sexta-feira, 27 de abril de 2012
COME-SE NA FLORESTA
O pão saído do forno e o chutney de manga, para pecar...
No ano passado, deparei-me com a notícia de que uma das minhas blogueiras prediletas estaria em Rio Branco, mais precisamente em Acrelândia, acompanhando um projeto da USP (leia mais em http://www.marcelo-penalama.blogspot.com.br/p/projeto-acre.html), com a presença de outros profissionais na área de saúde. Neide Rigo, nutricionista e autora do ótimo blog Come-se, é a simpatia em pessoa. De quebra, no único passeio que fez no mercado de Rio Branco, identificou a presença do corante amarelo tartrazina no nosso tucupi alaranjado (leia matéria completa em http://come-se.blogspot.com.br/2011/07/tucupi-amarelinho-amarelo-tartrazina.html), que pode trazer sérios riscos à saúde e é vendido livremente nos boxes, inclusive a pedido do cliente.
O blog dela tem receitas, tem produtos, tem histórias e nessas conversas escritas, a Neide vai semeando um Brasil para os brasileiros e para o mundo, seja em Uauá, no Senegal, nas ruas de São Paulo ou nos quintais de Acrelândia: tudo se come, basta ter conhecimento e vontade de experimentar. Além disso, é dessas pessoas de se gostar na hora, tamanha a simplicidade. Eu não sabia ainda disso quando mandei um e-mail, na visita do ano passado e me dispus a ir até Acrelândia, em um domingo de sol, para conhecê-la. O maridinho, é claro, companheiro de aventuras, foi junto.
Passamos umas horas agradáveis a falar de comida e nos reencontramos em São Paulo, onde eu e Marcos fomos a convite da Neide para um piquenique entre amigos, frequentadores de uma praça no bairro da Lapa, perto da casa deles. Levamos farinha e biscoito de castanha para o encontro mensal, com meninos correndo felizes, onde cada um leva o que sabe e o que gosta, num festival de cores e sabores (leia em www.piqueniquepertodecasa.blogspot.com/).
Neste mês, a Neide voltou ao Acre e foi direto para o interior dar continuidade ao seu trabalho no projeto. Mandou-me um e-mail e entre quase desencontros, passamos umas felizes horas regadas a pães caseiros incluindo um de cupuaçu, café, pão de milho (cuscuz) no leite de castanha, pé-de-moleque e conversa, na companhia de um time de médicas, enfermeira e nutricionistas. Já fizemos o convite para que mais na frente ela possa falar um pouco para nós do seu trabalho, que tem muito da concepção sustentabilista que defendemos.
Ao chegar em casa, botei a preguiça de lado e como se diz no Nordeste, não contei pipoca: resolvi fazer uma das receitas da Neide, o ótimo pão de jerimum (abóbora), que rende quatro unidades e dura bastante na geladeira. Para acompanhar, um chutney de manga, uma espécie de geléia agridoce, do livro da Vera Saboya, Ateliê Culinário para Viagem, da Zahar Editora.Terminei à meia-noite, com um cheirinho dos deuses dentro de casa. Faça, é muito bom!
Ingredientes
Para o pão (Pão de Moranga Cabochá e Nozes da neide Rigo - adaptado)
10g de fermento seco para pão
1 1/2 xícara de chá de água morna
1 colher de sopa de sal
3 colheres de sopa de açúcar
1 ovo
500g de abóbora japonesa cozida (usei jerimum da região), fria, cerca de 2 1/2 xícaras de chá
1kg de farinha de trigo, mais um pouco para polvilhar os pães e para as assadeiras
100g de manteiga em pomada (amolecida)
200g de nozes (usei 100g de uma mistura de amêndoas, pistaches e macadâmias, mas pode ser usado castanha do Brasil, pura ou misturada com outras frutas secas, a gosto)
Modo de Fazer
Coloque numa tigela o fermento, o açúcar e 1/2 xícara de água. Após 15 minutos, acrescente o sal, o ovo, o restante da água, a manteiga, o jerimum e as frutas secas. Vá acrescentando a farinha, misturando com as mãos, até ficar uma massa macia, que desgrude das mãos. Deixe fermentar em uma vasilha coberta com um pano por meia hora ou até que dobre de volume. Retire da vasilha, amasse um pouco, separe em quatro porções, molde os pães a gosto e deixe-os crescer em assadeira untada e enfarinhada. Polvilhe farinha de trigo por cima e se desejar, faça cortes com uma lâmina afiada, para dar um formato bonito. Após terem dobrado de volume, leve-os ao forno quente por aproximadamente 10 minutos. Após esse tempo, diminua um pouco a temperatura e deixe-os por volta de 50 minutos. Como cada forno é diferente, podem acontecer variações no tempo de forno. Uma boa medida é ficar atenta ao aroma e coloração: eles devem ficar dourados e produzir um som oco ao se dar uma pancadinha no centro. (No blog da Neide há pequenas variações no modo de fazer, mas acredito que o resultado final seja parecido). Quando os tirar do forno, tire-os também da assadeira e de preferência deixe-os esfriar em um local arejado, para que não criem umidade embaixo).
Para o Chutney de Manga (Mango Chutney, adaptado)
Ingredientes
2 mangas Haden, maduras, médias, picadas
2 maçãs, sem casca, em cubinhos
7 colheres de sopa rasas de açúcar (usei metade mascavo e metade branco)
1/2 xícara de chá de passas pretas
1 1/2 xícara de vinagre de maçã
1 pedaço de 4cm de gengibre, picadinho
1 pimenta dedo-de-moça sem as sementes, picadinha
1 pedaço médio de canela em pau (após o cozimento, deve ser retirado)
1 dente de alho grande, picadinho
1 pitada generosa de sal marinho
Modo de Fazer
Coloque as frutas e os demais ingredientes em uma panela média, de fundo grosso. Cozinhe em fogo brando, mexendo de vez em quando, sem deixar queimar, até virar uma geléia com pedaços de frutas. A depender da acidez, pode ser necessário acrescentar um pouquinho de água e ainda, 2 ou 3 colheres de açúcar. Acondicione ainda quente em pote lavado e esterilizado e conserve em geladeira.
domingo, 15 de abril de 2012
GRACIAS AOS AMIGOS
| O bolinho, com pedaços de chocolate e recoberto com açúcar de confeiteiro, para dar um charme...
Não sei vocês, mas cresci sabendo o nome dos vizinhos e tendo os filhos deles como primeiros amigos e cúmplices. As calçadas serviam no final do dia para espalhar cadeiras e ali a meninada se reunia para escutar as conversas dos adultos, sempre mais interessantes. De vez em quando, levávamos um chega pra lá, se fosse considerado que a curiosidade extrapolava a idade que tínhamos e de forma brincalhona, éramos convidados a brincar em outra freguesia.
Os vizinhos dividiam frutas e conforme a época, sempre era possível receber um cupuaçu ou goiabas. Manga, não precisava, tinha em todos os quintais. Graviola, lembro-me com pena, de tanto que tinha em nosso quintal, às vezes até estragava, embora o excedente fosse quase sempre fosse distribuído entre parentes e amigos. Laranjas e tangerinas eram cobiçadas e normalmente vinham de alguma colônia, como se chamam por aqui as chácaras. Ou, em caminhões carregados vindos de fora, compradas por cento. Nesses dias, sentávamos na varanda e chupávamos laranja até a barriga não aguentar mais.
Mas, o que sempre me encantava era receber de presente em nossa casa algum pratinho ou pequena panela com uma "provinha" de guloseimas produzidas pela vizinhança ou mesmo na casa das tias e até de colegas de trabalho dos meus pais. Bolos, mungunzá ou canjica, pé de moleque, pamonha...às vezes eram biscoitos ou cocadas e até mesmo comidas de sal: macaxeira cozida desmanchando de tão macia, tapiocas e até mesmo uma porção de panelada (cozido feito com as tripas e o bucho do boi, tratados, temperados e cozidos com caldo, às vezes com batatas e até mesmo linguiça).
Da mesma forma, quando em casa se fazia alguma coisa gostosa, era de praxe fazer um pouco a mais para mandar pequenas porções aos vizinhos e amigos ou mesmo devolver o agrado com outro: o costume se mantém até hoje, de preferência na mesma vasilha. Pequenas gentilezas que quase desapareceram, nessa corrida enlouquecida contra o tempo, mas que aqui e ali ainda se manifestam.
Dia desses, recebemos aqui em casa uma galinha gorda, galinha de verdade, criada livre nos terreiros do interior. Nada de músculos engordados com hormônios nem ossinhos de faz de conta. A Juciele, colega do meu marido, ao me ver saindo de uma dengue/virose, anunciou o presente: "Olha, vou levar uma galinha caipira pra você se recuperar logo..." Nem preciso dizer que deu vontade de adoecer mais vezes, mas aí seria uma covardia...
A sabedoria popular sempre disse que boca fechada e canja de galinha nunca fizeram mal a ninguém e nossas avós passavam muito tempo engordando as bichinhas quando se descobriam grávidas. O "'resguardo" era tratado com uma canja substanciosa feita com arroz cozido e batatas e bons pedaços de galinha e tenho a impressão de que é por isso que meus pais estão aí, lépidos e fagueiros mesmo com a idade que tem.
Pois bem, a danada da galinha foi degustada no outro dia, bem temperada com sal, alho, pimenta e um tantinho de colorau, num caldo grosso, com farinha e um pouquinho de arroz. Prato fundo, cada colherada de caldo enriquecida com um pedacinho da carne, o cheiro tomando conta da casa, senti-me no céu. Para rebater, uma xícara de café gourmet, presente do Rodrigo, uma delícia.
Como meu filho havia pedido um bolo de cenoura, resolvi atendê-lo com uma das duas receitas que normalmente faço e de quebra, mandei uma "provinha", como boa acreana, para os nossos presenteadores. Espero que eles tenham gostado.
A receita abaixo é da dona Rosa Lacombe, a elegante proprietária de um restaurante no Leblon-RJ, chamado Celeiro, que prima pela qualidade de seus produtos e é de uma simpatia total. Dona Rosa tem dois livros publicados e tivemos o prazer de conhecê-la e presenteá-la com a nossa ótima farinha de Cruzeiro do Sul.
Bolo de cenoura do Celeiro (adaptada)
Ingredientes
1 xícara de óleo de boa qualidade
3 xícaras de cenoura ralado fino
1/2 xícara de açúcar branco
1 xícara de açúcar mascavo
1 xícara de farinha branca
1 xícara de farinha integral (neste aí de cima, usei apenas farinha branca)
4 ovos em temperatura ambiente
1/2 colher de chá de noz moscada (não usei neste aí de cima)
1 colher de chá de canela
1 pitada de sal
2 colheres de chá de fermento em pó
1/2 xícara de nozes (não usei, mas pode ser utilizado castanha do Pará ou do Brasil)
1/2 xícara de chocolate picado para a massa
1 tablete de chocolate meio amargo ou sobras de ovos de Páscoa, a gosto (opcional, não consta na receita original)
Usei 1/2 xícara de passas ao invés das nozes, mas também dá para colocar 1/4 de xícara de cada
Modo de Fazer
Misturar os ingredientes secos com as nozes e/ou passas e reservar. Bater os açúcares com o óleo e juntar os ovos um por vez, batendo bem após cada adição. Adicionar a cenoura, os ingredientes secos com as nozes e/ou passas, acrescentar o chocolate picado e misturar bem. Colocar em assadeira retangular média untada e polvilhada ou, como aqui, em formas para cupcakes (neste caso, rende aproximadamente 24 bolinhos) por aproximadamente 20 minutos em forno moderado ou até espetar um palito e sair limpo. Cubra com o chocolate assim que sair do forno e depois de derretido, espalhe ligeiramente. Depois de frio, polvilhe com açúcar de confeiteiro, se desejar. Aproveite para distribuir pequenas amostras para os amigos. Bom apetite!
******************************************************************************
Restaurante Celeiro: acesse http://www.celeiroculinaria.com.br/
|
domingo, 8 de abril de 2012
CHOCOLATE, CHOCOLATE, CHOCOLATE
| O bolo de chocolate, com cobertura cremosa... |
Passei esta semana de molho em casa, com uma virose e/ou dengue que os exames ainda tentam identificar. Dor até no caroço do olho, como se diz no Nordeste, vontade que o mundo se acabe e nos carregue junto. Mas, como depois da tempestade, já dizem os experientes, vem a bonança, já estou em plena recuperação. E, com isso, o meu lado de cozinheira compulsiva já começa a dar o ar da graça.
Em tempos de Páscoa, não dá pra escapar do peixe, do
bacalhau e do chocolate. Aliás, nem
quero... como não consegui ir ao mercado, escalei um dos queridos irmãos pra
resgatar o surubim fresquinho, sempre comprado no mesmo lugar, lá no Mercado
Novo, na banca do Rui e da Socorro. Compro sempre o filhote, mas desta vez, não
deu tempo e o surubim, fritinho depois
de levemente empanado com farinha de trigo, ficou de lamber o beiço. Também fizemos um ensopado:
leva-se ao fogo temperos diversos, cortados minimamente, com azeite e um pouco
de alho.
Depois de bem refogado, acrescenta-se um tantinho de azeite
de dendê para dar cor e sabor e colocam-se os pedaços de peixe, já anteriormente
polvilhados de sal para pegar gosto, arrumados em uma camada. Por cima, rodelas
de cebola, pimentão, tomate, coentro e cebolinha bem picados, umas folhinhas de
salsinha para fazer graça. Tampa-se a panela, com o cuidado de ter por perto
uma panela com água fervente. Após alguns minutos, se for o caso, acrescenta-se
um pouco da água. Mais uns cinco minutos e... com arroz quente e uma
pimentinha, não há quem recuse.
Não resisti e comprei um pouquinho de bacalhau. Depois de dessalgado
de um dia para o outro, permaneceu algumas horas de molho no leite, para dar
maciez. Tirei a pele e de novo, fiz um refogadinho com cebola, pimentão e alho,
tudo cortadinho bem pequeno. Coloquei em uma assadeira, arrumei por cima os
pedaços do bacalhau e reguei com muito, muito azeite, de boa qualidade.
Acrescentei pedaços de batata previamente cozidas, azeitonas pretas a gosto,
rodelas de pimentão e tomates e cebolas cortadas em quatro. Por cima, cebolinha
e salsinha miudinhas, mais e mais azeite, sem dó nem piedade.
Cobri a assadeira com papel alumínio e coloquei em forno moderado, uns
vinte minutos ou até que o cheiro demonstre que está no ponto. Tirei o papel,
acrescentei metades de ovos cozidos e depois de cinco minutos de forno, é só
partir para o abraço. Devido à grande quantidade de azeite, ele fica bem macio
e depois de comer, é só embeber um pedaço de pão para limpar o prato.| O bacalhau, depois de ir ao forno, debaixo da camada de batatas |
Mas, sem chocolate nada feito. Então, apesar dos lindos ovos de Páscoa expostos aqui
na sala, optei por testar uma receita de bolo de chocolate da Alice Waters, que
teve recentemente um livro traduzido aqui no Brasil, chamado convenientemente
de “A Arte da Comida Simples – Lições e
Receitas de uma Deliciosa Revolução”. Para quem não a conhece, ela é a “mãe”
do movimento Slow Food, dona do restaurante Chez Panisse e, além de vários
livros publicados, está à frente de vários projetos voltados para a conscientização
alimentar.
Precisei fazer algumas pequenas adaptações e por minha conta
incluí uma cobertura de chocolate meio amargo, só para afrontar, mas nem
precisa, pois o bolo é úmido e cai muito bem com uma xícara de chá ou café. A
ele, então ! E bom apetite!
Bolo de Chocolate da Alice
Waters (ligeiramente adaptado)
Ingredientes
115g de chocolate meio amargo partido em pedaços (chocolate amargo, no original)
2 xícaras de chá de farinha de trigo
2 colheres de chá de fermento químico em pó
½ colher de chá de sal (1/2 colher de sopa, no original)
6 colheres de sopa de chocolate em pó, de boa qualidade (cacau em pó, no original)
8 colheres de sopa de manteiga amolecida
2 ½ xícaras de açúcar mascavo e
demerara (só mascavo, no original. Como
o que eu tinha estava muito empelotado, usei 1 xícara de mascavo e 1 ½ do demerara)
03 ovos inteiros
03 ovos inteiros
2 colheres de chá de extrato de baunilha (eu sempre uso uma infusão caseira, de favas
de baunilha imersas em vodka, mas se não tiver, use o melhor extrato que
conseguir)
½ xícara de creme de leite e leite misturados (leitelho, no original)
1 ¼ xícara de água fervente
Derreta o chocolate meio amargo em banho-maria e reserve.
Misture em outra tigela a farinha, o fermento, o sal e o chocolate.
Reserve.
Bata a manteiga junto com os açúcares e o extrato de baunilha. Após,
acrescente os ovos. Quando estiver bem incorporado, acrescente o chocolate
derretido e bata mais um pouco. Acrescente metade dos ingredientes secos, a meia
xícara do leite e creme de leite misturados e após, o restante dos ingredientes
secos, misturando bem. Misture levemente a água fervente, apenas para
incorporar. Despeje em assadeira untada e enfarinhada (23cm de diâmetro) ou use
assadeiras retangulares, como para bolo inglês. Usei 03 delas, retangulares, com
medidas de 20cmx10cm e altura de 5cm.
1 barra de chocolate meio amargo de 170g
Aproximadamente 170g de creme de leite de caixinha
2 colheres de sopa de cointreau ou outra bebida de sua preferência
Chocolate em pó, para polvilhar (opcional)
Derreta o chocolate em banho-maria, acrescente o creme de leite
devagar, mexendo sempre. Por último, acrescente o cointreau e aplique a gosto
por cima dos bolos já frios. Se desejar, polvilhe chocolate em pó, um pouquinho, para não amargar.
Observações
Leitelho: é o soro resultante da fabricação da manteiga, também chamado
buttermilk. De forma caseira, com resultado semelhante, pode ser preparado adicionando-se
1 colher de sopa de suco de limão a 1
xícara de leite integral. Após alguns minutos, está pronto para o uso.
Slow Food: para saber a respeito desse movimento, criado em 1986 pelo
italiano Carlo Petrini como contraponto ao fast food, acesse http://www.slowfoodbrasil.com
domingo, 1 de abril de 2012
PARA MEU MARIDO
Mas, pessoas diferentes também podem se dar muito bem. Em que pese o gênio forte e a firmeza na voz, o maridinho é prático, objetivo e lúcido. Apaixonante e apaixonado, um guerreiro das ideias. Um forte, na acepção que eu tenho de ser forte: reconhecer as próprias fraquezas e ainda que sem aceitá-las totalmente, enfrentá-las de peito aberto.
Generoso, com a generosidade mais rara de se encontrar, aquela que não faz propaganda de si para ganhar o que quer que seja. Sonhador, sim, mas sonhador do sonho grande, da liberdade, da vida. O militante das grandes causas, capaz de encantar a quem o ouve. Sim, encantar. Mas só se encanta quando se acredita e só se acredita quando se tem coragem. Um corajoso, o maridinho.
Nesses anos, nossa, já são anos de vida em comum, aprendi muito. Aprendi a me respeitar e a ser respeitada, fui e sou amada e cuidada, às vezes com a carranca de um cachorro brabo, quando me vê teimosa, sem horário, sem limite. Aos domingos, às vezes o café vem na cama, numa bandeja enfeitada: uma flor, a xícara preferida, um biscoito ou torrada, muito amor.
Na semana, ele tem acordado mais cedo, para me deixar dormir um pouquinho. Faz o café, arruma a mesa e o jornal. Se demoro uns minutos, me chama com um beijo. Nem tudo, é claro, são flores, somos normais. Debatemos muito, divergimos outro tanto. Sou ansiosa e segundo ele, mandona. Acho que concordo. Um pouco, só.
Da propaganda que ninguém faz, ele é perfeito. Ele diz que
eu sou pragmática. Ele se diz romântico, mas eu também acho que sou. Não sei se
ele concorda. Muitas vezes sinto uma ternura imensa por esse lutador de tantas
batalhas e sou absolutamente apaixonada. Pelas ideias e pelo homem.
Pois esse senhor de cabelos grisalhos estará amanhã completando, como ele gosta de dizer, 50 voltas ao redor do sol. Cinquenta
anos. Meio século. Me assusta um pouco
sentir que o tempo, “...esse senhor tão bonito...” está passando tão rápido. A
vida vai escorregando numa velocidade estonteante por entre nossas mãos abertas
e nessas horas, me vejo egoísta, a desejar a eternidade. Mas, tudo passa, até o
tempo.
Queria entregar mil presentes e fazer a festa mais linda,
mas, sagrada diferença, ele, ao contrário de mim, não quer saber de
aniversário. Já me preparou lindas
festas, as melhores surpresas, mas estou proibida até a décima geração de
pensar em festejo. Já o desafiei, é claro, sem que ele soubesse e mesmo proibida de fazer festa, resolvi correr o risco: chamei o Pia Villa, amigo querido e artista maravilhoso, para cantar em uma tarde de Sociedade Philosophia, na Biblioteca da Floresta. O Pia veio a caráter, com a poronga na cabeça, foi uma emoção só vê-lo descer aquelas escadas cantando para o Marcos. Ele adorou!
Por isso tudo, maridinho, quero lhe dizer que desejo mais
cinquenta ou cem anos de felizes voltas ao redor do sol. Ao meu lado, é claro e
ao lado de todo mundo que te quer bem. São muitos. Desejo muito amor e que esse
amor seja como o meu, que está ao seu lado, para te proteger. Para o nosso
guerreiro filósofo, Feliz Aniversário!
| Na Livraria Travessa, no Rio, entre duas paixões: os livros e a máquina de escrever |
TIRAMISU (adaptado do livro Trattoria, de Patricia Wells)
Ingredientes
3 ovos, claras e gemas separadas, em temperatura ambiente
½ xícara de açúcar refinado
250g de queijo mascarpone*
1 colher de sopa de grappa (na falta, pode usar rum)
Cerca de 24 ou quanto baste de biscoitos tipo champagne de boa marca
1 xícara de chá de café espresso (ou
café de coador bem forte)
Chocolate ou cacau em pó quanto baste, de boa marca
Na tigela da batedeira, bata as claras em neve até que estejam firmes,
mas não secas. Reserve.
Numa outra tigela, bata as gemas com o açúcar até ficar bem claro.
Acrescente o mascarpone e bata apenas para misturar. Junte as claras em neve e
misture com cuidado. Reserve.
Numa travessa retangular, arrume um pouco do creme. Passe os biscoitos
rapidamente na mistura de café e arrume-os na travessa. Despeje uma parte do
creme e polvilhe chocolate em pó. Repita a camada com biscoitos, creme e por
cima, polvilhe bastante chocolate em pó.
Embale com filme plástico e deixe algumas horas na geladeira. Para
servir, corte pedaços retangulares do doce já firme, polvilhe mais chocolate se
desejar e aproveite!
* O Tiramisù é uma sobremesa italiana, em camadas, parecido com um pavê, por levar creme e biscoitos. Utiliza o mascarpone, que é um queijo cremoso italiano, com 90% de
gordura. Em muitas receitas, pode substituir o chantilly. Aqui em Rio
Branco, pode ser encontrada uma boa versão, da Empresa Balkis – queijo tipo
mascarpone.
domingo, 25 de março de 2012
PREPARAÇÃO PARA A DIETA
Segunda-feira, todos sabem, é o dia internacional da dieta. Na terça, os excessos do fim de semana começam a diminuir gradualmente aquela sensação de culpa que se instala, invariavelmente, no domingo à noite, pelo menos para mim. Faço promessas insanas de me matricular cedo na academia no dia seguinte, pendurar bilhetes ameaçadores na porta da geladeira, levar marmitinhas com frutas picadas e legumes crus para o trabalho e mais algumas ideias menos cotadas. Tudo em vão. Na quarta, já estou pensando se vai dar pra testar alguma receita nova no sábado de pouco tempo e minhas revistas culinárias já estão sendo folheadas sem cerimônia, numa falta de vergonha total.
Pensando nisso e no estresse que me causa, resolvi partir para a redução de danos: palavra bonita, na moda, com uma fundamentação mais que explicada, fiz um acordo comigo. Nada de cancelar assinaturas de revista, deixar de comprar meus livrinhos de culinária ou mesmo parar de cozinhar. Farei o que eu quiser, desde que (essa é a ideia chave) eu divida com a família e os amigos as aventuras, ou melhor, o resultado das aventuras com as panelas e mais importante, comerei apenas uma pequena porção, destinada, é claro, ao controle de qualidade necessário.
Também me dei ao luxo de não exigir muito de mim. Crianças, não me copiem, mas faltei neste sábado à aula de Inglês que eu adoro, apesar de ter resistido durante anos à essa imposição linguística: sabe como é, para morar no Brasil parece que precisamos falar inglês. Afinal, os delivery, o shopping, cheeseburguers e milkshakes já estão bem incorporados à nossa rotina, para lembrar de três ou quatro palavrinhas mais imediatas. (Pensem, hoje ainda é domingo, nada de dieta). Para não falar de um verbo recentemente criado, que eu realmente não tolero, usado e abusado por todo executivo de plantão. Afinal, quem já não escutou em alguma reunião a palavra startar? Sei, sei que muitas das palavras que hoje utilizamos vem de corruptelas do inglês, mas essa como está em processo de criação, me incomoda, fazer o quê?
Nesse processo de mudança de trabalho, tenho procurado aproveitar cada atividade cultural, participando delas com um outro olhar e uma responsabilidade adicional e isso tem sido muito prazeroso. Nesta sexta, fui à Escola Acreana de Música - EsAM, ligada à Fundação de Cultura Elias Mansour, onde a convite do Dircinei, diretor do espaço, bem como toda a sua equipe, assisti à cantora Dina Blade, americana de Seattle, EUA. Num show (olha aí a língua de novo) imperdível, dentro do projeto Sexta Tem, criado pelo pessoal da Escola, totalmente gratuito, ela cantou bossa nova e encantou a todos. Mas, eu chorei mesmo foi quando ela explicou à platéia que havia aprendido uma música acreana, por gostar muito daqui e com seu vozeirão, começou a cantar "Adeus, Acre querido, Rio Branco do meu coração, no meu peito fica uma saudade...", música do Da Costa, cantor e compositor acreano, ainda não tão valorizado por aqui, desconhecido de muitos dos nossos jovens curtidores do estilo sertanejo.
Fiquei completamente embasbacada, com um nó na garganta. Minha vida passou pela minha cabeça, meus vinte anos fora do Acre, minha terra, minha gente, os sabores, estava tudo ali, na voz levemente rouca da Dina. Thank you, Dina! Se quiser, ouça no You Tube a canção Acre Querido na voz original do infelizmente já falecido compositor:
http://www.youtube.com/watch?v=YAIjIJv2UQE&feature=colike
Na quinta, no dia anterior, havia assistido na Biblioteca da Floresta, outro espaço ligado à FEM, a convite do Marcos Afonso, diretor do espaço, uma palestra muito interessante, na verdade um diálogo capitaneado pelo Fernando França, artista plástico e amigo de longuíssima data, com Toinho Alves, Sílvio Margarido, Dalmir Ferreira e quem mais quis interagir. Com voz suave, Fernando falou da sua trajetória, desde o amor pelos quadrinhos e a influência deles em sua obra, até suas mais recentes criações, não por acaso um livro belíssimo intitulado Diálogos. Nele, Fernando retratou os mais expressivos artistas plásticos com ênfase na pintura atuantes no Ceará. Nos quadros do Fernando, exibidos na palestra em power point (olha a língua), cada artista retratado também pintou dentro do quadro uma obra de sua autoria, criando um efeito bem interessante que também remete à linguagem dos quadrinhos, com os balões. Você pode acessar essas notícias no www.ac.gov.br, vale a pena.
Para rebater tanta belezura, esbarrei numa receita antiga, publicada na revista Prazeres da mesa n.18, de nov/2004 de autoria de Magda Ortiz, do restaurante Fogo Caipira, de Campo Grande, MS, a tortinha de goiabada cascão com requeijão. Como não tinha doce caseiro, improvisei com uma boa goiabada e usei uma geléia de cupuaçu, para criar outras possibilidades. Acompanhe com um requeijão de sua preferência e bom apetite!
Ah, ia esquecendo: a experimentação de quitutes também contemplará os leitores do blog, muitos dos quais já até me tornei amiga, portanto de vez em quando sortearei por aqui uma guloseima, para aqueles que comentarem o post do dia no próprio blog. O resultado será apresentado no blog e no facebook (olha a língua) e a forma de entrega negociada com o ganhador. Esclareço que o prêmio não necessariamente será o quitute do dia, por questões de logística.
Tortinhas de Goiabada Cascão com Requeijão (Adaptada)
Ingredientes
Para a massa
200g de manteiga, aproximadamente
2 ovos inteiros, em temperatura ambiente
1 pitada de sal
180g de açúcar
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1/4 de colher de sopa de canela em pó
1/4 de colher de sopa de cravo em pó
3 xícaras de chá de farinha de trigo
Para o recheio
400g de goiabada cascão ou comum ou geléia de cupuaçu
60 ml de água
60 ml de pinga ou grappa
Acompanhamento
250g de requeijão firme
Modo de Fazer
Recheio
Leve ao fogo, com a água, a goiabada picada. Mexa até obter ponto de geléia. Misture a bebida utilizada e mexa, de maneira que evapore um pouco com o cozimento. Reserve.
Massa
Misture bem a manteiga, ovos, sal, açúcar e fermento. Adicione a farinha aos poucos, a canela e o cravo até obter uma massa que não desgrude das mãos. Não misture muito. A receita original mandava acrescentar uma quantidade menor de manteiga, mas não daria liga, portanto atenção ao ponto. A massa deve ficar unida e macia. Deixe descansar por meia hora. Abra-a com as mãos, em pequenas porções, em forminhas para torta ou quiche. Se não tiver, utilize as de empada. Fure-as com um garfo, coloque o recheio de goiabada ou geléia de cupuaçu. Faça cordões fininhos e decore as tortinhas. Leve-as para assar em forno moderado, por aproximadamente 20 minutos. Sirva-as mornas, polvilhadas com canela, com uma porção de requeijão do lado. É uma perdição!
|
Tortinhas prontas para degustar...
|
| Com um bom requeijão... |
Segunda-feira, todos sabem, é o dia internacional da dieta. Na terça, os excessos do fim de semana começam a diminuir gradualmente aquela sensação de culpa que se instala, invariavelmente, no domingo à noite, pelo menos para mim. Faço promessas insanas de me matricular cedo na academia no dia seguinte, pendurar bilhetes ameaçadores na porta da geladeira, levar marmitinhas com frutas picadas e legumes crus para o trabalho e mais algumas ideias menos cotadas. Tudo em vão. Na quarta, já estou pensando se vai dar pra testar alguma receita nova no sábado de pouco tempo e minhas revistas culinárias já estão sendo folheadas sem cerimônia, numa falta de vergonha total.
Pensando nisso e no estresse que me causa, resolvi partir para a redução de danos: palavra bonita, na moda, com uma fundamentação mais que explicada, fiz um acordo comigo. Nada de cancelar assinaturas de revista, deixar de comprar meus livrinhos de culinária ou mesmo parar de cozinhar. Farei o que eu quiser, desde que (essa é a ideia chave) eu divida com a família e os amigos as aventuras, ou melhor, o resultado das aventuras com as panelas e mais importante, comerei apenas uma pequena porção, destinada, é claro, ao controle de qualidade necessário.
Também me dei ao luxo de não exigir muito de mim. Crianças, não me copiem, mas faltei neste sábado à aula de Inglês que eu adoro, apesar de ter resistido durante anos à essa imposição linguística: sabe como é, para morar no Brasil parece que precisamos falar inglês. Afinal, os delivery, o shopping, cheeseburguers e milkshakes já estão bem incorporados à nossa rotina, para lembrar de três ou quatro palavrinhas mais imediatas. (Pensem, hoje ainda é domingo, nada de dieta). Para não falar de um verbo recentemente criado, que eu realmente não tolero, usado e abusado por todo executivo de plantão. Afinal, quem já não escutou em alguma reunião a palavra startar? Sei, sei que muitas das palavras que hoje utilizamos vem de corruptelas do inglês, mas essa como está em processo de criação, me incomoda, fazer o quê?
Nesse processo de mudança de trabalho, tenho procurado aproveitar cada atividade cultural, participando delas com um outro olhar e uma responsabilidade adicional e isso tem sido muito prazeroso. Nesta sexta, fui à Escola Acreana de Música - EsAM, ligada à Fundação de Cultura Elias Mansour, onde a convite do Dircinei, diretor do espaço, bem como toda a sua equipe, assisti à cantora Dina Blade, americana de Seattle, EUA. Num show (olha aí a língua de novo) imperdível, dentro do projeto Sexta Tem, criado pelo pessoal da Escola, totalmente gratuito, ela cantou bossa nova e encantou a todos. Mas, eu chorei mesmo foi quando ela explicou à platéia que havia aprendido uma música acreana, por gostar muito daqui e com seu vozeirão, começou a cantar "Adeus, Acre querido, Rio Branco do meu coração, no meu peito fica uma saudade...", música do Da Costa, cantor e compositor acreano, ainda não tão valorizado por aqui, desconhecido de muitos dos nossos jovens curtidores do estilo sertanejo.
Fiquei completamente embasbacada, com um nó na garganta. Minha vida passou pela minha cabeça, meus vinte anos fora do Acre, minha terra, minha gente, os sabores, estava tudo ali, na voz levemente rouca da Dina. Thank you, Dina! Se quiser, ouça no You Tube a canção Acre Querido na voz original do infelizmente já falecido compositor:
http://www.youtube.com/watch?v=YAIjIJv2UQE&feature=colike
Na quinta, no dia anterior, havia assistido na Biblioteca da Floresta, outro espaço ligado à FEM, a convite do Marcos Afonso, diretor do espaço, uma palestra muito interessante, na verdade um diálogo capitaneado pelo Fernando França, artista plástico e amigo de longuíssima data, com Toinho Alves, Sílvio Margarido, Dalmir Ferreira e quem mais quis interagir. Com voz suave, Fernando falou da sua trajetória, desde o amor pelos quadrinhos e a influência deles em sua obra, até suas mais recentes criações, não por acaso um livro belíssimo intitulado Diálogos. Nele, Fernando retratou os mais expressivos artistas plásticos com ênfase na pintura atuantes no Ceará. Nos quadros do Fernando, exibidos na palestra em power point (olha a língua), cada artista retratado também pintou dentro do quadro uma obra de sua autoria, criando um efeito bem interessante que também remete à linguagem dos quadrinhos, com os balões. Você pode acessar essas notícias no www.ac.gov.br, vale a pena.
Para rebater tanta belezura, esbarrei numa receita antiga, publicada na revista Prazeres da mesa n.18, de nov/2004 de autoria de Magda Ortiz, do restaurante Fogo Caipira, de Campo Grande, MS, a tortinha de goiabada cascão com requeijão. Como não tinha doce caseiro, improvisei com uma boa goiabada e usei uma geléia de cupuaçu, para criar outras possibilidades. Acompanhe com um requeijão de sua preferência e bom apetite!
Ah, ia esquecendo: a experimentação de quitutes também contemplará os leitores do blog, muitos dos quais já até me tornei amiga, portanto de vez em quando sortearei por aqui uma guloseima, para aqueles que comentarem o post do dia no próprio blog. O resultado será apresentado no blog e no facebook (olha a língua) e a forma de entrega negociada com o ganhador. Esclareço que o prêmio não necessariamente será o quitute do dia, por questões de logística.
Tortinhas de Goiabada Cascão com Requeijão (Adaptada)
Ingredientes
Para a massa
200g de manteiga, aproximadamente
2 ovos inteiros, em temperatura ambiente
1 pitada de sal
180g de açúcar
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1/4 de colher de sopa de canela em pó
1/4 de colher de sopa de cravo em pó
3 xícaras de chá de farinha de trigo
Para o recheio
400g de goiabada cascão ou comum ou geléia de cupuaçu
60 ml de água
60 ml de pinga ou grappa
Acompanhamento
250g de requeijão firme
Modo de Fazer
Recheio
Leve ao fogo, com a água, a goiabada picada. Mexa até obter ponto de geléia. Misture a bebida utilizada e mexa, de maneira que evapore um pouco com o cozimento. Reserve.
Massa
Misture bem a manteiga, ovos, sal, açúcar e fermento. Adicione a farinha aos poucos, a canela e o cravo até obter uma massa que não desgrude das mãos. Não misture muito. A receita original mandava acrescentar uma quantidade menor de manteiga, mas não daria liga, portanto atenção ao ponto. A massa deve ficar unida e macia. Deixe descansar por meia hora. Abra-a com as mãos, em pequenas porções, em forminhas para torta ou quiche. Se não tiver, utilize as de empada. Fure-as com um garfo, coloque o recheio de goiabada ou geléia de cupuaçu. Faça cordões fininhos e decore as tortinhas. Leve-as para assar em forno moderado, por aproximadamente 20 minutos. Sirva-as mornas, polvilhadas com canela, com uma porção de requeijão do lado. É uma perdição!
| As tortinhas, saídas do forno... |
domingo, 11 de março de 2012
PARA NÃO CORRER
| Pão com chocolate meio amargo derretido... |
Estou nesse momento de frente para a janela da minha cozinha, onde um pé de cupuaçu ainda bebê convive pacificamente com um pequeno cajueiro, os dois à sombra de uma caramboleira. Daqui a alguns anos, não sei quais frutos estarão sendo colhidos, mas as árvores muitas vezes nos dão uma lição de tolerância. Dividem os passarinhos, sombreiam umas às outras e, se não tiver jeito, que vença a melhor. Sementes ruins não vingam, excessos são desnecessários. Simples assim.
Nós é que complicamos muito. Vivemos correndo como se o mundo fosse acabar agora. Sentamos no restaurante com os aparelhos ligados e nossas conversas são frases rápidas entre ligações telefônicas intermináveis. Se o passado previsse onde o futuro nos deixou, veria alguns zumbis desatenciosos com o momento presente, observando a vida acontecer pela internet.
Não sou absolutamente contra a tecnologia, é claro. Afinal, publico estas linhas no universo on line e tenho muito prazer com isto. O que me incomoda é a sensação de urgência em que me sinto mergulhada e a falta de força para resistir, por isso escrevo. Não dizem que as palavras tem poder? Pois então! Quero minha xícara de chá rodeada de biscoitos caseiros, quero bolo esfriando na janela. Quero pão caseiro inundando a casa de cheiros. Quero... desacelerar!
Temos um grupo chamado Sociedade Philosophia, criado pelo meu maridinho, onde ele gentilmente nos brinda com aulas lúdicas, músicas, poesia, enfim, filosofia para ser feliz. De quebra, nos ajuda a pensar o mundo, por que não? Bom, dentro desse trabalho, foram realizadas algumas imersões dentro do Seringal Cachoeira¹, em Xapuri, onde fomos para a floresta, sentimos o modo de vida dos seringueiros, voltamos às nossas origens. Na pousada rústica tocada pela comunidade local não tem celular, a televisão raramente é ligada e o que se ouve bastante é o som da mata, com a ajuda dos pássaros, macacos e outros bichinhos maiores.
Na primeira imersão, o grupo, formado por mais ou menos cinquenta pessoas, tinha estudantes, funcionários públicos, advogados, enfermeiro, fotógrafo, todos carregando a cidade na alma e com a cidade, a correria. Na primeira palestra, realizada por Francisco Pianko, à época Assessor para Assuntos Indígenas do Governo estadual, ele mesmo da tribo Ashaninka, começamos a perceber onde estávamos: com a fala mansa, ele ia discorrendo sobre a cultura de seu povo numa velocidade de conta-gotas e as pessoas iam se remexendo nas cadeiras. Estavam desacostumadas de ouvir alguém falar lentamente, com tranquilidade. Aos poucos, aquela conversa foi nos conectando com o mundo, com a floresta ali do lado. Começamos a entrar em outro ritmo, devagar, devagar, devagar. Foi uma das melhores experiências da minha vida.
É pena que não dure muito, mas precisamos fazer um esforço. Conversar de verdade, sem pressa. Olhar nos olhos, ouvir as pessoas, não atropelar. Ter calma. Ter paciência. Deixar fluir. Celular desligado, de vez em quando. Visitar a mãe e o pai. Ouvir piadas, esticar as pernas. Andar, sem necessariamente precisar chegar a algum lugar. Respirar. Quero ver “O Artista” ², o cinema em preto e branco. Mas também quero rever “Meia-noite em Paris”², com aquelas luzes maravilhosas. De quebra, fazer uma roda de conversa. Amigos, risadas, petiscos para confortar. Nossos “... ombros suportam o mundo”³, mas é possível fazer uma trégua para ser feliz.
Mona de Pascua ( Rosca de Páscoa - extraída e adaptada da Revista Gula n. 185 – mar/2008)
Ingredientes:
Para a esponja:
3 colheres de sopa de fermento para pão fresco ou seco
100 g de açúcar (mais ou menos ½ xícara de chá)
½ xícara de chá de água morna
3 colheres de sopa de farinha de trigo
Para a rosca:
6 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa de sal
6 ovos crus em temperatura ambiente
½ xícara de chá de óleo de boa qualidade
Água morna
1 colher de chá de água de flor de laranjeira (opcional)
1 gema passada na peneira e misturada com 01 colher de sopa de óleo para pincelar a massa antes de assar
Geléia, chocolate meio amargo em tablete, castanhas ou amêndoas para rechear a massa
Açúcar de confeiteiro, se desejar
Modo de fazer:
Para a esponja:
Dissolva o fermento com o açúcar em uma tigela, acrescente a água morna e a farinha de trigo. Misture e deixe descansar por 15 minutos ou até formar bolhas. Reserve.
Para a rosca:
Peneire a farinha de trigo, acrescente o sal, os ovos, o óleo e a água de flor de laranjeira, se usar. Junte a esta massa a mistura fermentada (esponja) e acrescente um pouquinho de água morna, caso seja necessário (se a massa parecer muito firme). Sove bastante a massa numa superfície enfarinhada e após, faça uma bola e a coloque para crescer num lugar sem correntes de ar (um forno desligado, por exemplo).
Após a fermentação (Pelo menos 1h depois ou quando a massa estiver bem crescida e leve), despeje-a numa superfície enfarinhada e abra-a com o rolo, de preferência. Recheie a gosto, com geléia, pedaços de chocolate, nozes, castanhas ou até mesmo queijo, creme de frango ou palmito, enfim, o que desejar. Enrole como rocambole, pincele com a gema dissolvida no óleo e coloque para fermentar novamente em assadeira untada e enfarinhada. Quando estiver bem crescida, coloque para assar em forno previamente aquecido, até dourar.
Como cada forno tem tempos diferentes, fique atenta (o): caso tenha dúvidas, abra o forno e dê uma pequena batida no centro do pão, com o punho fechado. Deve produzir um som oco.
Caso não coloque recheio, sirva com manteiga ou requeijão, enfim, o céu é o limite. Aproveite, é uma delícia!
Citações:
¹Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira – Xapuri, Acre.
² http://cinemacomrapadura.com.br - site de críticas e informações sobre cinema
³ Os Ombros Suportam o Mundo, de Carlos Drummond de Andrade.
domingo, 4 de março de 2012
REMEDINHO PARA A ALMA
Placa afixada em loja onde funcionou a farmácia do meu avô, na rua 17 de Novembro
.
Estamos aqui no Acre passando por uma das piores enchentes das últimas décadas. A capital, Rio Branco, viu seus bairros serem tomados pela força das águas e algumas cidades do interior, como Brasiléia, serem praticamente destruídas. Nesse cenário de guerra, o pronto atendimento do Governo Estadual e da Prefeitura Municipal, com a ajuda de uma força tarefa nacional (além de um contingente gigantesco de voluntários e funcionários públicos no cuidado aos desabrigados), tem minimizado o sofrimento de milhares de famílias.
Verdadeiras cidades foram montadas em alguns espaços públicos, que contam com infraestrutura para atender desde a alimentação, saúde, segurança, até o lazer, através do cinema, do teatro, da contação de histórias. Grandes e pequenos cuidados que devolvem ao cidadão a certeza da solidariedade e a esperança de retorno às suas casas, que já começaram a ser limpas e higienizadas, juntamente com as ruas.
Da mercearia do vô Raimundo, como já disse em outro post, tenho mais lembranças, pois sempre passava com olhos pedintes e recordo-me também do hotel, onde minha avó preparava umas galinhas de respeito.
Soube recentemente que minha avó paterna, Maria, preparava sua própria massa de macarrão e pastel. Tenho dela uma lembrança deliciosa. Acho que eu devia ter aí uns três ou quatro anos e lembro bem que não alcançava a mesa da cozinha onde estavam sendo feitas balas de cupuaçu para um aniversário. Lembro que ficava na ponta dos pés para alcançá-las. Passei mais de quarenta anos para comer novamente as tais balas, no casamento de um primo. Elas tem uma cobertura branca durinha de açúcar e por dentro, vai doce de cupuaçu, um deleite. Mas, não consegui encontrar a autora das balinhas para pedir a receita.
| A caneca de mingau, quentinha: mais comfort food, impossível |
Mingau de castanha
Ingredientes
2 a 2,5 xícaras de leite integral
10 a 15 castanhas do Brasil (ou Pará), cruas
2 a 3 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal
1,5 colheres de sopa de amido de milho diluídas em um pouquinho de água ou leite
canela a gosto
1 colher de sopa de infusão de vodka com fava de baunilha (opcional) - aprendi aqui: http://pratofundo.com/307/extrato-de-baunilha/
Modo de fazer
Coloque no copo do liquidificador o leite, as castanhas, o açúcar e o sal, batendo muito bem. Leve ao fogo e perto de ferver, acrescente o amido de milho diluído, devagar e mexendo com uma colher, para não empelotar. Por último, coloque a infusão de vodka, se usar. Deixe ferver até engrossar, distribua em canecas e polvilhe canela a gosto.
Bom apetite!
*******************************************************************************
Esse post é dedicado ao meu tio Airton Rosas, o Velho do Baú, recentemente falecido em Fortaleza - Ceará - com muito carinho de toda a sua família
*******************************************************************************
ATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃO
Para quaisquer informações sobre ajuda aos desabrigados, bem como números de contas bancárias para contribuição, notícias, fotos, acesse www.ac.gov.br/, no link da agência de notícias.
Assinar:
Postagens (Atom)

