quinta-feira, 19 de julho de 2012

NOVOS SABORES

A tarte de banana comprida, deliciosa...


Esta semana teve um sabor diferente. Recebemos aqui no Acre uma delegação peruana, da cidade histórica de Cusco, que nos presentearam com sua rica história, sua cultura, suas danças e sua culinária. Parte de uma integração que começa de fato a se desenhar entre Brasil, Bolívia e Peru, com o apoio do Governo do Estado, a I Semana de Cusco no Brasil teve de tudo um pouco: rodadas de negócios, seminário com eminentes catedráticos, antropólogos e historiadores, desfiles de roupas e bijuterias, companhia de dança, música e orquestra e é claro, como não poderia deixar de ser, a apresentação de uma gastronomia com produtos tão marcantes quanto deliciosos.

O jantar degustação, beneficente, foi um show a parte: desde tabule de quinoa com manga na entrada até a sobremesa, uma espécie de rosca frita, entre o nosso bodó e o churro, com um creme a base de quinoa e uma calda de chicha morada (a chicha morada é uma bebida, feita a partir de um tipo de milho escuro), um pecado! Não tirei fotos e nem tenho as receitas, mas fiquei tão encantada que já comprei quinoa no supermercado e já me arrisquei numa livre interpretação a fazer o tabule. Recomendo, é muito bom!



O tabule de quinoa em livre interpretação...

E, para não perder o costume, depois do tabule veio o surubim assado com alho, um arroz sete grãos com legumes, caldeirada de mandim fresquinhos do mercado com arroz branco e para rebater, uma tarte tatin. Mas, uma tarte tatin de banana comprida. Claro, esse festim com alguém pra lavar a louça, que eu não sou de ferro! Bom domingo a todos!



A caldeirada de mandim na panela de barro...


Tarte Tatin de banana comprida (ou da terra, ou pacovan)

Ingredientes

Para o caramelo (adaptado do livro de Alice Waters, A Arte da Comida Simples):

6 a 10 colheres de sopa de açúcar branco (a receita original pede 6 colheres, mas acrescentei aproximadamente 4 colheres de sopa de açúcar demerara. O caramelo deve cobrir o fundo da assadeira).

2 colheres de sopa de manteiga (mesmo com o aumento do açúcar, mantive a quantidade de manteiga, mas pode ser acrescentado mais uma colher).

Para a banana:

2 a 3 bananas compridas maduras mas ainda firmes, descascadas, cruas, cortadas em três pedaços, cada pedaço cortado em quatro, no sentido do comprimento (a quantidade pode variar em função do tamanho da forma ou das bananas). Deve ser suficiente para cobrir todo o caramelo.


Massa (adaptada da Revista Casa e Comida deste mês)

1 xícara de farinha de trigo
1/2 xícara de manteiga gelada
2 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal
3 colheres de sopa de água gelada

Modo de fazer

Misture delicadamente os quatro primeiros ingredientes da massa. Após, acrescente a água gelada. A receita original pede de 1 a 3 colheres, mas nas duas vezes em que fiz, foram necessárias as três. Depende da farinha. Faça uma bola com a massa, deixe descansar uns minutos e reserve na geladeira. Pegue a forma (sem buraco no meio) e coloque o açúcar e a manteiga. Leve diretamente ao fogão e mexa devagar até formar um caramelo dourado. Tenha cuidado para não queimar. Reserve. Arrume os pedaços de banana por cima do caramelo, em círculo. Abra a massa reservada com um rolo entre duas folhas de filme plástico. Arrume a massa na assadeira ou forma, de modo a cobrir toda a área, por cima das bananas. Leve para assar em forno moderado, até a massa ficar dourada. Desenforme ainda quente, num prato de servir maior do que a forma, pois pode ter líquido do caramelo. Sirva com creme de leite azedado com umas gotas de limão ou puro.


Tabule de quinoa (livre interpretação)

Ingredientes

1/2 xícara de chá de quinoa real, mista em grãos (adquira em supermercado ou casas de produtos naturais)
1 xícara e meia de água
suco de 1/2 limão tahiti
1/2 cebola roxa, bem picadinha
pedacinhos de manga haden, a gosto
1 colher de sopa de mostarda
sal a gosto
folhas de alface

Modo de fazer

Coloque a quinoa em uma panela e acrescente a água. cozinhando por aproximadamente 10 a 15 minutos. Ela deve ficar macia, porém firme. Escorra em peneira, acrescente o suco de limão, a manga em pedacinhos, a cebola e o sal, misturando bem. Na hora de servir, se desejar, acrescente folhas de alface e coloque por cima um pouquinho de mostarda. Delicioso!

Veja mais informações sobre a chicha morada aqui:
www.culturaperuana.com.br/2011/?p=705

domingo, 15 de julho de 2012

AMIGOS...

O queijo Minas Frescal, com azeite e condimentos...

Não posso dizer que estou sem tempo. Diria, isto sim, que continuo desorganizada para usar o que me resta entre meia-noite e seis horas da manhã, mas faz parte. Um dia darei aulas melhor do que qualquer manual sobre como planejar cada minuto do meu dia e quem sabe, ser mãe, mulher, profissional, cuidar do blog, ter amigos, ficar bonita e, o principal, continuar feliz, tudo ao mesmo tempo agora, com um lindo sorriso nos lábios, cabelo arrumadinho, unhas feitas e dieta em dia.

Mas, enquanto esse dia não chega, tento usar os conselhos do meu filho mais velho.  Quando me vê muito aperreada, ele me diz: "Mãe, faça como Jack, o estripador, vá por partes..." Eu rio e tento seguir em frente e penso que mulheres são seres multidisciplinares, que trabalham em rede sempre, fazem dez coisas ao mesmo tempo e no meu caso, ficam às vezes à beira do caos.

Para que ninguém pense que os dias são todos iguais, ainda me recupero de uma pequena folga, onde retornei à Fortaleza, cidade onde morei por quase vinte anos e onde, além de familiares, deixei muitos amigos. Fiquei muito estressada tomando água de coco e comendo caranguejo na praia, mas considerem, alguém precisava passar por isso.

Reencontrar os amigos foi uma farra: não deu para ver todos, é claro, mas me diverti muito em cada encontro. Do jantar especial na casa do Prudente e Climene, aos dias na casa da Rosa, ao almoço na casa de Artemisa e Joaquim, arraial na Cleide, camarãozinho na Tia Néca e pequenos mimos culinários como a carne de sol caseira do seu Leão, tudo rendeu boas risadas e carinho, muito carinho.

Num desses encontros, reunimos uma parte da turma na casa do Válter, outro amigo querido. De repente, vê-los descascando alho, lavando arroz, picando temperos me encheu de orgulho, já que ninguém ali costuma cozinhar. Foram muitas histórias engraçadas e comida produzida para um batalhão, mas valeu a pena!

Parte da tropa, em breve descanso: Valter, eu, Roza, Rosinha e Gláuria

Na casa do Valter, o anfitrião da noite...
Do queijinho Minas frescal regado com azeite, orégano e pimenta calabresa às batatinhas com vinagrete e pimenta biquinho (receita já mostrada aqui no blog), passando pelos camarões ao alho e óleo e com catupiry e fechando com o velho pudim de leite (receita já mostrada aqui no blog), foi tudo perfeito. Veja as dicas e aproveite!

Forma com a calda dourada de açúcar para o pudim, que foi esfriado na geladeira...

Os camarões antes de receber alho picado, para finalizar...
As batatinhas com pimentas do reino e biquinho, alho, vinagre, sal e azeite...

Uma saladinha com alfaces diversas, rúcula, tomatinhos e lascas de queijo parmesão, temperada com uma mistura de azeite, vinagre e um pouco de mostarda. Ao lado, o camarão ao catupiry e molho branco, gratinado no forno...


Queijo Minas Frescal com azeite, orégano e pimenta calabresa

Ingredientes

01 queijo minas frescal ou outro queijo fresco de sua preferência
orégano e pimenta calabresa a gosto
azeite de boa qualidade, a gosto


Modo de Fazer

Coloque o queijo em um prato de servir, corte em fatias sem separar. Regue com bastante azeite, inclusive entre as fatias. Polvilhe com orégano e pimenta calabresa a gosto e sirva com torradinhas.






quarta-feira, 20 de junho de 2012

MOQUECA PARA OS AMIGOS

Moqueca pronta para o abate...



Ainda me lembro como se fosse hoje da primeira vez que vi o mar. Melhor dizendo, a primeira vez que em que me dei conta de que aquela imensidão azul era muito, mas muito maior do que o rio a que eu estava acostumada, tinha outra cor, outro sabor e o mais estranho, não dava para andar nele de canoa.

Eu devia ter uns cinco anos e minha mãe fazia a primeira visita aos pais, irmãs, cunhado e sobrinhas que haviam arribado numa viagem inversa à que os cearenses fizeram para o Acre.  A rua em que meus parentes agora moravam era o sonho de consumo de qualquer menino soltador de papagaio, tamanho o vento, a fazer redemoinhos e levantar as saias. Em vez de tijolos, areia muito branca, a entrar metida pelas sandálias dos pequenos.

Voltando ao mar, meu tio pegava aquele bando de meninos deslumbrados e nos levava a todos para uma praia nesta época muito limpa e eu nem mesmo imagino como fazia para nos controlar e evitar que a falta de costume nos fizesse engolir muito sal.
De quando em vez, saíamos bolando, levados por ondas que empurravam tudo, até crianças magrinhas que ainda não sabiam como se comportar.

Mas, o meu maior encantamento era esperar a onda vir e de costas para o mar, em pé na praia, esperar que ela voltasse e transformasse meus pés  em pequenas pranchas de surfe, dando a nítida impressão para os meus olhos de menina, de que eu é que saía do lugar, não a água ao passar pelos meus pés. Por muito tempo naveguei nessa ilusão. Até que, já grandinha, voltei ao mar e ao tentar reproduzir aquela lembrança tão cara, percebi que havia me enganado.

Passei um bom tempo sem acreditar. Minha sensação foi aquela de quem chega já crescido num quintal que frequentava na infância, após muitos anos sem pisar naquele chão e se dá conta de que ele é infinitamente menor do que o tamanho que ficou na lembrança. Mas, optei por acreditar que sim, é possível surfar na areia. E mesmo adulta, guardei aquele encantamento como um presente, uma lembrança feliz a que eu recorro quando preciso lembrar que meus pés, ainda que sem sair do canto, podem me levar a viagens infinitas. Basta ter espírito de criança e deixar a vida fluir.

Esta semana consegui tirar alguns dias necessários de férias. Não o suficiente, mas o possível, o que já está me fazendo um bem enorme. E hoje consegui molhar os pés na água do mar e de novo lembrar a criança que fui. E também fiz a primeira visita aos pais da namorada do meu filho mais velho, uma família encantadora, que tive muito prazer em conhecer. E reencontrei velhos e queridos amigos, que sempre estarão no meu coração. Assim como as águas, a vida segue em ondas e nos mostra os começos e recomeços de cada ciclo e estou muito feliz por essa nova etapa.

Para comemorar, nada como uma boa moqueca, com o peixe e o camarão comprados fresquinhos ali perto da casa da Rosa, minha querida anfitriã, que sabe como é, não tem colher de medida nem batedeira em casa, mas adora comer. Na sobremesa, um creminho gelado, receita da Artemisa, a mãe da minha norinha, uma delícia. 


Moqueca para o jantar, à minha moda

Ingredientes

1 kg de filés de pargo (peixe de água salgada) ou equivalente, sem a pele, cortado em postas
1/2 kg de camarões sem casca
2 tomates maduros
1 pimentão verde
1 cebola grande
ramos de salsinha picados finamente, a gosto
1/2 xícara de cebolinha, picada finamente ou a gosto
1 limão
4 dentes de alho pequenos
5 a 6 colheres de sopa de azeite de dendê ou a gosto
colorau a gosto
1/2 vidro pequeno de leite de coco ou a gosto
sal a gosto
Azeite a gosto
Água quente


Modo de Fazer

Lave rapidamente os pedaços de peixe, coloque-os numa tigela e sobre eles, esprema meio limão, deixando por alguns minutos. Lave novamente, seque ligeiramente e passe sal sobre um dos lados de cada pedaço, não demais. Deixe descansar por aproximadamente meia hora. Corte um tomate, metade do pimentão e da cebola bem picados. Corte o restante em rodelas, assim como o outro tomate. Reserve, juntamente com a salsinha e a cebolinha picados, arrumados em um prato. Lave os camarões com água e limão, escorra e coloque um pouquinho de sal. Reserve. Numa panela média coloque 3 a 4 colheres de azeite e o alho amassado e deixe dourar levemente. Acrescente a cebola, o pimentão e o tomate picados, bem como um pouquinho da salsinha e cebolinha picados. Deixe refogar, acrescente 1 a 2 colheres de chá de colorau, misturando bem. Coloque algumas colheradas de água quente, para não grudar e deixe refogar mais um pouco. Arrume com cuidado as postas de peixe por cima do refogado, até preencher a panela. Coloque fatias de tomate, pimentão e cebola por cima, bem como salsinha e cebolinha picados. Regue com metade das colheres de azeite de dendê ou um pouco mais, se gostar. Faça uma segunda camada do peixe e verduras, tampe a panela e deixe cozinhar alguns minutos. Acrescente um pouco de água quente, ajuste o sal e tampe novamente. Após 5 ou 6 minutos, distibua os camarões por cima, regue com o leite de coco e deixe cozinhar mais um pouquinho, o suficiente para que os camarões avermelhem. Polvilhe cebolinha e sirva com arroz branco e pirão, se desejar. Esta aqui foi feita com um pouquinho mais de dendê, mas ele pode ser reduzido, a gosto. Deixe descansar por 5 minutos e sirva em seguida. Lembrete: peixes e camarões jamais podem cozinhar demais, bastam alguns minutos.


Sobremesa da Artemisa ligeiramente adaptada

1 lata de leite condensado
2 potes de Danette (marca registrada) de chocolate branco (pode ser do escuro)
2 caixinhas de creme de leite (1 apenas na receita original)
1/2 xícara de flocos de Ovomaltine (marca registrada) ou a gosto

Bater no liquidificador o leite condensado, os potes de Danette e o creme de leite. Forrar o fundo de um refratário com os flocos de Ovomaltine, despejar com cuidado os ingredientes batidos e polvilhar mais Ovomaltine. Levar ao congelador e servir quase congelado, em taças. Delicioso!


No jardim de amigas, Rosa e Roza e Cleide, irmã da Rosa: moqueca e vinho, sobremesa e bolo para mais tarde...


domingo, 10 de junho de 2012

COOKIES PARA O LANCHE


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Os cookies de chocolate, debaixo do pé de jambo...


Meu professor  de Inglês tem uma qualidade rara, além da competência: é muito paciente. Suas aulas são a cara da escola, divertidas e antenadas. Se não fosse, já me teria dado as contas por irromper na sala por duas vezes carregando bandejas. A primeira com pão, geléias e bolo, transformando a aula num lanche coletivo. Sabe como é, quem gosta de cozinhar termina levando os outros na banda...

Mas, acho que os colegas não reclamaram. Nem ele, é claro! Na segunda vez, resolvi assumir o lado cobaia que gentilmente meus colegas reivindicaram e apareci com uma bandeja de cookies recém-assados que provocou muitos humm-hummm...desta vez, deixamos para a hora do intervalo e foi uma festa. Os cookies são biscoitos característicos dos Estados Unidos. Os mais tradicionais levam pedacinhos de chocolate na massa, mas nele cabe de tudo: castanhas, nozes, coco, chocolate meio amargo e o que mais a imaginação mandar. São rápidos, fáceis e nem precisam de assadeira untada, apenas um pouco de atenção na hora de executar a receita.
 
Esta aqui foi ligeiramente adaptada do ótimo livro  da Heloísa Bacellar, o Cozinhando para Amigos. Como não tinha chocolate branco, usei gotas de chocolate meio-amargo da Callebaut, mas você pode perfeitamente cortar uma barrinha de chocolate em pedacinhos, o que dá o mesmo efeito. Acompanhe com um chocolate quentinho ou um copo de leite e curta esse esse restinho de frio que já está acabando!

Cookies com castanha do Pará (ou do Brasil) ligeiramente adaptado

Ingredientes

100g de chocolate meio-amargo em pedaços
1 e 1/2 xícara de farinha de trigo
1/2 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de sal (a receita original pede 1 colher)
1/2 xícara de açúcar refinado
1/2 xícara de castanhas picadinhas, levemente tostadas (a receita original pede nozes)
150g de manteiga gelada em cubinhos
1 ovo
100g de gotas de chocolate meio-amargo ou a mesma quantidade de chocolate cortado em pedacinhos pequenos (a receita original pede chocolate branco)

Modo de Fazer 

Separe duas assadeiras grandes. Derreta o chocolate meio-amargo em banho-maria e reserve. Numa tigela, acrescente a farinha, o bicarbonato, o sal, o açucar, as castanhas, junte a manteiga e misture delicadamente com as pontas dos dedos, até conseguir uma farofa. Acrescente o ovo e o chocolate derretido. Por último, misture os pedacinhos de chocolate. A tigela deve ser levada à geladeira para firmar um pouco a massa. Nesse momento, aqueça o forno a 180 graus. Após uns 15 minutos, retire a tigela da geladeira e com uma colher de chá tire porções da massa e vá colocando na assadeira, mantendo uma distância de 3 a 4 cm entre elas, pois ao assar, o biscoito se espalha. Leve ao forno moderado por uns 10 a 12 minutos. os biscoitos saem ainda moles do forno e devem esfriar um pouco antes de serm descolados da assadeira. Após esfriarem por completo, guarde-os em potes bem fechados. Bom apetite! 


sábado, 2 de junho de 2012

DIETA, MAS NEM TANTO

A rua dos meus pais, ao cair da tarde...

Depois de uma semana de muita correria e uma alteração na pressão nada desejável, resolvi tomar vergonha e coragem: como hoje não é segunda-feira, penso que a decisão se manterá por mais tempo, assim a saúde agradece e a família idem. Portanto, tênis no pé e assim que amanheceu o dia, pus-me a passear pelo bairro. Claro, não posso nem pensar em virar atleta e sair correndo por aí. Pensei então que a primeira negociação é com este corpinho sedentário: sair da zona de conforto e da tapioca com manteiga e café preto logo de manhã.


A segunda é convencer este cérebro preguiçoso. Sim, porque caso isso não esteja resolvido, vocês sabem, a probabilidade de sabotagem é imensa. Daí o começo pelas ruas tranquilas do bairro onde moro, olhando as plantinhas nas calçadas, ouvindo o cachorrão doido pra dar o bote, devidamente resguardado pelo portão imenso. No meio da caminhada, vejo uma senhora cortar de forma furtiva galhos de uma planta na calçada. Olhando para os lados, enfiou tudo numa sacola plástica e saiu rápido.


Atravessei a rua, curiosa. Peguei uma folhinha e o cheiro de cidreira me invadiu as narinas. lembrei de imediato que quando criança, gostava de sair pelas casas, pedindo flores. Zínias, cravos, rosas, onze-horas abundavam nos nossos quintais de antigamente. Chegava nas casas e pedia galhos, flores e plantas e em casa, arrumava tudo com cuidado. Havia um pequeno beco, meio escondido, por onde se ia para uma ruazinha paralela onde não passava carro. Lá, em todas as residências as flores explodiam em cores, formando na minha memória de criança uma das mais lindas lembranças.


Era como um jardim encantado. Até hoje, amo plantas e flores, é onde me sinto em casa, quando estou perto delas. Aqui em casa, a lateral começa a se cobrir de rosa choque por causa das flores de jambo, que sem pudor nenhum se esparramam pelo chão, fazendo inveja aos estilistas. É de chocar de tanta boniteza, mesmo.





Mas, a vida não é só dieta e exercício. E como sou completamente adepta da comfort food, aquela comidinha de alma que ajuda a equilibrar o dia, preparei o bolo de laranja para tomar com café. Se sobrar, o que acho difícil, corte em fatias de espessura média, coloque-as numa assadeira sem untar e leve-as ao forno. Você terá torradas de bolo deliciosas para tomar com chá, café ou chocolate. Esta é uma das receitas que você pode fazer, ligeiramente adaptada do ótimo site La Cucinetta (www.lacucinetta.com.br). Aproveite!




Bolo de Laranja  (ligeiramente adaptado)

Ingredientes

1 copo de iogurte natural, integral e mais um pouquinho para completar 180ml
1 copo (use o do iogurte) de azeite ou óleo de boa qualidade (usei azeite)
2 copos de açúcar cristal (usei refinado, pois não tinha do outro em casa)
3 copos de farinha de trigo branca
2 colheres de chá de fermento para bolo
raspas de 1 laranja
1 a 2 colheres de sopa de suco de laranja (não constantes da receita original)

Modo de Fazer

Ligue o forno a 180 graus. Passe manteiga e farinha em uma forma média, de buraco no meio e reserve. Misture os ingredientes líquidos, acrescente os ovos, batendo um pouco até ficar homogêneo. Acrescente a farinha, o fermento e as raspas e misture bem. Coloque na forma e no forno até dourar. Se desejar, polvilhe açúcar de confeiteiro para dar um charme. Bom apetite!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

É PRECISO SEMPRE SONHAR




A sobremesa...



Meu atual trabalho me permite grandes alegrias. Estou perto de pessoas sérias, que amam cultura e tenho convívio diário com artistas, produtores culturais, escritores, pintores e representantes da legítima cultura popular. Um alento para as milhares de obrigações diárias. E na semana passada, recebemos em visita na Fundação de Cultura Elias Mansour um príncipe das artes, o pintor e engenheiro Sansão Pereira.

Começamos a conversar, com a ajuda do amigo e fiel escudeiro Benevides, além da presença de seu ajudante particular e do diretor da Biblioteca da Floresta, Marcos Afonso. Sorriso nos lábios, munido da boneca do seu próximo livro (uma espécie de primeira versão), a viagem começou. Com fotos de muitos de seus trabalhos, espalhados pelo mundo, agrupados por assunto, mergulhamos um pouco nesse universo fascinante.

Aos quase 93 anos, Sansão Pereira continua encantador como deve ter sido na juventude. Memória perfeita, esse artista que saiu do Acre ainda criança para morar em Belém e de lá foi para os Estados Unidos estudar, revelou marotamente que sempre gostou de arte, museus, porém nunca havia desenhado ou pintado até casualmente deparar-se com uma escola de Artes nos Estados Unidos, onde estudava engenharia.

Curioso, resolveu entrar na escola e de lá só saiu após seis anos de estudos, ao mesmo tempo em que continuava com a Engenharia. Construiu usinas por esse Brasil todo, além do Acre. Mas na pintura ganhou prêmios e reconhecimento, além de participações em salões importantes. É de Sansão a linda obra na Catedral de Rio Branco, que encanta a todos que tem a oportunidade de visitá-la, bem como é de sua autoria o maravilhoso painel do Palácio Rio Branco. Esse painel foi pintado por partes e o artista só as viu reunidas quando de sua colocação no Palácio, o que demonstra o seu domínio da técnica. 

Ao passar as páginas do livro, iam surgindo histórias e momentos de sua vida, pessoas ou acontecimentos que o levaram a pintar este ou aquele quadro. Mas, além das cores belíssimas e das lembranças por trás de cada uma daquelas obras, dois momentos me emocionaram em particular: quando ele nos disse que no dia 11 de Junho próximo completará 93 anos e que "...se Deus quiser e ele há de querer, estou me preparando para chegar aos 100 anos".

Pensei na hora no tamanho dos meus problemas e vi a dimensão do que acabara de escutar. Um homem de quase 93 anos, que trabalha todos os dias no seu atelier a partir das seis horas da manhã, sonhando com os 100 anos como se fosse os 21! E que olha para a vida com olhos de criança sapeca que desconhece qualquer limitação...
Cheio de planos e ideias como um adolescente ao pensar na vida...Fiquei muda, escutando com todo o respeito. 

O outro aconteceu quando no meio da conversa, ao olhar no livro um quadro relacionado ao Flamengo, time de seu coração, eu como boa vascaína, fiz uma careta, mas amenizei: "Bom, meu filho mais novo é flamenguista, é o jeito conviver com isso, coisa e tal", e aí ele deu um largo sorriso.

Benevides, Sansão Pereira, eu e Marcos Afonso, tendo ao fundo um quadro do Danilo de S'Acre, outro artista maravilhoso, elogiado na hora pelo Sansão

Disse: "Escute, diga isto ao seu filho, pois você não vai esquecer: se você é Flamengo, Deus abençoa, mas se você não é Flamengo, Deus perdoa!". Começamos a rir de tanta paixão. Portanto, querido Sansão, lição de vida e de energia, muitas felicidades neste 11 de Junho que se aproxima. No dia seguinte, meu pai, outro bravo guerreiro, completará 71 primaveras. Temos que aprender com os fortes a sonhar sempre!

E, para não perder a viagem, peguei meu irmão e sobrinho e fomos hoje cedo ao Mercado.
Teve surubim frito e feijão com tudo dentro para o almoço. De sobremesa, açaí batido apenas com açúcar (eu sou antiga) e uma bela porção de farinha de tapioca para rebater. Sirva-se...


Feijão com tudo dentro

Ingredientes

500g de feijão verde
Quiabo, macaxeira, couve, jerimum, maxixe e mais algum legume de preferência, a gosto
Coentro, cebolinha, alho, chicória, sal, a gosto
Pimenta murupi, ou na falta dela, outra de sua preferência
Queijo de coalho ou da região, fresco, cortado em bastões, a gosto

Modo de Fazer

Limpe o feijão e coloque-o a ferver com um pouco de sal. Limpe os legumes e verduras que vai utilizar e deixe-os cortados, reservados. Acrescente ao cozimento do feijão alho amassado a gosto. (Se desejar, pode passá-lo em um pouco de azeite, antes de colocá-lo no feijão). Quanto estiver quase cozido, acrescente as folhas de couve, a macaxeira e o maxixe. Bem próximo de ficar pronto, acrescente o jerimum, o quiabo e o queijo. Ajuste o sal. Sirva com uma bela pimenta murupi cortadinha num pouquinho do caldo do feijão, arroz branco e surubim ou outro peixe de sua preferência fritinho na hora.
Ao terminar, tome um belo copo de açaí com tapioca e procure a rede mais próxima, acredite, você vai precisar.

domingo, 6 de maio de 2012

NO PARQUE DE DIVERSÕES...

O Mercado Novo, em Rio Branco...

Cozinheira que se preza fica mais do que feliz quando vai ao Mercado. As frutas da estação, os vendedores já conhecidos, pimentas vermelhas, verdes e amarelas, a macaxeira descascada em baldes com água fria para não escurecer, a castanha fresquinha... são conforto para a alma.

Para quem chega cedo, tomar um mingau de banana com mungunzá ou tapioca é uma perdição. O caldo quentinho, levemente engrossado, polvilhado com canela, faz qualquer sofrimento perder a razão de ser.  Compradores chegam aos montes na barraca da dona Francisca, que há mais de vinte anos produz essas e outras delícias. Agora ela trabalha apenas nos finais de semana: aos sábados leva quatro e aos domingos, oito panelões de mingau , com os quais criou três filhas. Além de tomar ali mesmo, os compradores trazem vasilhas ou latas de leite em pó secas para levar aos que ficaram esperando a iguaria em casa.


A dona Francisca e os panelões de mingau...


O pão de milho (cuscuz no Nordeste) vem dividido nos saquinhos, em talhadas, onde ao gosto do freguês recebem um banho de leite de coco ou castanha ali na hora e são então fechados e entregues. Junto com ele, vão pés-de-moleque (uma espécie de bolo) assados na folha de bananeira, feitos com macaxeira, cravo, diferentemente dos que se comem no resto do país, mas tão gostosos quanto.
Dependendo da época, você vai encontrar abacaxis muito doces, açaí ou banana comprida aos montes. Pupunhas de casca amarela e vermelha, cajaranas e ingás.
Pato e galinha caipiras, tem na dona Dorinha. O surubim e o filhote, cortados no capricho, estão na banca da Socorro e do Rui. O porco e o carneiro são especiais na banca do seu João, que um dia me ligou às seis da manhã e disparou: “É a mulher do Carneiro?’’ Ao que eu, tonta de sono, respondi que o nome do marido era outro, ouvi a pergunta, desta vez mais explicada: “Mas não foi a senhora que me encomendou um carneiro?” “Foi, seu João, só não achava que o bicho ia estar pronto tão cedo...”
Ficamos amigos desde uma vez em que eu, entendendo muito pouco de carneiros e bodes, fui por lá com  a incumbência de comprar alguns quilos de carneiro. Já era tarde e depois de perguntar aqui e ali, me chega aquele senhor de cara séria e se dispõe a me levar no que segundo ele, àquela hora, seria minha única salvação: um vendedor da confiança dele, carne fresca, de primeira.

O seu João atendendo à freguesia...
Comprei quase dez quilos do tal carneiro. Foi comido assado, cozido, elogiado e repetido. O cozinheiro chefe foi o Meirelles, nosso querido indigenista e eu arrisquei um cozido em panela de ferro. Passados alguns dias voltei ao Mercado e escuto aquela voz forte a perguntar: “E então, dona, o bode “tava” bom?”  Comecei a rir sozinha do logro e desde então quando quero porco ou carneiro, é para lá que eu  vou, não sem antes recomendar ao seu João que não me enrole.


A Socorro, pesando o peixe, com o Rui ao fundo...





No mercado, se tiver quem carregue as sacolas, não me controlo. Meus filhos dizem assim: “A mãe vai aplicar o velho golpe...” ou seja, dizer que vou comprar apenas umas coisinhas e sair de lá carregada...
Fico tão encantada com aquela explosão de cores e cheiros que meu marido muitas vezes vai comigo só pelo divertimento de me ver passar de banca em banca escolhendo frutas e pimentas e verduras e a goma para tapioca, o jerimum para o doce e o pão, o queijo para comer fritinho, as couves do charuto e por aí vai...
No próximo sábado ou domingo, estique as canelas, vá ao Mercado!