lá), alguns anos atrás e é uma perdição. Misturei banana prata frita com banana comprida. Na receita original, leva banana prata apenas. De qualquer forma, imperdível!
 

Jerimum caboclo (ou outro de sua preferência) com molho branco de castanha do Pará (ou do Brasil)

Ingredientes

Jerimum caboclo ou outro de sua preferência, cozido em água e sal e escorrido, levemente refogado com alho frito na manteiga, a gosto.

Molho branco de castanha do Pará (ou do Brasil)

12 a 13 castanhas cruas
1 1/2 xícara de água quente (se usar castanhas frescas, a água pode ser fria)
1 pitada de sal
1/2 colher de sopa de óleo de castanha (opcional)
1 pitada de açúcar
1 colher de sopa de azeite de oliva
1 colher de sopa de amido de milho dissolvido em 1,5 colher de sopa de água
Um pedacinho minúsculo de alho amassado (bem pequeno mesmo, pois a castanha é muito suave e o alho pode roubar a cena)

Modo de Fazer

Coloque as castanhas no liquidificador sem bater e acrescente a água quente. Deixe uns 10 minutos, para hidratar. Acrescente a pitada de sal e de açúcar, o óleo de castanha, se usar e bata bem. Peneire em um panho de prato limpo, reserve o bagaço (se quiser) para outro uso e despeje o líquido em uma panela pequena. Leve ao fogo e quando levantar fervura, adicione a colher de azeite e o pedacinho de alho amassado. Ajuste o sal e acrescente o amido dissolvido, mexendo bem, para não empelotar. Veja a consistência e se for o caso, não use todo o amido. Aguarde ferver e despeje por cima do jerimum, acompanhando o peixe com arroz. Pode ser usado em várias outras preparações, substituindo o molho branco convencional.





Torta de banana do Dom Pastel (adaptada)

Ingredientes

3 ovos inteiros, em temperatura ambiente
1 xícara de farinha de trigo peneirada
1 xícara de açúcar refinado
2 colheres de sobremesa de manteiga, rasas
2 colheres de chá de fermento químico para bolo
1 1/2 lata de leite condensado
12 bananas prata médias,  fatiadas ao comprido em três pedaços,  fritas em gordura vegetal ou óleo
4 bananas compridas maduras, pequenas, divididas ao meio, fatiadas ao comprido e fritas em óleo ou gordura vegetal
Açúcar e canela para polvilhar ligeiramente as bananas

Modo de Fazer

Bater os ovos inteiros com o açúcar como para pão de ló e acrescentar a manteiga. Misturar delicadamente a farinha e o fermento. Use uma forma média untada e enfarinhada, redonda, ou uma de aro desmontável (se quiser desenformar), mas neste caso, apoiada em uma outra assadeira, pois os líquidos podem vazar. Para a montagem, coloque uma camada de massa, banana frita, acrescente uma lata de leite condensado, mais massa, banana e a meia lata de leite condensado restante. Por cima, coloque algumas bananas para enfeitar. Leve ao forno pré-aquecido, bem quente. Quando colocar a forma, baixe a temperatura do forno para moderado, até dourar.
Maravilhosa!






segunda-feira, 13 de agosto de 2012

O PRIMEIRO PÃO A GENTE NÃO ESQUECE

Pão integral com gergelim preto


Nunca tive aula de cozinha, mas cresci com os cheiros do pirarucu no leite de coco feito pelo meu pai e com o sabor do lombo cheio da minha mãe, recheado com uma farofa úmida e suculenta. Ainda pequena, duas coisas me deixavam absolutamente encantada: procurar livros para ler, fosse na vizinhança, nas casas dos amigos ou da família, nas livrarias ainda incipientes por aqui e também me aventurar nas panelas.

Receitas, eu não sabia. Mas minha mãe tinha um caderno onde eu às vezes lia algumas delas, passadas de mãe para filha e como eu lia tudo que me caía nas mãos, ficava viajando naquelas delícias. Lembro de uma coleção de livros de culinária da Tia Nair ou outra tia parecida, bem anos setenta, com os coquetéis de camarão, biscoitos e bolos e mais uma infinidade de petiscos.

Para mais da metade deles, faltavam os ingredientes. Era um tempero diferente, um legume desconhecido, frutas mais do que exóticas para quem naquela época, só conhecia de diferente as maçãs e uvas que aqui começavam a chegar, disponíveis em dias de doença, para fazer um agrado. 

Naquela época, como hoje ainda, gostava de presentear com biscoitos ou doces. Aos doze anos, aprendi a fazer um biscoito chamado casadinho, recheado com goiabada e desde então, vez por outra eu ia para a cozinha, produzir os famosos biscoitinhos. Nunca dava para quem queria e a receita perdeu-se com o tempo, embora fossem muito disputados na família. Era o casadinho que eu orgulhosamente levava para presentear os enfermos ou as mães de primeira viagem.

Uns anos depois, caí no movimento estudantil e aí não sobrava tempo para ser gourmet. Nos contentávamos com o macarrão com salsicha feito por uma amiga, para um bando de saudáveis esfomeados e muito leite com pão. Quando dava, íamos ao Casarão, livraria/restaurante/bar e nos deliciávamos com as comidas da Graça, até hoje bem vivas na memória: o contrafilé à parmegiana, feito com molho de tomate de verdade e a feijoada aos sábados, com uma farofinha crocante e banana frita de acompanhamento, além da couve sequinha, dos deuses. Se eu fechar os olhos, sou capaz até de encher a barriga com as lembranças.

E aí veio o primeiro filhote e comecei de verdade a cozinhar. Comida simples, só sabia fazer bem o arroz, aprendido com meu pai, com muito alho e soltinho, bife e maionese, batida numa tigela com gemas cruas e cozidas passadas em peneira e azeite misturado devagar. Umas gotas de limão, sal a gosto e legumes e verduras fresquinhos, cubinhos de maçã e umas passas, era comida de festa.

Mas, não perdi o gosto por ler receitas em revistas e livros de culinária, quando tinha chance. Havia tentado sem sucesso fazer uns pãezinhos de leite que foram muito bem até a primeira fermentação. Como eu não sabia que precisava fermentar de novo depois de modelado, arrumei as bolinhas na assadeira e forno nelas! É claro, viraram palanquetas especiais para qualquer baladeira e só faltei morrer de frustração.

Até que um dia, lá pelos idos de 1993, na banca de revistas em frente ao prédio da Caixa onde eu trabalhava, já no Ceará, botei o olho numa publicação sobre pães. Resolvi arriscar. Comprei a revista e em conversa com uma colega, descobri que ela, mineira, tinha uma empregada mãos de fada, que fazia um pão integral delicioso. Lembrem-se, o ano era 1993, nada desses empórios gourmet, farinhas especiais, orgânicos em todo  canto.

Até hoje guardo o papel com a receita, dividida por quatro: eu não queria perder todo o material em caso de erro, caro e difícil de achar. Comprei os ingredientes e assim que cheguei em casa comecei a fazer o pão, cruzando os dedos. Acho que lá pelas dez e meia da noite do mesmo dia, eu numa ansiedade louca pra ver se ia dar certo, coloquei o pão para assar. Lembro até hoje daquele cheiro maravilhoso tomando de conta da casa inteira. Não me contive e saí pulando pela sala, com umas fatias fumegantes na mão, cobertas de manteiga, derretendo e queimando a língua. Até hoje, faço a mesma receita de pão integral e já íntima, acrescento castanhas ou gergelim, açúcar mascavo ou mel, leite ou água. Só uma coisa não mudou: o sabor maravilhoso e o prazer de comer um pão feito em casa. Experimente você também!


A massa do pão, já fermentada... 

Pào integral com gergelim (opcional)

Ingredientes

1 1/4 de xícara de farinha de trigo branca (pode ir até 1 1/2 xícara, dependendo da umidade da farinha)
1 1/4 de xícara de farinha integral (pode ir até 1 1/2 xícara, dependendo da umidade da farinha)
1 colher de sopa rasa de fermento para pão
2 colheres de sopa de óleo vegetal (usei 1 colher de óleo de soja e 1 de gergelim, mas pode usar qualquer um)
2 colheres de sopa de mel (ou 02 colheres de sopa de açúcar mascavo, bem apertado na colher)
1 ovo
1 xícara de água morna (ou leite)
1/2 colher de sopa de sal marinho (se usar o refinado, um pouco menos)
Gergelim preto torrado, a gosto (opcional)
linhaça (opcional)
Nozes ou castanhas em pedaços pequenos, passas, pedacinhos de chocolate meio amargo (opcional)

Modo de Fazer

No liquidificador (ou se preferir, numa bacia média) coloque a xícara de água morna. Acrescente o fermento, o óleo, o mel e o ovo. Bata para misturar ou se for fazer na bacia, com um garfo. Deixe fermentar por uns quinze minutos, acrescente o sal e as farinhas, misturando devagar, até ficar uma massa maleável, que possa ser sovada. A depender do teor de umidade das farinhas, pode pegar um pouco menos ou um pouco mais. Se desejar, torre levemente o gergelim, espere esfriar um pouco e acrescente à massa. Podem ser utilizados os demais opcionais ou outros de sua preferência, juntos ou separados, em pequenas quantidades. Neste caso, usei apenas gergelim preto. deixe descansar até dobrar de volume na vasilha coberta com um pano de prato. Após, amasse ligeiramente e modele os pãe no formato que desejar. Arrume-os em assadeiras untadas e polvilhadas, espere crescer até dobrar de volume e coloque-os em forno já aquecido até que dourem ou até que ao dar uma batida no meio, o som saia oco. retire do forno e sempre coloque numa grade para esfriar, imediatamente, pois se ficarem na assadeira, vão juntar vapor e ficar moles na base. Deixe-os esfriar para guardá-los, mas só se você aguentar. Caso contrário, coma quentinho com manteiga, geléia ou requeijão.
Rende dois pães médios.  

domingo, 5 de agosto de 2012

DA COR DOS IPÊS


Tem coisa mais bonita do que esses ipês-amarelos espalhados pela cidade, na lente MARAVILHOSA da fotógrafa Val Fernandes?



A torta de limão siciliano, o limão e as raspas, ou zestes, feitas com aparelhinho próprio, como o da foto

                                         
Como vocês já perceberam, dieta é para mim um assunto recorrente. Até porque sinto que estou engrossando as estatísticas que demonstram o aumento do número de acreanos com excesso de peso. Segundo esta pesquisa, divulgada em abril pelo Ministério da Saúde, o percentual já chega a 48,1% da população, o que é preocupante. E, como já estou na reeducação alimentar, resolvi publicar esta torta de limão, que fiz tendo por base o ótimo blog www.acozinhacoletiva.blogspot.com.

Lá, bem explicada, ela está com o nome de Torta de Limão à Francesa. O dono da casa, ou do blog, é arquiteto. Nas horas vagas publica receitas deliciosas de tortas e bolos, com fotos bonitas e convidativas. Recentemente, entrou no facebook e lá você pode conferir algumas delas. Simpático, já conversamos pela rede social, que permite proximidade mesmo com as grandes distâncias. Fiz esta receita há algum tempo, logo que os limões sicilianos começaram a dar o ar da graça por aqui e aparecerem no supermercado.

O sabor mais suave do que os limões comuns e sua cor luminosa lembram os ipês-amarelos que nesta época do ano explodem pela cidade de Rio Branco, quando as chuvas já nos abandonam e o calor de 42 graus não permite grandes passeios. Sou apaixonada por ipês e os amarelos, particularmente, me fazem feliz com tanta beleza.

Como este post tem um pé nos dias de ontem, mas fala dos dias de hoje, resgato aqui uns pequenos versos, feitos sem pretensão, talvez para lembrar as manias de adolescente, de andar com caderno debaixo do braço, transformando os sonhos e os sentidos em linhas guardadas a sete chaves, depois esquecidas, deixadas pelo caminho e de vez em quando resgatadas.

Aos versos, pois:

"...Velhos versos escondidos
Olham por entre as frestas desse mundo novo
Escorregam fugidios
Embolorados olham
Querem luz
As frestas douradas prometem arco-irís e
os olhos se encantam com as novas cores."

Deixo o nome do blog e os agradecimentos ao Richie por receita tão saborosa, devorada pelos filhos e maridinho, para que vocês a pesquisem e conheçam o trabalho dele, que é ótimo!

Torta de Limão à Francesa


Bom apetite!

Agradecimento: à fotógrafa Val Fernandes, pela cessão de suas imagens, disponíveis no seu acervo no facebook 

sábado, 28 de julho de 2012

BAIÃO DE TRÊS PARA O DOMINGO

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Baião de três na panela e no prato, pronto pra comer...com maxixe e couve frita com alho por cima...







A sobremesa, maçãs e peras em cubinhos, com manteiga, açúcar e baunilha...



Estou nesses dias procurando comidinhas que não doam no estômago. Penso que os meus "quinze anos", aliados ao sedentarismo e um pouco de ansiedade e muita correria, tem gerado algumas dores indevidas, ainda em observação. Voltei a comer minhas frutinhas e estou no leite de soja, que eu adoro. Nem sei se estou autorizada, mas nesta semana tiro a dúvida, com a minha querida nutricionista Katia. Enquanto isso, prudência.

Hoje assisti um programa chamado Cozinha Brasil, na SKY. A exemplo de outros, uma nutricionista acompanha uma família com hábitos muito, mas muito ruins. Açúcar, cerveja e refrigerante em demasia, brigadeiros, verdura zero. A justificativa consciente da mãe, agora avó, para o consumo de  tanta porcaria, me remeteu a um problema que acometa talvez a quase todas nós, mães que também trabalham fora: compensação afetiva.
Sair cedo, passar o dia fora, atenção capenga aos pimpolhos e lá vamos nós compensar com pizza, bolo, doce, refrigerante.

Certo, não estou na mesma situação. Meu filho mais velho, mesmo com toda a pressão do meio, só comeu açúcar com quase quatro anos. Eu levava litros de mel para a escola e quero crer que não fui enganada. O mais novo já não teve tanta sorte e entrou no açúcar mais cedo. Mas, pelo hábito ou pelo exemplo, eles sempre gostaram muito de frutas, água de coco e verduras e nunca gostaram de gorduras.

Mas, tudo que é bom dura quase sempre pouco. Eles cresceram e nenhum coleguinha levava o lanche de casa, nem bolo caseiro nem pão que eu esperava horas para crescer bonito e rechear com algum creme feito no capricho. Resisti até onde pude, mas capitulei. O mais novo, ainda consegui até o primeiro ano do ensino médio, que pelo menos tomasse vitamina de frutas e salgado assado, ao invés de refrigerante e pastel. O mais velho, bezerrinho quando criança, ainda adora café com leite, uma tigela de salada de frutas e, como ninguém é perfeito, uma bela sobremesa.

É claro, tenho minha parcela de culpa. Adoro experimentar receitas de pães e bolos e biscoitos e tortas e os pobres coitados, junto com o maridinho, são os alvos preferidos. Os amigos e parentes, por outro lado, tem ganho presentinhos doces, que é pelo menos para diminuir a culpa. 

Vi crescer o consumo de refrigerante. As escolhas, ainda que discutidas, já me fogem do controle e às vezes penso que fiz o que pude. Mas, sinto certa frustração de vez em quando. Nesta semana, o rapazinho mais novo fez a festa. Acordado até de manhã, perdeu a hora do almoço quase todos os dias e o café foi engolido meio dormindo, levado por uma mãe tão preocupada quanto protetora.  Ele dormindo e eu do lado, ansiosa, menino, desse jeito não se aguenta, olha a finura e por aí vai.

Meu filho mais velho e filósofo de plantão precisou me conter, até que me convenci que a vida é feita de fases, umas melhores, outras nem tanto. Ainda os vejo atacarem um prato cheio de alface e tomate e rúcula, com um molhinho leve. Ainda os vejo comendo um prato de feijão com arroz e carne e isso me salva. Ainda comem uma bela salada de frutas e o mais novo nem é muito de doces. Paciência e equilíbrio, talvez seja a chave.

Ando meio com saudade de prato único, para resolver numa tacada só a proteína, o carboidrato e tudo o mais que a boa nutrição manda. E aí, domingo no mercado é dia de alegria e portanto, ver aqueles feijões verdinhos, debulhados ali na minha frente, com um molho de maxixe e uma couve fresquinha, foi juntar a fome com a vontade de comer. Resgatei no freezer uma carne de sol caseira, feita lá em Ocara (Ce) pelo avô dos meus filhos, o querido seu Leão, cheio de sabedoria e histórias e a mesa estava posta.

E como o domingo aqui em casa anda enriquecido com os amigos do mais novo, aumentamos o caldo do feijão e só deu eles. A sobremesa foi servida numa tigela coletiva e é muito simples de fazer. portanto, mãos à obra!

Baião de Três (Com arroz, feijão verde e carne de sol)

(As quantidades são aproximadas e sinta-se à vontade para alterá-las conforme o seu gosto pessoal)

Ingredientes

2 xícaras de arroz agulha, lavado
500 a 600g de carne de sol cortada em pedacinhos, dessalgada (na falta da caseira, use carne de sol de boa qualidade. Se desejar, pode colocar menos)
2  a 2 1/2 xícaras de feijão verde, aproximadamente, lavado, fervido em água e um pouquinho de sal, reservado com a água do cozimento
1 molho de maxixe, já lavados e limpos
2 fatias grossas de queijo de coalho ou da região, cortado em bastões
alho amassado, a gosto
colorau, a gosto
1 cebola roxa, picadinha
coentro, cebolinha, salsinha e chicória, a gosto
03 folhas de couve, cortada em tirinhas, refogadas em azeite e alho
Ovos cozidos (opcional)
água fervente
Azeite ou óleo

Modo de Fazer 

Numa panela que acomode bem as quantidades acima, coloque azeite ou óleo, o alho amassado e deixe fritar levemente, sem queimar. Acrescente a carne cortada em cubinhos médios e deixe até que frite por igual. Acrescente o arroz e vá fritando na mesma gordura. Coloque um pouco da cebola picadinha e deixe refogar junto, até que murche. O sal que restou na carne deverá ser suficiente para temperar o arroz. Após esse processo, acrescente colorau a gosto e despeje o feijão com a água do cozimento, até cobrir o arroz. Acrescente os demais temperos (coentro, cebolinha, salsinha e chicória) a gosto, o maxine cortado em metades e os palitos de queijo, enfiando-os na panela. Se for necessário, complete com água fervente e ajuste o sal. Tampe a panela e vá acrescentando água até ficar macio e cozido. Ao ficar pronto, arrume a couve já refogada no centro da panela. Sirva com um bom molho de pimenta, de preferência o feito pelo Clerton, marido da Solange Marinheiro, que gentilmente nos trouxe um pote de um molho denso, perfumado, com cebolas, batata e azeitona (mas, caso não seja possível, amasse umas boas pimentas). Se desejar, na hora de colocar no prato, deixe ovos cozidos para que cada um se sirva a gosto. 


Compota rápida de maçãs e peras

Ingredientes

2 ou 3 maçãs vermelhas, maduras, sem a casca e caroços, cortadas em cubinhos
2 a 3 peras maduras, sem a casca e caroços, cortadas em cubinhos
açúcar demerara, ou na falta dele, branco ou mascavo, de maneira a recobrir parcialmente as frutas e formar um caramelo
2 colheres de sopa de manteiga
1/2 fava de baunilha (ou 1 colher de chá de essência de baunilha), opcional
Canela, opcional (caso não tenha a baunilha, pode ser usado canela)
2 a 3 colheres de sopa de rum, vodka ou outra bebida semelhante, de sua preferência, opcional
Creme de leite gelado, ou azedado com um pouco de suco de limão, ou sorvete de creme, opcional

Modo de Fazer 

Numa frigideira, coloque a manteiga, as frutas e o açúcar. Acrescente a fava de baunilha ou a canela, a bebida se for usar e em fogo moderado, deixe até que as frutas cozinhem sem desmanchar e se forme uma calda. Ajuste o açúcar ou acrescente algumas gotas de limão, caso esteja muito doce. Sirva morno com creme de leite, creme azedo ou sorvete. Rápido e muito, muito bom!






quinta-feira, 19 de julho de 2012

NOVOS SABORES

A tarte de banana comprida, deliciosa...


Esta semana teve um sabor diferente. Recebemos aqui no Acre uma delegação peruana, da cidade histórica de Cusco, que nos presentearam com sua rica história, sua cultura, suas danças e sua culinária. Parte de uma integração que começa de fato a se desenhar entre Brasil, Bolívia e Peru, com o apoio do Governo do Estado, a I Semana de Cusco no Brasil teve de tudo um pouco: rodadas de negócios, seminário com eminentes catedráticos, antropólogos e historiadores, desfiles de roupas e bijuterias, companhia de dança, música e orquestra e é claro, como não poderia deixar de ser, a apresentação de uma gastronomia com produtos tão marcantes quanto deliciosos.

O jantar degustação, beneficente, foi um show a parte: desde tabule de quinoa com manga na entrada até a sobremesa, uma espécie de rosca frita, entre o nosso bodó e o churro, com um creme a base de quinoa e uma calda de chicha morada (a chicha morada é uma bebida, feita a partir de um tipo de milho escuro), um pecado! Não tirei fotos e nem tenho as receitas, mas fiquei tão encantada que já comprei quinoa no supermercado e já me arrisquei numa livre interpretação a fazer o tabule. Recomendo, é muito bom!



O tabule de quinoa em livre interpretação...

E, para não perder o costume, depois do tabule veio o surubim assado com alho, um arroz sete grãos com legumes, caldeirada de mandim fresquinhos do mercado com arroz branco e para rebater, uma tarte tatin. Mas, uma tarte tatin de banana comprida. Claro, esse festim com alguém pra lavar a louça, que eu não sou de ferro! Bom domingo a todos!



A caldeirada de mandim na panela de barro...


Tarte Tatin de banana comprida (ou da terra, ou pacovan)

Ingredientes

Para o caramelo (adaptado do livro de Alice Waters, A Arte da Comida Simples):

6 a 10 colheres de sopa de açúcar branco (a receita original pede 6 colheres, mas acrescentei aproximadamente 4 colheres de sopa de açúcar demerara. O caramelo deve cobrir o fundo da assadeira).

2 colheres de sopa de manteiga (mesmo com o aumento do açúcar, mantive a quantidade de manteiga, mas pode ser acrescentado mais uma colher).

Para a banana:

2 a 3 bananas compridas maduras mas ainda firmes, descascadas, cruas, cortadas em três pedaços, cada pedaço cortado em quatro, no sentido do comprimento (a quantidade pode variar em função do tamanho da forma ou das bananas). Deve ser suficiente para cobrir todo o caramelo.


Massa (adaptada da Revista Casa e Comida deste mês)

1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de manteiga gelada
2 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de água gelada

Modo de fazer

Misture delicadamente os quatro primeiros ingredientes da massa. Após, acrescente a água gelada. A receita original pede de 1 a 3 colheres, mas nas duas vezes em que fiz, foram necessárias as três. Depende da farinha. Faça uma bola com a massa, deixe descansar uns minutos e reserve na geladeira. Pegue a forma (sem buraco no meio) e coloque o açúcar e a manteiga. Leve diretamente ao fogão e mexa devagar até formar um caramelo dourado. Tenha cuidado para não queimar. Reserve. Arrume os pedaços de banana por cima do caramelo, em círculo. Abra a massa reservada com um rolo entre duas folhas de filme plástico. Arrume a massa na assadeira ou forma, de modo a cobrir toda a área, por cima das bananas. Leve para assar em forno moderado, até a massa ficar dourada. Desenforme ainda quente, num prato de servir maior do que a forma, pois pode ter líquido do caramelo. Sirva com creme de leite azedado com umas gotas de limão ou puro.


Tabule de quinoa (livre interpretação)

Ingredientes

1/2 xícara de chá de quinoa real, mista em grãos (adquira em supermercado ou casas de produtos naturais)
1 xícara e meia de água
suco de 1/2 limão tahiti
1/2 cebola roxa, bem picadinha
pedacinhos de manga haden, a gosto
1 colher de sopa de mostarda
sal a gosto
folhas de alface

Modo de fazer

Coloque a quinoa em uma panela e acrescente a água. cozinhando por aproximadamente 10 a 15 minutos. Ela deve ficar macia, porém firme. Escorra em peneira, acrescente o suco de limão, a manga em pedacinhos, a cebola e o sal, misturando bem. Na hora de servir, se desejar, acrescente folhas de alface e coloque por cima um pouquinho de mostarda. Delicioso!

Veja mais informações sobre a chicha morada aqui:
www.culturaperuana.com.br/2011/?p=705