terça-feira, 8 de julho de 2014

SEM PALAVRAS



Comecei a assistir copas do Mundo quando tinha treze anos. Faz um tempinho, portanto. Foi também em 1978 que comecei a torcer pelo Vasco. Isso porque, para além do Roberto Dinamite, li em algum lugar que ele havia sido o primeiro time do Brasil a admitir negros como jogadores e já nesta época, isso me deu a certeza de que era o time que me representava. Fora o fato de que me tornei totalmente anti-Zico e anti-Flamengo. Claro, para calar minha boca, um dos meus filhos é flamenguista e eu, um dia desses, me peguei torcendo com ele pelo Flamengo. Sinal dos tempos.

Mas não sou torcedora exemplar. Hoje em dia, nem mesmo sei qual o time titular do Vasco e até o primeiro jogo do Brasil para esta Copa só conhecia o Neymar e o Júlio César. E olha que nunca tinha visto o Neymar jogar, um crime. O coração falou mais alto e diante de tanta torcida contra a Copa, engrossei as fileiras a favor e me peguei chorando todas as vezes em que vi brasileiros cantando em capela seu hino, muitos com a mão no peito, a plenos pulmões, mesmo depois do tempo de execução normal. Amo meu país. Já sofremos e lutamos muito pela nossa dignidade e hoje, sinto cada vez mais orgulho em ser brasileira.

Para os bons entendedores de futebol, que não é a regra para a maioria quase absoluta dos comentaristas oficiais ou oficiosos cujas análises tem quase sempre dez por cento de técnica e noventa por cento de chutes e obviedades (com as exceções previsíveis), há muito a se corrigir. Também acho, do alto da minha quase ignorância. Hoje em dia, os jogadores estão quase todos com os olhos voltados para as equipes estrangeiras e contratações milionárias, não conseguem ter o entrosamento necessário e muitos sentiram a enorme pressão da inexperiência. Isso, é claro, não lhes tira o brilho. Que nos sirva de aprendizado para as futuras seleções, com uma preparação de longo prazo e um foco não tão imediatista.

Após o segundo gol, não consegui ver o jogo em que o Brasil perdeu de goleada. Meu remédio para a pressão seria insuficiente para o meu nervosismo, então, a única maneira de me acalmar foi ir para a cozinha e fazer um sanduíche caseiro, onde o pão fresquinho, a carne temperada em casa e o ketchup recém-preparado fazem toda a diferença. Se você, como eu, ama futebol e está com o coração partido com essa vitória arrasadora, porém merecida da Alemanha, vá para a cozinha. É uma excelente receita para manter a calma e de quebra, você nunca mais vai querer comprar sanduíche fora de casa. Bom apetite!










Pão para hamburguer (baseado na receita para pão de Paul Hollywood, totalmente adaptada)

Ingredientes

04 xícaras + 01 colher de sopa de farinha de trigo (usei 02 xícaras de farinha branca, 02 xícaras de farinha integral e 01 colher de sopa de farinha de centeio)
02 colheres de chá de fermento para pão
02 colheres de chá de sal (talvez precise de um pouco mais, 02 a 03 pitadas)
04 a 05 colheres de sopa de azeite (use um bom azeite)
320 ml de água (01 xícara + 1/4 de xícara +01 a 02 colheres de sopa)
01 colher de sopa de açúcar
01 colher de sopa de sementes de linhaça
01 colher de chá de sementes de chia
(mantive as proporções aproximadas da receita do Paul, mas coloquei as sementes e misturei as farinhas. Também juntei o açúcar)

Modo de fazer

Numa tigela, peneire as farinhas, acrescente as sementes de chia e linhaça, coloque o açúcar, o fermento e o sal, arrumado longe do fermento. Abra um buraco no meio, coloque o azeite e vá adicionando a água. Misture bem e sove a massa numa bancada de cinco a dez minutos. (Sovar ajuda a desenvolver o glúten, responsável pela elasticidade da massa, o que deixa os pães mais leves e macios. Além do que, é ótimo para mandar as tensões embora). Após esse tempo, forme uma bola e coloque em uma tigela untada com azeite. Cubra com filme plástico e deixe descansar até dobrar de volume. Após esse tempo, amasse um pouco para retirar o ar. A partir desse momento, divida a massa e com uma parte dela, se desejar, faça pães árabes, pois não precisam de uma segunda fermentação. Divida essa parte da massa em bolinhas, achate-as com um rolo, coloque uma assadeira para esquentar no forno e quando estiver bem quente, coloque os discos de massa por 10 a 15 minutos ou até dar uma leve tostada. Eles devem inchar um pouco. Retire-os, deixe esfriar um pouco e sirva-os com manteiga, azeite ou outro acompanhamento de sua preferência. Com a outra metade da massa, molde bolinhas (dá em torno de 08 a 09, não muito grandes) e vá colocando-as em assadeira untada e polvilhada. Aguarde dobrar de tamanho e coloque-as para assar em forno já aquecido, em temperatura alta, por uns 15 minutos ou até assar. Retire-as do forno e coloque-as para esfriar em uma grade de metal ou palha, para que não criem umidade no fundo. Recheie os pães com hamburguer caseiro, cebolas grelhadas e katchup, se desejar. Se não quiser fazer os pães árabes, use toda a massa para os pães de hamburguerBom apetite!

Hamburguer caseiro

Ingredientes

500 g de chã de fora, limpa e moída na hora (ou outra carne de sua preferência, como picanha ou patinho)
Sal e pimenta moída na hora, a gosto

Modo de fazer

Numa tigela, misture a carne e tempere com sal e pimenta a gosto. Faça pequenas bolas e molde-as no formato de hambúrgueres (se não tiver um moldador, coloque a carne entre duas folhas de filme plástico e passe o rolo por cima, levemente). Unte com azeite ou óleo uma chapa ou grelha de ferro, deixe ficar bem quente e vá fritando a carne, aos poucos, por alguns minutos de um lado. Depois vire, pressione um pouco o disco de carne e retire para montar os sanduíches. Se sobrar, embrulhe em filme plástico e congele para futuras utilizações (basta colocar a carne congelada em uma grelha bem quente, com um pouquinho de óleo ou azeite).

Acompanhamentos

Tomates em rodelas, se desejar
Alface ou rúcula em tirinhas, se desejar
Cebolas em rodelas, fritas na chapa com um pouco de azeite
ketchup caseiro (dê uma olhada no post anterior, fiz uma receita adaptada do Jamie Oliver. Veja em http://gnt.globo.com/receitas/receitas/receita-do-chef-jamie-oliver-ketchup-caseiro.htm)
Mostarda e maionese a gosto, se desejar

Para montar

Pegue cada pão, corte ao meio e se desejar, passe manteiga. Arrume o hamburguer, coloque um pouco da cebola e do ketchup, caso queira, ou um pouco dos acompanhamentos desejados. Sirva e bom apetite!

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Para saber mais:

Acesse o programa de Paul Hollywood, no canal GNT

domingo, 6 de julho de 2014

AINDA DÁ TEMPO...

Cachorro-quente com pão caseiro, macio e delicioso...


Uma das minhas mais queridas lembranças de infância é a do primeiro cachorro-quente que eu comi, ou pelo menos o primeiro que eu registrei. Acho que eu tinha uns cinco a sete anos e estava com minha mãe numa das principais vias da minha cidade, onde funcionava grande parte do comércio, na altura do Banco do Brasil, na frente do Novo Mercado Velho, em Rio Branco. Já estava anoitecendo, mas minha mãe avistou um carrinho de lanche e rumamos para lá.

Não era muito comum nessa época esse tipo de lanche. Mas o que me encantou imensamente foi o sabor e o cheiro, até então desconhecidos, do tempero principal do cachorro-quente, servido com grandes rodelas de tomate, pimentão e cebola, junto com um copinho de papel, desses de aniversário, com um suco geladíssimo de maracujá. Demorei mais de vinte anos para identificar aquele perfume, não muito comum por aqui nesse período.

Já adulta, fui morar no Ceará. Um belo dia, ao entrar numa loja no Centro de Fortaleza, As Americanas, que nessa época tinha uma lanchonete agregada, resolvi comer um lanche rápido e optei pelo cachorro-quente. Eles usavam um pão comum, uma salsicha imensa e um molho muito simples, feito à base de tomate, cebola, pimentão e...cominho! Nem acreditei que tinha localizado aquele aroma que quando criança, não soube identificar. O cominho entrou pelas minhas narinas como um perfume há muito desejado e o prazer que senti foi o mesmo daquele lanche comido num carrinho de rua, tantos anos atrás.

A partir daí, nunca mais deixei de fazer molho para cachorro-quente sem usá-lo. Claro, ele é como o nosso tucupi: há quem ame, há quem não chegue perto, mas para minha sorte, meus filhos gostam muito. Então, nesta Copa, aquela que tanta gente agourou e que está sendo um sucesso de público e organização, senti desejo de comer cachorro-quente. Comida simples, sem afetação, mas com uma boa mostarda...hummmmm! Comprei o pão no supermercado e fui correndo fazer o molho. Mas o pão de supermercado é aquele que já se conhece, macio no primeiro dia e no outro...vai se desfazendo.

Então, para minha sorte, no meio do caminho, ao invés da pedra do Drummond, achei uma antiga agenda com a receitinha desse pão para cachorro-quente, macio, que derrete na boca. Improvisei a quantidade de líquido, que eu não havia anotado e fiz metade da receita, o que rendeu uns seis pãezinhos de bom tamanho para receber salsichas grandes. As minhas, fatiei em rodelas para colocar mais molho, mas faça como desejar. Não gosto de Ketchup, a não ser uma receita caseira que foi herdada e adaptada do Jamie Oliver e é simplesmente deliciosa.(O link com a receita está logo abaixo). Mas se não quiser usar mostarda e nem Ketchup, não precisa, o molho sozinho dá conta do recado. Então, mãos à obra, ainda tem muito tempo antes do próximo jogo! 

Mais uma observação: quem quiser e preferir, que coma, mas jamais comi cachorro-quente com cenoura e beterraba raladas, carne moída agregada, milho cozido, salada de batata, queijo ralado e mais um número insano de acompanhamentos. Nada contra, mas em certos momentos, prefiro o tradicional. Mas, fique à vontade, esse molho combina com tudo!




Cachorro-quente do meu jeito 

Ingredientes

Para o pão

02 xícaras e 01 colher de sopa de farinha de trigo
01 colher de sopa rasa de fermento biológico para pães
01 colher de sopa de açúcar
1/4 xícara de manteiga
01 ovo
1/2 xícara de leite
01 colher de chá de sal ou um pouquinho mais, a gosto

Modo de fazer

Numa tigela, coloque a farinha e o fermento, o açúcar, a manteiga, o ovo e o leite. Misture bem, até que a massa fique bem homogênea. Polvilhe o sal e vá misturando mais um pouco. Comece a sovar a massa, de cinco a dez minutos, numa bancada ou na própria tigela, esticando e enrolando a massa, para que o glúten se desenvolva e o pão fique bem macio. Faça uma bola, após esse tempo de sova, deixe na tigela polvilhada com farinha, cubra com um pano de prato limpo e deixe em um lugar fresco, até que dobre de volume. Após esse tempo, polvilhe um pouco de farinha na bancada, estique a massa para que saia o ar e molde os pães, dividindo a massa em seis ou sete porções. Pegue cada porção, estique no formato de um retângulo e enrole como rocambole, com a dobra para baixo. Coloque os pães para fermentar uma segunda vez em assadeira untada e polvilhada, deixando espaço entre eles. Cubra sem apertar com filme plástico e deixe em lugar fresco, como o forno desligado. Após dobrarem de volume (1 a 2h, às vezes antes), coloque-os em forno já aquecido, em temperatura alta. Normalmente, entre 20 a 25 minutos estarão prontos, mas convém ficar atenta (o), pois cada forno é diferente do outro. Retire-os da assadeira e deixe-os esfriar em uma grelha para que o ar circule por baixo deles e não fiquem úmidos. Após esfriarem, corte-os por cima, passe um pouquinho de manteiga, se quiser e recheie-os com o molho. Bom apetite!

Para o molho

Ingredientes

06 a 08 salsichas, ou mais, se desejar
01 tomate picadinho (se quiser, retire pele e sementes)
01 lata de tomate pelado, com o líquido
01 pimentão verde em rodelas finas, sem as sementes
01 cebola grande, em rodelas finas
sal a gosto
01 dente pequeno de alho
02 colheres de sopa de azeite
02 a 03 colheres de sopa de coentro e cebolinha, bem picados, no final
pitadas de açúcar para tirar a acidez, caso necessário
03 a 04 colheres de chá de cominho moído (sugiro colocar aos poucos e provar, pois caso não goste muito forte, diminua a quantidade)

Modo de fazer

Leve ao fogo uma panela com água e deixe ferver. Acrescente as salsichas rapidamente e deixe por cinco minutos. escorra e reserve. Se desejar, corte-as em rodelinhas. Outra sugestão é grelhá-las em frigideira de ferro, após passá-las na água fervente. Numa frigideira grande, coloque o azeite e o alho e doure um pouquinho. Acrescente o tomate, o tomate pelado, a cebola e o pimentão. Coloque sal a gosto, veja se é necessário acrescentar um pouquinho de açúcar para equilibrar a acidez e em seguida, coloque o cominho, aos poucos. Acrescente as salsichas e deixe ferver uns cinco minutos. desligue o fogo e se desejar, polvilhe o coentro e a cebolinha bem picados. Sirva com os pães caseiros e os molhos de sua preferência. Bom apetite!

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Para saber mais:
http://www.especialista24.com/cominho/

http://gnt.globo.com/receitas/receitas/receita-do-chef-jamie-oliver-ketchup-caseiro.htm


segunda-feira, 23 de junho de 2014

O MUNDO É DOS BISCOITOS





Os biscoitinhos, com e sem açúcar de confeiteiro, deliciosos a qualquer tempo...



Se eu pudesse e se meu dinheiro desse, passava os dias testando receitinhas, embalando em belos pacotes e presenteando os amigos e a família. Nada é mais prazeroso que fazer um doce, uma geléia ou um biscoito, colocar numa embalagem bonita, fazer um laço de fita e presentear. Não tem ganhador de um mimo desses que não se sinta especial, acarinhado e abra um sorriso enorme no rosto. E isso é muito bom.

Portanto, lá vai mais uma receitinha fácil, deliciosa e que rende bons presentes. Quem me deu essa receitinha foi minha amiga Raquel, colega da Caixa em Fortaleza, há muitos anos atrás. Sempre foi um dos biscoitinhos favoritos dos meus pequenos e porque não dizer, meu também. Por isso e porque eles estão longe, acabo de remeter-lhes uma fornada, muito bem embalados para que não se quebrem, pois são muito delicados. Se não quiser, não precisa colocar o queijo ralado, mas ele dá um gostinho especial à massa. Compre um parmesão de boa qualidade, ajuste o sal e se prepare para os elogios, ele derrete na boca! Bom apetite!


Biscoitinho da Raquel

Ingredientes

360 a 370 g de farinha de trigo, mais ou menos 03 xícaras de chá rasas (pode ser que se use um pouquinho menos, ou um pouquinho mais, a depender do teor de umidade da farinha) 
150 g de goiabada firme, cortada em quadradinhos (ou mais, caso necessário)
30 g de queijo parmesão ralado (de preferência, na hora)
250 g de manteiga com sal,  em temperatura ambiente
gema de ovo quanto baste, para pincelar, passada na peneira
1 pitada de sal, se necessário
Açúcar de confeiteiro peneirado, para passar os biscoitos (opcional)

Modo de fazer

Preaqueça o forno a 180 graus. Numa tigela, coloque a manteiga e o parmesão e misture. Comece a agregar a farinha, sem mexer demais. Pode não precisar de toda a farinha ou até mesmo necessitar de mais um pouquinho, em função do teor de umidade de cada uma. Não amasse demais, pois isso faz com que a massa fique dura. O ponto é de uma massa macia e bem maleável. Prove, mas não deve ser preciso colocar a pitada de sal, em função da manteiga e do parmesão, ambos salgados. Pegue uma pequena porção, faça uma bolinha e abra na mão. Coloque o pedacinho de goiabada e feche, dando um formato alongado. A quantidade de goiabada deve ser suficiente para que ao se misturar com a massa já assada, na boca, não fique doce demais. Arrume os biscoitinhos em uma assadeira untada e enfarinhada. Pincele os biscoitos com gema de ovo e leve ao forno por dez a quinze minutos, ou até assarem. Aguarde uns minutos, retire-os da forma e se quiser, passe-os em açúcar de confeiteiro. Deixe-os  esfriarem bem, antes de guardar em um pote fechado ou saquinhos de celofane, para presentear. Aproveite, são deliciosos!

terça-feira, 17 de junho de 2014

PARA SE REGALAR







O prato, na versão com arroz ou apenas com o purê e o agrião refogado. Na sequência, o surubim na chapa, o agrião, purê de banana e palmito pupunha, camarão seco e de sobremesa, uma tigela de açaí batido com açúcar e guarnecido com farinha de tapioca bem crocante...


Se eu pudesse, todo dia estaria na feira. Não há para mim lugar melhor de começar o dia. Encontrar os feirantes conhecidos, que já se tornaram amigos, ver o que está mais fresco, surpreender-me com um produto ainda não encontrado, tudo é motivo de festa. Aos finais de semana, parar na banca da dona Francisca e ali mesmo, já me sentir muito bem acolhida, com o mingau quentinho de milho (o mugunzá), tapioca ou banana  descendo devagar e esquentando o corpo.

Não deixo de levar para casa a goma fresquíssima de tapioca, o queijo da região e o açúcar mascavo. Dependendo da época, o coquinho e a cajarana fazem parte da cesta. Pimentas coloridas (ainda que eu esteja proibida de usá-las), o surubim e o filhote lá da banca do Rui e da Socorro para as moquecas  e o açaí do Louro (Casa do Açaí) são itens indispensáveis. Aproveito para comprar a farinha de tapioca bem crocante para acompanhar o açaí: no meu caso, nada de modernidades, os acompanhamentos são sempre os mesmos. Açúcar e farinha de tapioca. Sou capaz de devorar uma jarra inteira, de tanto que gosto.

Já falei por aqui que para mim domingo é o dia mundial da preguiça. Na maioria das vezes, nem saio de casa. Abro exceção para um almoço e um filminho de quando em vez, mas gosto mesmo é de passar o dia lendo, zapeando na TV e ficar sem compromisso. Testar uma ou outra receita, sem pressa, é outro dos meus prazeres. Às vezes, fazer um pão que será assado de tarde e comido com uma boa xícara de chá ou café. Quando é possível, logo cedo escrevo o blog, depois de ler os jornais do dia e tomar um café da manhã bem reforçado.

Quando não, deixo que o dia siga devagar e vá dando ele mesmo os comandos, para que a segunda comece a todo vapor. Por isso, descansar é sempre bom. Mas, como toda regra tem exceção e as minhas com relação a descanso, são mais exceções do que regra, vi-me já com a hora avançada e sem nenhuma disposição para sair. A única solução possível foi jogar-me na cozinha e não sei vocês, mas não consigo comer a mesma coisa todos os dias. É preciso ouvir o que o corpo pede e neste caso, não era macarrão.

Lembrei do surubim comprado no dia anterior, junto com um camarão seco e salgado, bom para vatapá. E também de um purê maravilhoso que comi em Fortaleza, no restaurante La Pasta Gialla, feito à base de banana comprida (ou da terra) e palmito pupunha, delicioso. Não tive naquele momento coragem para pedir a receita, mas resolvi fazer um teste me fiando na memória e o resultado foi maravilhoso. Também tinha trazido da feira um agrião de folhas mais largas e resolvi incluí-lo na receita, para dar uma crocância diferente e quebrar um pouco o adocicado do purê. Portanto, combine esses ingredientes e sirva um almoço especial para o maridinho ou uma pessoa querida, eles vão amar!



Surubim frito com molho de camarão seco, purê de banana comprida (ou da terra) e palmito pupunha e agrião ao alho e azeite  

Ingredientes

Para o peixe

05 ou 06 pedaços de surubim, já limpos (ou mais, caso vá servir mais pessoas)
Sal e pimenta a gosto
Farinha de trigo para empanar
Óleo para fritar

Para o molho de camarão seco

12 camarões secos, metade sem as cascas e as cabeças, levemente lavados em água
Cascas e cabeças de 06 camarões secos
03 colheres de sopa de cebola bem picadinha
02 colheres de sopa de azeite
01 dente de alho pequeno em lâminas finas
01 xícara de água 

Para o agrião

1/2 maço de agrião de folhas mais grossas, descartadas as partes mais duras dos talos
01 dente de alho pequeno, amassado
02 colheres de sopa de azeite
Sal a gosto

Para o purê de banana comprida (ou da terra) e palmito pupunha

05 pedaços médios de banana comprida madura, cozida em água e sal
01 vidro grande de palmito pupunha em rodelas, em conserva (mais ou menos 05 rodelas para cada pedaço de banana)
04 colheres de sopa da água do cozimento das bananas
02 colheres de sopa da água da conserva do palmito
04 a 06 colheres de sopa de creme de leite
04 a 05 colheres de sopa de açúcar (o purê não deve ficar doce, mas apenas levemente adocicado. Se a banana estiver bem madura, talvez não leve todo o açúcar)
Sal a gosto

Modo de fazer

Para o purê

Coloque os pedaços de banana com casca para cozinhar, em água levemente salgada. Após cozidos, retire a casca e reserve os pedaços em um prato e a água do cozimento na panela. Passe no liquidificador todos os ingredientes, ajustando o sal e o açúcar. O purê não deve ficar muito líquido. Retire a massa para uma panela ou frigideira e leve ao fogo apenas para secar um pouco. Reserve.

Para o agrião  

Limpe os talos mais grossos. Numa frigideira, coloque o azeite e o alho para dar uma leve dourada, sem deixar queimar. Acrescente o agrião, mexa até que ele murche um pouco. Polvilhe sal a gosto, desligue o fogo e reserve.

Para o molho de camarão seco

Usei camarão seco e salgado, mas não tão salgado. Caso você não consiga o camarão do mesmo tipo, pode dessalgá-lo um pouco, para que o sabor fique mais suave. Bata as cascas e cabeças de camarão reservadas em 01 xícara de água no liquidificador. Passe numa peneira fina e leve ao fogo para reduzir um pouquinho. Reserve. Numa frigideira, coloque o azeite, a cebola e o alho e deixe dourar um pouco, sem queimar. Acrescente os camarões secos já limpos e os outros inteiros, com cabeça. Misture, deixe fritar um pouco e acrescente o líquido reservado e já peneirado das cascas e cabeças de camarão. Deixe ferver um pouco e reserve.

Para o peixe  

Lave e seque bem os pedaços de peixe. Polvilhe um pouquinho de pimenta do reino, se gostar e apenas uma pitada mínima de sal, apenas em um dos lados. A ideia é que o molho de camarões salgue o peixe. Empane os pedaços de ambos os lados na farinha de trigo, frite-os numa chapa de ferro, de preferência e  escorra-os. Coloque-os no molho de camarão com cuidado, vire-os para que peguem molho de todos os lados e reserve.

Para montar o prato

Arrume uma porção de purê no prato. Por cima, coloque os pedaços de peixe, um pouco de molho com os camarões inteiros e o agrião. Coloque um fio de azeite de boa qualidade e se desejar, acrescente uma porção de arroz branco. Para terminar, se conseguir, tome uma bela tigela de açaí com farinha de tapioca. Sei, você vai engordar, mas pelo menos é por um bom motivo. Além do mais, nada de filas em restaurantes e uma comidinha que você só vai encontrar na sua casa. Bom apetite!

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Para saber mais:

La Pasta Gialla:http://vejabrasil.abril.com.br/fortaleza/restaurantes/la-pasta-gialla-45722, Fortaleza/Ce.

Banca da Socorro e do Rui: no mercado de frutas e legumes de Rio Branco, peixes diversos, sempre frescos. Próximo ao Terminal urbano, Rio Branco/Ac.

Açaí do Louro/Casa do Açaí: Tel (68) 99685184 e (68) 99196386. Em frente ao estacionamento do Varejão Popular, Rio Branco/Ac.  
  



domingo, 8 de junho de 2014

NHOQUE PARA REVIGORAR






O nhoque já pronto e as etapas anteriores: rápido e muito bom


Já falei aqui do nhoque de batata da minha mãe, cujo sabor me acompanhou por toda a infância e adolescência. Apesar do pai português, minha mãe sempre fez do nhoque uma das especialidades lá de casa. Então, um dia desses, resolvi misturar a batata com a abóbora cabutiá (também chamada japonesa), que eu particularmente adoro e fiz esse prato saboroso, que você pode consultar aqui (veja em:http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2013/07/colocando-preguica-de-lado.html).

Sei que para muita gente ter preguiça de cozinhar significa ligar para qualquer serviço de entrega ou sair para um restaurante lotado. Dependendo do dia, também faço isso, é claro. Mas, às vezes, a preguiça pode ser apenas de fazer vários pratos como hoje foi o meu caso. Então, ao olhar para a geladeira precisando de reforços, encontrei uma batata e um pedaço de abóbora cabutiá. 

Estava com muita vontade de comer algo mais leve e aí, juntei a fome com a vontade de comer. Não sei vocês, mas não consigo comer a mesma coisa todo dia. Depende do estado de espírito, depende do clima, se estou mais alegre ou reflexiva...e como passei toda esta semana brigando com uma gripe, vi que hoje precisava de algo acolhedor, para comer com leveza e de quebra, dar uma fortalecida no organismo. Afinal, a abóbora (ou jerimum) é riquíssima em vitamina A, entre outras coisas (Vide abaixo).

Pensando nisso, resolvi incluir a castanha do Brasil, uma fonte maravilhosa de selênio, que ajuda a fortalecer o sistema imunológico. Junto com um bom azeite de oliva e um bom parmesão, devorei um prato inteiro. Ainda bem que a abóbora, por ser pouco calórica, compensa o uso dos demais ingredientes. Meu marido, que nem ia almoçar, regalou-se com um prato cheio. E a sobra, você pode guardar e finalizar na hora de servir. Portanto, mãos à obra! 


Nhoque de abóbora cabutiá com batata e castanha do Brasil 

Ingredientes

Massa

03 xícaras de abóbora cabutiá crua, em cubos (na falta dela, use outro tipo de abóbora ou jerimum)
01 xícara de batata crua, em cubos
01 ovo cru
01 colher de sopa de manteiga
02 colheres de sopa de parmesão ralado na hora
Até 1 1/2 xícara de farinha de trigo
Sal a gosto (usei 1 1/2 colher de chá de flor de sal, cristais mais grossos)

Para polvilhar

08 a 10 castanhas do Brasil (também chamadas do Pará), assadas no forno
03 colheres de sopa de queijo parmesão ralado na hora
04 colheres de sopa de azeite

Para finalizar

Azeite para fritar os nhoques e finalizar o prato e parmesão a gosto, se for o caso

Modo de fazer

Arrume os pedaços de batata e abóbora numa cuscuzeira e leve ao fogo. (Caso não tenha, pode assar no forno, cobertos com papel alumínio ou mesmo cozinhar em água). Se necessário, retire os pedaços de abóbora antes, pois vão cozinhar primeiro. Escorra-os bem e amasse-os ainda quentes, misturando-os. Acrescente a manteiga, o queijo parmesão, o sal, o ovo (com cuidado, mexendo bem, para que não cozinhe na massa quente) e comece a colocar a farinha de trigo, até ficar homogêneo, como se fosse um purê. Quanto mais secas estiverem a abóbora e a batata, menos farinha, para não interferir no sabor. Reserve enquanto prepara a cobertura. No liquidificador, acrescente o azeite, as castanhas e o queijo parmesão. Bata bem, despeje numa tigelinha e reserve. Numa bancada de trabalho, polvilhe bastante farinha de trigo e 1/3 da massa, enrolando rapidamente e formando um cordão, que deve ser cortado em pedaços de tamanho médio. Coloque no fogo uma panela larga com bastante água, acrescente sal e deixe ferver. Num escorredor de macarrão, arrume um pano de prato limpo e reserve. Continue a fazer o restante da massa, da mesma forma. Assim que a água ferver, vá colocando porções de nhoque e retire-os assim que eles subirem à superfície. Deve ser uma operação rápida. Vá colocando-os no escorredor reservado e em seguida, arrume-os em um refratário bem untado de azeite. À medida que fizer os outros, acrescente um pouquinho de azeite, para que eles não grudem. Reserve. Numa frigideira larga e de fundo grosso, coloque azeite até cobrir o fundo (você também pode usar óleo, mas azeite fica mais gostoso) e assim que esquentar (não deixe esquentar muito, para não queimar) acrescente porções de nhoque aos poucos, retirando-os assim que dourarem pelo menos um dos lados. Escorra-os em papel absorvente e em seguida, coloque-os no prato ou travessa de servir. Caso não deseje fritá-los, você pode servir assim que escorrê-los, procedendo da mesma maneira. Polvilhe a castanha batida com o parmesão e o azeite, coloque mais um fio de azeite e sirva. Delicioso! 



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Para saber mais:


http://maisequilibrio.com.br/nutricao/os-beneficios-da-abobora-2-1-1-648.html: ...A abóbora pertence ao grupo das hortaliças, que é composto pelas verduras e legumes. Em sua composição nutricional você encontra carboidratos, proteína, pouquíssima gordura, cálcio, sódio, potássio, fósforo, ferro, magnésio, vitamina A, C, E e outras vitaminas. Possui também bastante água e fibras.
http://mdemulher.abril.com.br/blogs/karlinha/saude/castanha-do-para-tao-rica-em-proteinas-que-tambem-e-chamada-de-carne-vegetal/



quinta-feira, 5 de junho de 2014

A BALA DE CAFÉ DOS MEUS FILHOS


As balas prontas para serem embaladas, no fogo e depois na assadeira, antes de serem cortadas...



Nenhuma receita de família me emociona tanto como as balinhas de café que rotineiramente fiz para meus filhos enquanto eram pequeninos. Os dois ficavam em volta da mesa grande da sala, enquanto eu rapidamente cortava as balas ainda quentes com uma tesoura mergulhada em álcool. E conforme essas balas iam sendo colocadas na mesa, eles davam um jeitinho de furtar algumas e encher a boca com elas, as mãozinhas atentas para ver se conseguiam pegar mais. 

Às vezes, me ajudavam a embalá-las, mas eu terminava dispensando a ajuda, pois eles comiam mais do que embrulhavam. Depois, eu as colocava em saquinhos e eles se regalavam. São balas bem caseiras, com um sabor delicado de café e mel, daquelas que a gente começa a comer e não consegue parar mais. Passei muitos anos sem fazê-las, no corre-corre do trabalho e de tantos outros compromissos, pois elas exigem umas duas horas de fogo e muita mexida de panela.

Depois, quando nos mudamos, a receita ficou perdida em uma agenda difícil de encontrar e terminei protelando a feitura das balas por tempo indefinido. Mas, no domingo, reencontrei a agenda. E, como havia prometido para meu filho mais novo, estava na hora de encarar o desafio, quase dez anos depois. A receita, originária de uma revista Globo Rural antiga, era feita por uma avozinha e sua fiel escudeira, a cada quinze dias, para a visita dos netos. Um regalo, portanto, carregado de afetividade e muito amor.

Separei os ingredientes, uma panela grande e pus mãos à obra. Aos poucos, fui entrando no sabor daquelas balas e lembrando dos meus à época, pequeninos, ansiosos pelo momento em que poriam várias daquelas pequenas delícias na boca. Como eles estão longe, a saudade falou mais alto e os olhos se encheram de água. Fui engolindo em seco e pensando que não há nada melhor do que agradar a quem se ama, da maneira que se pode. Às vezes com comida, outras com carinho e um café caprichado. Em outras, um abraço apertado faz a diferença. 

Embrulhei as duzentas e poucas balas uma a uma nos quadradinhos de papel manteiga, cortados rapidamente. Na segunda de manhã, coloquei quase todas elas (comi algumas, não resisti) em uma caixa e mandei para eles, que as receberão hoje de manhã, se tudo der certo. Sei que eles estão esperando ansiosos pelo sabor de infância e o carinho que sabem, vai envolvendo cada balinha. Portanto, aproveite para agradar seus queridos e mãos à obra, elas são deliciosas!

Balas de café 

Ingredientes

06 copos de leite (usei xícaras, mas você pode usar o copo americano pequeno. A quantidade é um pouquinho menor)
02 copos de café bem forte
01 copo de mel
03 xícaras de açúcar
02 gemas de ovo
02 colheres de sopa de farinha de trigo
01 pitadinha de sal
02 colheres de sopa de manteiga
01 colher de café de bicarbonato

Modo de fazer

Misture todos os ingredientes em uma panela grande e leve ao fogo. Quando começar a ferver e a mistura começar a subir, mergulhe com cuidado uma pequena leiteira no líquido e faça movimentos de retirar e recolocar o líquido na panela, como se estivesse esfriando a mistura. Isso fará com que pare de subir. Deixe ferver até reduzir e engrossar, olhando de vez em quando. Quando começar a engrossar, é necessário mexer de forma mais contínua para que não queime, até que desgrude do fundo da panela e fique bem firme. Para saber o ponto, mergulhe uma pequena quantidade da mistura em um copo de água gelada. Se ficar dura, está pronta. Despeje a massa em uma assadeira retangular média untada com manteiga. Espere esfriar alguns minutos e com uma tesoura sempre mergulhada em álcool, vá cortando tiras da massa e em seguida, pequenos pedacinhos, para formar as balas, colocando-as de preferência em uma superfície untada com manteiga para que esfriem. Em seguida, embrulhe-as em papel manteiga cortado em quadradinhos. Duram aproximadamente uma semana a dez dias sem grudar. Passado esse tempo, o sabor ficará ainda bom, mas elas começam a derreter um pouco, a não ser que fiquem em geladeira. Mas, sinceramente, tenho certeza que elas não demorarão tanto tempo para serem comidas. Aproveite!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

CAMARÃO SEM FOTO

O prato de camarão é o da direita, após sair do forno. Esta é uma foto ilustrativa de um outro  encontro. O sabor é maravilhoso, com jeito de comida caseira...


Minha cidade tem um clima quente e úmido como o resto da Amazônia e altas temperaturas. Por aqui, ar condicionado não é luxo, é necessidade. Ainda chove bastante, mas são raras as oportunidades de desfilar com casacos e mantas, botas e gorros. Mas, nesses últimos dias, fomos brindados com a primeira "friagem" do ano, que é como se chamam por aqui esses curtos períodos de frio, cada vez mais curtos e esparsos. Então, na sexta à noite da semana retrasada, a velocidade dos ventos lembrava um pouco as casas mal-assombradas e com um pouco de chuva e garoa, no sábado as pessoas já se mostravam bem agasalhadas.

Claro, 14 ou 13 graus, com sensações térmicas mais baixas não são nada para quem mora em áreas geladas, mas para nós faz uma diferença enorme. E de noite, com a garoa, só mesmo uma reunião entre amigos, puxada por boa comida e bons vinhos, além da ótima conversa, para esquentar os corações. A pedidos e em parceria com uma amiga, que cedeu o camarão, preparei uma velha receita de família, servida na casa de minha tia Branquinha desde que eu era adolescente e resgatada por mim anos depois, usando apenas os filtros da memória.

Esse camarão era servido nas reuniões de família da casa de minha tia Branquinha, uma simpática professora e hoje aposentada, irmã de minha mãe, que mora no Ceará há muitos e muitos anos. Hoje, sempre que preciso de uma receita de alma, como diz a escritora e dona de bufê Nina Horta, quente e acolhedora, é a ela que recorro. Não tem erro. 

O arroz, fizemos na hora, para acompanhar um prato de bacalhau arrasador e impecável, que foi finalizado na hora de servir, trazido por outra amiga. Aos anfitriões, simpaticíssimos, coube a escolha dos vinhos, as entradas e o acolhimento, maravilhoso. Precisávamos mesmo dessas boas conversas e risadas. Na saída, um frio de rachar foi motivo mais do que perfeito para correr para debaixo dos lençóis.

Não tirei nenhuma foto, esqueci completamente. Na semana seguinte, refiz o prato, desta vez para receber em casa um amigo querido, que gostou muito. Por isso, aproveite para reunir os amigos numa noite mais fresca e servir esse prato simples, caseiro, mas cheio de bossa. Experimente!


Camarão ao Catupiry da minha tia Branquinha (baseado na memória do sabor)


Ingredientes

Para o creme 

02 litros de leite (deve sobrar um pouco)
06 a 08 colheres de sopa bem cheias de amido de milho (o ponto é de um mingau bem grosso, mas ainda cremoso. Coloque o amido devagar para dar o ponto certo. Cuidado para que não fique no ponto de corte)
02 colheres de sopa de manteiga
Uma pitada de noz moscada (opcional)
Sal a gosto

Para o camarão

02 kg de camarão limpo, sem o rabinho
02 cebolas brancas pequenas, bem picadas
05 a 06 ramos de salsinha, bem picados
05 a 06 ramos de coentro, bem picados
05 a 06 cebolinhas, bem picadas 
03 tomates pelados, com um pouco do molho
02 dentes de alho, bem amassados
Se houver cabeças e cascas do camarão, batê-los com mais ou menos 02 xícaras de água, coar e reservar. Caso contrário, 02 xícaras de água ou um pouco mais, se for preciso
04 azeitonas pretas, picadas (opcional)
02 colheres de sopa de extrato de tomate
Aproximadamente 450 g de requeijão Catupiry (marca registrada, de consistência mais firme. Na falta, use um bom requeijão de consistência firme)
04 colheres de sopa de queijo parmesão ralado na hora, aproximadamente
Sal a gosto
Azeite a gosto
Açúcar a gosto, caso seja necessário corrigir a acidez
Suco de limão para lavar o camarão

Modo de fazer

Descongele o camarão, remova cascas e cabeças, se for o caso e retire a tripinha preta fazendo um corte leve na parte superior. Lave bem e deixe de molho em água com suco de limão por uns dez minutos. Após esse tempo, lave bem para retirar o suco e deixe novamente de molho em água com um pouco de sal por mais dez minutos. Após esse tempo, lave bem e salgue. Reserve em lugar fresco ou na geladeira. Numa panela, coloque um litro e meio de leite para ferver. No meio litro restante, dissolva o amido de milho e reserve. Coloque a manteiga, um pouquinho de sal e pouco antes de ferver, vá despejando devagar o leite dissolvido com o amido, mexendo sem parar, até ferver bem. O ponto é de um mingau grosso. Acrescente a pitada de noz moscada, se usar. Prove o sal e veja se precisa acrescentar mais amido. Se for o caso, dissolva-o em água fria e vá juntando ao creme sem parar de mexer, até dar o ponto. Reserve coberto com plástico filme, para não criar película.  
Mantenha o Catupiry (ou outro requeijão que usar) na geladeira até que entre na receita. Em outra panela, coloque umas quatro colheres de sopa de azeite e leve ao fogo baixo. Acrescente o alho e deixe fritar um pouco, sem queimar. Acrescente a cebola, a salsinha, o coentro e a cebolinha e mexa bem. Em seguida, acrescente o tomate amassado, com um pouco de molho. Depois que estiverem cozidos, vá acrescentando a água coada do camarão, até formar um caldo ou a água, aos poucos. Coloque o extrato de tomate e mexa. Quando retomar a fervura, acrescente os camarões e tampe a panela. Após uns cinco minutos, no máximo (isso é importante, para que o camarão não fique borrachudo), prove o caldo e ajuste o sal e a acidez, se for o caso, colocando um pouquinho de açúcar. Deixe ferver mais uns cinco minutos e desligue o fogo. Prove um camarão para sentir a consistência. Caso precise de mais alguns minutos de fogo para o cozimento, coloque-o mas fique bem atenta (o) para que não passe do ponto. Em um refratário, passe o requeijão nos fundos e lados, cobrindo toda a superfície. Acrescente o refogado de camarões, com um pouco do caldo (talvez não precise colocar todo o caldo. Você pode congelar a sobra e usar para outra preparação, se for o caso). Cubra generosamente com o molho branco, salpique o queijo parmesão e leve ao forno para gratinar. Nesse momento, o requeijão se mistura ao refogado e ao molho branco, criando um ótimo contraponto. Sirva com arroz branco e acompanhe com um bom vinho, bons amigos e ótima conversa. 

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Para saber mais:

Nina Horta - dona do bufê Ginger, escritora e blogueira, autora do livro Não é Sopa
blog: http://ninahorta.blogfolha.uol.com.br/