domingo, 19 de maio de 2013

DOMINGO É DIA DE MASSA



Os chilli peruanos picantes, deliciosos


Sabe como é, para mim domingo é o dia internacional da massa, do mesmo jeito que a segunda é o dia internacional da dieta. Um, pela preguiça de produzir comida e o outro para esquecer dos excessos do primeiro. De qualquer forma, em qualquer dia da semana massa é muito bem-vinda na minha casa. Quando posso, faço eu mesma pequenos ravioli ou tiras mais largas, enroladas e cortadas na faca.

Quando não, compro uma massa de qualidade e vou inventando molhos ou adaptando outros, ao paladar ou à despensa. Difícil ficar ruim, o que a fome se encarrega de potencializar como competência. Portanto, uma receita muito simples não pede mais do que um bom azeite, alho amassado ou picado (a gosto), chilli (ou pimenta calabresa), farinha de rosca feita em casa e folhinhas de manjericão, além de um bom parmesão ralado na hora. Bom demais, experimente!

Massa com farinha de rosca e chilli

Ingredientes

01 pacote de espaguete ou linguine de boa qualidade
Alho e azeite a gosto
Farinha de rosca suficiente para polvilhar a massa
Queijo parmesão, de preferência ralado na hora
Chilli picadinho a gosto (na falta, substitua por pimenta calabresa a gosto)
Folhinhas de manjericão
Sal

Modo de Fazer

Comece pelo molho. Numa panela grande, que possa acomodar a massa, coloque azeite quase para cobrir o fundo. Acrescente o alho e deixe fritar levemente. Se preferir, pode fritar um pouco mais, mas não deixe queimar. Acrescente o chilli ou a pimenta. Reserve. Misture e farinha de rosca com o parmesão ralado e reserve. Coloque água para ferver numa panela grande de maneira a deixar a massa cozinhar com espaço (os especialistas recomendam 01 litro a cada 100 g de massa). O sal (a gosto) e a massa devem ser colocados no momento da fervura. Fique atento para que a massa não passe do ponto. Após cozida, escorra e reserve algumas colheres da água do cozimento. Imediatamente, coloque a panela com o alho e azeite de volta ao fogo e despeje a massa, mexendo levemente, apenas para incorporar o sabor. Se for servir nesta panela, como eu fiz, acrescente as folhas de manjericão e a água reservada (se necessário) e polvilhe generosamente com a farinha de rosca e o queijo reservados. Acrescente azeite a gosto e leve à mesa imediatamente. Bom apetite!

O GATO DE BOTAS DA MINHA MÃE

O gato de botas pronto para ser atacado...

Onde  moro tem uns  açudes  cor de caldo de cana escuro, que nos dias de chuva miúda, dá vontade de beber. Passarinhos, muitas plantas e flores, umas ruas de terra que ainda demoram um pouco para ficar lisinhas e não deixar a gente bamboleando para lá e para cá e um céu tão estrelado que parece uma colcha salpicada de pontinhos de luz.


Às vezes, nessa calmaria de fim de tarde, me sento lá fora e fico olhando meus dois pés de limão siciliano ainda bebês e fazendo uma conta de quantos anos eles ainda vão precisar para perfumar a casa com seus frutos cheirosos. Há que ter paciência, eu sei. Meus  pezinhos  de alecrim e manjericão estão resistindo heroicamente, meio sem trato. Falta replantar o hortelã e fazer uns canteirinhos, mas eu chego lá.


Minha mãe, uma simpática jovem de 78 anos recém-completados veio fazer uma visitinha junto com meu pai, falante e divertido. Os dois são uma graça e é um privilégio levá-los para passear aos finais de semana. Minha mãe tem algumas sobremesas amadas na família. Entre elas uma que ela chama de gato de botas, não me perguntem o porquê. Só sei que é uma verdadeira perdição, de tão gostosa.


Ela costuma fazer travessas grandes que são disputadas quase no tapa pela família toda. É uma receita muito simples, à base de banana comprida (também chamada da terra ou pacovã) e alguns complementos. Nada mais gostoso com uma caneca de café quentinho. Você pode tentar fazer com a banana prata, mas o sabor é diferente. De qualquer forma, aproveite!





Gato de Botas da minha mãe


Ingredientes


Banana comprida frita que dê para fazer várias camadas em um pirex (usei 07 médias)
05 ovos (para um pirex médio, aproximadamente)
03 ou 04 colheres de sopa de açúcar (ou mais, se achar necessário) para as gemas e mais 05 colheres e gotas de limão para as claras
Canela a gosto
Manteiga quanto baste
01 caixinha de creme de leite (aproximadamente, pode precisar um pouco mais)
Queijo ralado quanto baste (uso parmesão ralado na hora)
01 pitada de sal
óleo para fritura


 Modo de fazer


Corte cada banana em duas e depois fatie no sentido do comprimento. Ao final, coloque uma pitadinha de sal e espalhe por todas elas (só uma pitada).  Frite a banana no óleo e deixe escorrer.  Reserve. Forre um pirex com manteiga. À parte, bata as gemas de ovo com o açúcar (não precisa bater demais, vai ficar um caldinho) e acrescente a canela. Arrume a primeira camada de  bananas no pirex, pincele com manteiga e coloque a gema batida com açúcar e canela, fazendo uma camada fininha. Depois, acrescente o creme de leite e o queijo ralado, até finalizarem as camadas e encher o pirex. Na última, cubra com  as claras em neve batidas com açúcar como para suspiro e umas gotas de limão (se desejar). Coloque no forno para dourar. Sirva ainda morna ou mesmo gelada, é uma delícia! A minha quase queimou e por isso ficou um pouquinho mais seca, mas é só ficar de olho no forno. 






quarta-feira, 6 de março de 2013

COMIDINHAS DE INVERNO

Biribá, banana comprida, bacuri, pimentas, castanha do Pará (ou do Brasil), cajarana, mingau de tapioca com mungunzá da d. Francisca, coquinho, pé de moleque na folha de bananeira, maxixe peruano: as delícias do inverno




Seu Raimundo fez questão de sair na foto com suas castanhas...


Cacau...

E o bacuri, delicioso!

Folhas de jambu para o tacacá...

Já falei aqui que o Mercado é o meu Parque de Diversões particular. Adoro ir de manhã cedo, nos finais de semana em que o sono não me domina, para tomar mingau de tapioca com mungunzá, comer pão de milho (cuscuz) com leite de castanha e olhar aquelas verduras brilhantes. Nem tudo o que reluz é ouro e não espero encontrar produtos produzidos de forma alternativa ou mesmo uma grande variedade de produtos orgânicos. 

Mesmo assim, adquirir frutas ou verduras da época já são de alguma forma uma garantia a mais quanto à qualidade e nesta época de inverno por aqui, em que as chuvas caem sem muito aviso, as pupunhas de casca brilhante dão um colorido a mais às ruas. Estão penduradas por qualquer feirinha de bairro, na maior simplicidade. O maxixe peruano, como o chamamos por aqui, é outro que espalha seu verde-claro nas barracas do mercado.

As duas receitas que trago aqui talvez nem mesmo possam ser assim chamadas. A pupunha não costuma ser comida de outra forma que a cozida na água e sal, talvez com um pouco de manteiga. Mas, já começa a aparecer nos eventos com um pouco de queijo cremoso, geléia ou acompanhamento equivalente e é um ótimo petisco para acompanhar a cervejinha gelada.

Quanto ao maxixe, é comum recheá-lo com uma mistura de carne e arroz ou simplesmente carne moída bem temperada, com molho de tomate. Mais simples, imposível, mas o sabor compensa. Portanto, se você não mora por esses lados, mas vai receber um amigo ou parente querido, peça que ele leve na bagagem um pouco de pupunha e maxixe, você não vai se arrepender!


Os cachos de pupunha, a pupunha cozida e depois descascada, com a geléia de pimenta da Casa da Li



Pupunha com geléia de pimenta

Ingredientes

10 pupunhas cozidas com casca, na panela de pressão, em água e sal, por 30 a 40 minutos ou até ficar macia
Geléia de pimenta a gosto (aqui, usei a ótima geléia de pimenta da simpaticíssima Li, dona da Casa da Li, em São Paulo)
Outras opções: cream cheese  com gergelim, geléia de cupuaçu (servido no Afa Bistrô, restaurante de Rio Branco), pasta de atum etc

Modo de Fazer

Descasque as pupunhas, retire o caroço e corte em quartos. Recheie a gosto e sirva. 




O maxixe peruano, após recheado, com limão e pimenta, para comer de joelhos...


Maxixe peruano recheado

15 maxixes peruanos, retiradas as sementes, com a tampinha cortada
Arroz cozido e carne moída já cozida com todos os temperos, misturados, em quantidade que dê para rechear os maxixes (as quantidades são indicativas)
Tomate, cebola e pimentão em rodelas, a gosto
Molho de tomate
Coentro, cebolinha, chicória, cortados miudinho, a gosto
Sal, se for necessário

Modo de Fazer

Prepare uma quantidade de arroz e carne moída que após prontos, possam ser misturados e sirvam de recheio para o maxixe. Se quiser, você pode usar só a carne moída, bem temperada. Retire a tampinha dos maxixes, coloque uma pitadinha de sal, recheie, feche com um palitinho e arrume-os delicadamente numa panela larga. (Como os maxixes cozinham rapidíssimo, prefiro usar arroz e carne já cozidos). Acrescente as rodelas de tomate, pimentão e cebola a gosto e os demais temperos, se desejar, regue com o molho de tomate, ajuste o sal e leve ao fogo, até que os maxixes fiquem macios. Sirva como prato único, com uma boa pimenta, ou no caso de utilizar só a carne para o recheio, com um arroz soltinho. Bom apetite!

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Casa da Li - casadali.com.br - R. Aspicuelta, 23 São Paulo

Afa Bistrô -Afa Bistrô D'Amazônia - Rua Franco Ribeiro, 109, Centro - Rio Branco - Ac (68) 32241396


sábado, 16 de fevereiro de 2013

PARA CONFORTAR A ALMA




Comida, assim como música, tem essa capacidade de trazer conforto e acolhimento, pelo menos para mim. Esta semana, a morte de um parente querido e solidário, de forma estúpida e inesperada, me fez ver mais uma vez o quanto precisamos dar atenção e amor a quem nos é caro. Tudo fica muito relativo e as pequenas coisas perdem a importância. Aproveitar bem esse tempo que temos aqui, de forma tranquila, honesta e respeitosa, me parece ser uma boa medida.


E, como já disse a escritora e colunista Nina Horta, dona do buffet Ginger, em São Paulo, nada como ter por perto a chamada "comida de alma", que é claro, muda conforme as boas lembranças de cada um, o conforto ou bem-estar a ela associados. Pode ser aquele caldo da avó, a farofa de ovos da mãe, o leite caramelado para as noites frias. Aqui em casa, fazemos um gratinado simples de batatas que é adorado por todos e muito simples de preparar. Aproveite quando precisar de conforto para a alma, mas ele é bom em qualquer situação.






Gratinado Simples de Batatas

Ingredientes

6 a 8 batatas médias (evite usar as muito grandes, que se prestam mais para a fritura), descascadas e cortadas em fatias bem finas, de preferência com cortador ou mandolina
1 1/4 xícara de leite
2 colheres de sopa de manteiga, mais manteiga para untar o pirex
2 colheres de sopa de requeijão
100ml de creme de leite integral
sal a gosto
queijo parmesão ralado na hora (não uso o de pacotinho, normalmente muito salgado), a gosto
(obs:  as quantidades acima são indicativas, você pode acrescentar mais creme, mais requeijão ou até um pouco mais de batatas. Apenas mantenha a proporção ou acrescente mais um pouco do seu ingrediente preferido, a gosto).

Modo de Fazer

Coloque as batatas, já cortadas em fatias bem finas, em água fervente com sal e deixe por alguns minutos, para que elas fiquem pré-cozidas, mas sem ficarem moles. Escorra-as e reserve. Numa tigela, misture o leite, creme de leite, o requeijão e o sal a gosto (apenas para salgar levemente). Em um refratário que possa ir ao forno, passe manteiga no fundo e dos lados e vá arrumando a primeira camada de batatas, que pode ser dupla, para que não fique muito fina. Distribua por cima flocos de manteiga e uma parte da mistura de leite, creme e requeijão. Polvilhe com o queijo ralado e proceda da mesma forma com a segunda camada (se fizer mais camadas, proceda da mesma forma até acabarem os ingredientes). Polvilhe bastante queijo ralado e leve ao forno moderado, coberto com papel alumínio, até que a batata termine de cozinhar. Retire o papel e deixe mais alguns minutos até que se forme uma crosta dourada e o líquido seque. Sirva como prato único, com uma saladinha ou como acompanhamento de um belo filé.

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Dedicado à memória do primo André, a pessoa mais solidária que conheci.



domingo, 27 de janeiro de 2013

PARA OS DIAS DE CHUVA




A essência caseira de emburana de cheiro e mais atrás, a de baunilha (fava), ambas com vodka...


Um dia desses, ao folhear um livro da coleção Claudia - Cozinha Regional Brasileira, da Abril Coleções, deparei-me com uma receita do falecido chef Paulo Martins, do Pará,  um dos grandes responsáveis pela divulgação da cozinha amazônica Brasil afora. A receita era doce, de madalenas em calda de cumaru. Madalenas, para mim, são pequenos bolos ou quadrados de bolo imersas em calda de maracujá, que é uma das coisas que minha mãe mais gosta de comer. Fiquei curiosa, pois levava emburana, ou emburana-de-cheiro, ou cumaru-de-cheiro e mais um sem-número de nomes.
Fui ao mercado (Novo Mercado Velho, assim mesmo) e na banca das ervas e sementes procurei pela semente. A mocinha que me atendeu mostrou dois pequenos pacotes, um com cascas, mais suave e o outro, com as sementes, de cheiro mais forte. Fiquei inebriada. Comprei um pacotinho de sementes e resolvi fazer um extrato caseiro: um com água, como manda o livro e outro com vodka. O cheiro das sementes é delicioso e coloquei aproximadamente quinze delas em duas garrafinhas, há uns dez dias atrás.
Estão ambas na geladeira, com o líquido já bem escuro. Utilizei uma colher de sopa das sementes imersas em água no leite em que mergulhei fatias de brioche para fazer uma rabanada (vou postar a receita mais na frente). O perfume é fantástico, mas é bom não exagerar, pois fica bem forte. Ela é bem comum no Nordeste, usada em remédios para bronquite.

Resolvi experimentar no bolo e hoje, com o dia menos quente, nada melhor do que chocolate. Como resolvi voltar a estudar inglês, o escolhido foi o brownie, receita tipicamente americana, que forma uma casquinha na parte de cima e é cremoso por dentro, bem macio. Se você deixar passar o ponto, vira um bolo de chocolate denso e saboroso, mas não será mais brownie. A receita que eu utilizo saiu publicada na Revista Gula há muito tempo atrás, não lembro qual edição. Utilizei nozes e coloquei uma colher de sopa do extrato (se é que posso chamar assim) caseiro de cumaru de cheiro (ou emburana).

Aumentei um pouquinho o chocolate, por pura preguiça de medir a quantidade exata e o bolo ficou ainda mais cremoso, principalmente no meio. Não marquei o tempo de forno, mas utilize o forno moderado pré-aquecido e após uns 20 minutos, enfie a ponta da faca no centro. Se estiver muita líquido, deixe mais um pouco, pois o tempo varia de um forno para outro, por isso nunca dou tempo de cozimento.
 Ao contrário dos bolos comuns, a massa no ponto correto ainda deverá estar grudenta, não crua, quando você fizer o teste. Desligue o forno, retire o bolo para interromper o cozimento e aguarde esfriar para fatiar. Experimente com uma bola de sorvete de creme e uma calda quente de chocolate, como sobremesa, ou com uma xícara de café. Minha amiga Sandra devorou alguns pedaços e aprovou!

BROWNIE (Receita da Revista Gula, adaptada)

Ingredientes

6 ovos grandes em temperatura ambiente
2 1/3 xícaras de chá de açúcar refinado (você também pode usar o demerara)
300g de chocolate meio amargo, picado
200g de manteiga
1 1/2 xícaras de farinha de trigo peneirada
1 colher de sopa de extrato caseiro de cumaru (emburana)
nozes picadas, castanhas ou avelãs, a gosto (opcionais)
caso não tenha o cumaru (emburana), pode usar 1 colher de chá de extrato de baunilha ou 1/4 de fava (as sementinhas de dentro, raspadas)
Modo de Fazer
Pré-aqueça o forno. Derreta o chocolate com a manteiga em banho-maria e reserve. Misture os ovos inteiros com o açúcar, acrescente a mistura de chocolate com manteiga já fria, a farinha de trigo e as nozes ou castanhas, se usar. Acrescente a essência de emburana de cheiro ou baunilha. Misture todos os ingredientes apenas para homogeneizar a massa. O brownie não precisa de fermento. Arrume numa assadeira retangular e leve ao forno moderado. Fique atenta (o), pois o bolo deve ficar ainda cremoso no centro. Espere esfriar para cortar, não aconselho que desenforme, pois a casquinha de cima é muito frágil e dá beleza ao bolo. Bom apetite!

Algumas definições, artigos e receitas para emburana podem ser vistas aqui:
(Não deixe de acompanhar o ótimo blog de minha querida amiga Neide Rigo, o come-se, com suas ótimas matérias, cujo endereço está aí em cima.)

DIA DA PREGUIÇA


O molho, depois de assado. Se preferir não passar no liquidificador, pode picá-lo bem miudinho...



Aqui em casa somos todos apaixonados por massa. Quando eu arranjo braços fortes, me aventuro e produzo as tiras largas para a lasanha, pequenos raviolis ou espaguete, os mais fáceis. Para cada um, um molho ou recheio diferente, um bom azeite, um bom parmesão ralado na hora e aí é só felicidade. Porém, quando os braços fortes escasseiam, o jeito é partir para a massa já pronta, jogá-la numa panela de água fervente com sal e juntar um molhinho básico.

Dia de domingo é o meu dia de preguiça. Não gosto nem mesmo de cozinhar e por mim, lagarteava o tempo inteiro. Então, se não sairmos para comer em algum lugar, nada será mais rápido e fácil do que um bom macarrão. Costumo ter no freezer pacotes de molho já pronto, para os dias de muita preguiça. Acompanhe com queijo parmesão ralado na hora, uma saladinha básica e uma taça de vinho ou um suco feito na hora. Os puristas podem nos matar, mas como não bebo, é o que faço.

Ao molho, pois. A receita abaixo aprendi no programa da Anabel, uma australiana cheia de dicas e receitinhas curinga e saborosas. Prefiro separar em porções e congelar depois de pronto, para os dias em que estou sem coragem. Veja como:

Molho de tomate da Annabel

Ingredientes

1,5kg de tomates maduros, em gomos, com pele e sementes
2 pimentões vermelhos cortados em tiras, sem as sementes
1 cebola grande, cortada em fatias finas
2 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de azeite
4 dentes de alho descascados e fatiados
1/4 xícara de extrato de tomate
Alecrim a gosto
1 pimenta dedo de moça picada, sem sementes (caso queira uma versão mais picante, não retire as sementes)
Sal a gosto

Modo de Fazer

Espalhe os tomates, pimentões e cebola numa assadeira grande. Numa tigela, coloque o azeite, açúcar, o alho, extrato de tomate e o sal. Misture e espalhe por cima dos vegetais na assadeira, de maneira a envolvê-los bem. Coloque em forno baixo e mexa de vez em quando, até que eles assem e os líquidos evaporem, com cuidado para não queimar e nem secar por completo. prove e ajuste o sal, se necessário. Se desejar, acrescente algumas folhas de manjericão na hora de assar. Espere esfriar um pouco e bata no liquidificador  se quiser mais pastoso. É uma delícia por cima da massa, com azeite e queijo parmesão ralado, com uma bruschetta (fatia grossa de pão italiano com uma cobertura, que pode ser tomate, berinjela, enfim, qualquer coisa) e o que mais a sua imaginação mandar. Você pode congelar em porções no freezer, sem prejuízo do sabor. Bom apetite!

domingo, 13 de janeiro de 2013

PARA GOSTAR DE COMER


O linguado, já pronto. Ao servir, coloque em volta o molho de leite de coco e dendê. O caldinho de tomate levemente engrossado vai numa molheira à parte.


Prometo, ainda faço um curso de fotografia. Primeiro, porque adoro e segundo, para deixar as fotos do blog mais apresentáveis. Se eu pudesse retransmitir por imagem o perfume, o sabor, a delicadeza de algumas comidas, confesso, ficaria bem contente. Na semana passada, fui surpreendida com um lindo café da manhã por ocasião do meu aniversário. Meu maridinho conseguiu até mesmo levar meus pais, meus filhos e alguns amigos do meu antigo trabalho e junto com meus colegas atuais, a quem sou grata, tomamos café na Tentamen, que faz parte do patrimônio histórico e cultural de nossa cidade. Portanto, muito obrigada pelo carinho e delicadeza de todos. 

Era na Tentamen que aconteciam os principais bailes de antigamente. Lá meus pais frequentaram muitas festas e também era lá, que eu, pequenina e envergonhada, me escondia embaixo das mesas nas festas de carnaval. Hoje o prédio, após revitalizado pelo Governo do Estado, faz parte da FEM - Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, onde trabalho. Entre outras atividades culturais, está disponível para a comunidade, mediante agendamento e pagamento de uma pequena taxa de utilização e está sempre com a agenda cheia. 

Não fizemos festa em casa. Na sexta, véspera do meu aniversário, recebemos alguns amigos para colocar a conversa em dia. Como eles saíram após a meia-noite, ganhei o segundo parabéns para você do dia e no sábado, minha querida e barulhenta família, ou melhor, uma pequenina parte dela, veio almoçar comigo.

Gostaria imensamente de ter feito uma grande festa, para agradecer por tantas coisas boas que vão acontecendo na vida da gente e que às vezes, parecem tão banais que nem damos a devida importância. E, que fique claro: isso não é o jogo do contente da Polyana, é só uma constatação. Afinal, ter uma família amorosa e amigos queridos para estar perto é tão importante, tão necessário que deveríamos estar comemorando o tempo todo.

É assim que eu me sinto. Aos quase cinquenta anos, ainda tenho fôlego e alegria para mais cinquenta, quem sabe. Talvez, pudesse relaxar mais, deixar a vida correr mais levemente. Quem sabe, eu consiga um dia, não perdi as esperanças. E, inaugurando um novo cardápio aqui em casa, experimentei esse peixe, muito simples e saboroso. Como queria comer logo, precisei fazer com o peixe que tinha em casa, um linguado congelado.

Mas, o sabor é delicioso. A receita vem de um médico cardiologista de Ribeirão Preto, que largou o ofício para se dedicar apenas às panelas. O nome dele é João Roberto Pereira da Silva e ele tocava o restaurante La Pyramide, no mesmo local. Hoje, ao pesquisar o restaurante para colocar o endereço, descobri que o mesmo fechou em 2010 e seu dono dedica-se agora à consultoria na área e outras tarefas. A receita original foi publicada na Revista Casa e Comida, n.3, de fev/mar/2010. Aqui em casa, precisei improvisar, pois não tinha tomate fresco nem robalo, que foi o peixe utilizado por ele. Mesmo com ajustes, o prato foi aprovadíssimo por todos.Faça, você não vai se arrepender!


O peixe com o leite de coco e o dendê em volta e o molho de tomate por cima, pronto para ir ao forno...

Linguado ao Leite de Coco e Dendê

(Adaptado da receita original de João Roberto P. da Silva, do La Pyramide, publicada na revista Casa e Comida n. 3, de fev/mar de 2010) 

Ingredientes

Para o peixe

600g de filé de linguado (Ou outro peixe de sua preferência)
1 vidro de leite de coco, de 200ml
3 colheres de sopa de azeite de dendê
sal e limão

Para o molho de tomate

2 colheres de sopa de azeite de oliva
1 dentinho pequeno de alho, batido com uma pitada de sal
1 lata de tomates pelados, com o molho, bem picadinho
2 raminhos de manjericão fresco, ou a gosto, sem os talos (aproximadamente 20 a 25 folhinhas não muito grandes)
1 pimenta dedo de moça, picada, sem as sementes
1 pitada de sal
3 colheres de chá de açúcar para corrigir a acidez (que me perdoem os puristas, mas foi necessário)
2 colheres de chá de amido de milho
1/4 xícara de água

Modo de Fazer

Para o peixe

Lave o peixe em água corrente (após descongelado), e deixe de molho em água com limão por dois ou três minutos. Após esse tempo, lave novamente, escorra e salgue de um lado só, com um pouco mais de sal do que o necessário, mas não demais. Reserve por dez minutos. Após esse tempo, lave ligeiramente para retirar o excesso de sal, escorra e seque com papel toalha ou um pano de prato limpo. Arrume os filés em uma assadeira (ou pirex), untada com azeite de oliva. Distribua o leite de coco entre os filés, sem derramar por cima e faça o mesmo com o azeite de dendê, em fio. Reserve.

Para o molho de tomate  

Coloque o azeite de oliva numa frigideira, junto com o alho batidinho e deixe fritar um pouco, sem dourar. Acrescente os tomates picados, com o molho, uma pitada de sal e ajuste com o açúcar, provando para que não fique ácido. Se precisar, acrescente mais um pouquinho de açúcar. Acrescente a pimenta dedo de moça picadinha e o manjericão fresco picado. Deixe ferver um pouco, prove e ajuste o sal. Desligue o fogo. Peneire os tomates numa tigela e reserve o caldo. Por cima de cada filé, já na assadeira, acrescente montinhos de tomate. Leve ao forno moderado, até borbulhar e o peixe estar cozido, o que não demora muito, de 15 a 20 minutos, a depender do forno. Retire a assadeira do forno e reserve. Coloque o caldo de tomates peneirado numa panelinha, acrescente amido de milho dissolvido na água e deixe engrossar um pouco. Prove e ajuste o sal e a acidez, se necessário. retire os filés da assadeira com cuidado, colocando-os no prato de servir, com o molho de coco e dendê em volta. Sirva com arroz branco e o molho de tomate peneirado, à parte. Delicioso!

(Na receita original, foi usado robalo e tomate fresco, ao invés do de lata)