domingo, 18 de setembro de 2016

UM ANO DE CAMINHADA E UMA RECEITA SELECIONADA




Pronto para servir...


Meu marido há cerca de um ano resolveu entrar em um projeto pessoal de saúde. Ainda faltam algumas coisas para completar o ciclo, mas ele tem conseguido melhorar a alimentação e caminha todos os dias, numa disciplina militar. Tenho acompanhado todo esse esforço e muitas vezes é dele que me socorro quando a preguiça teima em me afastar dos exercícios.

Ele adora peixes e costuma tomar muitas vitaminas cheias de castanhas e bananas. Resolvi homenageá-lo com uma receita que juntou um pouco tudo isso e ao mesmo tempo, agradecer-lhe por todo o incentivo que sempre recebi. Amo gastronomia e cozinhar sempre foi um hobby e uma forma de distribuir carinho aos amigos. Quando nos reencontramos e recomeçamos uma história de amor que havia acontecido na nossa juventude, ele não entendia isso.

Às vezes eu chegava em casa muito cansada e ia direto para a cozinha. Ele ficava preocupado e me pedia para ir descansar. Aos poucos entendeu que ali eu descansava, esvaziava a cabeça de problemas e me fortalecia. Então ele passou a curtir as comidinhas, os encontros com os amigos e família regados a receitinhas especiais...do macarrão instantâneo que era o almoço dele de quase todo dia, não quer nem ouvir falar.

Hoje ele curte os pães integrais e de fermentação natural que eu sempre faço, saladas especiais e os pratos de massa, carne ou peixe. Os bolos e pães preciso esconder, para que não os ataque e comprometa a dieta, mas os amigos estão sempre a postos para partilhar.

Então, para festejar esse momento, mandei esta receita para o concurso Receitas de Família, da revista Casa e Comida, que leio desde o seu primeiro número e adoro. Qual não foi minha surpresa, ao ver que fui selecionada, na categoria peixe e frutos do mar, uma honra! Até o dia 22 deste mês, todos podem votar quantas vezes quiserem. Serão escolhidas as três mais votadas de cada categoria, num total de 27 receitas, para serem submetidas à degustação. A grande vencedora irá para Paris com um acompanhante e assistirá aulas na Le Cordon Bleu!!

Por isso, estou pedindo o seu voto: no notebook ou celular basta acessar o link http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Comida/Receitas/Premio-Receitas-de-Familia/noticia/2016/09/3-fase-vote-nas-suas-receitas-de-familia-favoritas.html, baixar o cursor até a categoria peixe e frutos do mar, escolher a receita Cubos de Pirarucu Fresco ao Molho de Castanha e Purê de Banana Comprida e ao final, clicar em enviar ou submit.
No celular é preciso baixar o aplicativo gratuito da revista Casa e Comida na Apple Story ou Google Play!
A receita é uma delícia e fácil de fazer. Bora?


CUBOS DE PIRARUCU FRESCO AO MOLHO DE CASTANHA E PURÊ DE BANANA COMPRIDA

Ingredientes

(Para 02 porções)

Para o caldo de legumes caseiro

2,5 a 3l de água
01 cenoura grande com casca, cortada grosseiramente
01 cebola grande limpa, inteira
½ maço de salsão, folhas e talos, cortado grosseiramente
01 pedaço pequeno de anis estrelado
10 grãos de zimbro
10 grãos de pimenta do reino
01 pitada de sal

Modo de fazer

Numa panela grande, coloque a água, a cenoura, a cebola e o salsão. Deixe ferver por aproximadamente 30 minutos, acrescente o anis, o zimbro, a pimenta do reino e o sal. Deixe ferver mais uns 10 a 15 minutos. Espere esfriar, coe e use. A sobra guarde em garrafa na geladeira para o uso que precisar.

Para a castanha assada

03 castanhas do Brasil assadas no forno até ficarem tostadas. Cuidado para não queimar.

Para o peixe

200g (aproximadamente) de cubos de pirarucu fresco, cortados do lombo, no tamanho de 3x3 (em média), lavados em água e limão e depois novamente em água (aqui temos esses cubos já disponíveis em supermercado. Na falta, use o lombo do peixe cortado em cubos)
03 colheres de sopa de azeite
30g de castanha crua (não fresca), deixada de molho em 1/2 xícara de caldo de legumes caseiro
1/2 colher de chá de alho espremido
02 colheres de sobremesa de cebola branca picadinha
02 colheres de sopa de tomate picadinho
01 colher de sobremesa de pimentinha doce vermelha, picadinha
Sal a gosto

Modo de fazer o peixe

Primeira parte

Enxugue bem os cubos do peixe e sele-os em uma frigideira de fundo grosso com duas colheres de sopa de azeite. Reserve. Em outra panela, acrescente a colher de sopa de azeite restante, o alho e deixe por alguns minutos sem deixar queimar. Acrescente a cebola e mexa bem. Adicione os cubos de peixe e deixe por um minuto. Acrescente o tomate picadinho e a pimentinha doce. Desligue o fogo e reserve.

Segunda parte

Liquidifique as castanhas cruas com o caldo de legumes em que ficaram de molho. Triture bem. Numa peneira fina ou chinois, peneire e guarde o bagaço para usar em biscoitos ou bolos. Reserve o líquido.

Imediatamente, coloque novamente a panela com o peixe no fogo. Adicione o caldo de legumes que foi batido com a castanha e peneirado, tempere o peixe e o caldo com sal a gosto e ajuste se for necessário. Deixe em fogo baixo por alguns minutos, apenas para cozinhar o peixe e o caldo engrossar um pouco, virando um molhinho mais encorpado. Reserve por alguns minutos enquanto finaliza o purê.

 Para o purê 

01 banana comprida (da terra) grande, madura mas bem firme, sem casca (mas com as sementes)
02 xícaras de chá de caldo de legumes caseiro
01 pitada de sal
03 colheres de sopa do molho da castanha do refogado do peixe, com um pouco do tomate e da pimentinha que foram adicionados ao molho
20g de manteiga sem sal, gelada

Modo de fazer

Coloque a banana cortada em rodelas sem a casca para cozinhar no caldo de legumes. Acrescente uma pitada de sal. No liquidificador coloque os pedaços de banana quentes e cozidos e o caldo restante da panela em que elas cozinharam. Acrescente 20g de manteiga gelada sem sal, 03 colheres de sopa do molho de castanhas do peixe junto com um pouquinho do tomate e pimentinhas cozidos, sal a gosto e bata até virar um purê. Reserve.

Finalização

Para montar o prato, coloque uma porção do purê de banana, alguns cubos de pirarucu e um pouco do molho de castanhas por cima.  Polvilhe castanha do Brasil assada e ralada na hora, a gosto.  Acrescente um pouco de cebolinha picada e um raminho de salsa, para enfeitar. Sirva.


O prato finalizado, servido na linda louça do enxoval da minha mãe...

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Revista Casa e Comida - publicação da Editora Globo - http://revistacasaejardim.globo.com/Casa-e-Comida/Receitas/Premio-Receitas-de-Familia/noticia/2016/09/3-fase-vote-nas-suas-receitas-de-familia-favoritas.html

Instagram: @casaecomida

Cubos de pirarucu - usei os cubos da empresa Peixes da Amazônia, disponíveis no supermercado Araújo. Na falta, use o lombo do pirarucu, cortado em cubos.
         
                  


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

TANTA COISA ACONTECENDO...


O futuro advogado é o acompanhante perfeito e meu porto seguro, mesmo na correria da mãe...

Com o Mateus, estudante de Medicina na UFC de Sobral, no Ceará, um dos meus conselheiros...aqui me acompanhando numa reunião de trabalho, no Sebrae/Livraria Paim

Ando muito, muito indisciplinada para postar aqui uma receitinha ou outra que, mesmo com o tempo apertado e a eterna dieta, teimo em ir experimentando. Digo, sem medo de errar, que é indisciplina mesmo, pois meu filho mais novo, do alto dos seus vinte anos, me dá mais lições do que sonharia minha vã filosofia e me mostra todos os dias que em se querendo, tudo dá.

Mateus (o mais novo) e Ian (o mais velho) moram longe, pelo menos por enquanto. Investem nos sonhos e se de nós estão fisicamente distantes, temos o consolo, meu marido e eu, de sabê-los perto do pai deles e de sua atual esposa. Não sei se já disse aqui, mas nossa família é dessas bem contemporâneas: é primeiro marido, segunda e terceira esposas, filhos do primeiro casamento, do segundo e terceiro (por parte de pai) e mais tios, primos, amigos e toda uma rede de contatos afetuosos e interligados, que ao invés de reduzir, terminam por aumentar nossa família.. A diferença talvez seja mesmo na amizade que nos une a todos e às vezes na estranheza de alguns, que acham que casamento terminado é sinônimo de brigas eternas e inimizades ferrenhas.

Não para nós, o que acho muito bom. E exercitamos o respeito e a tolerância, o que nos ensina a superar pequenos problemas ocasionais e quaisquer dores, para que eles cresçam bem e se sintam apoiados por várias mãos. É o que pensamos, acho eu, apesar de nunca ter discutido o assunto com quem veio antes e nem com quem chegou depois. 

Voltando aos pequenos grandes meninos, sinto-me privilegiada. No tempo em que ficamos juntos, normalmente nas férias e pequenos intervalos entre elas, aprendo muito mais do que ensino. Do mais velho guardo um precioso ensinamento: "Mãe, se os problemas forem muitos, lembre do Frankstein: vá por partes!!" - essa pequena frase me salva até hoje de colocar nas costas todos os problemas do mundo. E na minha eterna luta contra a ansiedade, me acalma para priorizar o mais importante antes. Além disso, ele é sempre meu eterno ouvinte, pontuando aqui e ali de forma certeira o que às vezes não consigo enxergar.

Com o mais novo, alma gêmea de personalidade e teimosia, aprendo a escutar. E me surpreendo com os sábios conselhos ao me ouvir falando das minhas dificuldades pessoais com o gerenciamento do tempo, a luta para cuidar adequadamente da saúde, a capacidade de me boicotar nas dietas e nos devidos acompanhamentos. Ele me diz assim: "Mãe, enquanto você não mudar sua cabeça e sua forma de ver o mundo, não dá certo. Você precisa saber o que quer. Se precisa perder peso, não adianta comer vários bocadinhos fora da dieta. Se precisa fazer exercício, essa rotina tem que entrar primeiro na sua cabeça..." e por aí vai, que não vou cansá-los aqui com os inúmeros conselhos luxuosos que ele me dá.

Isso vindo de um jovem que mora sozinho, cursa Medicina, já é monitor na faculdade (Anatomia) e dá aula para três turmas em um total de quarenta alunos...além do mais, tem feito sua própria comida e ido à academia, sem falhar quase nada, me mostrando que sim, estou muito desfocada. Se eles são perfeitos? Que nada, enumeraria aqui uma porção de defeitinhos grandes e pequenos. Mas me ensinam que do alto das nossas imperfeições e dificuldades do dia a dia, é preciso saber o que se quer. 

O mais velho já retornou para onde mora e me ensinou a não emendar uma atividade na outra sem um mínimo intervalo. A respirar entre uma coisa e outra. Nem sempre consigo e ele me diz assim quando me encontra: "Mãe, você precisa dar um tempinho, esperar um pouco...". Mesmo assim, é a mais perfeita companhia para as verdadeiras maratonas que faço ele passar. E um parceiro inestimável para o café de fim de tarde, sempre.

O mais novo, apesar de adorar café, tem evitado. Está numa dieta de ganho de massa muscular. E cortou o sal e o açúcar. Prepara as refeições com uma balancinha do lado e se chateia quando um imprevisto qualquer lhe tira da meta. Mas para minha alegria, nada de neurose. Apenas resolveu que queria definir melhor o corpo e cuidar da saúde. Simples assim. E se hoje não conseguiu ir na academia e comeu uma fatia de bolo porque estava longe de casa e dos saudáveis alimentos, também não morreu de culpa. E, mais importante, não me fez sentir culpada.

Para eles, todo meu amor e respeito. E sem foto, vai aqui uma receitinha misturada na hora e apreciada pelo Mateus, que devorou tudo.


Arroz misturado

Ingredientes

Para o arroz

1/4 de cebola cortada em fatias finas, crua
1/2 colher de chá de azeite
01 dente grande de alho
1/4 xícara de cenoura crua ralada
1/2 pimentinha vermelha e doce, finamente picada
01 lata de atum em óleo (se quiser mais light, use o atum conservado em água)
01 porção grande de arroz integral já cozido (de 3/4 a 1 xícara)
Um pouco do caldo do cozimento da cenoura e repolho
Pitadas de Garam Masala caseiro (usei um que ganhei de presente do querido amigo Davi Sento Sé. Se não encontrar, pode usar uma mistura de pimenta do reino, cominho e mais algum tempero que gostar)
(obs: não leva sal adicional além do já presente no atum)

Para o caldo

01 pedaço pequeno de cenoura crua em rodelas
03 folhas grandes e inteiras de repolho, com o talo
grãos de zimbro ou pimenta do reino, inteiros, a gosto
1/2 aniz estrelado
1 batata doce pequena, cortada em pedaços

Modo de fazer

Para o caldo

Numa panela coloque mais ou menos 02 xícaras de água ou um pouco mais, as folhas de repolho, a cenoura, a batata doce, os grãos de zimbro, de pimenta (se usar) e o aniz estrelado. Tampe e deixe até cozinhar. Retire a batata doce para acompanhar e vá colocando o caldo na medida da necessidade, para compor o arroz.

Para o arroz

Numa frigideira grande, coloque a 1/2 colher de azeite e a cebola, em fogo bem baixo. Vá mexendo aos poucos, até que murche e dê uma leve caramelizada. Acrescente o dente de alho fatiado e vá mexendo. Coloque uma ou duas colheres do caldo e acrescente a cenoura ralada, mexendo bem. Coloque o atum, com o mínimo possível do óleo que o acompanha (se quiser mais light, use o atum conservado em água). Misture bem e coloque o arroz, misturando mais um pouco. Acrescente caldo suficiente para que possa ajudar a misturar os sabores. Polvilhe o Garam Masala a gosto. Para servir, coloque uma das folhas de repolho cozida e aberta sobre um prato. Arrume por cima uma porção do arroz. Ao lado, disponha um pouco da batata doce e da cenoura cozidas. Se tiver em casa, sirva com uma fatia de pão caseiro, levemente aquecido. Se desejar, enfeite com gergelim ou sementes de girassol levemente tostadas. Bom apetite!

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Agradecimentos especiais

David Sento-Sé - Garam Masala caseiro, mistura de temperos a gosto, feito em casa.



sábado, 28 de maio de 2016

PARA ALEGRAR O SÁBADO

O peixe com pirão de banana, na folha de couve, com jambu...

A cada vez que vou ao Mercado de frutas e verduras da minha cidade, volto de lá com pratos e mais pratos na cabeça, que vão mudando de acordo com a fome e com o que vou encontrando pelo caminho. Adoro um bom pirão, seja ele com caldo de frango, carne ou peixe. Quando bem temperado, sou capaz de comê-lo sozinho, nem faço questão do acompanhamento. Ou melhor, do principal.

Ver aquela exuberância de chicória, jambu, cebolinhas e pimentinhas doces bem vermelhas já me animou, mas antes de começar a comprar feito louca, tomei a primeira providência: uma tigelinha de mingau de tapioca com mungunzá na banca da Francisca, que está por lá há mais de vinte e cinco anos. Hoje era o marido quem lá estava, servindo além dos mingaus, pratos fundos com enormes charutos e um belo refogado de tomates e cebolas. Para os mais afoitos, ia junto uma salsicha, uma verdadeira licença poética ao charuto tradicional.

Olhei para aquela diversidade cheia de alegria. Já conheço muitos dos feirantes e de alguns, recebo verdadeiras delicadezas. Como o rapaz da banca de bananas, mamão e coco, que hoje não tinha coco seco. Fui andar em outras bancas e daqui a pouco me chega ele: _ A senhora achou o coco? _ Ainda não, já tinha até esquecido. Mas ele não. _Olha, está vendo ali aquela banca? Pode comprar lá, o coco está de primeira.

Quem sou eu para duvidar? Lá fui eu atrás da fruta, meio feinha mas ao ser aberta em casa, deliciosa! Sabor maravilhoso e uma polpa que ao ser mordida, deixava escorrer o suco meio leitoso, coisa de coco que ainda não está totalmente seco. No ponto, portanto. No Mercado é assim, vamos ficando amigos dos feirantes. Voltei lá e comprei a banana, umas palmas bonitas, escolhidas a dedo. Para hoje e para daqui a dois dias, segundo ele.

Nessa brincadeira, comprei goma, tapioca, banana comprida e jambu, sementes de coentro e gergelim, ingá e limão galego (que eu chamo de cravo) aqui da região, de polpa bem alaranjada. Banana, mamão, peixe e um pouco de camarão. Do Peru, segundo o vendedor. Feijão verde, couves e macaxeira fresquinha, para ser comida no café da manhã. E açúcar mascavo para os biscoitos do marido. E graças a Deus não posso pegar peso, senão tinha trazido o Mercado todo comigo.

Cheguei em casa e comecei a separar o peixe, um surubim fresquinho, já cortado lindamente pelo Rui, que junto com a Socorro, sua mulher, são meus fornecedores oficiais de peixe no Mercado. E aí comecei a juntar uma coisa com a outra e lembrar de livros e receitas e comidas e não resisti. Fiz um refogadinho com muitas verduras, joguei a banana dentro, amassei, pus farinha e fiz um pirão de banana. Resolvi aferventar o jambu e passá-lo no alho e azeite, para dar uma graça. Tinha couve, botava dentro. E o camarão podia dar uma adocicada no pirão.

Quando comecei a descascar o camarão, lembrei que caí esses dias e o joelho ainda está muito ferido. O marido não tem comido camarão ultimamente, não lhe fez muito bem da última vez. Que fazer? Reduzi bastante a quantidade e fiz o pirão pra ele sem os bichinhos. Mas para mim e a Ivone, a fiel escudeira aqui de casa,  resolvi arriscar a piora da inflamação. Fiz uma reza boa e até agora não senti nada.

Então, chame os amigos e a família e mande brasa. Esse prato nem precisa de arroz, mas se desejar, sirva com arroz branco. Ou, se sobrar, com mais um pouco do pirão.


Peixe com pirão de banana comprida e jambu
(Para 03 porções)

Ingredientes

Para o peixe

06 postas pequenas de surubim (se não tiver, pode usar pintado, filhote ou semelhante)
sal e pimenta do Reino, a gosto

Para o camarão

100 g de camarão sem as cascas e cabeças, já limpos
Sal e pimenta, a gosto  

Para o refogado e pirão

1/2 cebola picadinha
1 colher de sopa bem cheia de alho amassado 
1/4 de pimentão verde picadinho
02 pimentinhas vermelhas, doces, bem picadas
Chicória e cebolinha, picadas e a gosto 
1/2 pimentinha de cheiro bem picada
01 tomate sem pele, com as sementes, picadinho
01 banana comprida madura mas bem firme, sem casca, cortada em pedaços pequenos, com as sementes
Azeite, q.b.
01 colher de sopa de manteiga
Gotas de limão
Água, q.b. (pode usar a água de cozimento da couve)
Sal a gosto
farinha de mandioca peneirada,quanto baste (usei farinha de coco de Cruzeiro do Sul)

Para a couve

03 folhas de couve grandes ou mais algumas, para arrumar as porções de peixe e pirão

Jambu

01 maço de jambu fresco e limpo, com os talos e flores
01 colher de sopa de alho amassado
Sal a gosto
Azeite q.b.

Folhas de cebolinha aferventadas para amarrar os pacotes

Modo de fazer

Para o peixe

Lave as postas  e deixe de molho com água e suco de limão por alguns minutos. Retire do molho, passe água pura e tempere com sal e pimenta do Reino a gosto. Reserve.

Para o camarão

Depois de limpos, lave os camarões e deixe-os de molho em água e suco de  limão. Lave-os de novo e tempere a gosto com sal e pimenta. Corte cada um deles em três partes e reserve.

Para a couve e a cebolinha

Coloque água e uma pitada de sal em uma panela. Deixe ferver e coloque as folhas de couve até que amoleçam para serem dobradas. Passe as cebolinhas na água fervente. Reserve a água para o refogado e disponha as couves e cebolinhas em um prato, para a montagem. 

Para o refogado e pirão 

Numa panela grande, coloque duas a três colheres de sopa de azeite e em seguida o alho e a cebola. Acrescente as pimentinhas, pimentão, um pouco da chicória e cebolinha, o tomate e as gotas de limão. Coloque a manteiga e deixe cozinhar um pouco. Em seguida, acrescente a banana cortada e tampe. Deixe que a banana cozinhe. Se usar o camarão, coloque-o assim que a banana cozinhar, acrescente um pouco mais de cebolinha e chicória e ajuste o sal e a água, se necessário. Pode se quiser, usar a água de cozimento da couve. Aqui, vale provar um pouco para verificar o tempero, se está ao seu gosto. Com um amassador, pressione as bananas na panela mesmo, de leve. Se fizer maior quantidade, talvez seja interessante amassá-las em um prato, fora da panela e aí devolvê-las. O caldo vai engrossar e ficar como um purê bem mole. Se estiver com pouco líquido, coloque um pouquinho de água e em seguida, farinha quanto baste para formar um pirão firme. Não esqueça de cozinhar bem. Por isso, coloque pouca farinha pois normalmente ela vai engrossando mais à medida em que cozinha. Reserve e deixe esfriar um pouco.

Para o jambu 

Afervente o jambu em água e sal. Escorra e reserve. Numa frigideira, coloque azeite e o alho e deixe refogar um pouco. Acrescente o jambu levemente picado, mexa e coloque sal a gosto. Se necessário, coloque um pouquinho de água, só para finalizar o cozimento. Misture, deixe secar e reserve.

Para montar e finalizar

Abra a folha de couve e coloque uma colher de sopa do pirão. Arrume as duas postas de peixe por cima, para fixar. Por cima do peixe, coloque uma boa porção do pirão. Em cima do pirão, distribua um pouco do jambu refogado. Feche com cuidado, amarrando com a cebolinha aferventada. Faça os demais. Numa panela tipo wok ou funda coloque azeite, distribua os três pacotes e acrescente um pouquinho de água, cebolinha e chicória, além de umas pitadas de sal. Por cima de cada pacote, coloque um pouquinho do jambu. Tampe e vá acrescentando um pouquinho de água de cada vez, se necessário, até que o peixe cozinhe, mais ou menos dez minutos. Retire, arrume no prato com mais um pouco do pirão ou arroz, se desejar e um gomo de limão cravo. Bom apetite!

P.S: fiz o prato uma segunda vez e em vez da wok (fritura) coloquei os pacotinhos num refratário de vidro com azeite. Arrumei-os, coloquei um pouquinho das verdurinhas cortadas e a sobra do jambu, cobri com papel alumínio e levei ao forno por uns quinze minutos. Fica maravilhoso!! Basta ajustar o tempo para o seu forno e servir em prato fundo, com um pouquinho do caldinho que se forma. Bom apetite! 

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Para saber mais:

Charuto: comida trazida pelos árabes e libaneses, que aqui sofreu adaptações, sendo feita com carne bovina e folhas de couve, repolho ou até vinagreira, na ausência das folhas de uva. São servidos com molho de tomate e hoje em dia, encontramos também camarão seco em algumas misturas e salsichas em alguns molhos. Mas o tradicional leva carne moída e arroz, temperos e é enrolado numa folha de couve, lembrando o charuto. Serve-se com limão, pimenta e molho de tomates e cebolas.
veja também em http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2011/11/comida-de-preguicoso.html
http://agazetadoacre.com/noticias/tradicao-da-culinaria-arabe

Mercado Elias Mansour -  http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2012/05/no-parque-de-diversoes.html

sábado, 21 de maio de 2016

BOLO DE COMER REZANDO



O bolo, enfeitado com lâminas de castanha do Brasil e calda adicional...


Talvez uma das coisas que mais me dêem prazer, além de cozinhar, seja folhear meus livros e revistas de culinária, garimpados literalmente em sebos, bancas de revista escondidas e livrarias. Por eles passam a minha história, a história da minha vida, meus sucessos, meus fracassos, o nascimento dos filhos, o bolo que fiz para uma amiga doente, os biscoitinhos preferidos de um dos amigos do filhote mais velho, as invenções culinárias, os sonhos e as esperanças.

De vez em quando, se me sobra um tempinho, vou cavucando meus velhos livros e revistas, receitas antigas e outras nem tanto, pedaços de papel escritos à mão, velhas cópias xerox que nem sabem quanta alegria deram aos afortunados que as provaram. As receitas, digo. Hoje, procurando uma matéria antiga perdida nesse oceano, lá fui eu estante por estante, repassando memórias...

E começaram a desfilar pelas minhas mãos guardados antigos e entre estes uma das primeira revistas que guardei, ainda grávida do meu filho mais velho. Lá fui eu lembrar do dia em que o pequenino, hoje já com vinte e oito anos, resolveu passar as páginas não sem antes dar sua contribuição infantil: tirou-a do cesto em que lá ficava e arrancou uns pedaços, para meu desespero e total impossibilidade de detê-lo a tempo...

A geleia de maracujá que tantas vezes fiz para o café da manhã dos pequenos lá estava, garbosa nas páginas de comidas brasileiras...e a revista italiana traduzida, com um anexo de doces tradicionais com o uso do leite moça, me permitiu testar o primeiro pão. Era um pão de leite cuja massa ficou linda e montei as bolinhas na assadeira já antevendo o prazer da degustação. Mas, nessa época não sabia que a maioria dos pães precisa fermentar duas vezes. Então, coloquei as lindas massinhas no forno, que é claro, viraram umas palanquetas brancas...para quem não sabe, palanquetas são aquelas bolinhas que se faz com barro para usar nas baladeiras,  hoje nem um pouco politicamente corretas. Joguei tudo fora e demorei a tentar de novo fazer pão.

Havia ainda relativamente poucas revistas de culinária quando comecei a colecioná-las e algumas não estavam muito disponíveis.  Lembrei disso ao conhecer semana passada dois integrantes da revista gastronômica Prazeres da Mesa, em visita ao estado do Acre, minha terra natal e onde moro hoje, depois de vinte anos residindo no Ceará. Vieram a repórter especial Isabel Raia e o editor de fotografia Ricardo D' Ângelo, para uma série de visitas às empresas locais, que culminou em um jantar-degustação e aula-show com o chef Alexandre (Sassá), do Sassá Sushi, de São Paulo, utilizando as proteínas animais produzidas aqui na região (ave, porco, cordeiro e peixes), no restaurante La Nonna. O jantar foi um sucesso total, com gosto de quero mais. 

Adorei conhecê-los e morri de pena de já irem embora de madrugada, mas ficou a promessa de voltarem para que possamos apresentá-los aos nossos mercados e outros cantinhos mais. Leio a revista desde o seu primeiro número, quando ainda morava no Ceará. Lembrei do dia em que, tão ansiosa estava para comprar a última edição em banca, nessa época disponível em poucos lugares, que  me joguei no ônibus até a livraria do aeroporto de Fortaleza, nem consegui esperar a carona. 

Essa história me rendeu um mimo da revista, até hoje uma de minhas preferidas, pelo ineditismo de suas publicações e por ter tido a ousadia de correr o país e mostrar o Brasil que os brasileiros não conhecem...isso há muitos anos, desde suas primeiras páginas publicadas, seus festivais ao vivo, seu colorido e vivacidade. O editor, é claro, publicou a história mas suprimiu o ônibus, imagina se alguém vai acreditar nisso...só os loucos por cozinha entendem. Fiquei tão feliz que saí mostrando para todo mundo, na época!   

Uma vez, ainda no Ceará,  encontrei uma banca de revista que parecia uma caverna: úmida, cheia de mofo e a proprietária, uma senhora já de idade, estava sempre sentada em um banquinho do lado de fora. Ficava se não me engano,no caminho do Campus do Pici/UFC e vendia livros e revistas usadas a quem se dispusesse a procurar, naquele espaço meio surreal e mal-cheiroso. Em época de dinheiro curto, quem ligava? E foi lá que comprei um livro da Patrícia Wells, escritora e jornalista americana apaixonada pela França, que até hoje me acompanha, por inacreditáveis R$ 5. 

Por essas páginas garimpadas aqui e ali aprimorei minhas comidinhas, inventei receitas, aprendi temperos novos. Li sobre técnicas e sonhei acordada com restaurantes e mercados. Experimentei novos sabores e li e reli inúmeras vezes receitas, depoimentos e estórias de quem, como eu, se emociona com a cultura gastronômica, com as receitas da mãe e do pai, com os encontros de família regados a comidinhas especiais e cheios de especialidades secretas daquela tia ou avó. 

Até hoje gosto de comprar revistas e livros de culinária, em especial os que tem por trás das receitas uma filosofia de vida, uma história. Por isso, ao folhear distraidamente um dos meus livros, encontrei uma cópia quase apagada de um bolo de chocolate que eu fazia há uns vinte anos atrás. Minha mãe havia me dado de presente um daqueles multiprocessadores modernos, quando a visitei no Acre, logo depois de ter ido residir no Ceará. Mas eu terminei queimando o coitado quando fui usar, pois a voltagem no Acre é diferente da de Fortaleza e eu, distraída, liguei direto na tomada. Junto com ele vinha um livro de receitas que desapareceu misteriosamente da minha casa.

Mas o bolo era delicioso e tanto fiz, que consegui uma amiga que tinha o tal folheto e aí reproduzi-o. Alguns anos depois, resolvi melhorar o orçamento de casa vendendo lanchinhos para os colegas de trabalho, que me esperavam com ansiedade total. Não havia lanchonetes por perto e nem tínhamos muito tempo de intervalo. Quando eu chegava com aquele bolo cheio de calda ou pães quentinhos, eles vinham correndo reservar seu lanche. Troquei a margarina e o achocolatado da receita, que não entram aqui em casa, por manteiga e chocolate. Se você desejar uma calda mais fina, coloque um pouquinho a mais de leite e também umas colheres de sua bebida preferida. Ao ferver, o álcool evapora e deixa a calda mais perfumada. Bom apetite! 

Bolo molhadinho de chocolate

Ingredientes

Para o bolo

200 g de manteiga sem sal
1 1/2 xícara de açúcar refinado
1 pitada de sal
2 ovos inteiros, em temperatura ambiente
1 xícara de chá de leite em temperatura ambiente
2 xícaras de chá de farinha de trigo, peneiradas
1 xícara de chá de chocolate em pó (se gostar muito de chocolate, pode usar o cacau em pó, fica bem forte)
1 colher de sopa de fermento químico

Para a cobertura

1/2 xícara de chá de chocolate em pó 
1 xícara de açúcar refinado
2 colheres de sopa de manteiga sem sal
4 a 6 colheres de sopa de leite (ou um pouquinho mais, se desejar mais fina)
2 colheres de sopa da bebida de sua preferência (opcional)
lascas de castanha do Brasil, para enfeitar (opcional)

obs: se desejar, faça metade da calda à parte, para servir junto com o bolo, se desejar mais molhadinho

Modo de fazer

Para o bolo

Numa tigela, coloque a manteiga e o açúcar. Acrescente a pitada de sal e bata até virar um creme. Coloque um ovo de cada vez e bata mais a cada adição. Acrescente alternadamente a farinha, leite e o chocolate e bata rapidamente, apenas para misturar. Acrescente o fermento e misture. Coloque na assadeira untada e polvilhada e leve ao forno médio até assar. Retire do forno, desenforme se desejar e imediatamente despeje a calda fervente por todo o bolo. Deixe reservado até esfriar. Se desejar, faça mais um pouco da calda e ao servir, regue os pedaços com colheradas adicionais e enfeite com a castanha (usei a castanha fatiada da Miragina, sem sal, mas se não tiver, corte uma castanha crua em lâminas bem finas). Sirva.

Para a calda

Coloque todos os ingredientes numa panela de fundo grosso e mexa até que ferva e fique homogênea. Desligue o fogo e despeje com cuidado sobre o bolo quente.

Para saber mais:

Anac - www.anac.gov.br

Sassá Sushi - www.sassasushi.com.br

Peixes da Amazônia - www.peixesamazonia.com.br

Acreaves e Dom Porquito - http://www.sba1.com/noticias/pecuaria-de-corte/48057/acre-deve-avancar-em-2015-nas-cadeias-produtivas-de-carne-de-frango-e-suina#.V0C3AvkrJdg

Cordeiros da Amazôniahttps://www.facebook.com/frigorificoannasara2013

Revista Prazeres da Mesa - www.prazeresdamesa.com.br

Grupo 5 - www.grupo5bs.com.br

Miragina - www.miragina.com.br

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

VOCÊ JÁ TEVE...ENTOJO?

O frango assado, com batatas douradas e um recheio delicioso de ameixas, passas, farinha de mandioca, cebola e couve, salsinha e chicória cortadas fininho...


Ando mais difícil para comer do que mulher grávida com desejo. Minha mãe, acho eu com carência de algum nutriente na gravidez do último filho, comia cabeças de palitos de fósforo já queimadas e pasmem, areia - que eu peneirava do quintal algumas vezes. E olha que eu, com meus dois meninos,  não me lembro de ter enjoado nem desejado quase nada: a exceção foi um perfume do Boticário chamado Zíngara (que com muita pena, tive que doar dois vidros recém-comprados) e a música da Rosana, uma cantora da época,  que começava assim..."Como uma deusaaaaa....."!
Com o perdão para a artista, até hoje não posso sequer ouvir falar dessa música que me tremo toda. Vai entender. E o pior é que há vinte e sete, quase vinte e oito anos, a bendita estava no auge. Quase surto. A colônia do Boticário, santa indústria, dela não sinto mais nem o rastro. Que sem trocadilho, também era nome de perfume, quem lembra? E vinha num frasco transparente, líquido verde, lindo. Surreal, mas eu usei.
Mas isso tudo foi pro filho mais velho. O mais novo nem teve essa chance, não me lembro de enjoar nada. Nem de ter tido nenhum desvario atrás de comida de madrugada. Desejo ainda tive com o mais velho, uma única vez e nem sabia que estava grávida, louca para comer churrasco. Com ele na barriga, comi latas de goiabada inteiras e quando o cardápio era sanduíche minha cota, que era de dois, passou pra três. Sinceramente, até hoje só responsabilizo os vinte e poucos anos para ter engordado menos de oito quilos em nove meses, mesmo comendo desse jeito e sem nenhum cuidado extra.
Não tem o menor risco de eu estar grávida hoje, longe disso. Mas tem dia que só quero salada, no outro só entra sopa, um hora café com pão, no outro só vai bolacha...acho que todo mundo passa por isso em algum momento da vida e por agora, é minha vez. Então, quando encontro algo que me dê vontade de saborear, aproveito e corro para a cozinha.
Esse frango caipira não é bem daqueles que se corre atrás no quintal do vizinho e se tira as penas na água quente...ele já vem prontinho para o consumo, e é fruto de um investimento local, com um empresário da terra, com parceria da Universidade Federal do Acre e do Governo do Estado, garantindo boas condições de higiene e já disponível nos supermercados locais.
Resolvi comprar para experimentar. A carne é um pouco mais clara do que o que estamos acostumados mas o sabor não é o do frango de granja. Não pesquisei o método de produção e o tipo de alimentação recebida mas o sabor é bem agradável e dá para fazer um assado bonito, com a carne recebendo bem os temperos e mantendo a suculência.
Para esta receita, usei um frango médio. As proporções vão descritas abaixo e no recheio, você pode usar outras variações. É simples e em torno de uma hora e meia estava pronto. Faça e depois me diga o que achou!
Frango assado para o domingo (e segunda, terça...) 
Para o frango
01 frango inteiro, com a pele e sem os miúdos (usei o frango caipira produzido aqui, da marca Nosso Frango, disponível para compra nos supermercados)
Sal e pimenta a gosto
Alho amassadinho a gosto
Suco de meio limão
Suco e raspas de meia laranja baía (se não tiver, use a laranja comum)
1/4 xícara de manteiga
Para a farofa do recheio
02 folhas de couve crua, finamente picadas
01 cebola média picada miudinho
02 colheres de sopa de salsa picadinha
1,5 colheres de sopa de chicória picadinha
08 ameixas pretas pequenas sem caroço
02 colheres de sopa de passas brancas (na falta, pode usar a preta)
1/2 xícara de farinha de mandioca crua 
02 colheres de sopa de tomate picadinho, com pele e sementes (opcional)
01 colher de chá de alho amassadinho (opcional)
raspas da meia laranja baía 
pitadas de sal
Para pincelar
01 colher de chá de mel
01 colher de sobremesa de melado de tâmara (na falta, pode usar melado de cana, geleia de laranja, damasco ou cupuaçu)
Suco de 1/4 de laranja baía (na falta, pode usar laranja comum)
Para acompanhar
Batatas cozidas a gosto, depois colocadas na assadeira para finalizar, com um pouquinho de manteiga e os sucos que escorreram do frango
Batatas doces cozidas e preparadas da mesma forma
Modo de fazer
Descongele o frango, lave-o bem em água corrente e depois com um pouco de limão, retire eventuais pelinhos e excesso de gordura. Retire os miúdos e reserve para outra preparação, se desejar. Passe sal e alho a gosto, polvilhe pimenta do Reino a gosto e coloque-o em uma assadeira, sem untar. Regue-o com o suco de limão e de laranja e as raspas da laranja. Numa tigela, misture a manteiga com um pouquinho das raspas de laranja e sal, se estiver usando manteiga sem sal. Delicadamente, vá introduzindo sua mão com bastante cuidado entre a pele e a carne do peito, soltando-a com cuidado. Vá colocando nesta abertura a manteiga temperada, espalhando-a até onde for possível. Em outra tigela, misture os ingredientes da farofa e coloque sal a gosto. Vá colocando essa mistura na cavidade do frango, apertando bem. Ao final, feche a cavidade com palitos e prenda com cuidado as pernas e o corpo com barbante, para que ele fique bem arrumado e não abra as pernas ao assar. Cubra com papel alumínio e leve ao forno alto. Após uns vinte minutos, dê uma olhada. Se necessário, acrescente um pouquinho de água na assadeira para que não seque, ou suco de laranja. Vá regando o frango com os sucos que vão ficando na assadeira, tampe com o papel novamente, bem vedado e recoloque no forno, fazendo esse procedimento de vez em quando, até que ele fique macio. Aqui em casa, foi em torno de 1h e trinta minutos. Vá regando sempre, prove o sal e não deixe ressecar. Quando estiver macio ao toque, coloque as batatas já cozidas na assadeira com um pouquinho de manteiga e regue com os sucos do frango. Pincele todo o frango com a mistura de mel, melado ou geleia e suco, retire o papel alumínio e deixe alguns minutos até dourar bem. remova os palitos e barbante, se usar e sirva, junto com o recheio, que estará bem cozido, como um pirão. Se desejar, coloque um pouco de água ou suco na assadeira, deixe reduzir um pouco, prove o sal, peneire e sirva numa molheira. Muito bom!! 
Obs.: com as sobras dá para fazer um delicioso sanduíche com pão integral, folhas e uma boa mostarda (que eu adoro) ou ainda desfiar a carne e usar numa farofa ou em um arroz com legumes.
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Para saber mais:
  

domingo, 3 de janeiro de 2016

RECUPERANDO GOSTOSURAS


Os biscoitinhos da minha infância, disputados por primos e irmãos...






Eu até hoje não lembro muito bem quando exatamente comecei a me interessar por comida. Ou quando os sabores dos alimentos e seus aromas começaram a caminhar juntinhos com afeto, carinho e acolhimento. Talvez a lembrança mais antiga, como já falei aqui antes, seja a das balinhas de cupuaçu que me encantaram ainda muito, muito pequena e que só recentemente consegui resgatar. Uma de minhas primeiras produções foi o refresco de banana comprida (feito com água, açúcar e pedaços amassados de banana), degustado por meu pobre pai, primeiro e talvez único consumidor da gororoba.

Sempre gostei imensamente de ler. E comecei muito cedo, com uns cinco anos, a devorar tudo que tivesse letras, fossem elas arrumadas nas histórias em quadrinhos, fotonovelas, romances ou contos de fada. Eu não fazia distinção. Onde chegava, a primeira coisa a fazer era uma pesquisa na casa. Se encontrasse livros, o mundo já parava ali. Se as pessoas fossem íntimas, eu já saía com algum emprestado debaixo do braço.

Talvez por isso, muito pequena ainda, devorasse os livros de culinária comprados por minha mãe. As duas ou três coleções eram divididas por assunto: doces, canapés, docinhos de festa, sobremesas e por aí vai. Particularmente, minha preferida eram "As Receitas de Mamãe Dolores". Na capa, uma negra, gorda, com um turbante, talvez a relembrar que os tempos de escravidão ainda estavam longe de acabar, pelo menos na imaginação preconceituosa da editora.

E meu pai, exímio cozinheiro, sempre produziu almoços e jantares muito simples, mas deliciosos. O arroz precisava balançar na panela, nada de "unidos venceremos". O pirarucu ao leite com batatas era um dos meus preferidos. Como não gosto de misturar caldo e arroz no mesmo prato (vai entender porque adoro baião de dois), enchia uma tigelinha de arroz, que ia ao lado da porção de pirarucu. E havia os charutos impecáveis feitos por ele.

Feijão com jabá e banana comprida, macarronada, umas saladinhas simplérrimas cujo repolho até hoje não consegui reproduzir o corte superfino, os pastéis e "cascalhos" (sobras de massa fritas e passadas no açúcar e canela), tudo era bom. Minha mãe, ao contrário dele, nunca gostou de cozinhar. Mas tem seus pratos memoráveis para nós, que crescemos com o lombo cheio, as tortas de banana comprida e café, as panquecas e arroz de forno...

Ainda pequena, comecei a me aventurar no fogão. Sem nenhum incentivo. Nunca tive obrigação de produzir nada, era uma quase inútil. Mas gostava de experimentar, às vezes testar uma ou outra receitinha, cujos ingredientes, naquela Rio Branco antiga e numa casa simples, calhava de eu encontrar no armário. Muitas vezes o negócio desandava. Não dava o ponto certo. Mas aí eu não insistia, tentava outra coisa.

E não sei como, fazia pequenas criações. Havia um picadinho com creme de leite que devia ser parente do strogonoff, feito em pequenas porções. E uma tal bolinha de leite que eu precisava esconder no armário. Essa era feita com leite de gado in natura e açúcar até começar a queimar de leve o fundo da panela e secar bastante, até virar uma pasta. Então era enrolada em pequenas bolinhas e escondida. Levava um tempo enorme para ser feita e não rendia quase nada, mas como era boa!

Mas, única rebenta em uma família de quatro irmãos, com uma montanha de primos e primas, também brinquei e brinquei muito. Manja (pega-pega), macaca (amarelinha), bandeirinha, papagaio (pipa), bafo (de figurinhas), corrida de bicicletas, concurso de miss e o que mais a imaginação criativa de crianças da era pré-computador mandasse. Pulei muita cerca para roubar fruta madura e corri todos os quilômetros que a saúde permitia.
Nada contra (ou quase tudo contra) nossos pequenos robozinhos de hoje, que mal piscam ao lado de seus pais e mães, também munidos de celulares de última geração.

Não sou saudosista. Cada época, suas cores. E suas dores. Resta a nós não sucumbir por completo ao whatsapp e a esse mundo internáutico em que vivemos. E dar aos pequenos a chance de correr, conhecer patos e galinhas de verdade, saber como se planta um feijão. Não só com os joguinhos de fazenda e similares. Já estaria de muito bom tamanho levá-los a uma livraria de quando em vez. Faz diferença, pode apostar.

E, de quebra, deixe-os se aventurar na cozinha. Minha priminha Catherine, de 11 anos, filha de minha prima Rejane, estava hoje mandando mensagens para a tia Rose (pelo whatsapp, of course,  em um dos seus bons usos) de uma macarrão feito em ninhos, com molho, direto no forno, lindo! E meu sobrinho Arthur já sabe fazer um bom arroz e picar verduras com toda a competência. 

E como já contei por aqui, reencontrei alguns sabores perdidos de infância, resgatados por uma amiga de colégio, a Isabel, doceira das mais competentes. Ela faz entre outras delícias, um biscoitinho que chamamos aqui de bem-casado. Não aquele feito com pão de ló e recheado de doce de leite para os casamentos. O da nossa cidade é um biscoitinho recheado com goiabada e passado em açúcar fino. Quando eu era criança, fazia uma receita semelhante, que eu chamava de casadinhos.

Esse biscoitinho era a minha cara. Eu o produzia em pequenas quantidades e era uma disputa ferrenha dos irmãos para comê-lo. Acho que comecei a fazê-lo aí pelos 9, 10 anos de idade. Lembro qe o fiz uma vez para dar de presente à uma prima que acabava de ter nenê e estava chegando na família. Era a minha maneira de dar as boas-vindas. Não lembro quando parei de fazer esse biscoitinho. Esqueci a receita, que talvez tenha vindo de um dos livros de minha mãe, mas nunca consegui localizá-la. E aí, esses dias, comecei a fechar os olhos e me ver pequena medindo as quantidades com muito cuidado. Senti o sabor, a massa nas mãos...e fui anotando. E deu certo!! 

É delicioso puro, sem recheio. Com a goiabada, então...use medidas padrão, rasas, é uma receitinha bem exata, que faz uma pequena quantidade. Basta aumentá-la, mantendo as proporções. 

Bem-casados acreanos (ou meus casadinhos de infância)

Ingredientes

05 colheres de sopa de farinha de trigo sem fermento
03 colheres de sopa de amido de milho
1 1/2 colheres de sopa de açúcar refinado
1 1/2 colheres de sopa de óleo (usei o de milho)
1 1/2 colheres de sopa de manteiga sem sal (se usar manteiga com sal, não coloque a pitada abaixo)
1 pitada de sal
goiabada em pasta, de boa qualidade ou geleia feita em casa
Açúcar refinado quanto baste, para passar os biscoitos
Papéis próprios para embalar

Modo de fazer

Preaqueça o forno por uns dez minutos, a 180 graus. Numa tigela, misture todos os ingredientes, exceto a goiabada, até que fiquem bem homogêneos. Não amasse demais, para que não fiquem duros. Pegue porções da massa e abra entre duas folhas de filme plástico, com um rolo, levemente. Corte os biscoitos com cortador próprio ou improvise com a boca de uma pequena xícara, por exemplo. Delicadamente, coloque-os na assadeira, mantendo um pequeno espaço entre eles. Asse-os por alguns minutos, até as beiradas começarem a ficar levemente coradas. Retire a assadeira do forno e aguarde alguns minutos para soltá-los,senão eles quebrarão. Retire-os com cuidado, espere esfriar bem. Recheie-os com a goiabada, passe-os rapidamente no açúcar e embale-os imediatamente. Sirva-os com um café forte, sem açúcar. É uma delícia! Engorda, mas é bom!!