quinta-feira, 5 de junho de 2014

A BALA DE CAFÉ DOS MEUS FILHOS


As balas prontas para serem embaladas, no fogo e depois na assadeira, antes de serem cortadas...



Nenhuma receita de família me emociona tanto como as balinhas de café que rotineiramente fiz para meus filhos enquanto eram pequeninos. Os dois ficavam em volta da mesa grande da sala, enquanto eu rapidamente cortava as balas ainda quentes com uma tesoura mergulhada em álcool. E conforme essas balas iam sendo colocadas na mesa, eles davam um jeitinho de furtar algumas e encher a boca com elas, as mãozinhas atentas para ver se conseguiam pegar mais. 

Às vezes, me ajudavam a embalá-las, mas eu terminava dispensando a ajuda, pois eles comiam mais do que embrulhavam. Depois, eu as colocava em saquinhos e eles se regalavam. São balas bem caseiras, com um sabor delicado de café e mel, daquelas que a gente começa a comer e não consegue parar mais. Passei muitos anos sem fazê-las, no corre-corre do trabalho e de tantos outros compromissos, pois elas exigem umas duas horas de fogo e muita mexida de panela.

Depois, quando nos mudamos, a receita ficou perdida em uma agenda difícil de encontrar e terminei protelando a feitura das balas por tempo indefinido. Mas, no domingo, reencontrei a agenda. E, como havia prometido para meu filho mais novo, estava na hora de encarar o desafio, quase dez anos depois. A receita, originária de uma revista Globo Rural antiga, era feita por uma avozinha e sua fiel escudeira, a cada quinze dias, para a visita dos netos. Um regalo, portanto, carregado de afetividade e muito amor.

Separei os ingredientes, uma panela grande e pus mãos à obra. Aos poucos, fui entrando no sabor daquelas balas e lembrando dos meus à época, pequeninos, ansiosos pelo momento em que poriam várias daquelas pequenas delícias na boca. Como eles estão longe, a saudade falou mais alto e os olhos se encheram de água. Fui engolindo em seco e pensando que não há nada melhor do que agradar a quem se ama, da maneira que se pode. Às vezes com comida, outras com carinho e um café caprichado. Em outras, um abraço apertado faz a diferença. 

Embrulhei as duzentas e poucas balas uma a uma nos quadradinhos de papel manteiga, cortados rapidamente. Na segunda de manhã, coloquei quase todas elas (comi algumas, não resisti) em uma caixa e mandei para eles, que as receberão hoje de manhã, se tudo der certo. Sei que eles estão esperando ansiosos pelo sabor de infância e o carinho que sabem, vai envolvendo cada balinha. Portanto, aproveite para agradar seus queridos e mãos à obra, elas são deliciosas!

Balas de café 

Ingredientes

06 copos de leite (usei xícaras, mas você pode usar o copo americano pequeno. A quantidade é um pouquinho menor)
02 copos de café bem forte
01 copo de mel
03 xícaras de açúcar
02 gemas de ovo
02 colheres de sopa de farinha de trigo
01 pitadinha de sal
02 colheres de sopa de manteiga
01 colher de café de bicarbonato

Modo de fazer

Misture todos os ingredientes em uma panela grande e leve ao fogo. Quando começar a ferver e a mistura começar a subir, mergulhe com cuidado uma pequena leiteira no líquido e faça movimentos de retirar e recolocar o líquido na panela, como se estivesse esfriando a mistura. Isso fará com que pare de subir. Deixe ferver até reduzir e engrossar, olhando de vez em quando. Quando começar a engrossar, é necessário mexer de forma mais contínua para que não queime, até que desgrude do fundo da panela e fique bem firme. Para saber o ponto, mergulhe uma pequena quantidade da mistura em um copo de água gelada. Se ficar dura, está pronta. Despeje a massa em uma assadeira retangular média untada com manteiga. Espere esfriar alguns minutos e com uma tesoura sempre mergulhada em álcool, vá cortando tiras da massa e em seguida, pequenos pedacinhos, para formar as balas, colocando-as de preferência em uma superfície untada com manteiga para que esfriem. Em seguida, embrulhe-as em papel manteiga cortado em quadradinhos. Duram aproximadamente uma semana a dez dias sem grudar. Passado esse tempo, o sabor ficará ainda bom, mas elas começam a derreter um pouco, a não ser que fiquem em geladeira. Mas, sinceramente, tenho certeza que elas não demorarão tanto tempo para serem comidas. Aproveite!

segunda-feira, 2 de junho de 2014

CAMARÃO SEM FOTO

O prato de camarão é o da direita, após sair do forno. Esta é uma foto ilustrativa de um outro  encontro. O sabor é maravilhoso, com jeito de comida caseira...


Minha cidade tem um clima quente e úmido como o resto da Amazônia e altas temperaturas. Por aqui, ar condicionado não é luxo, é necessidade. Ainda chove bastante, mas são raras as oportunidades de desfilar com casacos e mantas, botas e gorros. Mas, nesses últimos dias, fomos brindados com a primeira "friagem" do ano, que é como se chamam por aqui esses curtos períodos de frio, cada vez mais curtos e esparsos. Então, na sexta à noite da semana retrasada, a velocidade dos ventos lembrava um pouco as casas mal-assombradas e com um pouco de chuva e garoa, no sábado as pessoas já se mostravam bem agasalhadas.

Claro, 14 ou 13 graus, com sensações térmicas mais baixas não são nada para quem mora em áreas geladas, mas para nós faz uma diferença enorme. E de noite, com a garoa, só mesmo uma reunião entre amigos, puxada por boa comida e bons vinhos, além da ótima conversa, para esquentar os corações. A pedidos e em parceria com uma amiga, que cedeu o camarão, preparei uma velha receita de família, servida na casa de minha tia Branquinha desde que eu era adolescente e resgatada por mim anos depois, usando apenas os filtros da memória.

Esse camarão era servido nas reuniões de família da casa de minha tia Branquinha, uma simpática professora e hoje aposentada, irmã de minha mãe, que mora no Ceará há muitos e muitos anos. Hoje, sempre que preciso de uma receita de alma, como diz a escritora e dona de bufê Nina Horta, quente e acolhedora, é a ela que recorro. Não tem erro. 

O arroz, fizemos na hora, para acompanhar um prato de bacalhau arrasador e impecável, que foi finalizado na hora de servir, trazido por outra amiga. Aos anfitriões, simpaticíssimos, coube a escolha dos vinhos, as entradas e o acolhimento, maravilhoso. Precisávamos mesmo dessas boas conversas e risadas. Na saída, um frio de rachar foi motivo mais do que perfeito para correr para debaixo dos lençóis.

Não tirei nenhuma foto, esqueci completamente. Na semana seguinte, refiz o prato, desta vez para receber em casa um amigo querido, que gostou muito. Por isso, aproveite para reunir os amigos numa noite mais fresca e servir esse prato simples, caseiro, mas cheio de bossa. Experimente!


Camarão ao Catupiry da minha tia Branquinha (baseado na memória do sabor)


Ingredientes

Para o creme 

02 litros de leite (deve sobrar um pouco)
06 a 08 colheres de sopa bem cheias de amido de milho (o ponto é de um mingau bem grosso, mas ainda cremoso. Coloque o amido devagar para dar o ponto certo. Cuidado para que não fique no ponto de corte)
02 colheres de sopa de manteiga
Uma pitada de noz moscada (opcional)
Sal a gosto

Para o camarão

02 kg de camarão limpo, sem o rabinho
02 cebolas brancas pequenas, bem picadas
05 a 06 ramos de salsinha, bem picados
05 a 06 ramos de coentro, bem picados
05 a 06 cebolinhas, bem picadas 
03 tomates pelados, com um pouco do molho
02 dentes de alho, bem amassados
Se houver cabeças e cascas do camarão, batê-los com mais ou menos 02 xícaras de água, coar e reservar. Caso contrário, 02 xícaras de água ou um pouco mais, se for preciso
04 azeitonas pretas, picadas (opcional)
02 colheres de sopa de extrato de tomate
Aproximadamente 450 g de requeijão Catupiry (marca registrada, de consistência mais firme. Na falta, use um bom requeijão de consistência firme)
04 colheres de sopa de queijo parmesão ralado na hora, aproximadamente
Sal a gosto
Azeite a gosto
Açúcar a gosto, caso seja necessário corrigir a acidez
Suco de limão para lavar o camarão

Modo de fazer

Descongele o camarão, remova cascas e cabeças, se for o caso e retire a tripinha preta fazendo um corte leve na parte superior. Lave bem e deixe de molho em água com suco de limão por uns dez minutos. Após esse tempo, lave bem para retirar o suco e deixe novamente de molho em água com um pouco de sal por mais dez minutos. Após esse tempo, lave bem e salgue. Reserve em lugar fresco ou na geladeira. Numa panela, coloque um litro e meio de leite para ferver. No meio litro restante, dissolva o amido de milho e reserve. Coloque a manteiga, um pouquinho de sal e pouco antes de ferver, vá despejando devagar o leite dissolvido com o amido, mexendo sem parar, até ferver bem. O ponto é de um mingau grosso. Acrescente a pitada de noz moscada, se usar. Prove o sal e veja se precisa acrescentar mais amido. Se for o caso, dissolva-o em água fria e vá juntando ao creme sem parar de mexer, até dar o ponto. Reserve coberto com plástico filme, para não criar película.  
Mantenha o Catupiry (ou outro requeijão que usar) na geladeira até que entre na receita. Em outra panela, coloque umas quatro colheres de sopa de azeite e leve ao fogo baixo. Acrescente o alho e deixe fritar um pouco, sem queimar. Acrescente a cebola, a salsinha, o coentro e a cebolinha e mexa bem. Em seguida, acrescente o tomate amassado, com um pouco de molho. Depois que estiverem cozidos, vá acrescentando a água coada do camarão, até formar um caldo ou a água, aos poucos. Coloque o extrato de tomate e mexa. Quando retomar a fervura, acrescente os camarões e tampe a panela. Após uns cinco minutos, no máximo (isso é importante, para que o camarão não fique borrachudo), prove o caldo e ajuste o sal e a acidez, se for o caso, colocando um pouquinho de açúcar. Deixe ferver mais uns cinco minutos e desligue o fogo. Prove um camarão para sentir a consistência. Caso precise de mais alguns minutos de fogo para o cozimento, coloque-o mas fique bem atenta (o) para que não passe do ponto. Em um refratário, passe o requeijão nos fundos e lados, cobrindo toda a superfície. Acrescente o refogado de camarões, com um pouco do caldo (talvez não precise colocar todo o caldo. Você pode congelar a sobra e usar para outra preparação, se for o caso). Cubra generosamente com o molho branco, salpique o queijo parmesão e leve ao forno para gratinar. Nesse momento, o requeijão se mistura ao refogado e ao molho branco, criando um ótimo contraponto. Sirva com arroz branco e acompanhe com um bom vinho, bons amigos e ótima conversa. 

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Para saber mais:

Nina Horta - dona do bufê Ginger, escritora e blogueira, autora do livro Não é Sopa
blog: http://ninahorta.blogfolha.uol.com.br/




domingo, 18 de maio de 2014

PEIXE DO MEU JEITO






O peixe pronto para servir e as etapas de preparação, além do colorido de legumes e verduras...


Amanheci neste domingo um pouco cansada e sem muita vontade de cozinhar, o que é bem difícil de acontecer. Marido dormindo, ainda era bem cedo, coube a mim arrumar o café. Peguei os jornais, fiz meu chá e uma tapioca e as ideias começaram a tomar forma, ainda preguiçosas. O sol começava a dar o ar da graça, forte como ele só. Precisava ir à casa da minha mãe fazer uma visitinha e pegar um açaí de Feijó, que meu querido irmão Michel havia trazido para nós.

A preguiça começou a querer me segurar pelas pernas e braços. Passei o dia inteiro ontem numa atividade prazerosa, mas cansativa e portanto, a ideia de cruzar a cidade, ainda que por uma boa causa, estava me paralisando. Pensei cá com meus botões: no meio do caminho tem o mercado. No mercado, um mingau quentinho, com bastante canela. Tem as pimentas, o abacaxi maduro, enfim...consegui sair. Deixei marido dormindo, prendi no bagageiro minha natural tendência de comprar quilos e mais quilos de comida e parti.

Dona Francisca, a senhora que há vinte e cinco anos vende mingau e outros quitutes no mercado, não estava lá. Mas o seu marido, que me atendeu, explicou-me o delicado processo de botar os grãos de milho para cozinhar com castanhas inteiras, bater um pouco deles com a castanha para engrossar o caldo, misturar o leite, o leite condensado e o creme de leite. Uau, sua receita leva creme de leite?

Feiras de qualquer tipo e mercado são sempre uma festa para mim. Ali estão os mais alegres, os festeiros, os que compartilham, os que gostam de comida, dos cheiros, dos sabores, que dividem receitas e de forma anônima, se irmanam. É um tal de conversar para lá e para cá que me encanta muito. Com a barriguinha cheia, lembrei-me do peixe, que sempre compro na banca da Socorro e do Rui. No seu João, o que vende porco, já tinha comprado na semana. Mas a Socorro não tinha mais o surubim e o filhote, meus preferidos. (Leia sobre eles aqui: http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2012/05/no-parque-de-diversoes.html)

Um senhor do lado então me indicou uma banca no final do mercado. Fui até lá, mas nada do que eu queria. Mas aí um outro senhor que esperava seu peixe ser limpo me convenceu a comprar uma linda pescada, que eu nunca havia cozinhado antes. Tão convincente se fez, que saí de lá com a sacola na mão. Pimenta doce, um pouco de macaxeira fresca, couve e chicória e aí, na banca do cheiro verde umas cajaranas lindas piscaram para mim. A senhora da venda me olhou interessada: "Você já tomou suco de cajarana, couve e hortelã?"

"Nunca, respondi." Por coincidência, já tinha na sacola um lindo molho de hortelã e um maço de couve.  Resolvi ir logo na minha mãe antes que a cada banca meu cardápio mudasse várias vezes. Mas como a gulodice é o meu pecado preferido, atravessei a rua e fui comprar açaí na Casa do Açaí, que o faz fresquinho, ali na hora e provoca até fila na porta. Uma delícia com farinha de tapioca, de comer rezando. Saí da minha mãe com mais açaí, desta vez o de Feijó, reputado como o melhor do Estado, abrindo mão de um churrasquinho que estava quase pronto.

Com tanta fartura, hoje achei que nem conseguia almoçar, mas sabe como é, vai arrumando as compras, vai tendo ideias e daí resolvi fazer o peixe. Assado, inteiro, recheado de cebola, pimentas e chicória, além de umas raspinhas de limão, ficou delicioso! O homem do mercado tinha razão, pena que não perguntei seu nome para deixar aqui um agradecimento. Faça, é uma delícia e bem rápido, nem precisa de arroz!


Peixe do meu jeito

Ingredientes

01 pescada limpa, de aproximadamente 1 kg
01 cenoura crua em rodelas
01 pedaço de macaxeira grande, previamente aferventado em água e sal, em rodelas
02 batatas pequenas em rodelas
01 cebola média picada
05 folhas de chicória (na falta, use cebolinha e coentro picados)
04 pimentas vermelhas doces picadas (essa pimenta não arde. Na falta, use pimentão vermelho picado)
1/2 limão siciliano, raspas e suco
03 dentes de alho pequenos, picados
Sal e azeite a gosto

Modo de fazer

Lave o peixe, esprema o limão e passe por toda a superfície. Passe um pouco de sal por fora e dentro do peixe. Deixe uns quinze minutos, lave bem, enxugue e tempere com sal normalmente, a gosto. Numa assadeira, coloque um fio de azeite. Arrume as rodelas de cenoura, macaxeira e batata lado a lado. Polvilhe um pouco de sal e mais um fio de azeite. Por cima arrume o peixe já temperado. Abra a cavidade dele e coloque a chicória picada, a cebola, a pimenta e as raspas de limão, fechando da melhor forma. Coloque um pouquinho mais de azeite por cima do peixe, cubra com papel laminado e leve ao forno pré-aquecido por uns quinze minutos. Após esse tempo, retire o papel, deixe mais uns quinze minutos ou até dourar. Sirva com os legumes assados, ou se desejar, complete com arroz branco. Acompanhe com o suco de cajarana, hortelã e couve, um luxo!    


Suco de cajarana, hortelã e couve

Ingredientes

01 cajarana madura, descascada e cortada em pedaços
01 folha de couve pequena
05 a 06 ramos de hortelã, com os talos
02 colheres de sopa de açúcar, ou a gosto
01 copo de água, ou a gosto
Gelo (opcional)
Folhas de hortelã para enfeitar

Modo de Fazer

Bata todos os ingredientes no liquidificador, à exceção dos raminhos de hortelã para enfeitar. Coe e sirva gelado. Delicioso!





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Casa do Açaí - em frente ao estacionamento do Varejão Popular, próximo ao mercado. Tel: 9968-5184 e 9919-6386

domingo, 4 de maio de 2014

RISOTO À MINHA MODA




O risoto, fumegando, pronto para comer...


Meu filho mais velho está por aqui, passando uns dias em casa. O que ele me dá de conselhos sobre a minha saúde e a necessidade de fazer exercícios, me acompanhando nas caminhadas, devolvo em comidinhas, é claro. Ele já tem um caderninho, onde anotei as receitas que ele mais gosta. Ele sabe fazer um ótimo café, mas tirando o Miojo, que ele faz nas horas de aperto, por enquanto o caderninho está só no enfeite.

Mas, ele agora está disposto a mudar, assim como eu a corrigir o meu sedentarismo. E já acena com a próxima receita do caderninho, o quibe de bandeja que ele devorou de um dia para o outro, não sem antes elogiar bastante. Ele já me disse que algumas pessoas nasceram para comer e outras para cozinhar, mas agora parece que ele quer mudar de time. Ainda bem. O mais novo é mais objetivo: já sabe fazer café e bife e adora o arroz com alho que eu faço. Como vai morar só, já combinamos umas aulas. Certo é que os dois, de tanto serem cobaias, ficaram mal acostumados com a mãe, a lhes colocar biscoitos e bolos, pães caseiros, geléias e tortas, macarrões e sopas, cozidos e bifes pela frente. A sorte é que por enquanto, os dois ainda tem barriga zero, o que me provoca uma inveja danada...

Por isso, quando fiz esse risoto para aproveitar as sobras da costela cozida no dia anterior (veja a receita em http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2014/04/o-que-nao-se-ve-do-iceberg.html), o mais velho se deliciou. Não só ele, mas eu e meu marido devoramos o prato inteiro. O diferencial, além do caldo saboroso e cheio de tempero, foi a presença da chicória, que fez uma diferença enorme no sabor. Optei por não colocar vinho branco, manteiga nem queijo, os acompanhantes tradicionais de quase todas as preparações de risoto, para não brigar com a chicória. O resultado foi um prato aromático, delicioso, que foi muito bem acompanhado pelo suco de cupuaçu fresquinho, outra das paixões do meu filhote mais velho.


Suco de cupuaçu bem fresco, delicioso!


Vale a pena fazer uma bela costela ou mesmo agulha usando os temperos do link acima e no dia seguinte, usar a sobra (se houver) para um belo risoto. Aproveite!

Risoto à minha moda 

Ingredientes

01 xícara de arroz italiano para risoto (arboreo ou carnarolli), sem lavar (caso use outro arroz, diminua o tempo de cozimento e coloque o caldo de uma vez, sem mexer muito)
01 xícara (aproximadamente) de sobras de costela ou agulha cozida (veja receita no link acima), desfiadas
Caldo restante com ossos e água até completar mais ou menos 01 litro, ou um pouco mais, se precisar
02 dentes de alho picados
1/2 cebola branca picada para a carne
1/2 cebola branca picada para o risoto
04 folhas de chicória picadas para a carne e mais 02 folhas picadas para enfeitar os pratos
Azeite
Sal e pimenta, caso necessário






Modo de fazer

Numa panela, coloque os ossos que sobraram após desfiar a carne, o caldo já desengordurado (o que se consegue colocando-o na geladeira e descartando a gordura que se forma na superfície) e água até completar um litro ou um pouco mais. Deixe ferver em fogo baixo e prove, para ver se precisa de um pouco de sal ou pimenta. Mantenha em fervura baixa. Numa outra panela, coloque duas a três colheres de sopa de azeite, o alho picado e a cebola picada. Deixe refogar um pouco, acrescente a chicória e a carne e mexa bem. Após dois ou três minutos, acrescente quatro colheres de sopa do caldo da carne, misture e apague o fogo. Reserve. Em outra panela, acrescente quatro colheres de sopa de azeite, meia cebola picada e deixe refogar bem, mexendo para não queimar. Acrescente o arroz e mexa mais um pouco. Comece a acrescentar o caldo, de meia em meia xícara, aproximadamente, mexendo bem após cada adição e não deixando secar em nenhum momento. O arroz italiano vai soltando amido devagar e após 20 minutos, aproximadamente, em que se vai acrescentando o caldo e mexendo, ele deverá estar quase pronto, ainda bem firme, mas com um caldo cremoso em volta dos grãos. Prove de vez em quando o ponto do arroz. Ele deverá estar firme, não mole. Acrescente toda a carne e mais um pouco do caldo e mexa bem. Caso o arroz esteja no ponto, ou seja, firme à mordida, al dente, desligue o fogo, tampe a panela e aguarde por alguns minutos. Sempre prove e ajuste o sal e a pimenta, se necessário. Coloque as porções em pratos fundos, decore com um pouco de chicória e um fio de um azeite especial e sirva. Acompanhe, caso queira, com suco de cupuaçu ou um vinho que combine. Bom apetite! Aqui em casa, rendeu três porções! 


O risoto fumegante no prato, que até sombreou a foto...

Meus pequeninos pés de chicória, para uma emergência...

Para o suco de cupuaçu

Polpa fresca, mais ou menos 01 xícara
água, açúcar e gelo a gosto

Modo de fazer

Coloque tudo no liquidificador, bata bem e sirva


QUEIJINHO FRITO

Queijo frito, pronto para servir...


Nem sempre consigo boas fotos para ilustrar um post. Uso uma máquina simples e nenhuma iluminação especial. Mas, na foto aí de cima, dei uma iluminada via computador para ver se podia aproveitá-la melhor antes que o objeto, ou melhor, o queijo, fosse devorado. Meu filho mais velho, assim como eu, é louco por queijo. A diferença é que estou sedentária, enquanto ele faz academia rotineiramente, mas já comecei a caminhar aqui no Parque do Tucumã, perto de casa. Com o visual maravilhoso de fim de tarde, dá para consumir umas calorias a mais sem tanto peso na consciência!

Para minimizar o prejuízo, uso uma frigideira anti-aderente, que evita o uso de gordura adicional. Esse queijo foi comprado no Mercado do Bosque, na banca do Ari, que está há "apenas" trinta e três anos no local. Como ele mesmo diz, uma vida! Ele vende queijos, galinha e ovos caipiras, açaí, frutas frescas, verduras, farinha, mel e bananas, entre vários outros produtos. Sua banca tem aquele colorido caótico de tudo junto e misturado, mas se quiser, você pode encomendar esta e outras delícias direto com ele, que lhe avisa quando os produtos estiverem por lá.

Comprei desta vez dois tipos de queijo, mamão e tangerinas lindas e suculentas. O mamão veio do Ramal do Açaí e a tangerina, do Ramal do Paulista, ambos na Vila do V, aqui pertinho. Os queijos vieram de dois produtores diferentes e são absolutamente deliciosos. Fritos para acompanhar o café, no baião de dois, cortado em cubinhos e feito à milanesa para tomar com a cervejinha da sexta, não tem para ninguém. Frescos, com um pouco da ótima geléia francesa de rosas, que você compra ali na Cia. do Marisco, são uma perdição. 


Os queijos frescos: pela ordem, o da dona Maria, mais cremoso e o do seu Damião, mais firme...

Uma fatia de cada, acompanhados da suave geléia de rosas da Cia. do Marisco

A geléia, bem suave...

Voltando aos queijos vendidos na loja do Ari, o redondo vem de uma produtora "...lá na BR", segundo ele, chamada dona Maria. Ele é macio, pouco salgado e quando frito, forma uma crostinha tentadora, mantendo o interior bem cremoso, com sabor forte de leite. O outro queijo vem em peças quadradas e é vendido a granel. É de um produtor chamado seu Damião, de Porto Acre. O que comprei também tinha sal na medida e estava ligeiramente mais firme. Ambos são queijos frescos que podem maturar em casa, ficando mais firmes, mas são deliciosos, o que mostra que a produção local tem aumentado, melhorado e se espalhado por vários locais do Estado. 

Para acompanhar o pão integral, não tem melhor. E é tão simples de fazer que o único trabalho é ir comprar o queijo, fatiá-lo grosso e colocá-lo na frigideira quente. Quando formar a crosta, basta virar com espátula, deixar formar a casquinha do outro lado e...comer rezando, porque é muito bom!


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Para saber mais:

Loja do Ari: Mercearia Araújo, na entrada do Mercado do Bosque, em Rio Branco, Ac. O dono, Ari ferreira, está há 33 anos no local e vende vários produtos regionais, frutas e verduras, açaí, goma de tapioca e muito mais.

Cia. do Marisco: acesse https://www.facebook.com/CiaDoMariscoAlimentos - frutos do mar, especiarias, geléias, chocolates, cervejas especiais e vários itens deliciosos.

domingo, 27 de abril de 2014

O QUE NÃO SE VÊ DO ICEBERG

Amigos queridos para atualizar as conversas, regadas a muita risada: no sentido horário eu, Bosquinho, Kennedy, Vaumick, Glauria, Prudente, Roza Rodrigues, Ilvana, Aléx, Patrício e Rosinha


Tenho a impressão de que pessoas como eu, que respiram comidinhas e utensílios e receitas e livros e revistas e tudo o mais que estiver relacionado.com (para ficar nos limites da modernidade internáutica) o tempo inteiro, sentem-se como se estivessem frente a frente com um imenso iceberg. A pontinha de fora é aquilo que se publica, seja nos blogs, nos livros ou mesmo nos jornais. É o pedaço visível, que consegue aparecer aos olhos de todos.

Mas a parte submersa na água, infinitamente maior, é como um caleidoscópio de sensações, cheiros, sabores, percepções. Como um almoxarifado permanente, onde a memória vai buscar amparo. Muito dali não tem como nem para onde sair e permanecerá para sempre armazenado. Parece mesmo que essa massa de gelo é um enorme depósito onde vão se juntando fragmentos de memórias, gostos experimentados, cores e brilhos das frutas de cada estação, os cheiros das panelas borbulhantes dos cozidos, o burburinho do mercado...

No meu caso, ali estão as tapioquinhas chamadas por minha mãe de beijus,  que a vó Mundiquinha fazia finíssimas, deleite para os netos, encharcadas de manteiga. Ali estão os biscoitos casadinhos que eu assava ainda menina para presentear os amigos, hábito que mantenho até hoje, se não com os ditos, por ter perdido tão desejada receita, mas com outros mimos que, tenho certeza, cumprem bem o propósito de acolher, dar carinho, cuidar.

Os gritos do Damião lá na Seis de Agosto da minha infância, oferecendo o pão de milho com leite de castanha e as saltenhas fumaçando de tão quentes lá da Manuca, que comíamos depois das baladas juvenis, também estão ali armazenados. As revistas de culinária compradas na banca do Ariosto, o papel encardido com a primeira receita de pão, tudo faz parte dessa enorme massa de gelo preservada pela água fria, que na hora certa, se desprende aos pouquinhos e vai navegando para águas mais quentes, de modo a nutrir a memória afetiva que me rodeia.

Tudo, como hoje tão bem demonstram as redes sociais modernas, está junto e misturado. Embora navegue nessas águas internáuticas, ainda consigo sentar numa mesa com os amigos sem consultar o whatsapp de dez em dez segundos. Ainda consigo conversar e abraçá-los e rir das piadas mais tolas, que só tem sentido quando estão no contexto específico. Ainda conseguimos fazer piada com a vida, o que mostra o tamanho e a certeza das nossas imperfeições. Ainda bem. 

Tudo isso para dizer que recentemente, ao visitar meus filhos e como já disse antes, fazer turismo nos supermercados, deu para provar um baião de dois cremoso, acompanhado de uma carne de sol muito macia, em um restaurante tão simples quanto gostoso, lá para os lados de Messejana, o Pilão. Toalha xadrez, sem afetação, mas uma carne de sol de produção própria deliciosa. Para lembrar das comidas típicas do Ceará e dos seus sabores especiais e arquivá-los no meu iceberg particular.



O prato com vinagrete, a carne de sol e o baião, delícia pura

O baião cremoso, com feijão de corda. Aqui, poderíamos usar o feijão de praia ou o verde, por exemplo

A carne de sol macia, com um pouco de queijo de coalho por cima...


Também não podia deixar de comprar o queijo manteiga da minha mãe e tomar uma cajuína lá no seu Raimundo dos Queijos. Desta vez, não o vi por lá, figura simpática. Os clientes do domingo são em sua maioria políticos, artistas e intelectuais da cidade, degustando a cerveja gelada, entre porções de paçoca e queijo, além do tira-gosto feito por eles mesmos. Imperdível! Carne de sol, queijos diversos, doces, rapaduras, cachaças, o que você quiser, lá tem. 

Para quem me conhece, já sabe: livrarias, mercado, andar no centro, conversar, encontrar os amigos, descobrir cantinhos especiais...isso faz uma diferença enorme para descansar o espírito e renovar as forças. Um desses cantinhos é a ótima padaria artesanal da Neiva Terceiro. Saí de lá com um panetone lindo de chocolate e morango e uma dúzia de pãezinhos de bacalhau deliciosos, recém-preparados, que fizeram a alegria dos meus pequenos, que não deixaram pedra sobre pedra, ou melhor, pão sobre pão!

E para não deixar os sorvetes de fora, desta vez fui à San Paolo, uma gelateria especial, onde me acabei no sorvete de morango, pura fruta, azedinho e delicioso! Não tem muitos sabores, mas vale a pena conhecer e se quiser, acrescer ao sorvete todas as guloseimas que são oferecidas por lá, misturadas na frente do freguês, como biscoitos, jujubas, suspiros e caldas. Não é fundamental, mas para quem gosta, vale. Eu preferi sem misturas, o sabor do sorvete é muito bom!



Nào deixe de fazer uma visitinha básica, bom demais!
    

E para fechar a sessão comida fora de casa, um bacalhau com purê de banana da terra, a nossa banana comprida e palmito pupunha, muito, muito bom, comido no La Pasta Gialla, restaurante abrigado no shopping Pátio Dom Luiz. A sobremesa não empolgou, mas o purê servido com o bacalhau quase me obriga a ir à cozinha batalhar a receita. Não tive coragem para tanto, mas vou tentar reproduzi-lo em casa, delicioso!

Não comi um camarão nessa viagem, mas deu para encontrar alguns dos queridíssimos amigos, olhar para a catedral ainda sendo reformada na sua beleza esmagadora, tirar fotos das velhas bancas de frutas espalhadas pelo centro, viajantes do e pelo espaço urbano, concorrendo em pé de igualdade com os não tão saudáveis, porém deliciosos e imperdíveis pastéis do Leão do Sul, que desta vez, não provei. As frutas vão mudando de acordo com a estação. Desta vez, sapotis, atas e romãs enormes, que segundo o vendedor, chegam de Pernambuco.


A Catedral, linda e imponente, no centro de Fortaleza

Romã de Pernambuco, linda...

Os cachos de pitomba, caprichosamente amarrados. Meu filho mais novo, de tanto que gostava, era chamado pelo avô de Zé Pitom...


Os sapotis, tão doces que enjoam...

As atas doces e carnudas em começo de estação...


Viver é conviver com esse iceberg, alimentando-o e sendo alimentada continuamente por tantas estórias costuradas como numa colcha de retalhos, por uma linha mágica capaz de nos lembrar nossas origens. E para não dizer que não publico uma receitinha, não resisti ao último programa do Rodrigo Hilbert, no canal GNT, mostrando uma linda costela com agrião. Adaptações à parte, é de se comer rezando, aproveita!



A costela temperada e depois de cozida, antes de ser transferida para a panela grande, com cebola, extrato de tomate e o agrião...o sabor ficou fantástico e temperou a casa inteira


Costela de boi com polenta e agrião (receita totalmente adaptada do programa Tempero de Família, do Rodrigo Hilbert, do GNT) 

Ingredientes

2,6 kg de costela bovina
05 dentes de alho amassados
02 colheres de chá de sementes de coentro
02 colheres de chá de pimenta do reino em grãos
1/2 pacotinho de cominho moído ou a gosto
03 colheres de chá de colorau
02 folhas de louro
05 folhas de chicória picadinhas
sal a gosto
1/2 maço de cheiro verde picadinho (cebolinha e folhas de coentro)
Vinagre de maçã a gosto para a marinada mais ou menos 1/2 xícara
01 cebola cortada em 04, descascada
100 g de extrato de tomate
02 maços de agrião, já limpos
1/2 xícara de fubá para polenta ou um pouco mais, se quiser mais firme
(a receita original não leva chicória nem cheiro verde, nem vinagre. Leva azeitonas e batatas no final e a marinada é feita com vinho)

Modo de fazer

Limpe a costela, cortando-a em pedaços menores e retirando o máximo de gordura possível. Lave os pedaços muito rapidamente, apenas para retirar eventuais pedacinhos de osso soltos. Coloque os pedaços numa bacia grande ou direto na panela de pressão e tempere com o alho amassado, o sal, o colorau, o cominho, a pimenta do reino e o coentro moídos, a chicória, o cheiro verde, o vinagre e acrescente as duas folhas de louro. Misture bem e deixe descansar por 30 minutos. Após esse tempo, acrescente um pouco de água à panela (de maneira que as carnes ainda fiquem descobertas) e leve ao fogo por aproximadamente trinta minutos após a fervura (na panela de pressão). Retire a panela do fogo, abra e verifique o ponto da carne e o tempero. Se necessário, acrescente um pouco mais de sal ou água. Após a carne estar cozida, retire os pedaços da panela de pressão e coloque-os em uma panela maior com um pouco do caldo. Acrescente a cebola cortada e o extrato de tomate e mais um pouco de água. Prove e ajuste o tempero, se necessário. Deixe cozinhar um pouco, coloque por cima as folhas de agrião e tampe, desligando o fogo. Reserve. Leve ao fogo a panela com o caldo restante e acrescente o fubá dissolvido em água, para que não empelote. Mexa até que fique cozido. Sirva a costela com a polenta, arroz branco e molho de pimenta, se desejar. Delicioso!
  

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Para saber mais:

Restaurante Pilão: Av. Frei Cirilo, n. 3649, Messejana, Fortaleza, Ce.

La Pasta Gialla: Av. Dom Luiz, 1200 - shopping Pátio Dom Luiz, Fortaleza, Ce.
https://www.facebook.com/pages/La-Pasta-Gialla/195390523834883

Raimundo dos Queijos: http://coisadecearense.blogspot.com.br/2014/03/raimundo-do-queijo.html

Neiva Terceiro Pães Artesanais: https://www.facebook.com/paesartesanaisneivaterceiro

San Paolo Gelato Gourmet: https://www.facebook.com/SanPaoloGelateria?fref=ts

    

segunda-feira, 21 de abril de 2014

TARDE BOA





Os cookies depois de assados e a massa sendo preparada



Estive fora semana passada, matando a saudade dos pequenos (!!) grandes meninos aqui de casa. Produzi vários almoços para eles, quase todos os lanches e é claro, os bolinhos da tarde e os biscoitos para o café. Fiz turismo no supermercado e nas lojas de artigos para casa, além de conhecer a futura cidade em que o mais novo vai morar, após ter sido aprovado no curso de Medicina no último Enem. O mais velho, que já está finalmente instalado na capital, brinca dizendo que agora tem uma casa de verdade, após abrir a gaveta do armário da cozinha e se deparar com vários panos de prato para enxugar a louça.

É claro que pensando na minha comodidade, acrescentei à lista de compras itens como fouet, forma de bolo e assadeira para biscoitos. Ainda faltam o sofá e uma mesa na sala, mas eles e os amigos nem se apertam: comeram sentados no chão ou mesmo no colchão na sala, improvisado como sofá e assim, entre o jogo de vídeo game e as conversas, devoraram o almoço deste dia, puxado à polenta cremosa e filé ao molho de mostarda. Para arrematar, uns cookies gostosos que eram os preferidos de um dos amigos dos meus filhos quando éramos vizinhos, o Alfredo. 

Enchi uma bacia deles e no intervalo das partidas, ele e outro amigo de infância, o Leandro, se jogaram nos biscoitos, com direito a levar uma marmitinha para as respectivas namoradas, que eu desconfio, chegou incompleta ao seu destino. Terminei a noite fazendo bolo de chocolate para levar de presente para minha nora, sua mãe e a família, não sem deixar o de casa pronto para os filhos e as visitas. Minha amiga Rosa, amiga-irmã de tantas primaveras, aprovou, já que agora, basta pegar o elevador para estar aqui em casa, já que meus filhos moram no mesmo prédio que ela.

O filho mais novo,  ainda batalho para resistir à vontade de colocar no colo e chamar de bebê. Talvez por isso ele me mantenha a uma distância educada de vez em quando, mas adora a xícara de café com leite quente entregue ainda na cama, antes de abrir os olhos. O mais velho, companheiro de todas as horas, comprou para mim um lençol rosa com flores bonitas e quando cheguei, era este mimo que adornava a cama: "Mãe, achei que você ia gostar desse aqui e comprei para lhe receber". 

Tudo bem que algumas pessoas preferem não ter filhos, coisa que eu respeito muito, mas eu jamais seria quem sou se não fosse pela convivência com meus pequenos grandes. Todo o amor que houver nesta vida ainda será pouco para dizer a eles como sou feliz por tê-los como filhos. Então, se você tiver alguns queridos para agradar, ou gostar de uns biscoitos acompanhados de um chá ou café, faça estes cookies. Você vai adorar! 


Cookies do Alfredo (receita adaptada de Cláudia Cozinha)

Ingredientes


2 1/4 xícaras de chá de farinha de trigo peneirada
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio (usei fermento)
14 colheres de sopa de manteiga sem sal em temperatura ambiente
3/4 xícara de chá de açúcar cristal
1/4 xícara de açúcar demerara (usei o cristal, mas você pode, ao invés do demerara, usar o mascavo, se quiser)
1 colher de chá de sal
2 colheres de chá de essência de baunilha (opcional)
2 ovos em temperatura ambiente
2 xícaras de chocolate meio amargo em gotas (caso não tenha, use uma barra de chocolate meio amargo de 170 g cortada em pedacinhos pequenos)
Castanhas e nozes picadas (opcional, neste caso substitua uma parte das gotas e/ou pedacinhos de chocolate por elas, na mesma proporção)
Metades de castanhas de caju ou outra de sua preferência (opcional)

Modo de fazer

Misture a farinha peneirada e o bicarbonato numa tigela. Bata o açúcar com a manteiga na batedeira até virar um creme (ou misture os açúcares com a manteiga e bata bem). Junte o sal, a baunilha (se usar) e os ovos inteiros. Bata bem. Junte a farinha de trigo com o bicarbonato, misture bem para que fique homogêneo. Acrescente as gotas de chocolate ou os pedacinhos cortados e misture. Você também pode substituir uma parte do chocolate por castanhas picadas ou nozes, fica muito bom. Passe filme plástico na tigela e deixe-a na geladeira. Caso vá fazer os cookies em seguida, aguarde uns quinze minutos e acenda o forno em 180 graus. Retire a tigela da geladeira e vá colocando porções do tamanho de uma peteca grande (bola de gude grande) em uma assadeira, com distância de 2 cm entre cada montinho, pois eles se espalham ao assar. Se desejar, coloque na parte de cima uma metade de castanha de caju e aperte um pouco. Quando preencher a primeira fornada, retorne a massa na tigela para a geladeira. Não precisa untar a forma, pois a quantidade de manteiga da massa evita que grudem. Leve-os ao forno por 10 a 15 minutos e cuide para que não queimem. Eles não vão ficar escuros na parte de cima. retire-os do forno, aguarde uns minutos e só aí desenforme-os, para que não quebrem. Se sobrar massa, vá sucessivamente preenchendo a assadeira e assando. Você também pode deixar para assar no outro dia, ficam perfeitos. Após esfriarem, coloque-os em um pote bonito e sirva-os com café, chá ou chocolate. Para os meus meninos e amigos, foi no intervalo da cerveja mesmo, não sobrou nada! Bom apetite!