domingo, 25 de março de 2012

PREPARAÇÃO PARA A DIETA



Tortinhas prontas para degustar...


Com um bom requeijão...


Segunda-feira, todos sabem, é o dia internacional da dieta. Na terça, os excessos do fim de semana começam a diminuir gradualmente aquela sensação de culpa que se instala, invariavelmente, no domingo à noite, pelo menos para mim. Faço promessas insanas de me matricular cedo na academia no dia seguinte, pendurar bilhetes ameaçadores na porta da geladeira, levar marmitinhas com frutas picadas e legumes crus para o trabalho e mais algumas ideias menos cotadas. Tudo em vão. Na quarta, já estou pensando se vai dar pra testar alguma receita nova no sábado de pouco tempo e minhas revistas culinárias já estão sendo folheadas sem cerimônia, numa falta de vergonha total.

Pensando nisso e no estresse que me causa, resolvi partir para a redução de danos: palavra bonita, na moda, com uma fundamentação mais que explicada, fiz um acordo comigo. Nada de cancelar assinaturas de revista, deixar de comprar meus livrinhos de culinária ou mesmo parar de cozinhar. Farei o que eu quiser, desde que (essa é a ideia chave) eu divida com a família e os amigos as aventuras, ou melhor, o resultado das aventuras com as panelas e mais importante, comerei apenas uma pequena porção, destinada, é claro, ao controle de qualidade necessário.

Também me dei ao luxo de não exigir muito de mim. Crianças, não me copiem, mas faltei neste sábado à aula de Inglês que eu adoro, apesar de ter resistido durante anos à essa imposição linguística: sabe como é, para morar no Brasil parece que precisamos falar inglês. Afinal, os delivery, o shopping, cheeseburguers e milkshakes já estão bem incorporados à nossa rotina, para lembrar de três ou quatro palavrinhas mais imediatas. (Pensem, hoje ainda é domingo, nada de dieta). Para não falar de um verbo recentemente criado, que eu realmente não tolero, usado e abusado por todo executivo de plantão. Afinal, quem já não escutou em alguma reunião a palavra startar?  Sei, sei que muitas das palavras que hoje utilizamos vem de corruptelas do inglês, mas essa como está em processo de criação, me incomoda, fazer o quê?

Nesse processo de mudança de trabalho, tenho procurado aproveitar cada atividade cultural, participando delas com um outro olhar e uma responsabilidade adicional e isso tem sido muito prazeroso. Nesta sexta, fui à Escola Acreana de Música - EsAM, ligada à Fundação de Cultura Elias Mansour, onde a convite do Dircinei, diretor do espaço, bem como toda a sua equipe, assisti à cantora Dina Blade, americana de Seattle, EUA. Num show (olha aí a língua de novo) imperdível, dentro do projeto Sexta Tem, criado pelo pessoal da Escola, totalmente gratuito, ela cantou bossa nova e encantou a todos. Mas, eu chorei mesmo foi quando ela explicou à platéia que havia aprendido uma música acreana, por gostar muito daqui e com seu vozeirão, começou a cantar "Adeus, Acre querido, Rio Branco do meu coração, no meu peito fica uma saudade...",  música do Da Costa, cantor e compositor acreano, ainda não tão valorizado por aqui, desconhecido de muitos dos nossos jovens curtidores do estilo sertanejo.

Fiquei completamente embasbacada, com um nó na garganta. Minha vida passou pela minha cabeça, meus vinte anos fora do Acre, minha terra, minha gente, os sabores, estava tudo ali, na voz levemente rouca da Dina. Thank you, Dina! Se quiser, ouça no You Tube a canção Acre Querido na voz original do infelizmente já falecido compositor:

http://www.youtube.com/watch?v=YAIjIJv2UQE&feature=colike

Na quinta, no dia anterior, havia assistido na Biblioteca da Floresta, outro espaço ligado à FEM, a convite do Marcos Afonso, diretor do espaço, uma palestra muito interessante, na verdade um diálogo capitaneado pelo Fernando França, artista plástico e amigo de longuíssima data, com Toinho Alves, Sílvio Margarido, Dalmir Ferreira e quem mais quis interagir. Com voz suave, Fernando falou da sua trajetória, desde o amor pelos quadrinhos e a influência deles em sua obra, até suas mais recentes criações, não por acaso um livro belíssimo intitulado Diálogos. Nele, Fernando retratou os mais expressivos artistas plásticos com ênfase na pintura atuantes no Ceará. Nos quadros do Fernando, exibidos na palestra em power point (olha a língua), cada artista retratado também pintou dentro do quadro uma obra de sua autoria, criando um efeito bem interessante que também remete à linguagem dos quadrinhos, com os balões. Você pode acessar essas notícias no www.ac.gov.br, vale a pena.

Para rebater tanta belezura, esbarrei numa receita antiga, publicada na revista Prazeres da mesa n.18, de nov/2004 de autoria de Magda Ortiz, do restaurante Fogo Caipira, de Campo Grande, MS, a tortinha de goiabada cascão com requeijão. Como não tinha doce caseiro, improvisei com uma boa goiabada e usei uma geléia de cupuaçu, para criar outras possibilidades. Acompanhe com um requeijão de sua preferência e bom apetite!

Ah, ia esquecendo: a experimentação de quitutes também contemplará os leitores do blog, muitos dos quais já até me tornei amiga, portanto de vez em quando sortearei por aqui uma guloseima, para aqueles que comentarem o post do dia no próprio blog. O resultado será apresentado no blog e no facebook (olha a língua) e a forma de entrega negociada com o ganhador. Esclareço que o prêmio não necessariamente será o quitute do dia, por questões de logística.

Tortinhas de Goiabada Cascão com Requeijão (Adaptada)

Ingredientes

Para a massa

200g de manteiga, aproximadamente
2 ovos inteiros, em temperatura ambiente
1 pitada de sal
180g de açúcar
1 colher de sobremesa de fermento em pó
1/4 de colher de sopa de canela em pó
1/4 de colher de sopa de cravo em pó
3 xícaras de chá de farinha de trigo
 
Para o recheio

400g de goiabada cascão ou comum ou geléia de cupuaçu
60 ml de água
60 ml de pinga ou grappa
 
Acompanhamento

250g de requeijão firme

Modo de Fazer

Recheio

Leve ao fogo, com a água, a goiabada picada. Mexa até obter ponto de geléia. Misture a bebida utilizada e mexa, de maneira que evapore um pouco com o cozimento. Reserve.

Massa

Misture bem a manteiga, ovos, sal, açúcar e fermento. Adicione a farinha aos poucos, a canela e o cravo até obter uma massa que não desgrude das mãos. Não misture muito. A receita original mandava acrescentar uma quantidade menor de manteiga, mas não daria liga, portanto atenção ao ponto. A massa deve ficar unida e macia. Deixe descansar por meia hora. Abra-a com as mãos, em pequenas porções, em forminhas para torta ou quiche. Se não tiver, utilize as de empada. Fure-as com um garfo, coloque o recheio de goiabada ou geléia de cupuaçu. Faça cordões fininhos e decore as tortinhas. Leve-as para assar em forno moderado, por aproximadamente 20 minutos. Sirva-as mornas, polvilhadas com canela, com uma porção de requeijão do lado. É uma perdição!


As tortinhas, saídas do forno...

domingo, 11 de março de 2012

PARA NÃO CORRER

Pão com chocolate meio amargo derretido...
  
     

Estou nesse momento de frente para a janela da minha cozinha, onde um pé de cupuaçu ainda bebê convive pacificamente com um pequeno cajueiro, os dois à sombra de uma caramboleira. Daqui a alguns anos, não sei quais frutos estarão sendo colhidos, mas as árvores muitas vezes nos dão uma lição de tolerância. Dividem os passarinhos, sombreiam umas às outras e, se não tiver jeito, que vença a melhor. Sementes ruins não vingam, excessos são desnecessários. Simples assim.

Nós é que complicamos muito. Vivemos correndo como se o mundo fosse acabar agora. Sentamos no restaurante com os aparelhos ligados e nossas conversas são frases  rápidas entre ligações telefônicas intermináveis.  Se o passado previsse onde o futuro nos deixou, veria alguns zumbis desatenciosos com o momento presente, observando a vida acontecer pela internet.

Não sou absolutamente contra a tecnologia, é claro. Afinal, publico estas linhas no universo on line e tenho muito prazer com isto. O que me incomoda é a sensação de urgência em que me sinto mergulhada e a falta de força para resistir,  por isso escrevo.  Não dizem que as palavras tem poder? Pois então! Quero minha xícara de chá rodeada de biscoitos caseiros, quero bolo esfriando na janela. Quero pão caseiro inundando a casa de cheiros. Quero... desacelerar!

Temos um grupo chamado Sociedade Philosophia, criado pelo meu maridinho, onde ele gentilmente nos brinda com aulas lúdicas, músicas, poesia, enfim, filosofia para ser feliz. De quebra, nos ajuda a pensar o mundo, por que não? Bom, dentro desse trabalho, foram realizadas algumas imersões dentro do Seringal Cachoeira¹, em Xapuri, onde fomos para a floresta, sentimos o modo de vida dos seringueiros, voltamos às nossas origens. Na pousada rústica tocada pela comunidade local não tem celular, a televisão raramente é ligada e o que se ouve bastante é o som da mata, com a ajuda dos pássaros, macacos e outros bichinhos maiores.

Na primeira imersão, o grupo, formado por mais ou menos cinquenta pessoas, tinha estudantes, funcionários públicos, advogados, enfermeiro, fotógrafo, todos carregando a cidade na alma e com a cidade, a correria. Na primeira palestra, realizada por Francisco Pianko, à época Assessor para Assuntos Indígenas do Governo estadual, ele mesmo da tribo  Ashaninka, começamos a perceber onde estávamos: com a fala mansa, ele ia discorrendo sobre a cultura de seu povo numa velocidade de conta-gotas e as pessoas iam se remexendo nas cadeiras. Estavam  desacostumadas de ouvir alguém falar lentamente, com tranquilidade.  Aos poucos, aquela conversa foi nos conectando com o mundo, com a floresta ali do lado. Começamos a entrar em outro ritmo, devagar, devagar, devagar. Foi uma das melhores experiências da minha vida.

É pena que não dure muito, mas precisamos fazer um esforço. Conversar de verdade, sem pressa. Olhar nos olhos, ouvir as pessoas, não atropelar. Ter calma. Ter paciência. Deixar fluir. Celular desligado, de vez em quando. Visitar a mãe e o pai. Ouvir piadas, esticar as pernas. Andar, sem necessariamente precisar chegar a algum lugar. Respirar. Quero ver “O Artista” ², o cinema em preto e branco. Mas também quero rever “Meia-noite em Paris”², com aquelas luzes maravilhosas. De quebra, fazer uma roda de conversa. Amigos, risadas, petiscos para confortar.  Nossos “... ombros suportam o mundo”³, mas é possível fazer uma trégua para ser feliz.
          
Pãozinho para comer sem pressa...
Mona de Pascua  ( Rosca de Páscoa - extraída e adaptada da Revista Gula n. 185 – mar/2008)
Ingredientes:
Para a esponja:
3 colheres de sopa de fermento para pão fresco ou seco
100 g de açúcar (mais ou menos ½ xícara de chá)
½ xícara de chá de água morna
3 colheres de sopa de farinha de trigo

Para a rosca:

6 xícaras de chá de farinha de trigo
1 colher de sopa de sal
6 ovos crus em temperatura ambiente
½ xícara de chá de óleo de boa qualidade
Água morna
1 colher de chá de água de flor de laranjeira (opcional)
1 gema passada na peneira e misturada com 01 colher de sopa de óleo para pincelar a massa antes de assar
Geléia, chocolate meio amargo em tablete, castanhas ou amêndoas para rechear a massa
Açúcar de confeiteiro, se desejar

Modo de fazer:

Para a esponja:

Dissolva o fermento com o açúcar em uma tigela, acrescente a água morna e a farinha de trigo. Misture e deixe descansar por 15 minutos ou até formar bolhas. Reserve.

Para a rosca:

Peneire a farinha de trigo, acrescente o sal, os ovos, o óleo e a água de flor de laranjeira, se usar. Junte a esta massa a mistura fermentada (esponja) e acrescente um pouquinho de água morna, caso seja necessário (se a massa parecer muito firme). Sove bastante a massa numa superfície enfarinhada e após, faça uma bola e a coloque para crescer num lugar sem correntes de ar (um forno desligado, por exemplo).
Após a fermentação (Pelo menos 1h depois ou quando a massa estiver bem crescida e leve), despeje-a numa superfície enfarinhada e abra-a com o rolo, de preferência. Recheie a gosto, com geléia, pedaços de chocolate, nozes, castanhas ou até mesmo queijo, creme de frango ou palmito, enfim, o que desejar. Enrole como rocambole, pincele com a gema dissolvida no óleo e coloque para fermentar novamente em assadeira untada e enfarinhada.  Quando estiver bem crescida, coloque para assar em forno previamente aquecido,  até dourar.
Como cada forno tem tempos diferentes, fique atenta (o): caso tenha dúvidas, abra o forno e dê uma pequena batida no centro do pão, com o punho fechado. Deve produzir um som oco.
Caso não coloque recheio, sirva com manteiga ou requeijão, enfim, o céu é o limite. Aproveite, é uma delícia!


 

Citações:    
¹Pousada Ecológica do Seringal Cachoeira – Xapuri, Acre.
²  http://cinemacomrapadura.com.br  - site de críticas e informações sobre cinema
³ Os Ombros Suportam o Mundo, de Carlos Drummond de Andrade.



domingo, 4 de março de 2012

REMEDINHO PARA A ALMA

Placa afixada em loja onde funcionou a farmácia do meu avô, na rua 17 de Novembro

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Estamos aqui no Acre passando por uma das piores enchentes das últimas décadas. A capital, Rio Branco, viu seus bairros serem tomados pela força das águas e algumas cidades do interior,  como Brasiléia, serem praticamente destruídas. Nesse cenário de guerra, o pronto atendimento do Governo Estadual e da Prefeitura Municipal, com a ajuda de uma força tarefa nacional (além de um contingente gigantesco de voluntários e funcionários públicos no cuidado aos desabrigados), tem minimizado o sofrimento de milhares de famílias.

Verdadeiras cidades foram montadas em alguns espaços públicos, que contam com infraestrutura para atender desde a alimentação, saúde, segurança, até o lazer, através do cinema, do teatro, da contação de histórias. Grandes e pequenos cuidados que devolvem ao cidadão a certeza da solidariedade e a esperança de retorno às suas casas, que já começaram a ser limpas e higienizadas,  juntamente com as ruas.

É difícil falar de comida em meio a tanto sofrimento e confesso que não consegui produzir nem mesmo uma linha. No lindo prédio do meu atual trabalho, histórico, a água levantou assoalho, manchou paredes e nos obrigou a desmontar móveis e equipamentos, retirar aparelhagens de som e vídeo, suspender quadros e mesas, guardar caixas e mais caixas de documentos em local seguro, numa ação que começou no carnaval e ainda não terminou, com as providências de limpeza para o retorno. Por sorte, a legião de servidores deu um show e fora o que não se podia remover, como pisos de madeira completamente destruídos, nada foi perdido.

Na 17 de Novembro, onde se situa a Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour, meu atual trabalho, deparei-me com esta placa da foto aí de cima. Nesta rua, de frente para o rio, funcionaram algumas das mais antigas casas comerciais da cidade . Meus dois avôs tinham lojas aí: o paterno, Raimundo "Madri", era dono de uma mercearia, além do pequeno hotel Libanês, na rua de trás. Do materno, dono da farmácia Central, tenho do seu trabalho uma única forte lembrança, que me é muito preciosa. Lembro de vovô, o português Aníbal Lopes,  manuseando vidrinhos de mercúrio cromo e violeta genciana, muito usados antigamente. Eu devia ser bem pequena.

Da mercearia do vô Raimundo, como já disse em outro post, tenho mais lembranças, pois sempre passava com olhos pedintes e recordo-me também do hotel, onde minha avó preparava umas galinhas de respeito.

Soube recentemente que minha avó paterna, Maria, preparava sua própria massa de macarrão e pastel.  Tenho dela uma lembrança deliciosa. Acho que eu devia ter aí uns três ou quatro anos e lembro bem que não alcançava a mesa da cozinha onde estavam sendo feitas balas de cupuaçu para um aniversário. Lembro que ficava na ponta dos pés para alcançá-las. Passei mais de quarenta anos para comer novamente as tais balas, no casamento de um primo. Elas tem uma cobertura branca durinha de açúcar e por dentro, vai doce de cupuaçu, um deleite. Mas, não consegui encontrar a autora das balinhas para pedir a receita.

Portanto, na falta das balas de cupuaçu à moda antiga, resolvi fazer um mingau de castanha do Brasil (ou do Pará, como ela é mais conhecida)  para recuperar as forças e ter energia para esses dias ainda chuvosos. Numa boa caneca de ágata, quentinho e com bastante canela, não há problema que não se resolva, igual se aninhar em colo de mãe. As quantidades são indicativas e podem ser alteradas de acordo com o gosto pessoal.



A caneca de mingau, quentinha: mais comfort food, impossível

Mingau de castanha

Ingredientes

2 a 2,5 xícaras de leite integral
10 a 15 castanhas do Brasil (ou Pará), cruas
2 a 3 colheres de sopa de açúcar
1 pitada de sal
1,5 colheres de sopa de amido de milho diluídas em um pouquinho de água ou leite
canela a gosto
1 colher de sopa de infusão de vodka com fava de baunilha (opcional) - aprendi aqui: http://pratofundo.com/307/extrato-de-baunilha/

Modo de fazer

Coloque no copo do liquidificador o leite, as castanhas, o açúcar e  o sal, batendo muito bem. Leve ao fogo e perto de ferver, acrescente o amido de milho diluído, devagar e mexendo com uma colher, para não empelotar. Por último, coloque a infusão de vodka, se usar. Deixe ferver até engrossar, distribua em canecas e polvilhe canela a gosto.
Bom apetite!


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Esse post é dedicado ao meu tio Airton Rosas, o Velho do Baú, recentemente falecido em Fortaleza - Ceará - com muito carinho de toda a sua família
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ATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃOATENÇÃO

Para quaisquer informações sobre ajuda aos desabrigados, bem como números de contas bancárias para contribuição, notícias, fotos, acesse www.ac.gov.br/, no link da agência de notícias.








   


terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PARTIDAS E CHEGADAS

As batatinhas, aqui com azeite e vinagre, sal, pimenta biquinho, alho, zimbro e pimenta do reino

Perdoem-me aqui os meus leitores, mas os últimos dias tem sido de uma correria só. É chegada a hora de ir desligando do emprego antigo e entrar inteira no emprego novo e isso demanda um tempinho. Quero agradecer muito aos meus antigos colegas, que continuam meus amigos e companheiros de batalha e todo o carinho com que me tratam. Quero agradecer aos novos colegas e amigos, que me receberam como a uma princesa, com sorrisos e abraços.
Poderia passar muitas horas falando desses momentos solenes em que sentimos que há uma mudança mais explícita na nossa vida: parece que o ar tem novo cheiro e as folhas ao sabor do vento voam em outra direção. Já fiz grandes mudanças na vida e em todas elas, apesar dos problemas não desaparecerem, colho sempre novas experiências e alegrias, novos amigos e relações. Aprendi, portanto, que depende mesmo de nós dar aquele passo inicial e dizer: posso mudar, há tempo.

Não desprezo os erros e acertos de ontem, mas estou sempre aberta para o que está por vir. Meu maridinho diz que sou otimista. Eu diria que sou apaixonada pela vida e pelas pessoas e não espero delas mais do que elas possam me dar. Às vezes, me surpreendo. Para o mais ou para o menos, mas isso faz parte. Também tenho minhas doses de rainha da Inglaterra e é preciso  humildade para reconhecer os erros.
Com tudo isso, quero dizer que estou feliz. Quero dizer aos meus amigos que estaremos sempre juntos, que tomaremos vinho e cerveja e faremos piadas. Quero dizer à minha família que os amo.  Quero dizer ao Carnaval, que está chegando, que será recebido com festas e purpurina, confetes e serpentina.
Portanto, a receita dessas batatinhas é para um desses momentos felizes, onde se reúnem os amigos e os sonhos, regados a boa música. Aproveitem!

Conserva de batatinhas
Ingredientes

1kg de batatinhas, com casca,  aproximadamente (na falta, pode usar a batata média, cortada em quatro pedaços). Caso use a batatinha pequena, fazer vários furos com garfo.
Água e sal, para cozinhar as batatas.
Azeite de boa qualidade, vinagre de maçã, pimenta biquinho ou dedo de moça, zimbro (opcional), alho, pimenta do reino, sal a gosto
Vidro de boca larga para despejar a conserva ou qualquer recipiente tampado (de preferência de vidro)

Modo de fazer

Cozinhe as batatas em água e sal, até que estejam cozidas, mas ainda firmes. Escorra-as reservando um pouco da água do cozimento e despeje-as de imediato na vasilha em que vai servi-las. Acrescente imediatamente o azeite, vinagre, alho fatiado (a gosto), grãos inteiros de pimenta do reino, várias colheradas de pimenta biquinho e um pouco do caldo da pimenta, grãos de zimbro, se usar, pitadas de sal e caso use a pimenta dedo de moça ao invés da biquinho, retire as sementes e coloque-a com parcimônia, pois ela é ardosa.
Esses temperos podem sofrer variação, a critério do freguês, bem como as quantidades. É importante colocar bastante azeite e vinagre, mas prove sempre.
Feito isto, tampe a vasilha até esfriar, sacudindo-a de vez em quando. Pode ser comida pura ou com pão, acompanhada de cerveja ou vinho. Dura até uma semana na geladeira, se sobrar.


sábado, 14 de janeiro de 2012

QUANDO OLHAR PARA TRÁS É IR PARA A FRENTE

Bolinho de arroz, para comer com pimenta...


Cresci na Rua 06 de Agosto, andando de bicicleta e jogando futebol com os irmãos e na época da manga subindo cedinho no "meu" pé preferido, armada com uma faca de mesa na boca, para  comer manga verde no galho mais alto da árvore. Soltei "papagaio" e fiz muito "cerol" com cola de sapateiro derretida onde se acrescentava caquinhos de  lâmpada queimada quebradinha até virar pó. Depois era só esticar a linha e ir passando aquela mistura com cuidado para turbinar os papagaios. Mais politicamente incorreto, impossível, mas nós ainda não sabíamos disso.

Cresci pulando os quintais dos vizinhos para roubar goiaba madura ou marilana, fruta que nem mais se vê. De madrugada, meu pai fazia o café e trazia mingaus de tapioca e banana comprida do mercado, dentro de latas de leite em pó, bem polvilhadas de canela, um deleite. O Damião passava com seu tabuleiro, gritando alto e oferecendo o "pão de milho" feito de milho de verdade, ensopado de leite de castanha...

Na 06 de Agosto tinha o campo do "seu" Domingos, onde em algumas épocas do ano, todos iam para tirar galinha no bingo: nos pratos de papelão, lá estava a galinha assada, com farofa e azeitonas em volta, embrulhadas em papel celofane colorido, manjar dos deuses para os nossos olhos de criança. Nos finais de semana, vez por outra íamos para o Cine Recreio ou para os cinemas "do outro lado", assistir velhos filmes de faroeste, do Zorro ou do Tarzan.

Quando comecei a ir para a escola, frequentei o Menino Jesus, situado no Primeiro Distrito. Descíamos a escadaria na beira do rio e íamos, uma turma de meninos, dentro de uma canoa, acompanhados da saudosa Ivinha. Não havia ponte nesta época e a travessia era um momento de pura magia, acompanhando os remos que devagar nos levavam de uma margem à outra do rio. Na merendeira rosa de plástico, azul para os meninos, o Q-suco vermelho junto com pão e manteiga.

Depois, foi o tempo do CNEC, já no Segundo Distrito, junto com as queridas irmãs Clemens, Juliana, Cláudia, Madalena e tantas outras, que acompanharam nossos passos com maestria. À hora do recreio, só faltávamos endoidar a irmã Juliana, miudinha, sem ter como acudir aquela quantidade de alunos famintos. Minha merenda era uma só: coca-cola e saltenha, soltando fumaça de tão quente, aquele creme grosso com frango e batata acalmando um pouco a fome adolescente.

Para quem não conhece a geografia local, para chegar ao CNEC, todos os dias passava eu margeando o rio, acompanhando várias lojas antigas, entre os quais a farmácia do meu avô Lopes e a mercearia do meu avô Raimundo, ali perto do Cine Recreio. Meu avô Raimundo nos enchia os bolsos de balas ao passarmos para tomar a benção, o que fazíamos sempre a caminho da escola, já de olho comprido nas guloseimas.

Meu avô Raimundo também tinha o Hotel Libanês, atrás da mercearia e de frente para o clube Tentamen, reduto histórico das famílias antigas de Rio Branco, onde aconteciam  bailes de carnaval  e onde minha mãe me levava para tardes de confete e serpentina, nos bailes infantis puxados à marchinhas e fantasias.

Olho para trás e vejo todas essas boas lembranças em um momento de grande felicidade, onde passo a trabalhar na Fundação de Cultura Elias Mansour, um prédio restaurado, ao lado do também restaurado Cine Teatro Recreio, de frente para o rio que me acompanhou por grande parte da minha vida. Revejo nesses espaços minha família, meus sonhos de criança e escuto o barulho do vento me falando de energia e renovação. Não poderia estar em lugar melhor. Não poderia estar em lugar mais aprazível. Não poderia estar mais feliz.


Bolinho caseiro de arroz

Ingredientes

Arroz cozido, de boa qualidade, com alho, macio
Uma pitada de sal, se necessário
Óleo para fritura
Molho de pimenta, para acompanhar

Modo de Fazer

Coloque o arroz cozido em uma tigela grande (o arroz deve estar macio. Caso utilize arroz feito no dia anterior, leve-o à panela, com um pouco de água e sal e cozinhe até ficar macio) e amasse-o com as mãos até que os grãos se desfaçam e se forme uma massa que pode ser moldada. Forme pequenos bolinhos e frite-os poucos por vez, em óleo quente e limpo. Retire-os e coloque-os em papel toalha. Sirva-os quentes, acompanhados de pimenta ou como complemento no almoço ou jantar. Se desejar, pode recheá-los antes de fritar com carne moída já pronta, pedaços de queijo ou outro recheio de sua preferência. Também pode acrescentar colorau ou cúrcuma à agua do cozimento, para dar cor. Bom apetite!

domingo, 1 de janeiro de 2012

SEU JOÃO E DONA MARISANTA

O manjar árabe, com pistaches e amêndoas...
Sou otimista por natureza, mas não compartilho aquela ideia de que ano novo significa necessariamente mundo novo, pessoas novas, amor e paz...  Penso que antes depende de nós e daquilo que fazemos para que um novo ano seja realmente diferente naquilo que não foi tão bom. Mas, acredito sinceramente no esforço coletivo por dias melhores e sendo assim, procuro contribuir com a minha humilde parcela e aí, nada que um docinho carinhoso não ajude.
Passamos a entrada de ano na casa de meus pais, dois verdadeiros guerreiros, como diz meu marido e, cada um a seu modo, tão engraçados ao enfrentarem os problemas cotidianos do dia a dia que se eu fosse esperta, sentava do lado e saía anotando as pequenas e grandes lições de vida que eles nos apresentam. O que dizer, por exemplo, dos minutos que meu pai dedicou à limpeza de um garrafão de água que ele sabia não poder colocar no suporte?
Quando eu, incauta marinheira, o adverti disso, pedindo para que o jovem saudável do recinto pudesse acudi-lo (meu filho, pois os demais quarentões nem de longe estavam em condições) ele riu e apenas disse: “minha filha, era só a limpeza, eu já ia chamar meu neto...”.  Eu nem precisava me antecipar, mas como os dois (pai e mãe) esquecem que são velhinhos, fazem coisas que até Deus duvida...
Minha mãe é uma formiguinha carpideira, daquelas que não sabem a hora de parar. Eu até esqueço que ela é mais velha do que eu  pois, confesso, fico cansada antes. Os quase 77 anos não a impedem de dirigir o seu carrinho e junto com meu pai fazerem pequenos passeios e terem uma relativa independência. Meu pai, mesmo depois de um AVC que o deixou com algumas sequelas motoras, continua com a língua afiada e preside, ali na Seis de Agosto, o que ele chama de DIVA (na intimidade: Departamento de Informação da Vida Alheia...).  Existe uma outra “entidade”: a FSD, Federação dos sem Dinheiro, integrada por lisos. Mas ele, radicalmente, faz questão de dizer que não a integra.
Esta é a maneira divertida que ele achou para prosear com os vizinhos,  alguns tão antigos quanto eles  na rua que me viu nascer (meus pais moram há aproximadamente 48 anos no mesmo lugar, mas minha mãe, filha do saudoso farmacêutico  “Seu” Lopes, está na rua há mais ou menos 77 anos). Ele está sempre com um sorriso matreiro no rosto e uma piada pronta, disparando uma risada gostosa de quem olha para a vida sempre  pelo lado do copo cheio.
É ele quem levanta cedo e faz o café, compra o pão e mesmo com certa dificuldade, caminha todos os dias pela rua, cumprimentando os passantes. Mamãe, fiel guardiã, está ali sempre a postos para levar o joguinho da Loto, da Sena... E puxar as orelhas dele, pois o danado é matreiro. Mesmo sem poder, descobrimos que escapava quase todos os dias para comer “quebes” e tomar tacacá pela vizinhança...
Os dois são ótimos cozinheiros, cada um na sua especialidade. Dele são o feijão com jabá e banana comprida, o rabo de galo (massa de pastel frita com goiabada dentro, mergulhada em calda de açúcar), os pastéis e o pirarucu no leite de coco, os maxixes peruanos recheados... (com a doença do meu pai, os charutinhos passaram a ser feitos pela minha mãe).
Da mamãe vem o lombo cheio (com farofa e ovo cozido) e as panquecas com molho de cenoura, o arroz de forno (camadas de arroz branco intercaladas com um refogado de banana e batata fritas, ervilhas, azeitonas, molho de tomate), o manjar branco com ameixas e a famosa torta de café, uma espécie de tiramisù mais docinho, amado até hoje na família.
Mas mamãe também escapole e é preciso vigilância para que não se embrenhe nos doces. Não resiste a um bolinho caseiro e ontem se acabou no pudim e no manjar árabe (m’hallabye), receita feita na base do experimento, mas que, humm, deu certo!    
Manjar árabe (m’hallabye)
Ingredientes:
1 litro de leite
6 colheres de sopa de açúcar (ou a gosto)
4 a 5 colheres de sopa, rasas, de amido de milho
2 colheres de sopa de água de rosas (essência comprada em lojas de produtos árabes)
3 pedrinhas de misk (opcional, também comprada em loja de produtos árabes)
Pistaches levemente torrados, sem sal
Amêndoas cruas, sem pele
Geléia de damasco de boa qualidade, comprada pronta ou damascos cozidos com água e açúcar, processados até virar uma pasta

Modo de fazer:

Coloque o leite para ferver, junto com o açúcar e as pedrinhas de misk, se usar. Dissolva o amido de milho em água ou leite e acrescente cuidadosamente à panela, mexendo sempre. Ao engrossar, cozinhe por mais cinco minutos e acrescente a água de rosas. O ponto deve ser de um mingau grosso, que ao esfriar, ficará encorpado, mas não no ponto de corte.
Despeje em uma vasilha bonita e por cima, delicadamente, coloque a geléia de damasco. Enfeite com os pistaches e amêndoas. Espere esfriar e coloque em geladeira. Sirva bem gelado.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O BOLO DA MINHA AVÓ


Doce de leite na cobertura e nozes...


Não sou chef de cozinha, longe disso. Admiro e respeito profundamente a técnica, o trabalho de pesquisa, o processo de criação de uma receita, as experimentações. A descoberta de novos ingredientes e esse novo olhar para os produtos amazônicos, com a (re) descoberta de sabores tão conhecidos nossos como o tucupi, a farinha crocante, o cupuaçu, a pupunha, os peixes de rio, o açaí, me deixa feliz. Produtos esses que hoje estão fazendo a alegria de chefs e consumidores Brasil afora, como é exemplo o festival sobre a cozinha do Acre no restaurante Brasil a Gosto, da chef Ana Luísa Trajano e a menção disso na revista Menu de dez/2011.

Muitos trabalham com a tradição e hoje há um verdadeiro retorno às origens, com as comidas de antigamente sendo revisitadas, repaginadas, reinterpretadas. Eu gosto desse olhar para o passado. Porque se somos quem somos hoje e se podemos viver o presente e sonhar com o futuro, é porque o passado nos sustenta e nos ajuda a corrigir o rumo. Portanto, longa vida aos assados substanciosos, aos doces de colher, aos pavês e bolos de banana, às galinhas de cabidela e coquetéis de camarão e tantas outras delícias resgatadas desse baú sem fundo das comidinhas de mãe e avós, tios e outros queridos.

Minha avó materna foi uma pessoa muito, muito especial e foi entre as duas avós, a que mais convivi. Exímia cozinheira, costureira, cabeleireira, cabo eleitoral, fazedora de botões e crochê, perdi a conta das coisas que minha avó me ensinou e só lamento não ter tido tempo de aprender mais com ela. Visionária, extremamente vaidosa, até hoje não tem na família quem lhe ganhe em cuidados. Nunca vi minha avó sem as unhas feitas e  o cabelo caprichosamente penteado.

Nas visitas à minha casa, invariavelmente de tailleur, parava na soleira, sacava de sua frasqueirinha (uma pequena maleta de mão) uma sandália de couro trançada e ali já trocava os sapatos de rua pelos de casa. Ato contínuo, sentava no sofá e retirava as meias (só saía de meia-calça), dobrando-as cuidadosamente e guardando-as na maletinha. Só então, adentrava a casa e trocava a roupa por um robe. Essa rotina, até onde me lembro, visualizei muitas vezes, mesmo com ela já velhinha e morando fora daqui.

Quando fui para o Ceará, onde morei por quase vinte anos, não sabia cozinhar direito. Meus pratos, eu os contava nos dedos da mão: maionese caseira, arroz branco com alho, charuto e bife. De doce, fazia umas bolinhas de leite e uns biscoitinhos recheados de goiabada, muito elogiados na família. Mas, apesar da minha mãe fazer ótimos bolos, eu nunca tinha me arriscado, com o medo característico de quem está começando a virar gente grande: e se solar? E se não prestar? Numa família onde quase todos cozinham muito bem, tinha um certo receio de não estar à altura do desafio.

Mas, mamãe estava longe e minha avó, que nessa época morava com minha tia no Ceará, já velhinha, ainda estava ali para me ajudar. Foi então que resolvi pedir sua receita de bolo. Lembro bem desse dia, pois meu filho mais velho tinha uns dois meses de idade só e eu havia ido passar uma tarde na casa de minha tia, onde ela morava. Perguntei: "Vó, a senhora tem uma receita de bolo simples, desses que se come com café? Uma daquelas que dá certo...". Ela riu e me deu a receita. Desde então, é a receita dos meus bolos, onde mudo as coberturas, os recheios, às vezes acrescento chocolate ou laranja, nozes ou castanhas, mas a cada vez que o faço, é como se dissesse à minha avó que ela está ali do lado, enchendo de carinho a minha vida. Carinho esse que eu repasso para o bolo e para quem o come.

Este que aqui está foi feito para meu filho mais novo que acabou de fazer dezesseis anos e segundo ele, é avesso à festas e comemorações. Eu queria  festejar a alegria que é ser mãe de uma pessoa tão especial e que me ensina muito, inclusive a não forçar a barra para fazer festa. Mas, como nem toda mãe é perfeita, terminei fazendo o bolo contra a vontade dele, que esqueceu tudo, se serviu de grossas fatias e ainda levou na bagagem para o irmão mais velho. Bom apetite!


Bolo da minha avó

Ingredientes

250 g de manteiga de boa qualidade, em temperatura ambiente
2 xícaras de açúcar refinado
3 ovos em temperatura ambiente
3 xícaras de farinha de trigo peneirada
1,5 xícara de leite em temperatura ambiente
1 colher de sopa de fermento para bolo

Modo de fazer

Antes de iniciar o bolo, separe e/ou meça todos os ingredientes. Passe manteiga e depois polvilhe farinha em uma forma média (assadeira ou de buraco no meio). Acenda o forno.
Bata muito bem a manteiga com o açúcar até virar um creme (entre oito a dez minutos). Acrescente os ovos inteiros, um a um e bata mais um pouco. Alterne o leite e a farinha e bata apenas para misturar. Acrescente o fermento e bata rapidamente, apenas para agregá-lo à massa. Despeje esta massa na forma e leve-a ao forno, deixando em temperatura média. Como a temperatura do forno pode variar, após 20 a 25 minutos, dê uma olhada e se for o caso, vire a forma para que asse por igual. Retire do forno, aguarde alguns minutos e desenforme-o. (Eu normalmente desenformo quente, mas se quiser esperar esfriar, certifique-se de que ele está solto na forma. Caso contrário, leve alguns minutos a forma à boca do fogão, para soltar o bolo).
Aguarde esfriar e com cuidado, caso vá recheá-lo, divida-o ao meio. Pode ser feito com faca de serra. Recheie-o com o doce ou geléia de sua preferência e cubra-o da mesma forma. Pode ser servido simples, com café ou chá.

Variações:
Acrescente à massa pedacinhos de nozes, castanhas ou chocolate, chocolate granulado, passas embebidas em rum, laranja cristalizada etc. Pode substituir o leite ou parte dele por suco puro de laranja e cobri-lo com glacê de laranja ou limão, enfim, o céu é o limite.

Opções de recheio: ameixas cozidas em um pouco de água e açúcar e processadas, até o ponto de pasta,doce de leite, geléia de damasco ou abacaxi.

Opções de cobertura: brigadeiro mole, doce de leite misturado com creme de leite, geléia.

Este da foto foi recheado com geléia de damasco, salpicado de nozes em pedaços e coberto com doce de leite misturado a creme de leite, para ficar mais pastoso.