terça-feira, 20 de agosto de 2013

PARA GARANTIR O JANTAR




Explico: andava com muita vontade de comer uma carne de panela (eita, fui no fundo do baú culinário agora), feita mais ou menos do meu jeito. Gosto quando ela se desmancha toda em fiapos compridos e suculentos com um molhinho grosso e untuoso. E é claro, o que sobra, serve para um delicioso sanduíche no jantar, sem mais nada do que carne, pão e molho.

Como os comilões aqui de casa já estavam por um fio, nem deu tempo de engrossar o molho, mas ficou boa mesmo assim. Acompanhamos com um purê cremoso de mandioquinha (na falta, pode ser usado macaxeira ou batata), quiabo frito, quibe de arroz,  farofa de ovo, arroz e feijão, além de couve em tirinhas passada no alho. Comi feito rainha e embora tenha sobrado pouco, consegui fazer meu amado sanduíche à noite, acompanhado de um pãozinho de leite macio. Aproveite!

Carne de panela do meu jeito

Ingredientes 

01 corte de coxão mole (chã de dentro) de aproximadamente 1,2 kg, inteiro
01 cebola
Cebolinha e coentro picados, a gosto
Sal, pimenta e alho, a gosto
Vinagre de maçã para a marinada
Colorau ou pimentão em pó, a gosto
Óleo
Água quente, quanto baste

Modo de Fazer 

Coloque a carne inteira, depois de limpa, numa tigela. Eu faço alguns furos (medida não recomendada pelos puristas), para que o tempero penetre melhor. Coloque sal, pimenta do reino, alho e o colorau ou o pimentão em pó, a gosto. Regue com o vinagre, para formar uma marinada. Deixei descansar por meia hora, pois comecei o almoço tarde, mas o ideal é descansar mais, virando a carne de vez em quando. Decorrido esse tempo, coloque 02 colheres de sopa de óleo na panela de pressão e junte a carne e o líquido da marinada. Apenas tampe, sem colocar na pressão e vá virando até secarem os líquidos e a carne fritar de todos os lados. Nesse momento, acrescente água fervente até cobrir e prove o líquido para ajustar o tempero, se for o caso. Deixe ferver na pressão por aproximadamente meia hora. Abra a panela, coloque 01 cebola inteira descascada e cortada em quatro, cebolinha e coentro a gosto. Caso a carne ainda esteja dura, coloque novamente na pressão e vá olhando de vez em quando. Quando estiver macia, retire da pressão e vá acrescentando um pouco de água fervente para que o caldo engrosse. tenha cuidado para que não queime. Se preferir, você também pode usar uma panela de ferro, só vai aumentar o tempo de cozimento e readequar as quantidades de água e tempero, se for o caso. Sirva com arroz branco e feijão, além do purê de mandioquinha e o que mais desejar. Bom apetite! Se sobrar, desfie em lascas, junte o molho e recheie pães para o lanche ou jantar, fica ótimo!



Para o purê de mandioquinha (batata baroa)

Ingredientes

04 mandioquinhas médias, descascadas e cortadas em rodelas ou cubos. Se preferir, pode ser feita com macaxeira, da mesma forma.
Alho, sal, pimenta, cebolinha e coentro a gosto
02 colheres de sopa de requeijão
02 colheres de sopa de leite
Azeite

Modo de Fazer 

Numa panela, refogue o alho num pouquinho de azeite. Acrescente as mandioquinhas cortadas e água fervente até cobri-las. Coloque sal a gosto, uma pitada de pimenta, cebolinha e coentro picados. Deixe cozinhar até ficar macio e  a água secar um pouco. Amasse as mandioquinhas na própria panela, deixe secar mais a água e acrescente o leite e o requeijão. Misture bem, ajuste o tempero e sirva. Deve ficar bem molinho, mas se preferir, deixe secar um pouco mais, mexendo para que não queime. Bom apetite! 

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Para saber mais:

Mandioquinha: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/mandioquinha/mandioquinha.php 



domingo, 18 de agosto de 2013

HOJE NÃO TEM RECEITA: TEM EMPATE E GRANDES ENCONTROS

Apesar da gripe, em parte pelo tempo seco e sem chuvas, em parte pela fumaça e poeira que vão entrando sem pedir licença nesta época do ano aqui em nossa região, fruto ainda da irresponsabilidade de muitos em queimar as folhas do quintal, resolvemos sair de casa, por dois bons motivos. O primeiro, o lançamento de um zine, alternativo, de nome Empate, para relembrar ações antigas em que mulheres e crianças seringueiras, junto com seus homens e com muita coragem, plantavam-se à frente das árvores e impediam, ou melhor, "empatavam" as derrubadas.

Era preciso muita coragem. A mesma que um grupo de jovens, entre os quais a linda sobrinha Iara Vicente, formanda de sociologia e a Veriana, jornalista filha de Toinho Alves, um nosso velho conhecido, junto com a Kairlly , o Teddy e mais alguns letrados tiveram para de forma séria e divertida, lançar um primeiro número do Empate. Lembrei da época em que diagramávamos com régua e letrinhas prontas os manifestos e jornais do movimento, na faculdade e até mesmo dos velhos mimeógrafos cheirando a álcool, onde com todo o cuidado, riscávamos estêncil (alguém ainda sabe o que é isso?) para não rasgar.

O Café do Theatro, com o apoio dos queridos Jorge Henrique e Janaína, foi o local da gestação e apresentação do Empate. Textos bons, para ler tomando um café.  Algumas concordâncias, algumas discordâncias, mas o que vale é que a tribuna é livre! Além dos amigos, filósofos, jornalistas e familiares, o evento teve a banda Panela de Expressão fazendo o som. Teve canja da Isadora, além do primo Luciano Pontes na percussão. Isso mostra que os filhinhos de peixe estão nadando bem, que continuem!


Kairlly, Iara e Cristina, mãe do Digo do Los Porongas

Eu toda prosa com a Iara e Veriana

Veriana no lançamento, antes das palavras do pai Toinho Alves, todo orgulhoso

Toinho Alves, relembrando suas primeiras colunas no jornal

Iara e Kairlly

A avó da Iara, minha sogrinha Neuza Pontes, participando de tudo

Tios Marcos e Alessandra, dona Neuza e Gabriel com Iara no café do Theatro



Marcos Afonso, jornalista e filósofo, sorriso orgulhoso com a sobrinha Iara Vicente: pela liberdade e pela democracia! 

Eu e a cunhada Alessandra, com o Empate na mão no Café do Theatro

Não, não sou tão velha assim, é que a evolução dos meios de comunicação, gráfica e afins foi tão rápida que quase não dá, ainda hoje, para acompanhar as novidades. Na semana passada estava vendo um talentoso colega desenhando no computador, com uma caneta especial, com nuances de cor e traço inimagináveis há uns anos atrás e fiquei fascinada.

E ontem, para fechar o final de semana de forma inesquecível, fomos a um show no Teatro Plácido de Castro (o Teatrão), chamado com toda a propriedade, de Grandes Encontros. Estavam lá grande parte dos artistas que representam a música autoral no Acre, ao vivo e a cores. Quem já partiu assim mesmo foi lembrado, em vozes emocionadas e canções de domínio público, como a de Jorge Cardoso eternizando a Praia do Amapá: "Meu amor, vamos lá, vamos tomar sol, na Praia do Amapá...".

Entre os músicos presentes estavam Heloy de Castro, um dos idealizadores do evento e mais Écio Rogério, Clévison e Clenilson Batista, Andrelino Caetano, Dinho Gonçalves com maestro e tudo, os Camundogs, o imperdível Pia Vila com a Senhora da Floresta e muito, muito mais. Teve João Veras na flauta, teve o nosso Teixeirinha do Acre com a filha Josi cantando juntos no maior carinho e me emocionando com lindas canções. Teve o Beko Santanegra, vindo direto do Mato Grosso para matar as saudades do Acre e nós dele, eternos viúvos e viúvas do Casarão.

Teve o César Escóssio vindo de Brasília e nos encantando, teve o Da Costa e o Tião Natureza, além do Franco Silva, relembrados nas vozes dos amigos saudosos, teve muita emoção e muita beleza. Que venham novos encontros como esse, sempre!  









































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Para saber mais:

Zines: acesse http://www.mcdbrasil.net/mcdlab/?p=854 

Colaboradores do Empate n. 01: Veriana Ribeiro, Teddy Falcão, Iara Vicente, Kairlly Mourão, Toinho Alves, Diogo Soares, Clenilson Batista, Gustavo de Biase e Rogério Vasconcelos

Café do Theatro: Av. Brasil, n.30, Centro, Rio Branco-Ac
     
Grandes Encontros:
matéria do Portal G1: http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2013/08/musicos-acreanos-realizam-show-para-homenagear-musica-autoral.html





domingo, 11 de agosto de 2013

CAFÉ DA MANHÃ ESPECIAL PARA MEU PAI

Meu pai, desde cedo com a mesa arrumada...

Mesa improvisada, para dar conta das comidinhas

Atividade frenética na cozinha, cada um numa panela...

Fazendo as tapiocas para a sobrinha colocar manteiga e enrolar, produção coletiva...

Geléia de morango feita em casa...

Meu irmão arrumando o cuscuz, este feito com leite de coco...

Minha sobrinha cortando a pimentinha para temperar a carne moída...



Olha a linda sobrinha esperando o leite ferver e meu filho mais velho ajudando na tapioca...



Hoje o dia começou muito cedo e ainda não acabou. Explico: às 5:30h da manhã meu despertador toca. Preciso tomar um remédio em jejum absoluto e engoli-lo a seco. Abro os olhos, pois, tonteio no escuro em busca do comprimido, ainda bem que minúsculo e fecho de novo os olhos. Às vezes durmo, outras não. Às seis da matina o despertador toca de novo. Desta vez, tenho que colocar o bloco na rua e levantar de verdade, o que faço quase sempre com muita preguiça.

Como sempre, ao ouvir o barulhinho do relógio, tateei o remédio mas o danado caiu no chão. Ao levantar para pegá-lo, lembrei do filho mais velho que havia saído para a cervejinha da sexta e fui conferir se o bruguelo já estava em casa são e salvo.  Filho conferido, encontro na sala o bilhete do mais novo: "Mãe, vou ali e volto logo". Mas que logo é esse, penso eu? Claro, vou no quarto dele confirmar se o logo não demorou e se ele está inteiro e ressonando.

Eu sei, podem rir, mas desde que me dou por mãe não tenho mais vida própria. Os meninos nem são mais meninos há um bom tempo. Um deles já namora firme e o outro está prestes a fazer dezoito e segundo ele, fazer o que quiser. Escuto calada e paciente os arroubos desse pequeno mais alto do que eu com um misto de ternura e riso: mal sabe ele que agora é que a porca começa a torcer o rabo, mas deixo que ele descubra sozinho.

Tudo isso para dizer que perdi o sono do sábado e resolvi me jogar no mercado, um prazer renovador. Já estou na fase de ter feirantes amigos com quem puxo histórias e já me dou ao luxo de comprar peixe apenas na banca do Rui e da Socorro. A goma, branquinha feito a neve que eu nunca vi de perto, só na banca da esquina. O porco tem que vir do seu João, que me enrola toda vez. "Seu João, essa carne é dura?" pergunto dele, para ouvir numa risada: "Duro é osso, minha filha, essa carne é mole, mole." Mas seu João, insisto, o senhor me deu pernil dianteiro, não é? Não é mais duro?" Ao que ele dá outra risada e confirma o logro, "'É minha filha, mas amolece".

Já encomendei o pé de manjericão novo da Vanuza, que no próximo sábado terei que buscar. E vim carregada de ovo caipira, não sem antes recomendar ao vendedor: "Me dê ovo caipira de verdade, se a gema não for amarelinha, o senhor vai se ver comigo". E lá vai o homem jurar de pé junto que ali só caipira legítima. Saio rindo com o pacote na mão. Antes que vocês pensem que nossos feirantes são desonestos, aviso que tudo é farra, matreirice das boas, para ter prazer de rir, regatear, ganhar um maço de maxixe verdinho de presente e ficar mais feliz.

Digo para a vendedora: "A senhora colocou um maço de maxixe a mais". "É que ele estava aqui sozinho, tem problema não". E para que os vizinhos não se separem nem na panela, saio carregando três ao invés de dois maços de pequenos maxixes que irão ser cozidos junto com o feijão verde acabado de debulhar. Até nabo de uma descendente da colônia japonesa comprei hoje. É que não tinha visto pelo mercado ainda, plantado aqui mesmo.

Vim carregada de pimentinhas e chicórias e folhas de couve para o charuto do almoço. Hoje foi a Ivone, minha fiel escudeira, quem fez o prato. Uma delícia! Aproveitei e comprei peixe para o meu pai, além de maxixe peruano. Um surubim fresquinho, cortado em postas, pronto para o cozido que ele tanto ama. Acho que puxei do meu pai esse jeito de gostar de conversar com todo mundo. Ele, onde chega, se espalha. Daí a pouco já está às gargalhadas, rindo de alguma história, com algum conhecido que acabou de encontrar. E hoje, antes das oito, quando cheguei na casa dele debaixo de uma chuva grossa e promessa de frio nesse Hades tupiniquim, já o encontrei no mercantil do outro lado da rua.

Ele tem algumas sequelas motoras do AVC de alguns anos atrás, mas isso não alterou sua risada nem sua alegria de viver. Pegou carona com um colega e veio abrir a porta. "Minha filha, o pão aqui acabou. Vamos ali na outra padaria?" "Claro, pai, vamos lá" e vamos juntos comprar o pão do dia. Cresci com ele nos acordando de madrugada com pão manual fervendo, ou pão de milho com castanha ou mingau na lata de leite em pó. Às vezes, era saltenha, tão quente que precisava comer assoprando, mas como era bom. Puxei do meu pai o gosto pela boa comida, por cozinhar, pela comida quente e fresca, pelos mercados. Da minha mãe, para que não fique enciumada, vem o amor pelas plantas, pelos doces, pelas roupas de cama e mesa.

E amanhã, ou melhor, daqui a pouco, pois agora já é domingo, estaremos reunidos no café para meu querido pai, para festejar junto com meus irmãos e marido, filhos e cunhadas, sobrinhos e sobrinhas, além da minha querida mãe e nos alegraremos por todos os pais, incluindo os pais de coração, que tanto amor e generosidade colocam no mundo, como meu querido companheiro, a quem agradeço. E para que a lista se complete, muitas alegrias para o pai dos meus filhos e também para seu pai, avô deles.

O café da manhã de hoje foi construído coletivamente, ao melhor estilo da família italiana que não somos, pois as descendências são de portugueses e cearenses. Um varreu a casa, o outro preparou a carne para comer com a macaxeira, uma cunhada fritou os ovos, fizemos tapioca e cuscuz que o meu irmão arrumou e quem não cozinha ajeitou a mesa, levou pratos ou simplesmente ficou vendo a banda passar, para ajudar depois na limpeza geral. Como falam dez de cada vez e todos contam histórias ao mesmo tempo, nos entendemos perfeitamente. O café se estendeu quase pelo almoço e mesmo assim não demos conta de acabar tudo, mas chegamos perto.Que venha o próximo!

Geléia de morango caseira
(sou apaixonada por geléia de morango e nesta época, eles chegam por aqui bonitos, vindos de Minas e é o que basta para jogá-los na panela)

03 caixinhas de morangos bem lavados, retirados os cabinhos
Açúcar refinado quanto baste
Suco da metade de um limão Tahiti

Numa panela de fundo grosso, coloque os morangos, mais ou menos 01 xícara de açúcar e o suco de limão. Deixe em fogo baixo, com cuidado para não derramar, mexendo de vez em quando. Amasse levemente alguns morangos com o garfo, com cuidado para não se queimar. Retire a espuma que vai se formando e deixe secar um pouco. Prove para ver se precisa de mais um pouco de açúcar, que deverá ser acrescentado aos poucos, para que não se perca o ponto. Tenha perto um pires e coloque um pouquinho da geléia de vez em quando, para testar o ponto, que deve ficar meio pastoso. Desligue e coloque ainda quente em um pote próprio para geléia. Coma com pão ou no bolo ou até na tapioca, como minha cunhada degustou de manhã. Bom apetite!
  
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Hades: inferno grego, analogia com o calor às vezes insustentável que temos por aqui.
Saltenha: espécie de salgado, muito comum na Bolívia e no Acre, que pode ser assado ou frito, mais usual por aqui, onde o recheio mais comum é de frango com batatas.