terça-feira, 5 de novembro de 2013

MADELEINES E SAUDADE





Estava nesse último domingo chuvoso, com cara de cobertor quentinho e uma boa xícara de café quente, com saudades do filhote mais velho que está longe, longe, embora esteja bem perto do coração e ao alcance das maravilhas tecnológicas que me fazem falar com ele o dia todo, o que ameniza um pouco a sua ausência.

Daqui a uns dias, o mais novo também zarpa, embora a princípio por um período menor, mas necessário para seu descanso físico e mental. E para o meu também, porque não? nada de ficar pegando no pé dele para comer, nada de ficar chateando o coitado com o horário de dormir...às vezes esqueço que na idade dele eu já era uma pré-revolucionária, fazendo pichações pelos muros brancos que aparecessem pela frente.

Mas como diz Belchior e sem nenhum demérito para meus queridos pais, tão amados, 

"...Minha dor é perceber 
Que apesar de termos 
Feito tudo o que fizemos 
Ainda somos os mesmos 
E vivemos 
Ainda somos os mesmos 
E vivemos 
Como os nossos pais...

(Como Nossos Pais, de Belchior)

Talvez como eles, me pego olhando as horas nas poucas vezes em que meu pequeno sai de casa, ocupado que está com o Enem e o seu entorno: cursinho, provas e simulados. Mas, diferentemente deles, não tenho que ligar de um orelhão de vez em quando para dizer que estou bem e os piquetes não me tiraram nenhum pedaço. Vivemos hoje numa democracia, conquistada a ferro e fogo.

Isso não quer dizer que nadamos em mar de azeite. Como disse frei Betto em sua última palestra aqui em Rio Branco, Acre, o recado dos milhares de jovens que foram às ruas recentemente é claro: eles melhoraram de vida, mas não se sentem incluídos politicamente. E se sentir incluído políticamente vai muito além dos kkkkkkkk's do facebook. Quero crer que conseguiremos.

Mas voltando aos meus filhotes e do tamanho do orgulho que sinto deles, passo boa tarde do meu tempo na ansiedade de alimentá-los: claro, também tem frutas e legumes, e saladas e carnes grelhadas. Mas não resisto em oferecer um bolinho ou biscoitinho quentes, saindo do forno, ou um pedaço de torta ou empadão. Quando eram pequenos, tomavam água de coco direto, comiam pratos gigantescos de salada e montes de frutas. Refrigerante, só no final de semana e olhe lá.

Cheguei ao ponto de proibir qualquer doce para o mais velho até uns quatro anos de idade. Levava mel para a escola e nem biscoito recheado era permitido. Uma vez quase tenho um troço quando diante da proibição geral e em visita à casa de meus pais, vi meu velho dando para ele um Sonho de Valsa. Escondido, é claro.

Com o mais novo, relaxei um pouco e ele terminou tendo mais acesso a doces. Não sei se adiantou muito: o mais velho é uma formiguinha e o mais novo não dá muita bola para bolos e docinhos. Mas, tirando a preguiça de descascar laranja, eles continuam adorando frutas e legumes, saladas e água de coco. Menos mal. 

Um dia desses, o mais velho me mandou uma mensagem, indignado. Comprou uma geléia e não gostou nada do sabor. A marca é boa, mas chegamos à conclusão que por trás da geléia que ele comia aqui em casa, feita com frutas fresquinha, há muito amor. E isso não tem marca industrializada que dê jeito.  Portanto, para agradar meus pequenos e o maridinho, os amigos e os familiares, nada como lembrar das madeleines, bolinho francês imortalizado na obra de Proust.

Ao provar uma xícara de chá com um singelo bolinho em forma de concha (a madeleine) o escritor evoca na memória a infância passada em Combray. Uma torrente de sentimentos vem à tona e serve como inspiração para uma das maiores obras da literatura mundial, o romance Em Busca do Tempo Perdido. No primeiro volume, No Caminho de Swann, está a passagem abaixo, transcrita do blog Malagueta - Palavras Boas de Se Comer. Peço licença ao blog, uma vez que meu livro está dentro de sabe lá qual caixa desde nossa mudança.
(veja a matéria em

Trecho:

(…) É assim com o nosso passado. Trabalho perdido procurar evocá-lo, todos os esforços da nossa inteligência permanecem inúteis. Está ele oculto, fora de seu domínio e do seu alcance, nalgum objeto material (na sensação que nos daria esse objeto material) que nós nem suspeitamos. Esse objeto, só de acaso depende que o encontremos antes de morrer, ou que não encontremos nunca.
Muitos anos fazia que, de Combray, tudo quanto não fosse o teatro e o drama do meu deitar não mais existia para mim, quando, por um dia inverno, ao voltar para casa, vendo minha mãe que eu tinha frio, ofereceu-me chá, coisa que era contra os meus hábitos. A princípio recusei, mas, não sei por quê, terminei aceitando. Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madalenas e que parecem moldados com aquele triste dia e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como o primeiro, levei aos lábios uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena.
Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferentes as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou antes, essa essência não estava em mim; era eu mesmo. Cessava de me sentir medíocre, contingente, mortal.
De onde me teria vindo aquela poderosa alegria? Senti que estava ligado ao gosto do chá e do bolo, mas que o ultrapassava infinitamente e não devia ser da mesma natureza. De onde vinha? Que significava? Onde aprendê-la? Bebo um segundo gole em que não encontro nada demais que no primeiro, um terceiro que me traz um pouco menos que o segundo. É tempo de parar, parece que está diminuindo a virtude da bebida. É claro que a verdade que procuro não está nela, mas em mim.
A bebida a despertou, mas não a conhece, e só o que pode fazer é repetir indefinidamente, cada vez com menos força, esse mesmo testemunho que não sei interpretar e que quero tornar a solicitar-lhe daqui a um instante e encontrar intacto à minha disposição, para um esclarecimento decisivo. Deponho a taça e volto-me para o meu espírito. É a ele que compete achar a verdade. Mas como? Grave incerteza todas as vezes em que o espírito se sente ultrapassado por si mesmo, quando ele, o explorador, é ao mesmo tempo o país obscuro a explorar e onde todo o seu equipamento de nada lhe servirá. Explorar? Não apenas explorar: criar. Está em face de qualquer coisa que ainda não existe e a que só ele pode dar realidade e fazer entrar na sua luz. (…)
No Caminho de Swann, extraído do cap. I, ed. Abril, tradução de Mario Quintana, citado pelo blog Malagueta - Palavras Boas de Se Comer

As madeleines aqui apresentadas são uma receita executada pela chef Rachel Khoo, no programa A Pequena Cozinha em Paris, do canal GNT, da Sky,  receita esta dada por uma amiga dela, Frankie Unsworth. Fiz a receita original, mas a quantidade de manteiga deixou o bolinho muito empapado. Reduzi a manteiga para a metade e ficou perfeito, nem seco nem amanteigado demais. Não fiz o creme de limão (lemon curd) que o acompanha por preguiça. Mas coloquei sementes de chia, pedaços de gengibre cristalizado e pedaços de chocolate meio amargo com 85% de cacau, ficou muito bom. Especial para tomar com uma bela xícara de chá e quem sabe, servir de inspiração para escrever um belo romance.


As forminhas para madeleine tem o formato de pequenas conchas
Madeleines (adaptadas) 

Ingredientes 

Para a massa

100 g de manteiga de boa qualidade, derretida e esfriada
130 g de açúcar 
200 g de farinha de trigo sem fermento
raspas da casca de um limão (usei o siciliano. Se usar o Tahity, reduza a quantidade)
03 ovos
10 g de fermento em pó (ou 02 colheres de chá)
60 ml de leite
20 ml de mel
Açúcar de confeiteiro para polvilhar (atenção, não é o impalpável. Usei Glaçúcar, da União)
Pedaços de gengibre cristalizado, chocolate meio amargo e sementes de chia, opcionais

Modo de Fazer

Para a madeleine

De preferência, você deve começar esta receita na véspera. Bata os ovos e o açúcar até esbranquiçar. Em outra tigela, coloque a farinha, o fermento e as raspas de limão. Reserve. Na tigela em que bateu o ovo, acrescente o leite, o mel e a manteiga derretida e esfriada. Misture devagar e acrescente a farinha com o fermento e as raspas. Misture até ficar bem homogêneo. Cubra com filme plástico e deixe na geladeira de um dia para o outro. No outro dia, acenda o forno em 180 graus. Caso não tenha as forminhas próprias para madeleine, use forminhas de empada ou cupcake. Passe manteiga e enfarinhe bem todas elas e vá colocando porções de massa sem encher demais. Caso use, coloque por cima pedacinhos de gengibre cristalizado, sementes de chia ou pedacinhos de chocolate meio amargo. Leve ao forno já quente até dourar. Retire as madeleines das forminhas após alguns minutos e aguarde esfriar um pouco. Polvilhe com açúcar de confeiteiro. Se usar o creme, não é necessário colocar o gengibre ou os outros, fica a seu critério. É uma delícia para comer com uma xícara de chá ou café. Experimente! 

Obs: deixo de fornecer a receita do lemon curd utilizado por Rachel Khoo pois não a fiz para testar e observei uma inconsistência na receita fornecida no site do GNT. Mas é fácil pesquisar na internet uma receita alternativa, à base de limão siciliano, gemas, manteiga, açúcar e suco de limão, que deve ser aplicado no bolinho com saco e bico de confeitar.




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Para ouvir Como Nossos Pais na bela voz de Elis Regina, acesse: 

sábado, 2 de novembro de 2013

QUANDO O CÉU ENCONTRA A BOCA

Marcos Afonso, frei Betto, eu e Padre Luis Ceppi, com a Rainha da Floresta



Frei Betto

Padre Luis Ceppi, frei Betto e Elenira Mendes, filha de Chico, em Xapuri, Acre

Padre Luis Ceppi, frei Betto, Elenira Mendes e Marcos Afonso, em Xapuri, Acre

Frei Betto e a Rainha da Floresta no Seringal Cachoeira

Frei Betto e padre Luis Ceppi com a Rainha da Floresta

Frei Betto e Marcos Afonso, com a Rainha da Floresta

cipó com vários nós, Seringal Cachoeira

Seringueira recém-cortada para extração do látex, Seringal Cachoeira

Árvore na mata, Seringal Cachoeira

Não é todo dia que temos a sorte de encontrar pelo caminho pessoas especiais. Pessoas cujo histórico de vida já nos fariam ter respeito e orgulho por pertencer à raça humana. Pessoas que há muito deixaram de lado as vaidades cotidianas e se debruçam em um exercício diário de amor ao próximo e de solidariedade. E que com a sua presença e seu trabalho, nos deixam mais confiantes e protegidos. Frei Betto é assim.

E me senti extremamente privilegiada por ter convivido um pouco com suas ideias,  em recente visita ao nosso Estado, onde tivemos acesso à palestras, aos livros e, principalmente, ao pensamento lúcido e contemporâneo desse frei dominicano que há décadas participa no Brasil e no mundo da luta pelos direitos humanos, pelas liberdades democráticas e por um mundo mais justo. Frei Betto veio ao Acre como parte da programação que resgata a luta de um dos maiores líderes do Brasil e hoje, do mundo, o seringueiro Chico Mendes.

Há 25 anos atrás, Chico foi covardemente assassinado. Seus ideais, entretanto, não sucumbiram à sua morte e sua luta serve de exemplo para as gerações de hoje.  No Seringal onde Chico viveu, o Cachoeira, existe hoje uma comunidade sustentável que vive do manejo correto da castanha, da extração do látex e da madeira. Grande parte de seus familiares ainda trabalha e reside lá. Não estão ricos, mas há escola, alimentação, uma pousada ecológica tocada em parceria com a comunidade e o mais importante: os jovens não querem sair do Seringal.

Isso mostra que apesar dessa realidade não ser a mesma para todos os seringais do Acre, é possível conviver com a floresta sem devastá-la, tirando dela o sustento familiar. E principalmente, de cabeça erguida. Frei Betto conheceu Chico Mendes e teve contato com sua luta. Tornou-se um amigo do Acre e esteve entre as personalidades presentes aos funerais de Chico, junto com Lula e Benedita da Silva. 

Poderia passar um bom tempo discorrendo aqui sobre a sua extensa biografia e seus mais de cinquenta livros publicados e os muitos prêmios dos quais foi merecedor.Entre eles, dois prêmios Jabuti, o maior reconhecimento literário a um escritor no Brasil. Frei Betto tem livros publicados aqui e no exterior e fala de sua convivência com ícones como Fidel e Lula de forma muito natural, como se eles estivessem aqui do nosso lado. 

Mas prefiro falar daquilo que não está escrito. Da primeira impressão.  Ao vê-lo, ainda no hotel, lembrei imediatamente que estava diante também de um autor de livros de culinária. Além disso, sua mãe, a  escritora e culinarista Maria Stella Libanio Christo,  foi uma das maiores conhecedoras da comida mineira e é autora de oito livros sobre o tema, entre eles Fogão de Lenha - 300 Anos de Comida Mineira, uma referência na gastronomia das Gerais. Dois de seus livros foram escritos em parceria com o filho,  Fogãozinho - Culinária Infantil em Histórias e Saborosa Viagem pelo Brasil. Maria Stella faleceu em 2011. 

Não o achei muito mineiro no primeiro contato. Acho que exercitei bem o sentido da palavra preconceito e me preparei para alguém de fala mansa, calado e quem sabe, até meio sisudo. Frei Betto  é ágil, de ideias claras e mesmo com uma extensa agenda, não reclamou de nada. Aos 69 anos, com cara de muito menos, deu instruções sobre o que queria e como queria. Perguntado após a maravilhosa palestra para 300 pessoas, no anfiteatro da Ufac, o que o fazia assim tão jovem, respondeu bem-humorado: "meditação!", lição que ele também dá, no seu último livro, Fome de Deus, quando fala "Meditar não é difícil como se imagina....É preciso perder a mania de querer tudo controlar através da mente.É preciso despojar-se dela. Calá-la. Penetrar nos seus bastidores. Virá-la pelo avesso. Fechar os olhos da mente, tão gulosa e soberana. Quanto mais conseguir cegá-la, mais se verá a luz. A mente é capaz de apreender a física da luz. Mas não a própria luz - esta, só a meditação capta."

Ao saber que amo cozinhar e tenho este blog, após o almoço e antes de sua palestra, presenteou-nos (a mim e meu marido) com um de seus livros, que segundo ele, "...nunca deixa de vender...", o Comer como um Frade - Divinas Receitas Para Quem Sabe Por Que Temos Um Céu Na Boca, onde a autêntica comida de alma e de raiz é apresentada junto com pitadas de bom cristianismo. Mal sabia ele que numa autêntica corrida de Fórmula 1, eu havia preparado uma fornada de biscoitos de castanha (veja a receita aqui: http://mesanafloresta.blogspot.com.br/2011/11/biscoitinhos-para-um-filho-distante.html) que, para minha alegria eterna, ele adorou e elogiou.

No Seringal Cachoeira e acompanhado entre outros de Elenira Mendes, Frei Betto foi ao encontro da comunidade e dos familiares de Chico, relembrando a matriarca da família, d. Cecília Mendes, recentemente falecida. Também demonstrou o maior respeito ao adentrar a mata para conhecer uma samaúma de 500 anos, que é chamada de Rainha da Floresta, pelo seu porte e história: 35 metros de altura e 25 metros de diâmetro. Mesmo com a maratona de atividades, pequenas visitas, palestras e a viagem ao Seringal debaixo de chuva, em nenhum momento o vi perder a tranquilidade. Poderia mesmo dizer: um príncipe, apesar do cansaço!

Emocionei-me ao ver Marlene, prima de Chico Mendes, colocar a poronga acesa sobre sua cabeça, num momento de fraternidade e respeito. Também me emocionei quando a pedido dele, todos demos as mãos e independentemente da opção religiosa, foi rezado o "Mãe e Pai Nossos" e ao ouvir os seringueiros presentes entoando uma música em homenagem ao Betto, como perguntei se podia chamá-lo. Homem de Deus, sim, mas com o coração cheio de paz e um amor real pelos semelhantes, essa foi a minha principal impressão. 

Conhecer alguém especial é sentir saudade com tão pouca convivência. Ainda estou processando (para usar uma expressão muito usada pelo meu marido, um dos integrantes da comissão que está organizando todas as atividades relativas aos 25 anos Chico Mendes Vive Mais) esta visita, mas tenho certeza que foi uma das coisas mais prazerosas que me aconteceu este ano.

E nesta tarde chuvosa resolvi experimentar uma das receitas do Betto e a fome e a praticidade me levaram ao Empadão São Clemente. Feito para quatro pessoas, aqui em casa parece que apenas duas vão dar cabo dele, caso o meu jovem filho não acorde a tempo de comê-lo. (Não, não, prometo guardar pelo menos um pedaço). Precisei improvisar no recheio, pois não tinha todos os ingredientes. Pelo mesmo motivo, troquei a colher de sopa de queijo ralado da massa por três pitadas de sal. Sei que o Betto vai me perdoar a licença poética, pois da próxima vez os ingredientes estarão todos a postos. Mesmo assim, ficou delicioso! Foi comido fumegante, assim que saiu do forno! Experimente, é rápido e fácil!










Empadão São Clemente (adaptado, receita constante do livro Comer como Um Frade - Divinas Receitas Para Quem Sabe Por Que Temos Um Céu Na Boca - ed. José Olympio)


Ingredientes

Para o empadão:

01 xícara de chá de leite
01 xícara de chá de farinha de trigo
1/4 xícara de chá de óleo 
03 ovos
01 colher de sopa de fermento químico
01 colher de sopa de queijo ralado (como não tinha em casa, usei três pitadas de sal)
01 gema de ovo para pincelar

Para o recheio:

100 g de presunto picado
100 g de queijo mozarella cortadinha
03 tomates sem semente picados
02 cebolas picadas
(como não tinha tomates maduros, substituí por um pedaço grande de alho poró cortado em rodelinhas e dois tomatinhos verdes, além de 01 cebola picada, refogados todos juntos em 02 colheres de azeite, só para murchar)

Modo de Fazer

Empadão:

Ligue o forno antes de começar, em 220 graus. Passe manteiga e farinha de trigo em uma assadeira de vidro quadrada, não muito funda (ou outra de sua preferência). Como alterei um pouco o recheio, leve ao fogo uma frigideira com as duas colheres de azeite e acrescente o alho poró, o tomate verde e a cebola, deixando murchar um pouco. Reserve. No copo do liquidificador, coloque o leite, a farinha, o óleo, os ovos, o sal ou o queijo ralado e o fermento e bata bem. Despeje metade na assadeira, espalhando bem. Por cima, distribua o recheio de alho poró ou os tomates e cebolas como no original, o queijo e o presunto picados. Por cima, coloque o restante da massa e alise para que cubra todo o recheio. leve ao forno até dourar. Retire do forno um pouco antes de estar pronto, passe a gema diluída em um pouquinho de azeite, se desejar e volte ao forno por mais cinco minutos. Sirva quente ou aguarde esfriar, se conseguir. Nem precisa de acompanhamento e a massa, sem trocadilho, é de comer rezando!
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Para saber mais:

domingo, 27 de outubro de 2013

BOLINHO DE AMEIXA PARA MINHA ANSIEDADE



O bolinho com um mel de ótima qualidade, perfeito...


Estou aqui no quarto do meu filho mais novo tentando escapar da música alta do vizinho, que todos os domingos e sem o menor respeito nos enche de pagode e sertanejo. Nada contra nenhum gênero musical. Há quem goste, há quem prefira preencher os ouvidos com outros sons. Mas cada vez que me lembro do show memorável entre dois acreanos dos bons, ocorrido semana passada no Teatrão e que nos brindou com pura emoção e contentamento, tenho vontade de chorar.

Não pelos pagodes, pois também gosto de ouvi-los de vez em quando, numa roda de amigos. Mas quando essa música é elevada às alturas do lado da sua casa e lhe tira a capacidade de pensar e lhe causa uma irritação fora do comum, a vontade que dá é esquecer os bons modos e partir para o ataque. Já conversamos, já explicamos, já acionamos o condomínio e agora só falta mesmo uma queixa formal às autoridades competentes.

Mas voltando ao show da semana passada, totalmente gratuito para o público, com promoção do Governo do Estado, jamais esquecerei a emoção de ouvir Chico Chagas arrasando na linda canção de Tião Natureza, Chico Rei. Também teve um belo arranjo para um dos nossos hinos locais, o Forró do Amapá, de Jorge Cardoso. Músicas acompanhadas pelo público e com gosto de homenagem, pois ambos já nos deixaram há algum tempo e foi a forma que o Chico encontrou para trazê-los pra pertinho de nós de novo, participando daquele momento especial. Emoção pura em toda a sua apresentação.

João Donato, perto de completar 80 anos, já entrou arrebentando corações: começou com o Hino Acreano e arrasou nas músicas seguintes, cantando e tocando o melhor da música brasileira, em composições suas e com parceiros como Gilberto Gil e Zeca Pagodinho, com uma tranquilidade feliz, de quem sabe que está em casa. O público, ou seja, nós, entre emocionados e felizes, ainda foi brindado com canções executadas pelos dois, sempre com a bela tropa de músicos que os acompanharam, a produção caprichada, enfim, um encontro para não esquecer. (Perdoem-me as fotos que não estão à altura do show. Vide informações técnicas e outras nos links ao final do texto).








E aí, como estou no aguardo do meu filho mais novo que hoje está fazendo a prova do Enem, para segurar a ansiedade, nada como um bolinho cheio de bons ingredientes, como ameixa e aveia. Essa receita foi adaptada do livro Celeiro, de dona Rosa Lacombe e sua filha Lúcia, proprietárias de restaurante homônimo, no Leblon, bairro carioca,  de comida caprichadíssima pela qualidade dos ingredientes e pelo acompanhamento diário das proprietárias. Experimente, é fácil e rápido e com uma boa colher de geléia ou um mel de primeira, vale cada garfada!

Bolinho de ameixa do Celeiro (adaptado)

Ingredientes

130g de ameixa seca grande (ou aproximadamente 20 unidades. Usei 43 ameixas secas pequenas, o que deve dar um pouco mais de 130 g)
1 1/2 xícara de farinha de trigo branca peneirada
02 colheres de chá de fermento para bolo
3/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio
02 xícaras de chá de farelo de aveia (usei aveia em flocos finos)
3/4 xícara de açúcar mascavo (usei 1/4 xícara de açúcar demerara e o restante de açúcar mascavo)
1/2 colher de chá de sal marinho (que é mais grosso do que o refinado. Se usar o refinado, reduza)
01 xícara de leite talhado (coloque 02 colheres de sopa de vinagre em uma xícara e complete com leite normal. Aguarde talhar por uns minutos e use)
06 colheres de sopa de óleo vegetal (usei 03, sendo 01 de óleo de linhaça e 02 de óleo de milho)
1/2 colher de sopa de extrato de baunilha (usei 1/2 colher de sopa de um extrato caseiro, à base de favas de baunilha e vodka)
03 ovos em temperatura ambiente
01 pote de iogurte do tipo grego de 200ml (não existe na receita original)
sementes de chia para polvilhar, opcional (não existe na receita original)
geléia de damasco ou outra de sua preferência, para acompanhar, ou mel (opcionais, não existem na receita original)

Modo de Fazer 

Acenda o forno a 180 graus. Unte e enfarinhe (na receita original usa-se farinha de rosca) uma assadeira para cupcakes ou outra de sua preferência. No liquidificador, bata as ameixas com a farinha aos poucos e vá despejando em uma vasilha. Devem ficar pedaços pequeninos de ameixa. Junte a essa vasilha o fermento, o bicarbonato, o sal e o açúcar mascavo (e os outros açúcares, caso utilize). Misture os líquidos e os ovos em outra vasilha, à exceção do iogurte. Acrescente o farelo de aveia ou a aveia em flocos finos (o que usar) à tigela com os líquidos, misture e aguarde por 15 minutos para que a aveia inche um pouco e os líquidos possam ser absorvidos. Junte os ingredientes secos aos líquidos, mexendo o mínimo possível, apenas para uni-los, senão a massa ao assar, pode endurecer. (Como usei aveia, precisei utilizar o pote de iogurte inteiro, colocado ao final, para umedecer o resto da massa e dar unidade a ela. Talvez com o farelo, não seja necessário, mas também reduzi à metade a quantidade de óleo). Coloque a massa nas forminhas preparadas (enchi bastante as cavidades) e leve ao forno até que enfiando um palito ou faca, eles saiam secos. Não deixe assar demais. Depois de assados, desenforme-os e na hora de servir, pode recheá-los com geléia ou mesmo regá-los com um mel de boa qualidade. São deliciosos puros mas não são extremamente doces, então o mel ou a geléia fazem um excelente acompanhamento. Meu marido adorou e devorou dois de uma vez, experimente você também!
  
Bolinho de ameixa e aveia, com açúcar mascavo, chia e geléia de damasco...

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Restaurante Celeiro: Rua Dias ferreira, 199, Leblon,Rj  
                                        celeiroculinaria.com.br


Para ter informações sobre o show de João Donato e Chico Chagas e acesso à ficha técnica:

Acesse http://www.agencia.ac.gov.br/index.php/noticias/cultura/27104-joao-donato-inicia-comemoracoes-de-seus-80-anos-com-show-no-teatrao.html


Para saber mais:

Entrevista com Jorge Cardoso: veja em http://www.contilnetnoticias.com.br/Conteudo.aspx?ConteudoID=12931

Forró do Amapá com Jorge Cardoso e Caldo de Piaba: http://www.youtube.com/watch?v=QtfIPIsgNXc

Entrevista com Chico Chagas: Veja em  http://www.youtube.com/watch?v=JGqEiR1aPd4


domingo, 20 de outubro de 2013

DESEJO REALIZADO






Quem me conhece sabe que sou quase compulsiva quando se trata de falar de comida, receitinhas e afins. Adoro ficar na cozinha inventando, testando receitas e um dos meus passatempos preferidos é ler minhas antigas revistas de culinária e livros garimpados nos sebos, pequenas livrarias, internet ou onde mais eles estejam. Sempre fui, desde criança, uma leitora voraz. E me dá um prazer danado esticar as pernas com uma porção de revistas e livros do lado.  

Não tenho muito tempo para ficar na cozinha, então nos finais de semana aproveito para produzir alguma coisa e fazer pequenos testes de receitas. Desde 2002 namorava a foto de um bolo publicada na revista Cláudia Cozinha, cuja matéria era sobre a relação entre cinema e gastronomia. Lá, há várias receitas relacionadas a ótimos filmes em que a comida aparece de forma coadjuvante ou mesmo como atração principal. Entre eles, a receita do bolo Chabela, que aparece no filme Como Água para Chocolate, onde a cozinheira Tita se comunica de forma passional com Pedro, seu amor e com os demais membros da família através da comida. Este bolo expressa essa relação de paixão.

Cada vez que eu via a foto, em uma dessas tardes preguiçosas, faltava um dos ingredientes, ou aparecia um compromisso ou eu simplesmente deixava mais para a frente. Hoje foi o dia que deu certo, mesmo estando eu de dieta e sem poder comer muito doce. O bolo é um pão de ló muito simples, recheado com geléia de damasco e coberto com um glacê de açúcar que apesar de parecer demasiado, dá o contraponto ao azedinho do recheio de forma bem equilibrada.

De uma próxima vez, acrescentaria um pouquinho de manteiga derretida ao pão de ló, pois a receita não manda aplicar uma calda e a massa fica um pouquinho seca, mas muito saborosa. À medida que as horas passam, o recheio vai naturalmente se incorporando a ela e a deixando mais úmida. Ficou uma delícia e para uma sobremesa especial, ou mesmo para tomar com um bom espresso...vale a pena! Se desejar, pode usar uma geléia de cupuaçu, que se harmonizará muito bem com a cobertura. É fácil e chique, experimente!

Bolo Chabela

Ingredientes

Para o bolo

01 xícara de farinha de trigo peneirada
3/4 xícara de geléia de damasco (usei 01 xícara de damascos, 01 de açúcar e 01 de água, fervi bem, passei no liquidificador e voltei ao fogo para apurar um pouco, com umas gotas de limão. Sobra um pouco)
1/2 xícara de açúcar
01 colher de sopa de casca de limão ralada (só a parte verde)
06 gemas
02 ovos

Para a cobertura

02 xícaras de açúcar de confeiteiro (atenção, não é o impalpável. Usei Glaçúcar, da União)
01 colher de sobremesa de suco de limão
02 claras

Modo de fazer

Para o bolo

Separe os ingredientes. Passe manteiga e polvilhe farinha de trigo numa forma redonda de 25 cm e reserve. Ligue o forno na temperatura média. Numa vasilha, misture os dois ovos, duas gemas e o açúcar. Bata até começar a ficar clara a mistura. Acrescente as demais gemas e bata mais até crescer bastante e ficar mais encorpado, como para pão de ló. Junte a casca de limão e a farinha de trigo em movimentos leves, para que a massa não perca leveza, até ficar homogeneizado. Coloque a massa na forma e leve ao forno até assar. Retire do forno, deixe esfriar uns minutos e desenforme. Com uma faca serrilhada, divida o bolo pela metade. Coloque a geléia, espalhando bem com uma espátula, de maneira que fique bem farta. Coloque a outra metade por cima e despeje a cobertura. Sirva.

Para a cobertura

Numa tigela, coloque as claras e bata até espumar bem. Acrescente o açúcar de confeiteiro e vá misturando com um batedor. Coloque o suco de limão, misture e com uma espátula, aplique sobre o bolo.

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Para saber mais:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Como_%C3%81gua_para_Chocolate

TOMATINHOS EM CONSERVA









Não sei vocês, mas eu bem poderia ser neta de italianos, de tanto amor que eu tenho por tomates, de todo jeito e formato. Ultimamente, tenho comprado bastante daqueles tomates pequenos, mais adocicados e de menor acidez, deliciosos, apesar de não serem orgânicos nem nada. Como-os até puros e até mesmo tenho uns dois pezinhos plantados no quintal, que já me deram uma pequena colheita. Os pequeninos são ideais para uma boa conserva ou para fazer este azeite bem aromatizado, que acompanha muito bem um pão rústico, uma massa, ou até mesmo uma boa fatia de queijo.

Como eles são docinhos, não foi necessário corrigir a acidez. Esta receita foi adaptada da receita de Silvia Percussi, de família italiana e dona do Vinheria Percussi, em São Paulo, publicada na Revista Casa e Comida. É uma delícia. Precisa de um tempinho para maturar, depois é só alegria. Deixe o pote na geladeira e use quando precisar. Bom apetite!

Conserva de tomatinhos (adaptada)

Ingredientes

02 caixinhas de tomates tipo sweet grape ou similar
10 dentes de alho descascados
azeite
sal
alecrim e manjericão, a gosto

Modo de Fazer

Lave os tomatinhos e escorra. Arrume-os em uma assadeira com folhas de manjericão e um pouco de alecrim, a gosto. Polvilhe sal e coloque um pouco de azeite. Leve ao forno moderado, até que eles murchem e fiquem levemente assados. Reserve. Coloque os dentes de alho em água fervente por alguns minutos. Escorra a água e reserve. Em um pote já esterilizado, arrume os dentes de alho, os tomatinhos, folhas de manjericão e coloque azeite de boa qualidade, até cobri-los. Feche, deixe curtir algumas horas e está pronto para o uso. Guarde em geladeira.

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Vinheria Percussi: Rua Cônego Eugênio Leite, 523, Pinheiros, São Paulo - fone/fax: (0xx11) 3088 4920/3064 4094.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

FELIZ DIA DOS ADULTOS





Sei, sei, estou atrasada. Mas é que sábado me vi tão cheia de pequenas atribuições que consegui fazer várias comidinhas, mas postar que é bom...esse bolo saiu na capa da última revista Gula, uma publicação que acompanho há muito, mas muito tempo. É uma receita especial, produzida exclusivamente para a revista pela chef Roberta Sudbrack, e se assemelha a um petit gateau. A chef Roberta Sudbrack tem brilhado no cenário nacional, já foi chef de cozinha do Palácio Alvorada quando Fernando Cardoso estava lá e hoje, tem um restaurante no Rio de Janeiro, que pretendo conhecer um dia. Ela tem trabalhado alguns produtos nacionais muitas vezes desprezados ou não tão valorizados e feito diversas experiências, muito elogiadas por quem teve a oportunidade de ir ao seu restaurante. 

Uma dessas experiências desenvolvidas pela chef serviu de acompanhamento para o bolo, uma fruta-pão bem madura e fermentada. Como não tinha esse ingrediente, fiz apenas o bolo e a calda que o acompanha, mas estou em contenção de calorias e nem a coloquei no prato, comi um pedaço morninho e delicioso puro e só. É um bolo para quem ama chocolate como eu e não gosta de nada muito doce. 

Usei um chocolate meio-amargo normal e o resultado foi muito bom. No meu forno, precisei deixar uns vinte minutos e não dez, como na receita original. Mesmo assim, o centro ficou bem cremoso e após esfriar, ficou ligeiramente mais encorpado. O tempo vai depender de cada forno, pois a ideia é deixá-lo bem macio, portanto fique de olho. Quando formar a casquinha, com o centro ainda cru, é o ponto. Como ele continua cozinhando quando sai do forno, ficará na textura correta.

Na próxima vez que o fizer, acompanharei com uma calda de cupuaçu ou cupuaçu batido com creme e muito pouco açúcar, acho que combinaria bem se for servi-lo como sobremesa. Caso contrário, um bom café expresso seria para mim o par perfeito! Experimente, é fácil e delicioso!

Bolo de Chocolate da chef Roberta Sudbrack (adapatado)
(Veja a matéria completa na revista Gula do mês de outubro/2013)

Ingredientes

Para o bolo

05 ovos
150 g de manteiga sem sal
150 g de açúcar de confeiteiro (por favor, não é o açúcar impalpável, que contém amido, é o de confeiteiro mesmo. Usei Glaçúcar, da União) 
400 g de chocolate meio-amargo
1/3 xícara de farinha de trigo peneirada
1 fruta-pão extremamente madura (não a usei, ela entrará na composição do prato mas não na massa do bolo)
   
Para a calda

200 g de chocolate ao leite (usei meio-amargo)
100 g de creme de leite de leite fresco (usei 200 ml de creme de leite de caixinha, pois era o que tinha em casa. Fica bem mais espesso, como mousse, mas na verdade não a usei para acompanhar o bolo)
20 g de manteiga sem sal

Modo de Fazer

Para o bolo

Ligar o forno em 160 graus. Separar todos os ingredientes. Bater as claras em neve e reservar. Em banho-maria, derreta o chocolate em pedaços, o açúcar de confeiteiro e a manteiga, misturando bem. Reserve. Em outra vasilha, peneire as gemas e acrescente a elas um pouco da mistura de chocolate, mexendo bem. Misture o preparado de gemas ao chocolate e mexa bem (eu levei ao banho-maria uns dois minutos, para que as gemas não ficassem com cheiro de cruas). Acrescentar com cuidado a farinha de trigo peneirada. Após, colocar as claras em neve com bastante paciência, mexendo de baixo para cima (eu acrescento um pouco de claras primeiro, mexo bem para que a massa afine um pouco e aí despejo o restante, bem devagar e mexendo com muito cuidado). Despejar a massa em uma assadeira untada e enfarinhada e levar ao forno por 15 a 20 minutos. A receita original manda deixar dez minutos apenas, mas no meu forno precisou assar mais um pouquinho, para não ficar muito líquido.

Para a calda

Derreter em banho-maria todos os ingredientes e servir morna. Caso endureça, levar ao banho-maria novamente para aquecer.

Para a fruta-pão

Não a usei, mas se você a tiver em casa, a chef deixou-a amadurecer bastante, retirou a polpa, deixou em uma vasilha fechada por sete dias na geladeira para fermentar um pouco e serviu como acompanhamento do bolo.

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Para saber mais: http://www.robertasudbrack.com.br

domingo, 6 de outubro de 2013

PARA O CAFÉ DE DOMINGO

Com pedacinhos de chocolate meio amargo, os preferidos...

As sementinhas são de chia, colocadas em cima do biscoito, antes de assar

Deliciosos com café...

E você ainda pode ofertar um presentinho caprichado aos queridos



Ainda estou na saudade do meu filhote mais velho que retornou para Fortaleza e vai passar por lá tempos indefinidos, correndo atrás de seus sonhos. Mas como meu outro pequeno está aqui do lado, continuo o exercício de fazer alguns agrados. Para celebrar a vida, para celebrar o amor, para celebrar os amigos e a família, sempre vale a pena pegar uma tigela, pesquisar uma nova receita e misturar os ingredientes com muito carinho.

Farinha, ovo, açúcar, manteiga, aveia, café...os cookies são biscoitos hoje conhecidos como típicos americanos que chegaram para ficar. Podem ser acrescidos de pequenos pedaços de castanha e chocolate, sementes de chia ou linhaça, ou o que mais a sua imaginação mandar. São rápidos e só exigem pequenos cuidados para ficarem perfeitos. Ontem de tarde fiz uma bandeja, assei-os e saí de casa. Quando voltei, meu pequeno grande estava com um prato deles fazendo o teste...

Não há quem não goste de uns biscoitos assados na hora, portanto reservei um pouco da massa na geladeira para hoje de manhã. Eles ficam perfeitos para acompanhar um bom café. Quando os fizer novamente, reduzirei um pouquinho o açúcar. A manteiga deve ser colocada na risca e se a massa ficar muito cremosa, não hesite: acrescente um pouquinho mais de farinha de trigo e coloque uma bolinha para assar. Quanto mais cremosa a massa, mais o biscoito se esparrama, portanto ela deve ficar macia na medida certa. 

Não o tire quente da forma, ele precisa de uns minutos para se recuperar do calor. Passado esse tempo, estará firme e pronto para o café ou para o pote, que só deve ser tampado quando eles estiverem bem frios. Experimente, são rápidos e muito gostosos. Ainda dá para surpreender os seus queridos com uma bandeja caprichada neste domingo. Bom apetite!



Cookies de café (adaptados de O Melhor de Casa Cláudia - seleção de reportagens já publicadas, Ed. Abril)

Ingredientes

3/4 xícara de farinha de trigo (precisei colocar um pouco mais, para que ficasse um pouquinho mais firme, aproximadamente 1/4 xícara)
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/4 colher de chá de bicarbonato em pó
3/4 de xícara de manteiga em temperatura ambiente 
1/2 xícara de açúcar branco (usei apenas o açúcar mascavo claro)
1/2 xícara de açúcar mascavo
02 colheres de sopa de café solúvel
01 xícara de aveia em flocos (usei metade de flocos grandes e a outra metade de flocos médios)
01 ovo
1/2 colher de sopa de café solúvel para misturar na massa pronta
1/2 colher de sopa de sementes de chia para colocar em cima dos cookies antes de assar

Modo de fazer

Aqueça o forno a 140 graus e unte e enfarinhe uma assadeira grande. Em uma tigela, misture a farinha, as aveias, o fermento e o bicarbonato. Em outra, bata a manteiga com o açúcar ou açúcares branco e mascavo, o ovo e o café solúvel. Aos poucos, acrescente essa mistura à tigela com a farinha, aveia e fermentos. Se necessário, deixe a massa na geladeira para endurecer um pouco e facilitar na hora de colocar na assadeira. Sugiro usar uma medida de 1/2 colher de sopa para fazer as bolinhas, que devem ser deixadas bem espaçadas umas das outras. Se necessário, mergulhe a colher de medida na farinha para que solte melhor a massa. Deixe no forno por dez a doze minutos, até que a massa se espalhe e doure um pouco as bordas. Espere esfriar para retirar. Bom apetite!