terça-feira, 17 de setembro de 2013

FORTALEZA...


Cozido delicioso na casa da tia Néca

Com meu primo Markito no mercado São Sebastião

Castanhas em diversos tamanhos no mercado Central

Frutas e legumes no São Sebastião

Pastelaria Leão do Sul no centro, desde 1926

Praça do Ferreira, centro

Pastel de queijo e caldo de cana no Leão do Sul

Sapotis e romãs no centro

Romãs

Acerola e peras nas bancas do centro

Goiabas, cajus e tangerinas
Castanhas no mercado Central


Manteiga, cachaças, doces no mercado Central


Catedral no centro, linda

Corredor no Dragão do Mar

antiga agência da Caixa, a Pessoa Anta, onde trabalhei muitos anos, agora um Centro Cultural

Amigos queridos degustando a entrada do jantar

O molho da massa

A placa do Passeio Público, restaurado

Passeio Público, centro

Praia do Futuro de manhã
Amigos no restaurante vegetariano da Marília, o Sabores Orgânicos, que tem também uma pequena mercearia

Joana, eu e sua mãe Artemisa, família querida

O brinde que teve até a dona Helena, matriarca da família Alencar e os queridos Valter, Clásia, Cleide, Rosa Eulália (minha anfitriã), Marcos e Roza 

Roza, eu e Milena no brinde de dois dedos


Passei a última semana numa curtinha e necessária mini-viagem de férias em Fortaleza, terra em que morei por quase vinte anos e que me deu, entre muitos e queridos amigos, dois lindos e amados filhos. Não tirei todas as fotos que quis porque essa modernidade de viver o momento presente e ao mesmo tempo registrá-lo para a posteridade é para os poucos e bons ou para quem, como meus filhos, já nasceu quase ligado no computador ou no facebook. Não é o meu caso.

Mesmo assim, quando não esqueci de registrar, deu para guardar na memória os muitos momentos gostosos dessa pequena viagem. Fortaleza, esquecendo o trânsito difícil, a violência e todos os problemas comuns a uma metrópole, continua com seu mar azul e convidativo e a brisa mais fresca que se pode querer. Para quem saiu dos quase quarenta, vinte e cinco graus é uma benção. Uma caminhada na areia da praia olhando para o horizonte, com os pés mergulhados em água gelada, não tem preço. 

Não fiz viagem de turista. Aproveitei para rever velhos amigos, uma parte da minha família, descansar e comer. Nem fui no camarão à beira-mar, que se compra cru e se frita ali mesmo, para comer se lambuzando. Também não deu tempo de voltar à praia e comer caranguejo cozido até me empanturrar. Fortaleza é uma cidade para muitos dias. Precisa ser aproveitada com calma, fora do meio turístico, para ir descobrindo seus encantos todos. 

Mas não deixei de ir ao centro e me deliciar com as barracas de frutas da terra, misturadas às maçãs e peras de sempre. Sapoti, caju, romã, cajá-umbu que eu comi sem lavar, fazendo careta mas mergulhando em sabores muito especiais. O  velho Leão do Sul de frente para a Praça do Ferreira, desde 1926 servindo o melhor pastel da cidade. Tinha eu acabado de almoçar, mas pedi perdão dos pecados e ataquei sem pena um pastel de queijo macio e um caldo de cana tirado na hora e apenas na hora em que meu pastel ficou pronto.

Perguntei ao vendedor quantos pastéis saíam dali todos os dias: "Em dias normais, uma média de 900, 900 e pouco." A lanchonete, muito simples, vive permanentemente lotada e todos os dias saem entregas de trinta ou quarenta deles para empresas ali por perto. Na parede, uma placa informa que a azeitona do pastel tem caroço. É a conhecida capacidade do cearense de fazer humor, se não para prevenir um dente quebrado, pelo menos para dar legitimidade à comida.

Também passei no Mercado Central e tomei uma água de coco olhando o movimento. Fui ao Passeio Público, agora restaurado, cheio de plantas e guardas gentis que não se incomodaram em tirar algumas fotos num fim de manhã ventilado e cheio de sol. 

Minhas fotos estão misturadas de propósito, sem compromisso. Foi mais ou menos a forma como decidi passar esses dias. Do delicioso cozido iniciado por meu primo Markito e finalizado pela minha tia Néca, ao suco de cajá e ao açaí tomados no mercado São Sebastião, onde fui matar as saudades, comprar nata fresca e manteiga da terra. Além do mais, garantir a paçoca feita no pilão para comer com fatias de banana. 

Ainda tive um almoço delicado com um feijão verde delicioso, entre outros pratos, preparados pela querida Artemiza, mãe da minha norinha Joana, essa moça bonita de longos cabelos negros aí de cima. Comida vegetariana no Sabores Orgânicos, sopa de mariscos no Babette, almoço no La Pasta Gialla, pizza fininha na Vila Mosquito, sorvete na 50 Sabores, café, bolo, pão, peixe e uns trezentos quilos depois, uma saudade imensa. 

Não sou saudosista. Vivo o presente, mas não deixo de olhar nunca para trás. Assim eu sei de onde vim e para onde vou. Assim agrego no meu coração mais pessoas importantes. Às vezes, uma ou outra tromba de frente, mas aprendi a dar a volta antes do choque. Quando não dá tempo, é sacudir a poeira e dar a volta por cima. Faz parte. 

Para que você não deixe de aproveitar um pouco dessa comilança, aí vai uma adaptação de um molho que era servido em um restaurante de comida italiana aqui no Acre, cujo nome não lembro mais. Comi, gostei e pela descrição do prato, vai aí a versão. Meus amigos adoraram e terminaram a noite levando potes do molho para casa. No final, peras cozidas em calda de água e açúcar servidas com ganache de chocolate e bolo. Na entrada, minestronne e abóbora assada com noz moscada, pimenta e sal, além de azeite. Claro, exagerei na dose, basta a massa para dar conta da fome, mas eles foram guerreiros e comeram de tudo!

Molho de tomate e gorgonzola

Ingredientes

03 dentes de alho amassados
02 colheres de sopa de cebola branca picada
03 colheres de sopa de azeite
350 g de queijo gorgonzola de boa qualidade
120 g de queijo parmesão ralado na hora
2,3 kg de tomate maduro, sem a pele (você também pode usar tomate pelado em conserva)
04 ramos grandes de manjericão fresco, ou a gosto
01 pitada de pimenta do reino moída na hora
02 colheres de sopa de manteiga
Azeite e  sal a gosto
Açúcar para corrigir a acidez, caso necessário
1 kg de espaguete (pode ser usada uma outra massa)

obs: caso faça para menos pessoas, reduza as quantidades proporcionalmente

Modo de fazer

Coloque uma panela grande com água para ferver. Mergulhe rapidamente os tomates, retire-os, mergulhe-os em água fria e puxe a pele com cuidado. Eu deixo as sementes, mas se quiser pode retirá-las. Em outra panela, coloque as colheres de azeite e o alho amassado. Deixe fritar um pouco sem queimar e acrescente a cebola, refogando um pouco. Acrescente os tomates, uma pitada de sal e de pimenta e deixe cozinhar na própria água que eles vão desprendendo. Coloque as folhas de dois ramos de manjericão, ajuste o sal e se estiver muito ácido, coloque duas a três colheres de sopa de açúcar. Mexa, prove para ver se não precisa ajustar e deixe cozinhar até o tomate ficar bem macio. Se ele não desmanchar, passe-os rapidamente no liquidificador sem o caldo e volte-os para a panela até que fique um molho grosso. Desligue o fogo, coloque o queijo gorgonzola em pedaços pequenos e mexa até derreter. Coloque as duas colheres de manteiga e mexa. Acrescente algumas folhas de manjericão e reserve o restante para a decoração. Cozinhe a massa em água com sal, sem óleo. Coloque porções nos pratos, despeje o molho e polvilhe queijo parmesão a gosto. Enfeite com o manjericão. Caso utilize o tomate pelado, ajuste a quantidade para o número de latas necessárias e proceda da mesma forma. Bom apetite! 

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Uma das minhas músicas mais queridas, aqui na interpretação de Teti e Ednardo, com Petrúcio maia ao piano. Lupiscínica, de Petrúcio Maia e Augusto Pontes, em disco de 1979. Linda, linda!

Ouça aqui: http://www.youtube.com/watch?v=FMBAaE7M71k

Outra de minhas queridas, na sempre bela voz de Ednardo, composição de Petrúcio Maia e Fausto Nilo. Dorothy Lamour, gravação de 1974. Imperdível!

Ouça aqui: http://www.youtube.com/watch?v=dhVF7Y8iW8I









quinta-feira, 29 de agosto de 2013

CARNE DE SOL E SOMBRA

A carne de sol, já pronta, com cebola e alho...

Paçoca feita com uma parte da carne frita e boa farinha


Diz meu marido que tudo acontece por uma razão e um fim e isso nos serve. Precisei pagar uma conta, caminhei um pouquinho mais até à padaria Nossa Senhora do Rosário ali no Bosque para nos abastecer de um pão manual quentinho e bem na frente da padaria, numa esquina imprensadinha, tem um açougue. Pensei, pensei e a intuição me mandou atravessar a rua. Afinal, amanhã não ia dar tempo de comprar carne e o filé de lá é ótimo.

Conheci o açougue através do meu irmão. O proprietário é simpático e os preços são justos, então sempre que dá, passo para abastecer as ferinhas lá de casa. Mas, bem na hora em que entrei havia um freguês escolhendo uma carne diferente, mais escura e seca. Meus vinte anos de Ceará me fizeram perguntar o óbvio, apenas para confirmar: "que carne é essa?" 

O freguês foi logo respondendo, antes que o dono falasse: "Olha, é a carne de sol que ele prepara, ótima, no ponto de assar ou fritar, nem precisa fazer nada". Resolvi experimentar. Adoro esse tipo de carne, perfeita para juntar cebola e alho e uma manteiguinha para finalizar. Pode ser servida como tira-gosto e acompanhar uma cervejinha, ou prato principal com macaxeira cozida e banana frita ou até mesmo dentro do pão feito sanduíche, opção inventada hoje pelo filho mais velho.

Conversei um pouco com o Paulo, o autor da preciosidade para fregueses fiéis. Perguntei como ele a preparava. Ele desconversou, mas me deu vários toques com muita generosidade. Todos os dias à noite uma certa quantidade de contrafilé recebe sal e é pendurada para secar até o dia seguinte. De manhã, as peças são penduradas no balcão refrigerado, onde sentem o gostinho do sol que entra porta adentro. Depois, é só retirar e embalar. 

Ele me orientou a não tirar o sal, pois a carne já é preparada ao ponto. Ela realmente não precisa, mas para mim, que sou aprendiz de hipertensa, é necessário uma rápida lavada. Cortei em cubos, coloquei numa frigideira quente com um pouco de óleo e azeite e fui fritando aos poucos. No final, joguei cebola e alho e deixei dourar, acrescentando uma porção de boa manteiga.

O cheiro se espalhou pela casa e meu filho, como bom cearense, quase come o prato inteiro.
Misturou ao pão e fez um sanduíche, que ficou muito bom, junto com a cebola frita. De uma parte dos cubos, fiz uma paçoca. Não tenho pilão para socar a carne, então foi o jeito bater no liquidificador. Antes fiz uma farofa com a ótima farinha de Cruzeiro do Sul. Separei os pedaços de carne e coloquei no liquidificador, batendo rapidamente. Misturei depois a farofa e juntei pedaços de cebola crua, ficou muito bom.

Portanto, se quiser experimentar uma carne deliciosa, passe no Paulo e encomende a sua, você não vai se arrepender!  

Carne de sol e sombra

01 pedaço de carne de sol cortada em cubos, sem limpar (sugiro uma passada muito rápida em água ou se usar outra carne que não seja a do Paulo, é necessário dessalgar em várias águas)
01 cebola fatiada
04 dentes de alho médios fatiados, ou a gosto
Azeite e óleo para a fritura
Manteiga para finalizar
Farinha para a paçoca

Modo de fazer

Numa frigideira de fundo grosso, coloque um pouco de óleo e azeite, espere esquentar e junte a carne.Vá virando aos poucos, de forma que ela doure por igual. Quando estiver no ponto, com uma cor uniforme, acrescente as cebolas e o alho fatiado. Se desejar, pode acrescentar pimentão em rodelas. Quando as cebolas murcharem e o alho estiver frito, acrescente uma porção de manteiga a gosto, frite rapidamente e sirva. Para a paçoca, acrescente mais manteiga ou azeite e misture cubos de carne a gosto e uma porção de farinha como se fosse para uma farofa de carne. Mexa para que a farinha pegue gosto, com cuidado para não queimar. Reserve numa tigela. Retire a carne da farofa, bata no liquidificador e após, despeje na tigela com a farofa, misturando bem. Enfeite com cebola crua e banana crua cortada em rodelas, se desejar. Bom apetite!




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Para não passar vontade:

Panificadora Nossa Senhora do Rosário - Rua Cel. José Galdino, n. 306 , tel.: (068) 3224-6080, Bosque, Rio Branco-Ac

Loja de Carnes Boi Bonito - açougue do Paulo e da Dinha - Rua Cel. José Galdino, n.309,   tel.: 99815911/99471851, Bosque, Rio Branco-Ac (pode ligar e encomendar a carne, com os donos Paulo ou sua esposa Dinha).

terça-feira, 27 de agosto de 2013

CONSERVA COBIÇADA




Tem muita gente que aproveita a viagem de férias para ir aos cinemas e teatros, conhecer bons restaurantes, ir naquela praia badalada ou simplesmente descansar à sombra de um coqueiro, numa rede preguiçosa. Alguns outros, entre os quais me incluo, acrescentam à essas atividades prazerosas uma outra, tão especial quanto: ir aos mercados de frutas e verduras da cidade, encher a mala de ingredientes especiais e não tão corriqueiros, livros de culinária e aquela faca que corta até no vento, como se diz por aqui.


Para essa categoria de pessoas, cozinhar é muito mais do que um prazer, um estilo de vida ou vontade de agradar. Expressa antes, uma cultura, um pertencimento ao lugar de onde se vem, aos produtos da região ou é claro, aos produtos e modos de fazer de outras terras, que vem há séculos se misturando entre os povos e provocando uma globalização não tão reconhecida como tal, mas muito clara.



Por isso aqui no Acre adoramos a culinária árabe, fruto de uma leva de imigrantes que aqui se estabeleceram e foram misturando sua cultura, adaptando suas receitas e criando outras que hoje fazem parte do nosso inventário gastronômico local. Assim também foi com os pratos indígenas, com a manipueira, com os pratos portugueses, que por sua vez já sofreram a influência árabe, entre tantas outras e se formos puxar o fio dessa história, talvez ela não tenha fim.



Por sua vez, a curiosidade por novos produtos faz com que sabores e cheiros fiquem na minha memória por anos, escondidos em pequenas caixinhas, aguardando pela identificação futura e pelo uso ou usos possíveis para determinados ingredientes. Foi assim que já adulta, ao comer um prosaico cachorro-quente em um dia comum, na lanchonete das Lojas Americanas em Fortaleza deparei-me com um sabor perdido no tempo das minhas primeiras lembranças gastronômicas.



Tal qual o crítico de Ratatouille, que mergulha no seu próprio passado ao alimentar-se do prato que dá título ao filme, ao provar aquele pão com salsicha, à época adornado com um molho de cebolas, tomates e pimentão verde, vi-me com cinco anos de idade, na frente do prédio dos Correios de minha cidade natal. Na mão, um cachorro-quente com o mesmo, inconfundível cheiro de cominho, especiaria até então desconhecida para mim. Lembro que na hora pensei: "Achei o sabor daquele prato, que tanto me fascinou o paladar"



A partir daí, jamais deixei de utilizar o cominho no molho do cachorro-quente a ainda ampliei para outras preparações o seu uso. Por isso, quando também em Fortaleza, frequentei um restaurante alemão chamado Hofbrauhaus durante um bom tempo, não descansei até descobrir que sementinha era aquela que quando mordida, dava um gosto tão especial aos seus picles. Tanto fiz que consegui reproduzir em casa o seu sabor, depois de alguns testes. Açúcar junto com o sal, a água e o vinagre, pimenta de cheiro inteira e a estrela maior, o zimbro.



É por isso que essa conserva de carne, feita com lagarto, cebola e pimentão verde usa e abusa desse toque diferente e delicioso. Aqui em casa, meu filho mais novo despeja um pote no prato e em minutos só ficam as lembranças. O zimbro não é vendido ainda em Rio Branco, mas nada que um amigo frequentador do mercadão de São Paulo ou de algum empório bacana em outras paragens não possa providenciar. Se não conseguir, não se aperte. Faça apenas com a pimenta do reino inteira e inclua-o  na sua próxima lista de compras, vale a pena!


Conserva de lagarto com zimbro

Ingredientes

01 pedaço de lagarto com aproximadamente 1,2 kg, sem limpar
1/2 xícara de água
1/2 xícara de vinagre
sal a gosto
Pimentão verde sem sementes e cebola branca em rodelas, quanto baste
alho fatiado a gosto
grãos de zimbro e pimenta do reino, inteiros, a gosto
Azeite de oliva quanto baste (por favor, use o melhor azeite possível)
Vinagre de maçã quanto baste
Sal, se necessário
Potes esterilizados

Modo de fazer

Numa panela de pressão, coloque o lagarto, a água, o vinagre e o sal. Leve ao fogo e deixe na pressão até que o líquido seque. Tenha cuidado para que a carne não queime, ela não precisa ficar totalmente macia, pois será cortada em lâminas finas. Retire da pressão, embale em papel alumínio após esfriar e leve à geladeira de preferência até o dia seguinte. No dia seguinte, retire a carne da geladeira, descarte o papel alumínio e numa tábua, retire pele e gorduras, se for o caso, deixando apenas a carne limpa. Com uma faca afiada, corte em fatias finíssimas. Reserve. Em um pote esterilizado, disponha três ou quatro fatias da carne, uma pitada de sal, rodelas de pimentão e cebola e alho fatiado a gosto. Acrescente grãos de zimbro e pimenta do reino inteiros e se desejar, esmigalhe alguns grãos de zimbro para dar mais sabor, pois é um tempero bem suave. Coloque azeite e vinagre aproximadamente na proporção de três partes para um e vá intercalando as camadas, apertando-as de vez em quando até chegar à boca do vidro. Complete com mais azeite e vinagre e uma pitada de sal, prove o tempero, vede com filme plástico ou papel alumínio, tampe e coloque na geladeira, sacudindo de vez em quando. Maravilhoso para comer com pão ou puro, acompanhando uma boa cerveja!

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domingo, 25 de agosto de 2013

UMA TIA NA COZINHA








Ainda me lembro exatamente da primeira vez em que fui chamada de tia. Estava no banheiro do shopping Iguatemi, em Fortaleza, cidade onde morei por quase vinte anos e na mão, segurava um belo batom vermelho, meu preferido. Eu devia ter aí uns vinte e seis a vinte e sete anos, não mais do que isso. Ao meu lado, uma adolescente sapeca me viu e disparou: "Tia, me empresta o batom?"

Confesso que na hora, tive uma sensação de estranheza. Percebi que estava começando a me tornar uma senhora e o sentimento de que talvez não desse mais tempo de mudar o mundo, como eu tanto queria, ficou mais forte. Entreguei o batom com um sorriso, não sem antes dar uma olhadinha para o espelho, procurando por rugas ainda inexistentes. Dei-me conta, naquele momento e por isso gravei a cena por completo, de que a vida é muito, muito breve.

Por isso não me arrependo de ter lutado muito pela democracia e pela liberdade e ainda hoje, arregaçar as mangas sempre que for preciso na defesa dessas mesmas bandeiras, por um mundo mais justo e sustentável. Nesta semana, recebemos a visita no estado do ex-presidente Lula, nosso eterno amigo. Ele veio para inaugurar a primeira fase de um complexo de psicultura que alimentará milhares de pessoas no Acre e fora dele. Será a fábrica de pescados mais moderna do país e as sugestões dadas por ele ao nosso governador Tião Viana para fomentar essa atividade no Acre fez com que ele viesse cortar a fita inaugural. Nada mais justo.

Ver o Lula aqui mais uma vez, das tantas visitas feitas por ele ao nosso Estado, ver o carinho de um dos presentes ao ato, um trabalhador rural agradecendo por hoje ter uma faculdade e uma pós-graduação, coisa impensável há uns anos atrás me dá a certeza de que os anos passados não foram em vão, nem para mim nem para uma multidão de sonhadores que acreditaram que era sim possível, ter inclusão social de fato. Os números estão aí para mostrar.

Isso tudo para dizer que após essa atividade no complexo de piscicultura, cheguei em casa cansada e não cumpri algumas ações que havia me proposto a fazer, entre as quais um bolo para o lanche das crias. De noite, meu filho mais velho chegou do trabalho com um grupo de amigos, para deixar o carro e ir tomar uma cervejinha. Álcool zero, é claro. Mas aí, antes da balada, vem a comida ou o lanche, que não tinha.

Corri para fazer um café e umas tapiocas e ri muito quando um deles perguntou: "Tia, a senhora pode me adotar?". O outro amigo saiu-se com uma "Tia, se eu pedir uma tapioca para a minha mãe, ela me bate!" Falei para ele, "Minha ídola! Aqui em casa fico oferecendo comida direto!" Bom, mas as tapiocas eram poucas e lembrei de fazer bodó (ou bolinho de chuva em outras terras). O bodó é nossa merenda da tarde mais típica, polvilhado de açúcar com canela e comido com café ou café com leite.

Meu bodó faço com suco de laranja ao invés de leite, o que provocou suspiros dos meninos. Essa troca me foi sugerida por dona Franca, uma querida amiga já falecida, trabalhadora do interior do Ceará, que criou muitos filhos e netos com o que havia à mão. Usei açúcar de confeiteiro ao invés do açúcar normal para polvilhar os bodós, o que diminuiu um pouco a doçura. Os rapazes comeram tudo e de barriguinha cheia, foram tomar uma cerveja, porque ninguém é de ferro. Então, para os filhos e sobrinhos adotados ou não, experimente fazer esses bolinhos no fim de tarde, é impossível comer um só! Bom apetite!

Bodó do meu jeito (ou bolinhos de chuva) 

Ingredientes

01 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de açúcar refinado
Suco de 03 laranjas (pode não ser preciso usar tudo)
01 colher de chá de fermento químico
01 pitada de sal
01 ovo
Açúcar de confeiteiro para passar os bodós ou uma mistura de açúcar com canela
Óleo para fritura

Modo de Fazer

Numa tigela, coloque a farinha, o fermento, a pitada de sal e o açúcar. Acrescente o ovo e o suco de laranja, mexendo até ficar uniforme. Numa panelinha ou fritadeira, coloque óleo suficiente para a fritura (aproximadamente três a quatro dedos do recipiente)  e deixe esquentar. Com uma colher, despeje com cuidado o equivalente a uma colher de sopa (aproximadamente) e vá banhando no óleo, para que frite rápido, sem queimar. Observe para que o óleo não fique quente demais e os bodós fiquem crus por dentro. Frite três a quatro por vez e retire-os com cuidado, colocando-os em um prato forrado com papel absorvente. Passe-os no açúcar ou na mistura de açúcar com canela e sirva-os ainda quentes com chá, café ou chocolate. Fica uma delícia!

sábado, 24 de agosto de 2013

PAGANDO UMA DÍVIDA



Pão de mel,  o preferido das cunhadas...



Considero-me uma privilegiada. Tenho irmãos, cunhados, cunhadas, concunhados e ex-cunhado maravilhosos. Cada um deles gosta de um petisco (ou vários) diferentes e aqui e ali recebo uma cobrança leve: "Cadê meu brownie, que nunca mais comi?" ou "É, aquela conserva não sai mais, tá em falta" e por aí vai. Quando dá, a casa atende, de forma bem aleatória. Às vezes vai um pão para um, uma geléia para outro e assim vai, mas continuo numa dívida eterna.

Um desses exemplos é o pão de mel. Duas de minhas cunhadas, a Arileide (que nem gosta de doces) e a Rachel Moreira (que adora chocolate) ao me verem, antes de qualquer assunto, a pergunta é a mesma: "E o pão de mel, vai sair quando?" Então, resolvi colocar a preguiça de lado e pagar parcialmente a conta, já que desta vez elas receberão virtualmente o doce, enquanto faço nova fornada. Esta receita pode ser feita nas forminhas próprias para pão de mel, mas eu confesso que morro de preguiça de passar manteiga e farinha em cada uma delas.

Então, faço na forma grande, coloco o chocolate por cima e salve-se quem puder nesta corrida. Se quiser um bolo mais compacto, use fermento ao invés do bicarbonato de sódio, as bolhas ficam bem menores. Para cobrir, use sempre um bom chocolate meio amargo (aqui, usei chocolate a 55%), o que dá um bom contraponto ao doce da receita. Se preferir, é claro, pode colocar chocolate ao leite, ficará um pouco mais doce mas igualmente gostoso.  

Esta receita vem de uma publicação antiga da Cláudia Cozinha e se quiser, você pode dobrar as quantidades para uma forma dupla. O mel de ótima qualidade veio dos Forneck, produtores locais aqui de nossa cidade.

Pão de Mel (receita da Revista Cláudia Cozinha)

Ingredientes

1 1/2 xícara de açúcar mascavo
1 xícara de água
2 ovos em temperatura ambiente (clara e gema separados)
2 1/4 xícaras de farinha de trigo peneirada
1/4 colher de chá de cravo em pó
1/4 colher de chá de canela em pó
1 colher de sopa de chocolate em pó (usei 1/2 colher de cacau e 1/2 colher de chocolate)
1/2 colher de sopa de bicarbonato de sódio
1/2 xícara de leite
1/2 xícara de mel
01 barra de chocolate meio amargo (usei com 55% de cacau) para a cobertura ou 600g, caso deseje colocar nas forminhas próprias

Modo de Fazer

Numa panela média, ferva o açúcar e a água até dissolvê-lo e a calda encorpar um pouco. Deixe esfriar. Unte e enfarinhe uma forma retangular média padrão. Preaqueça o forno a 180 graus. Na batedeira, bata as claras até formar picos moles. Reserve. Numa tigela, misture a calda já fria, a farinha, o cravo e a canela. Acrescente o chocolate, o bicarbonato dissolvido no leite e as gemas. Por último, junte as claras batidas e o mel, misturando delicadamente. Coloque na forma e leve ao forno até assar. Retire do forno e desenforme. Sem abrir a embalagem, quebre o chocolate em pedaços dando várias batidas numa superfície dura. Coloque os pedaços por cima do bolo e quando derreter, passe uma faca ou espátula para espalhar bem. Corte em pedaços e sirva, acompanhado de um bom café.
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Serviço: Apiário Bom Mel - Mel de Abelha Africanizada - Estrada Velha de Porto Acre, Km 12 - contato: Anselmo Forneck, tel.: 9964-6133







terça-feira, 20 de agosto de 2013

PARA GARANTIR O JANTAR




Explico: andava com muita vontade de comer uma carne de panela (eita, fui no fundo do baú culinário agora), feita mais ou menos do meu jeito. Gosto quando ela se desmancha toda em fiapos compridos e suculentos com um molhinho grosso e untuoso. E é claro, o que sobra, serve para um delicioso sanduíche no jantar, sem mais nada do que carne, pão e molho.

Como os comilões aqui de casa já estavam por um fio, nem deu tempo de engrossar o molho, mas ficou boa mesmo assim. Acompanhamos com um purê cremoso de mandioquinha (na falta, pode ser usado macaxeira ou batata), quiabo frito, quibe de arroz,  farofa de ovo, arroz e feijão, além de couve em tirinhas passada no alho. Comi feito rainha e embora tenha sobrado pouco, consegui fazer meu amado sanduíche à noite, acompanhado de um pãozinho de leite macio. Aproveite!

Carne de panela do meu jeito

Ingredientes 

01 corte de coxão mole (chã de dentro) de aproximadamente 1,2 kg, inteiro
01 cebola
Cebolinha e coentro picados, a gosto
Sal, pimenta e alho, a gosto
Vinagre de maçã para a marinada
Colorau ou pimentão em pó, a gosto
Óleo
Água quente, quanto baste

Modo de Fazer 

Coloque a carne inteira, depois de limpa, numa tigela. Eu faço alguns furos (medida não recomendada pelos puristas), para que o tempero penetre melhor. Coloque sal, pimenta do reino, alho e o colorau ou o pimentão em pó, a gosto. Regue com o vinagre, para formar uma marinada. Deixei descansar por meia hora, pois comecei o almoço tarde, mas o ideal é descansar mais, virando a carne de vez em quando. Decorrido esse tempo, coloque 02 colheres de sopa de óleo na panela de pressão e junte a carne e o líquido da marinada. Apenas tampe, sem colocar na pressão e vá virando até secarem os líquidos e a carne fritar de todos os lados. Nesse momento, acrescente água fervente até cobrir e prove o líquido para ajustar o tempero, se for o caso. Deixe ferver na pressão por aproximadamente meia hora. Abra a panela, coloque 01 cebola inteira descascada e cortada em quatro, cebolinha e coentro a gosto. Caso a carne ainda esteja dura, coloque novamente na pressão e vá olhando de vez em quando. Quando estiver macia, retire da pressão e vá acrescentando um pouco de água fervente para que o caldo engrosse. tenha cuidado para que não queime. Se preferir, você também pode usar uma panela de ferro, só vai aumentar o tempo de cozimento e readequar as quantidades de água e tempero, se for o caso. Sirva com arroz branco e feijão, além do purê de mandioquinha e o que mais desejar. Bom apetite! Se sobrar, desfie em lascas, junte o molho e recheie pães para o lanche ou jantar, fica ótimo!



Para o purê de mandioquinha (batata baroa)

Ingredientes

04 mandioquinhas médias, descascadas e cortadas em rodelas ou cubos. Se preferir, pode ser feita com macaxeira, da mesma forma.
Alho, sal, pimenta, cebolinha e coentro a gosto
02 colheres de sopa de requeijão
02 colheres de sopa de leite
Azeite

Modo de Fazer 

Numa panela, refogue o alho num pouquinho de azeite. Acrescente as mandioquinhas cortadas e água fervente até cobri-las. Coloque sal a gosto, uma pitada de pimenta, cebolinha e coentro picados. Deixe cozinhar até ficar macio e  a água secar um pouco. Amasse as mandioquinhas na própria panela, deixe secar mais a água e acrescente o leite e o requeijão. Misture bem, ajuste o tempero e sirva. Deve ficar bem molinho, mas se preferir, deixe secar um pouco mais, mexendo para que não queime. Bom apetite! 

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Para saber mais:

Mandioquinha: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mandioquinha/mandioquinha.php