domingo, 12 de abril de 2015
domingo, 1 de março de 2015
DOCES LEMBRANÇAS
![]() |
| As madalenas, prontas para serem degustadas... |
Já faz uns dias que me pego a olhar pequenas crianças na rua, grudadinhas no colo de seus pais ou orgulhosamente acompanhando familiares às compras, ao cinema ou ao supermercado. Lembro dos meus pequenos grandes meninos e parece que foi ontem que estava a levá-los para a escola e acompanhando-os nas pequenas tarefas do dia-a-dia. Acho que nem fui uma mãe lá muito paciente. Muitas vezes só faltava surtar com a energia deles sempre a 220 volts, principalmente o hoje calmíssimo filho mais velho.
Mas também lembro das inúmeras vezes em que havia um bolo fresco e cheiroso a esperá-los para acompanhar o café, o suco sempre feito de frutas naturais e o cheiro do pão se espalhando pela casa. Eles não cozinham muito, mas sempre rio de uma ocasião em que o mais velho meteu a colher em um pudim feito fora de casa e torceu o nariz na mesma hora. "Não era o seu, mãe, tinha gosto de farinha!".
Agora que moram longe, se viram para improvisar um bife ou massa ou um sanduíche com café e leite, com cuidado para não perder os horários. O mais novo mal tem tempo para respirar. De noite, segundo ele, sobrevive de Miojo e café, o que me faz arregalar os olhos e rezar para que pelo menos o café da manhã e o almoço sejam mais saudáveis. O mais velho já fez todas as contas e só cozinha aos fins de semana, para economizar tempo e dinheiro. Mas já descobriu os cantinhos de se alimentar com comida caseira durante a semana e quando precisa, faz um belo molho de tomate para acompanhar a massa.
O mais novo é o rei do café preto, forte e escuro, mas também adora um bife, que frita muito bem. Além disso, na ausência de batedeira é o meu boleiro preferido. Reclama, mas atende direitinho às instruções. Não come quase nada de doces, mas isso o irmão mais velho compensa direitinho. Em compensação, devora os pratos enormes que a idade permite e ainda está na fase de não engordar uma grama. Ah, os vinte anos...que ele ainda vai fazer...
Lembro de mim, quando criança, sempre de olho na cozinha. Meu pai fazia um ótimo pirarucu ao leite e charutos como ninguém. Eu, menina magrela e nojenta para comer, só gostava de arroz e bife. Comida misturada no prato, nem pensar. Cada bocado, aliás até hoje, é levado um por um à boca. A mistura se faz aí, nunca antes. Não comia farinha, nem ovo, o feijão só o que meu pai fazia, com banana comprida e jabá, numa tigelinha separada. Ah, o sabor daquele feijão gorgotuba de caldo grosso, com os pedaços de charque salgada dividindo o espaço com a banana mais doce e macia...de comer rezando!
Meu pai nos obrigava a comer salada, ou melhor, o que havia disponível naquela época. Lembro que no prato não faltava alface meio amarguenta, tomate, batata e o repolho, meu preferido, porque ele o cortava finíssimo. Eu juntava muito vinagre e comia pratos imensos, mas era só. Ainda bem que não ficamos traumatizados com os verdes, pois a punição para quem não comia era severa.
Para compensar, havia os aniversários. Não, não era qualquer aniversário. Eram os aniversários de antigamente, simples, até mesmo frugais em comparação com os de hoje, mas que diferença! As balas eram caprichosamente embrulhadas com papel de seda, cortados de um por um, cheios de lindas franjas, assim como os papéis para bom-bocados, mais difíceis de fazer e que ficavam lindamente pendurados pela mesa, atiçando a imaginação dos pequenos. E nada de bombom embrulhado, por favor! As balas eram artesanais, feitas de maracujá, leite, chocolate, coco ou cupuaçu, pequenos quadradinhos de céu.
Os bom-bocados eram quase sempre os últimos a serem distribuídos, disputados nas suas belas rendas. Havia os olhos de sogra, um docinho feito de ameixa e doce de coco ou leite condensado, olhos grandes e esbugalhados, sempre abertos, mas verdadeiramente deliciosos! Até hoje não me contenho quando os vejo, mas não existem mais nos aniversários modernos. É preciso fazê-los em casa para sentir-lhes o sabor e a infância correndo ao lado.
Havia os biscoitinhos molhados no chocolate até a metade para quem tinha sorte de ir em grandes festas, mais refinadas. Os casadinhos, recheados com goiabada e embrulhados em papel celofane vermelho, ficavam bonitos de ver e mais ainda na boca. Lembro das biribas, com coco e uma tirinha de ameixa e dos beijinhos, feitos com coco e um cravo, como bem diz minha tia Myosote, para dar sabor, mesma função nas madalenas. Ah, as madalenas!
Um bolo fofinho, depois mergulhado em uma calda de maracujá que o deixava bem encharcado. Depois de secar um pouco, era passado no açúcar cristal e ganhava um cravinho. Lindamente enfeitado, ia brilhar na mesa até que fosse dada a ordem para o ataque. Na minha casa não fazíamos todos estes doces. Eu era bem pequena e minha mãe gostava mais de comê-los, embora fizesse balinhas de leite, chocolate e cupuaçu. Mas de uma coisa ela fazia questão: o bolo de aniversário feito pela dona Zita ou dona Corina, quituteiras das boas. Havia o de ameixa, coberto de glacê branco e o meu preferido, recheado de ameixa e coberto de doce de leite, uma verdadeira perdição.
Dona Corina, segundo minha mãe, fazia deliciosos bom-bocados, encomendados para nossos aniversários de criança. Quando minha avó materna, mestra de doces e salgados, estava conosco, fazia um bolo delicioso, cuja receita já fiz por aqui (veja em http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2014/11/queridos-que-se-foram.html). Coberto com um glacê a base de manteiga, açúcar, castanha e café, é de sair da dieta sem olhar para trás. Os bolos sem glacê eram cobertos com papel de seda colorido, todo picotado a mão, formando belos desenhos, cada um mais bonito do que o outro.
Minha avó materna também era das boas. Em seu pequeno hotel, servia refeições, "dava pensão", como se diz por aqui. Dela, lembro bem de duas guloseimas: o frango assado para os bingos, com azeitonas e farofa, envolto em papel celofane e um docinho, cujo sabor reencontrei mais de quarenta anos depois, no casamento de um primo. Lembro de mim, tão pequena que sequer alcançava a mesa, tentando pegar balinhas brancas recheadas de cupuaçu, numa mesa da casa da minha avó, em um aniversário. Descobri depois ser provavelmente doce de cupuaçu coberto de fondant e só o comi novamente nesse casamento, um manjar dos deuses.
Havia os salgados, é claro. Mas destes, dos que mais me lembro em minha casa, eram as famosas empadinhas da Iva, mãe do Fabiano, que foi dono por muitos anos de uma sorveteria que fazia o melhor sorvete de cajá que eu já tomei, ao ponto de por várias vezes, exagerar como só os muito jovens conseguem fazer e tomar quatro de uma vez só.
As empadinhas chegavam em tabuleiro de madeira, douradas e suculentas. Os canudinhos e pastéis da Maria Alencar também fizeram história e um dos pratos servidos para os adultos eu lembro bem: arroz feito na água fervente, escorrido numa grande peneira e misturado com manteiga, frango de terreiro bem desfiado, a farofinha e o vatapá, sempre de camarão. Camarão de lata, claro, que aqui e ali a gente dava um jeitinho de comer escondido, com o sal a nos encher de lágrimas os olhos.
Não lembro de outros pratos também muito comuns nessa época, como galinha picante e a famosa rabada e pato ao tucupi. Não eram feitas nos nossos aniversários, mas com certeza faziam parte e ainda fazem das festas de hoje, entre vários outro pratos.
Precisamos sempre resgatar e cultivar nossa memória. Ela nos diz quem somos, de onde viemos e para onde pretendemos ir. Por isso, trago aqui a receita das madalenas, um dos doces preferidos de minha mãe e suas irmãs. Eu as fiz em forminhas de empada e de pequenos bom-bocados, mas pode ser feita em assadeira e cortada em pequenos quadradinhos, como era servida no meu tempo de criança. Usei uma receita antiga de uma senhora paraense, publicada na revista Cláudia Cozinha de mar/95.
Escrevi o título desse post para homenagear dona Chloé Loureiro, acreana de Sena Madureira radicada em Manaus e que escreveu um livro maravilhoso, já esgotado, onde nos brinda com sua autobiografia e as receitas da sua infância, chamado Doces Lembranças. No livro, além de acompanhar suas memórias, é possível ler várias receitas do Acre de antigamente, algumas até hoje no cardápio de restaurantes e nas casas das famílias, outras que já não se vêem mais.
Meu querido companheiro conseguiu comprá-lo via internet e como só as pessoas especiais e queridas conseguem fazer, presenteou-me em 2008. Quem tiver interesse, pode enviar-me suas receitas de infância, podemos fazer aqui um belo banco de dados. Aproveitem!
(Caso queiram fazer contato, favor comentarem neste blog ou enviarem e-mail para patrycia.ac@gmail.com)
Madalenas
Ingredientes
Para o bolo ou bolinhos
01 xícara de manteiga
1 1/3 xícara de açúcar refinado
08 ovos separados
2 1/4 xícara de farinha de trigo peneirada
01 colher de sopa de fermento em pó
01 colher de chá de baunilha (opcional)
Para a calda
02 xícaras de açúcar refinado
01 xícara de suco puro de maracujá
01 xícara de água
Para passar
Açúcar cristal (ou refinado) quanto baste
Cravos da Índia, quanto baste
Modo de fazer
Para o bolo ou bolinhos
Numa tigela, bata bem a manteiga com o açúcar. Misture as gemas passadas pela peneira e bata mais um pouco. Acrescente a farinha, o fermento, a baunilha e por último, as claras em neve. Coloque a massa em forminhas altas ou de empada, ou em uma assadeira, untadas e enfarinhadas. Leve para assar em forno preaquecido a 180 graus por 30 a 40 minutos, dependendo do forno. Deixe esfriar e desenforme. Passe-as na calda fria e deixe escorrer um pouco. Após, passe no açúcar e coloque um cravinho no centro. Se fizer na assadeira, corte em quadradinhos e siga o mesmo processo.
Para a calda
Numa panela, leve ao fogo a água, o suco puro de maracujá e o açúcar. mexa para misturar e deixe ferver até engrossar um pouquinho. Desligue o fogo e aguarde esfriar. Passe os bolinhos nessa calda antes de passá-los no açúcar.
***********************************************************************
Para saber mais:
Doces Lembranças - Chloé Loureiro, editora Marco Zero, 1a. edição, fevereiro de 1988
http://jmartinsrocha.blogspot.com.br/2012/03/residencia-centenaria-da-avenida.html
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
QUANDO OS ACREANOS SE ENCONTRAM
Passei uns
dias em Fortaleza, cuidando dos pequenos grandes filhos com mordomias de hotel cinco
estrelas caseiro. Café na cama, sanduíche quente já cortadinho, suco bem gelado
e almoço simples, porém caprichado. Aqui e ali, pequenas pausas para rever os
amigos, dar uma olhada nos blocos de carnaval revigorados e espaços
revitalizados como o lindo Mercado dos Pinhões.
Fortaleza tem uma grande colônia acreana, que por ironia do destino, fez o caminho de
volta empreendido por pais, avós e bisavós que saíram do interior do Ceará e se estabeleceram há muitos anos no Acre. Esses "retornantes", por assim dizer, hoje moram, estudam, trabalham ou simplesmente curtem essa cidade grande com
jeito e cara de cidade do interior, cheia de pequenas e grandes belezas.
É por isso
que nessa estadia consegui encontrar alguns amigos e até mesmo primos sem
nenhuma prévia combinação. Talvez pelo tempo que morei por lá, não me sinta turista em nenhum momento e fico tão à vontade lá como cá. Quando lá estou,
vivo topando com amigos e amigas, antigos colegas de trabalho e até mesmo parentes com a maior
tranquilidade.
Das visitas
combinadas, tive o maior prazer e orgulho de encontrar meu antigo professor de
Química quando iniciei Agronomia na UFC, infelizmente abandonada por vários
motivos. Vejam bem, antigo porque faz tempo que isso aconteceu, porque como
registro da verdade tenho que dizer que o Sandro Gouveia é mais novo do que eu.
Formado lá
mesmo na UFC, Sandro é filho de uma tradicional família do Acre e foi o
responsável pela implantação do curso de Gastronomia da Universidade Federal do Ceará. Hoje, pela competência que tem, ampliou seu campo de atuação e é o diretor do ICA – Instituto de Cultura e
Arte da UFC, responsável por vários cursos de graduação e alguns de pós-graduação, tão diferentes entre si quanto em grau de complexidade, entre os quais Jornalismo e Gastronomia, além de Música e Filosofia, para citar alguns.
Como todo bom
acreano caprichoso que se preze, Sandro aguarda e monitora as novas instalações
de alguns dos cursos que acompanha, lá no Campus do Pici, mas já deu a sua cara
ao local, ao criar um espaço mais do que charmoso como sala de estudo e
orientação. Peças de artesanato convivem com luminárias feitas de antigos
dosadores de arroz e feijão, fouets e livros de culinária antigos e novos.
Do lado de
fora, os jardins já recebem as primeiras mudas de hortelã, manjericão e capim
santo, tudo produzido por ele em sua própria casa, transformando o espaço
em um local muito acolhedor. O acervo inicial ganhou um presente mais do que especial,
vindo de outra apaixonada pelos livros e pela gastronomia: Adelaide Gonçalves, professora, historiadora, escritora, militante das artes e principal organizadora do primeiro “Gabinete
de Leitura” de Fortaleza, o Plebeu.
De seu acervo pessoal, em torno de mil livros e revistas foram doados para
a biblioteca do espaço dedicado à gastronomia. Mas esse não é o primeiro ato de generosidade dessa professora dedicada. Miúda, acolhedora, dona
de um acervo próprio de quase quinze mil livros, achou que era a hora de
repartir o pão e o conhecimento. Assim começa a história do Plebeu - Gabinete de Leitura, hoje instalado no prédio da Associação Cearense de
Imprensa, pertinho da Praça do Ferreira, não sem antes ter vindo de sala
alugada com seus próprios recursos.
A experiência
busca integrar os amantes da leitura, trabalhadores, pesquisadores e quem mais quiser. Nas palavras oficiais do espaço,
" Com a proposta de ser
um lugar de liberdade da palavra, leitura pública e compartilhamento de ideias,
Plebeu Gabinete de Leitura é formado pelo acervo que veio da coleção particular da historiadora
e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Adelaide Gonçalves.
Inaugurado em 1 de maio de 2012, o local foi
idealizado como um espaço aberto aos trabalhadores do Centro da cidade ou que
passam por ali no dia-a-dia de trabalho.
O objetivo da biblioteca é fazer com que os
trabalhadores, pesquisadores e militantes possam ter acesso a livros, jornais,
revistas, com assuntos relacionados a temas como reforma agrária, movimento
sindical, história do Ceará, memória de Fortaleza, imprensa operária, clássicos
literários e filosóficos, entre outros."
Fomos visitar o Plebeu a convite do Sandro, que gentilmente já havia me levado para ver as novas instalações da faculdade de Gastronomia. Adelaide Gonçalves conheceu o Acre e a Biblioteca da Floresta, tendo sido a ela apresentada pelo próprio governador Binho Marques, na época. Segundo ela, emocionou-se muito com o espaço, emoção que pudemos devolver ao entrar no Plebeu. Lá, o tempo parece não querer passar.
Bonequinhas feitas por artesãs do interior
mostram várias Frida Kahlo coloridas e exuberantes, tudo a ver com a original e nos recepcionam logo na entrada. Cristaleiras antigas e cheias de bossa escondem tesouros a serem descobertos por quem se aventura na pesquisa. Uma delas contém inúmeras edições do Manifesto Comunista, em várias línguas e edições, amealhadas por Adelaide ao longo de viagens e visitas a escolas, livrarias, sebos e universidades no país e no mundo.
![]() |
| Algumas das lindas bonequinhas Frida Kahlo, feita por artesãs do interior |
Nas paredes, cores fortes e personalíssimas reproduzem quadros de Frida, artesanatos variados, bordados, memórias e vivências muito particulares e generosamente expostas a dividir a vida, a arte e o prazer pelos livros e pelo conhecimento. Os estudantes, pesquisadores, trabalhadores e acadêmicos estão sempre por ali. Sente-se no ar a vibração de séculos de história. As lutas do Ceará, suas peculiaridades também circulam pelo local, elegantemente vestidas. Até mesmo o Demolidor, "Orgam da Liga contra os Frades" constituída pela Mocidade Independente lança suas letras anticlericalistas pelo espaço.
![]() |
| O jornal O Demolidor (aqui em 05 edições, com organização de Adelaide Gonçalves, Allyson Bruno e Victor Pereira |
Com recursos do próprio bolso, Adelaide e mais dois organizadores fizeram uma edição primorosa dos primeiros cinco números desse jornal publicado em Fortaleza em 1908, libertário e anticlerical. Difícil não desejar levar para casa um pouco dessa memória afetiva, dessas cores, desse afeto. Numa das paredes, deparo-me com um desenho feito por Estrigas, crítico de arte, pintor e ilustrador, artista plástico da mais alta qualidade, além de odontólogo no início de sua vida profissional.
![]() |
| Foto tirada do quadro que Estrigas deu de presente para Adelaide, exposto no Plebeu |
Estrigas e Nice Firmeza, sua esposa, também artista plástica, primeira mulher a integrar a Sociedade Cearense de Artes Plásticas, na década de 50, educadora, exímia bordadeira, formaram um casal de ouro das Artes Plásticas cearenses e dividiram a vida e arte por mais de cinquenta anos. Lembrei-me com pesar, uma vez que os dois já são falecidos, de uma reportagem sobre eles publicada há muitos anos no jornal O Povo. Lá, o sítio no Mondubim, transformado por eles em mini-museu, recebia artistas, escritores, intelectuais e pessoas simples. Uma Nice sorridente dividia com os leitores seu prazer de viver e entre suas inúmeras atividades, também fazia doces e bolos, entre outros pitéus de criação própria com as abundantes frutas do sítio.
Fiquei com muito vontade de visitá-los no dia em que li aquela reportagem. Mesmo sem conhecê-los, tive imensa vontade de conhecer aquele sítio encantado, onde se via, o amor transbordava e se espalhava pelos caminhos. Mas o trabalho, os meninos pequenos, a falta de tempo e a coragem me impediram. Na visita à Adelaide, eis que me vem ela com um pequeno presente, de imenso valor para mim: uma cópia de um trecho do livro "Nice pinta e borda...faz arte!", publicado pela Expressão Gráfica, em 2008, de autoria de Lúcia Lustosa Martins.
Presente precioso, pois reproduz várias das receitas de Nice, inclusive com suas brincalhonas e irreverentes observações. Procurei o livro, mas ainda não o achei. Certamente, com mais tempo, encontrarei outros livros sobre o casal. Nosso querido amigo comum, Fernando França, artista plástico que vive em Fortaleza, outro acreano de raro talento, pintou o casal em telas separadas, no seu livro Diálogos, um projeto maravilhoso que retratou vários artistas cearenses. O livro foi lançado em exposição do mesmo nome e impresso pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, numa edição primorosa (Veja mais em http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/pinceladas-cearenses-1.682697).
E para não dizer que esqueci do Carnaval, Fortaleza, a exemplo de outras cidades país afora, como a nossa também, cada vez mais investe no carnaval de blocos, com apoio público para segurança e infra-estrutura nos espaços, mas com foliões mais interessados em ouvir os maracatus, as marchinhas de antigamente, as lindas músicas locais, eternizadas por tantos compositores de primeira linha. Saímos pouco. Mas fomos à pracinha da Gentilândia, bairro histórico e antigo e nos deliciamos com o Sanatório Geral, com sua animada música. Público tranquilo, muitos professores e universitários, bancários, artistas, comunidade do Bairro, fizeram a diferença na hora de se divertir.
![]() |
| Mercado dos Pinhões em noite de bloco carnavalesco... |
No outro dia, nos encantamos com os Maracatus na rua Domingos Olímpio. Não os vimos todos, mas que emoção! Cultura, arte e principalmente, a população local participando ativamente, com suas famílias e suas torcidas, lindo de ver. E no outro dia, para encerrar a folia, fomos ao Mercado dos Pinhões, revitalizado, um espaço todo em metal, artístico, que abriga feirinhas de orgânicos, chorinhos e sambas e acolheu um público jovem e outro nem tanto, muito interessado em ouvir o Luxo da Aldeia e todas as músicas produzidas apenas por artistas cearenses, algumas destas já de conhecimento nacional, gravadas por Ednardo e outros. Para fechar o dia, bem pertinho, na rua João Cordeiro, estava o bloco da Mocinha.
Senti-me no clube do Rio Branco e do Juventus, aos quatorze ou quinze anos, ouvindo as marchinhas de antigamente, lindamente cantadas por músicos locais, afinadíssimos. Podemos sim, ainda podemos, ser felizes. E para esse longo texto não passar em branco, reproduzo uma das receitinhas da Nice Firmeza (tal e qual na cópia que tenho), ainda não testada, publicada no livro citado acima, da Lúcia L. Martins. Aproveite!
Papinha de Anjo (Creme de coco verde, todos repetem)
(receita de Nice Firmeza)
Ingredientes
Para cada 3 cocos verdes (miolo)
9 colheres de sopa de açúcar
1/2 litro de leite de gado
Modo de fazer
Passa o coco, o açúcar e o leite no liquidificador, depois leva ao fogo, mexe até aparecer o fundo da panela. Conserva o creme na geladeira. O Estrigas mistura com outros doces. Esse creme eu fiz porque aqui eu tomava muita água de coco e era preciso aproveitar o miolo.
***********************************************************************************
Para saber mais:
Plebeu - vide em https://www.facebook.com/PlebeuGabinetedeLeitura, rua Floriano Peixoto, 735, 5. andar, sede da Associa,ão Cearense de Imprensa, Fortaleza. Horário de funcionamento: Seg. a sexta, de 08:00 às 17:00h
ICA - Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará
(https://www.facebook.com/photo.php?fbid=852265824811606&set=a.617230371648487.1073741837.100000845893444&type=1&comment_id=852298741474981&offset=0&total_comments=15¬if_t=photo_comment)
Nice Firmeza http://www.opovo.com.br/app/opovo/vidaearte/2013/04/15/noticiasjornalvidaearte,3039048/a-partida-da-flor-nice-firmeza.shtml
Estrigas
http://g1.globo.com/ceara/noticia/2014/10/morre-o-artista-plastico-cearense-estrigas-aos-95-anos.html
Fernando França
https://www.google.com.br/search?q=livro+de+fernando+fran%C3%A7a+com+pintura+de+estrigas&biw=1280&bih=699&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=iC3qVOCHMcG1sAT2kYLQBg&ved=0CCUQsAQ
Para ouvir a loa da Nação Fortaleza deste ano e a Noite Azul, favor acessar a página do Marcos Afonso no facebook:
https://www.facebook.com/marcos.afonsoii/posts/750718838375851?comment_id=750818628365872¬if_t=mentions_comment
domingo, 1 de fevereiro de 2015
MÃOS DE MULHER
![]() |
| Biscoito de Maizena®(amido de milho) da minha mãe... |
Cheguei ao Mercado apressada, com o horário já estourado. A missão, dada pelos filhos, já fora parcialmente cumprida desde o dia anterior: quibe (ou quebes ) de arroz e saltenhas fritas já repousavam no congelador, embalados em roupa prateada, engalanados para seguir viagem rumo à Terra do Sol.
Dos muitos petiscos preferidos que o tempo não daria oportunidade de levar, esses e a farinha foram os escolhidos, junto com o xarope de guaraná já na sacola. Na mão, para não ter risco de quebrar, irão os biscoitinhos feitos pela avó, a serem comidos de conta-gotas. Fui correndo à banca do Mercado onde sempre compro a melhor farinha de Cruzeiro do Sul.
Apesar da pressa, encontrei um querido amigo, ocupado em adquirir alguns dos nossos melhores produtos para uma cesta a ser entregue a uma autoridade nacional em visita ao nosso Estado. Enquanto esperava, sugeri a troca da rapadura já escolhida por ele, filha única ali abandonada e em não muito bela condição, por um açúcar mascavo claro, fresco e macio dentro do saco plástico que o acomodava.
Sugestão aceita, começo a conversar com o proprietário, senhor Adalberto. Sempre que ali vou, sou atendida pela dona Verônica, a esposa. Pergunto e converso até mais do que compro, mas ela tem a maior paciência em identificar a procedência de cada produto. Na frente da banca, ficam três ou quatro enormes barris plásticos com a farinha de tapioca, as farinhas branca e a amarela colorida com açafrão, além da de coco, estrela maior.
Jamais compro farinha sem provar. Sempre peço que ela seja pesada dos barris, pois apesar da ótima qualidade das que estão ensacadas, prefiro ao presentear, saber exatamente o sabor que estou ofertando para alguém querido. E aí, ao provar da farinha de coco, de tão crocante, comecei a falar pra ele que estava tão boa que eu tinha certeza que ele havia voltado para o antigo fornecedor.
Explico: apenas uma vez, ao comprar a farinha e provar, percebi que apesar de muito boa, não tinha o mesmo sabor e crocância das outras farinhas que eu sempre adquiria ali. Comentei com a dona Verônica, que concordou e pesarosa, me informou ter tido um problema com o fornecedor de sempre e precisara adquirir de outro. Não levei a farinha nesse dia.
Hoje, ao voltar, comentei esse fato com o seu Adalberto. E ele, ao me contar a história, disse que havia resgatado a parceria, pois havia perdido vendas em função da excepcional qualidade desse produtor. Provei e pedi para ele embalar a farinha de coco. Enquanto conversávamos, ele deslocou alguns dos pesados sacos que decoram o local, que é bem pequeno, abriu um deles, olhou pra mim e disse:
" Quando eu vendo aqui uma farinha, fico feliz. Mas quando eu abro um saco com esse produto com tanta qualidade, parece que tudo faz sentido. A senhora não encontra essa farinha aqui em lugar nenhum. Apenas três produtores a fazem com essa qualidade. O coco, plantado lá mesmo, é descascado à mão e lavado caprichosamente. Depois é bem ralado em pedaços minúsculos que no momento certo, vão para a farinha e quase se dissolvem. É tudo feito com tanto capricho e cuidado que emociona a gente. Essa farinha vem de um ramal lá de Cruzeiro do Sul, na mesma estrada da fábrica de biscoitos".
Fiquei escutando extasiada. Porque para quem ama o que faz e compreende a importância de manter a tradição e o sabor que nos orgulha e identifica, garantir a qualidade desse produto faz toda a diferença. Não comprei apenas a farinha deliciosa. Comprei cultura, comprei o conhecimento de décadas e principalmente, levo com a farinha o amor pelo produto bem - feito.
Agradeci ele ter aberto o saco enorme de farinha para que eu levasse a melhor possível. Ele me disse: " E a senhora sabe de uma coisa? Essa farinha é feita com uma pazinha desse tamanho, pequena. E sabia que a maior parte dela é feita por mulher?"
![]() |
| A farinha com coco, crocante, aromática e muito, muito saborosa... |
Fiquei absorvendo a informação. Longe de significar preconceito, tudo o que ele quis me dizer foi que além de todas as outras qualidades presentes, ali também estavam delicadeza, capricho e envolvimento total. Por isso, para homenagear essas trabalhadoras tão especiais, trago a receita dos biscoitinhos feitos até hoje por minha mãe. Aos quase oitenta anos, dona Marisanta segue firme e forte. Farmacêutica, talvez a primeira no Acre, dirige, capina o quintal até hoje e apesar de não gostar de cozinhar, faz os quitutes mais deliciosos. Os biscoitinhos são disputados no tapa e quase escondidos pelo neto mais velho, que os come devagar. Faça você também, é fácil e com um café fresco, são imbatíveis.
Biscoitinhos de Maizena ® da dona Marisanta
Ingredientes
100 g de manteiga com sal
250 de amido de milho (Maizena)
06 colheres de sopa rasas de açúcar (ou um pouco menos, se desejar)
01 ovo inteiro
Modo de fazer
Misture todos os ingredientes em uma vasilha e amasse com a mão, até ficar bem ligado. Numa superfície limpa, retire porções e enrole como cordões, cortando com a faca em pequenos pedaços, a gosto e passando um garfo em cima para fazer as marquinhas e achatar um pouco o biscoito. Coloque em forno quente, em assadeira untada e polvilhada com farinha de trigo, até assar.
****************************************************************************************
Banca do seu Adalberto e dona Verônica - Mercado Elias Mansour, Rio Branco, Acre,
parte interna
domingo, 25 de janeiro de 2015
ENTRE POMADAS E PANELAS
![]() |
| O chutney, aqui apresentado com pernil assado e farofa... |
Estou nesses dias no meio de um tratamento longo para sair de uma crise de dores nos ombros, cotovelos, joelhos e calcanhares. Sei, sei, cheguei aos cinquenta, mas como já disse antes, não é por isso. É que tenho há muitos anos aquela velha doença que aflige muitos bancários, Ler/Dort. Junto com isso, para não me sentir solitária, início de artrose nos joelhos e estouro de esporão de calcâneo nos dois pés.
Vocês devem estar imaginando, cutucando aí os seus botões e os seus próprios problemas de saúde, o que tem a ver comida com as dores alheias? Mas eu explico. Estou melhorando, claro, mas não posso cozinhar muito, nada de esforço. Também não dá para caminhar ainda nem fazer exercício físico, pelo menos por enquanto. (E por um tempinho, tenho uma boa desculpa, o que me alivia). Digitar, então, só o básico e olhe lá.
Então, estou às voltas com fisioterapia, remédios, massagens, peteca nos pés, bolsa de água quente, sebo de carneiro, injeção de corticóide e o principal: limite! Nada de exageros! O que convenhamos, para alguém muito ativa como eu, é mesmo que amarrar numa cadeira. Mas, sou otimista por convicção e já saí de outras crises, então, estou no processo. Enquanto isso, para minha alegria, este blog tem sido convidado para entrevistas e conversas sobre comida, afetividade, receitas e todo o universo bom que ronda os que amam a gastronomia.
Como não posso dar conta de tudo, tenho contado com a ajuda inestimável da minha funcionária Ivone, que está pegando no pesado, como misturar a massa ou mexer alguns ingredientes. Levantar panela, passar o rolo, picar verduras, dona Ivone. E eu, com esses olhos grandes bem abertos, fico ao lado, colada e de olho, provando e finalizando o que for preciso. Ainda bem que ela é muito paciente comigo, pois senão...
Por esse motivo, ando atrasada com as receitas que vira e mexe, consigo testar aqui em casa. E ontem recebi a visita de dois profissionais da TV Acre, o Josué (mago das câmeras) e a jornalista Lyslane, muito competente e simpática. Não tenho a menor afinidade com as câmeras. Confesso meu total pavor e inibição, embora, para minha sorte, ninguém perceba.
No movimento estudantil e nas greves de bancários, em que tantas e tantas vezes peguei o microfone para fazer alguma intervenção, só faltava morrer. A boca secava, o ar faltava e me enchia de marcas vermelhas no peito, pelo menos até a primeira fala. Aí, depois disso, seria capaz de pegar em armas. Minha grande vantagem é que nunca ninguém percebia nada, a não ser as pessoas mais íntimas que sabiam e sabem até hoje desta minha característica, que estou aqui a anunciar. Portanto, imaginem meu começo de agonia.
Mas, aos poucos, fui me soltando e passei um tempo bem agradável com eles, que muito pacientes, iam perguntando, ajeitando o microfone, mostrando a mesa e os quitutes preparados para a matéria. Costumo dizer que a comida caseira tem a marca do acolhimento e da afetividade. Fico feliz quando faço algum regalo para um amigo ou mesmo quando passo na portaria do meu condomínio ( como ontem) e aviso que tem bolo. E quando o vigia veio pegar uma porção de pão de mel fresquinho e um sanduíche de pão integral caseiro com pernil e chutney de cupuaçu, penso que dividi um pouco o prazer que tenho em cozinhar.
E quando sentamos à mesa, eu, Lyslane, o Josué e a Ivone, para experimentar os sabores ali sugeridos, fiquei feliz em ouvir os hummm!! Hummm! tão esperados. Portanto, mãos à obra: é rápido, é fácil e em caso de dúvida, é só pedir socorro. Servi pão de mel (cuja receita você acessa aqui:http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2013/08/pagando-uma-divida.html), pão integral (cuja receita está aqui:http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2012/08/o-primeiro-pao-gente-nao-esquece.html), pernil assado desfiado, chutney de cupuaçu, pasteizinhos integrais recheados de pupunha e de banana comprida (usei a massa da Bela Gil, veja box abaixo) e para beber, chocolate quente (que nessa hora já estava morno) com claras batidas com açúcar e suco de limão, uma receita que faço desde criança.
![]() |
| O pão de mel e também alguns dos pratos servidos, como os pasteizinhos integrais recheados de pupunha e banana comprida... |
Nas receitas de pão de mel e pão integral, você pode se quiser, fazer pequenos acréscimos ou substituições, como por exemplo, usar apenas cacau em pó no pão de mel (eu não tinha chocolate em pó no dia) e deixá-lo mais escurinho. O pão integral pode ser moldado inteiro ou em pequenos pãezinhos, como aqui e pode ou não levar algumas sementes, como chia e linhaça ou pedaços de castanhas e nozes, ou aveia e passas. Fica a seu critério e gosto.
O chutney é um molho agridoce de origem indiana, fresco ou em forma de conserva, não muito utilizado aqui por nós, mas verdadeiramente uma delícia. No seu preparo, são utilizadas frutas ácidas e temperos como gengibre, canela e pimentas são muito comuns na sua preparação. Há também os de coco, tamarindo, manga, enfim, o céu é o limite para experimentar seu sabor entre picante, doce e levemente salgado. Resolvi fazer uma versão usando nosso cupuaçu fresco, in natura, cuja textura final lembrou um pouco manga cozida. Ficou muito bom!
![]() |
| O chutney de cupuaçu, pronto para rechear os sanduíches de pernil no pão integral... |
![]() |
| e também para acompanhar os espetinhos de banana comprida grelhada polvilhada com açúcar de confeiteiro, para dar uma graça... |
Não fiz o teste com a polpa do cupuaçu processada. Caso não consiga a fruta fresca, sugiro usar apenas metade do açúcar e demais itens da receita e ir ajustando. Deverá ficar mais parecido com uma geleia fina, mas nada que atrapalhe o sabor. Aproveite!
Chutney de cupuaçu
Ingredientes
1 1/4 de polpa de cupuaçu fresca, in natura (polpa retirada do fruto com tesoura, manualmente, fica com textura mais grosseira. Não é processada com água)
1 1/4 xícara de vinagre de maçã
2/3 xícara de água
01 xícara de açúcar mascavo
2/3 xícara de açúcar demerara
02 colheres de sopa de açúcar branco
01 pedaço de gengibre, de 4 a 6 cm, descascado e bem picadinho
01 pimenta dedo de moça grande, sem as sementes, picada
02 paus de canela não muito grossos
01 anis estrelado inteiro
01 dente de alho médio, picado
01 a 02 pitadas de sal, ou um pouquinho mais, se precisar
1/4 xícara de passas brancas
1/2 maçã sem casca nem caroços, picada
Modo de fazer
Numa panela de fundo grosso, coloque a polpa de cupuaçu, o vinagre, os açúcares, metade do gengibre picado, a pimenta, a canela, o anis, o alho, o sal e as passas. Deixe cozinhar em fogo baixo e assim que necessário, acrescente a água, aos poucos. O cupuaçu vai ficar com textura parecida à de manga madura bem cozida. Nesse momento, acrescente a maçã picada, para que ela cozinhe sem desmanchar e a outra metade do gengibre picado . Prove e ajuste o açúcar e o sal, veja se precisa de mais um tico de água ou vinagre. Essa conserva tem um sabor agridoce muito agradável, mas você pode adaptá-la ao seu paladar. Se usar a polpa processada, sugiro acrescentar apenas metade dos demais ingredientes e aos poucos, ir acrescentando os demais, de maneira que o sabor fique a seu gosto. A textura, nesse caso, se assemelhará mais a uma geleia mais fina. Retire os pedaços de canela e o anis e sirva como acompanhamento para carnes, pernis ou sanduíches. Eu também o servi acompanhando espetinhos de banana comprida que depois de grelhados com um pouco de manteiga, sal e pimenta, foram polvilhados com açúcar de confeiteiro.
![]() |
| Os pasteizinhos sendo recheados, aqui com pupunha e depois de assados |
Pasteizinhos integrais de forno com recheio de pupunha e banana comprida
Para os pastéis de forno
Usei a receita da massa da nutricionista Bela Gil, em seu recente livro. Fiz algumas adaptações, pois não tinha o ghee (manteiga sem a lactose) e precisei adaptar medidas. O sabor ficou muito bom, mas a massa logo ficou um pouco quebradiça, portanto vou refazê-la. Quem quiser, pode utilizar qualquer receitinha para pastel de forno. Reproduzo aqui, a receita que usei, com minhas adaptações.
Pasteizinhos de forno
Ingredientes
Massa
01 copo de farinha integral (usei 01 xícara, que é maior)
1/2 copo de farinha branca (usei 1/2 xícara)
01 colher de chá de sal marinho
01 colher de sopa de sementes de chia
1/3 copo de ghee (usei um pouquinho mais de 1/3 xícara)
04 colheres de sopa de água
gergelim preto para enfeitar (não usei)
Modo de fazer
Misture os ingredientes e acrescente a água. Amasse bem e abra, cortando pequenos círculos. Recheie, coloque em assadeira untada e enfarinhada e leve ao forno por uns vinte minutos ou até assar.
Recheios
Ingredientes
Para o de pupunha
(não o palmito, mas o fruto)
01 xícara de pupunha cozida em água e sal, descascada e picada em pedacinhos
03 colheres de sopa de cebola branca bem picada
01 colher de sopa de manteiga
01 colher de sopa de azeite
01 colher de sopa de rum ou outra bebida de sua preferência
01 colher de sopa de mel
Modo de fazer
Numa frigideira de fundo grosso, coloque a manteiga, o azeite e a cebola bem picada. Deixe refogar até que frite, mas sem dourar. Acrescente a pupunha já cozida e picada, misture bem. Coloque o rum, mexa e acrescente o mel. Misture e desligue o fogo. Use para rechear pastéis de forno, sanduíches ou para colocar por cima de saladas.
Para o de banana comprida
Ingredientes
02 bananas compridas descascadas, cortadas cada uma em três pedaços e cada pedaço cortado em quartos, sem sementes (não use bananas muito maduras)
1/2 xícara de açúcar, aproximadamente
70 a 100 g de manteiga sem sal, aproximadamente
01 pitada muito pequena de sal, para as bananas
Pitadas de cumaru ralado (semente amazônica) ou se não tiver, baunilha ou canela
01 colher de sopa de rum
Modo de fazer
Numa frigideira larga, de fundo grosso, coloque a manteiga e o açúcar. Junte as bananas e deixe-as fritar sem mexer muito, para que não se desfaçam. Se precisar, acrescente um pouquinho mais de manteiga e açúcar, pitadas de cumaru e o rum, ao final. Retire do fogo, escorra um pouco e corte em pedacinhos pequenos para rechear os pastéis.
****************************************************************************
Para saber mais:
Bela Gil - Bela Cozinha - As Receitas, GNT, Globo Estilo, 2014
http://pt.wikipedia.org/wiki/Chutney
Assinar:
Postagens (Atom)


























