terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

PARTIDAS E CHEGADAS

As batatinhas, aqui com azeite e vinagre, sal, pimenta biquinho, alho, zimbro e pimenta do reino

Perdoem-me aqui os meus leitores, mas os últimos dias tem sido de uma correria só. É chegada a hora de ir desligando do emprego antigo e entrar inteira no emprego novo e isso demanda um tempinho. Quero agradecer muito aos meus antigos colegas, que continuam meus amigos e companheiros de batalha e todo o carinho com que me tratam. Quero agradecer aos novos colegas e amigos, que me receberam como a uma princesa, com sorrisos e abraços.
Poderia passar muitas horas falando desses momentos solenes em que sentimos que há uma mudança mais explícita na nossa vida: parece que o ar tem novo cheiro e as folhas ao sabor do vento voam em outra direção. Já fiz grandes mudanças na vida e em todas elas, apesar dos problemas não desaparecerem, colho sempre novas experiências e alegrias, novos amigos e relações. Aprendi, portanto, que depende mesmo de nós dar aquele passo inicial e dizer: posso mudar, há tempo.

Não desprezo os erros e acertos de ontem, mas estou sempre aberta para o que está por vir. Meu maridinho diz que sou otimista. Eu diria que sou apaixonada pela vida e pelas pessoas e não espero delas mais do que elas possam me dar. Às vezes, me surpreendo. Para o mais ou para o menos, mas isso faz parte. Também tenho minhas doses de rainha da Inglaterra e é preciso  humildade para reconhecer os erros.
Com tudo isso, quero dizer que estou feliz. Quero dizer aos meus amigos que estaremos sempre juntos, que tomaremos vinho e cerveja e faremos piadas. Quero dizer à minha família que os amo.  Quero dizer ao Carnaval, que está chegando, que será recebido com festas e purpurina, confetes e serpentina.
Portanto, a receita dessas batatinhas é para um desses momentos felizes, onde se reúnem os amigos e os sonhos, regados a boa música. Aproveitem!

Conserva de batatinhas
Ingredientes

1kg de batatinhas, com casca,  aproximadamente (na falta, pode usar a batata média, cortada em quatro pedaços). Caso use a batatinha pequena, fazer vários furos com garfo.
Água e sal, para cozinhar as batatas.
Azeite de boa qualidade, vinagre de maçã, pimenta biquinho ou dedo de moça, zimbro (opcional), alho, pimenta do reino, sal a gosto
Vidro de boca larga para despejar a conserva ou qualquer recipiente tampado (de preferência de vidro)

Modo de fazer

Cozinhe as batatas em água e sal, até que estejam cozidas, mas ainda firmes. Escorra-as reservando um pouco da água do cozimento e despeje-as de imediato na vasilha em que vai servi-las. Acrescente imediatamente o azeite, vinagre, alho fatiado (a gosto), grãos inteiros de pimenta do reino, várias colheradas de pimenta biquinho e um pouco do caldo da pimenta, grãos de zimbro, se usar, pitadas de sal e caso use a pimenta dedo de moça ao invés da biquinho, retire as sementes e coloque-a com parcimônia, pois ela é ardosa.
Esses temperos podem sofrer variação, a critério do freguês, bem como as quantidades. É importante colocar bastante azeite e vinagre, mas prove sempre.
Feito isto, tampe a vasilha até esfriar, sacudindo-a de vez em quando. Pode ser comida pura ou com pão, acompanhada de cerveja ou vinho. Dura até uma semana na geladeira, se sobrar.


sábado, 14 de janeiro de 2012

QUANDO OLHAR PARA TRÁS É IR PARA A FRENTE

Bolinho de arroz, para comer com pimenta...


Cresci na Rua 06 de Agosto, andando de bicicleta e jogando futebol com os irmãos e na época da manga subindo cedinho no "meu" pé preferido, armada com uma faca de mesa na boca, para  comer manga verde no galho mais alto da árvore. Soltei "papagaio" e fiz muito "cerol" com cola de sapateiro derretida onde se acrescentava caquinhos de  lâmpada queimada quebradinha até virar pó. Depois era só esticar a linha e ir passando aquela mistura com cuidado para turbinar os papagaios. Mais politicamente incorreto, impossível, mas nós ainda não sabíamos disso.

Cresci pulando os quintais dos vizinhos para roubar goiaba madura ou marilana, fruta que nem mais se vê. De madrugada, meu pai fazia o café e trazia mingaus de tapioca e banana comprida do mercado, dentro de latas de leite em pó, bem polvilhadas de canela, um deleite. O Damião passava com seu tabuleiro, gritando alto e oferecendo o "pão de milho" feito de milho de verdade, ensopado de leite de castanha...

Na 06 de Agosto tinha o campo do "seu" Domingos, onde em algumas épocas do ano, todos iam para tirar galinha no bingo: nos pratos de papelão, lá estava a galinha assada, com farofa e azeitonas em volta, embrulhadas em papel celofane colorido, manjar dos deuses para os nossos olhos de criança. Nos finais de semana, vez por outra íamos para o Cine Recreio ou para os cinemas "do outro lado", assistir velhos filmes de faroeste, do Zorro ou do Tarzan.

Quando comecei a ir para a escola, frequentei o Menino Jesus, situado no Primeiro Distrito. Descíamos a escadaria na beira do rio e íamos, uma turma de meninos, dentro de uma canoa, acompanhados da saudosa Ivinha. Não havia ponte nesta época e a travessia era um momento de pura magia, acompanhando os remos que devagar nos levavam de uma margem à outra do rio. Na merendeira rosa de plástico, azul para os meninos, o Q-suco vermelho junto com pão e manteiga.

Depois, foi o tempo do CNEC, já no Segundo Distrito, junto com as queridas irmãs Clemens, Juliana, Cláudia, Madalena e tantas outras, que acompanharam nossos passos com maestria. À hora do recreio, só faltávamos endoidar a irmã Juliana, miudinha, sem ter como acudir aquela quantidade de alunos famintos. Minha merenda era uma só: coca-cola e saltenha, soltando fumaça de tão quente, aquele creme grosso com frango e batata acalmando um pouco a fome adolescente.

Para quem não conhece a geografia local, para chegar ao CNEC, todos os dias passava eu margeando o rio, acompanhando várias lojas antigas, entre os quais a farmácia do meu avô Lopes e a mercearia do meu avô Raimundo, ali perto do Cine Recreio. Meu avô Raimundo nos enchia os bolsos de balas ao passarmos para tomar a benção, o que fazíamos sempre a caminho da escola, já de olho comprido nas guloseimas.

Meu avô Raimundo também tinha o Hotel Libanês, atrás da mercearia e de frente para o clube Tentamen, reduto histórico das famílias antigas de Rio Branco, onde aconteciam  bailes de carnaval  e onde minha mãe me levava para tardes de confete e serpentina, nos bailes infantis puxados à marchinhas e fantasias.

Olho para trás e vejo todas essas boas lembranças em um momento de grande felicidade, onde passo a trabalhar na Fundação de Cultura Elias Mansour, um prédio restaurado, ao lado do também restaurado Cine Teatro Recreio, de frente para o rio que me acompanhou por grande parte da minha vida. Revejo nesses espaços minha família, meus sonhos de criança e escuto o barulho do vento me falando de energia e renovação. Não poderia estar em lugar melhor. Não poderia estar em lugar mais aprazível. Não poderia estar mais feliz.


Bolinho caseiro de arroz

Ingredientes

Arroz cozido, de boa qualidade, com alho, macio
Uma pitada de sal, se necessário
Óleo para fritura
Molho de pimenta, para acompanhar

Modo de Fazer

Coloque o arroz cozido em uma tigela grande (o arroz deve estar macio. Caso utilize arroz feito no dia anterior, leve-o à panela, com um pouco de água e sal e cozinhe até ficar macio) e amasse-o com as mãos até que os grãos se desfaçam e se forme uma massa que pode ser moldada. Forme pequenos bolinhos e frite-os poucos por vez, em óleo quente e limpo. Retire-os e coloque-os em papel toalha. Sirva-os quentes, acompanhados de pimenta ou como complemento no almoço ou jantar. Se desejar, pode recheá-los antes de fritar com carne moída já pronta, pedaços de queijo ou outro recheio de sua preferência. Também pode acrescentar colorau ou cúrcuma à agua do cozimento, para dar cor. Bom apetite!

domingo, 1 de janeiro de 2012

SEU JOÃO E DONA MARISANTA

O manjar árabe, com pistaches e amêndoas...
Sou otimista por natureza, mas não compartilho aquela ideia de que ano novo significa necessariamente mundo novo, pessoas novas, amor e paz...  Penso que antes depende de nós e daquilo que fazemos para que um novo ano seja realmente diferente naquilo que não foi tão bom. Mas, acredito sinceramente no esforço coletivo por dias melhores e sendo assim, procuro contribuir com a minha humilde parcela e aí, nada que um docinho carinhoso não ajude.
Passamos a entrada de ano na casa de meus pais, dois verdadeiros guerreiros, como diz meu marido e, cada um a seu modo, tão engraçados ao enfrentarem os problemas cotidianos do dia a dia que se eu fosse esperta, sentava do lado e saía anotando as pequenas e grandes lições de vida que eles nos apresentam. O que dizer, por exemplo, dos minutos que meu pai dedicou à limpeza de um garrafão de água que ele sabia não poder colocar no suporte?
Quando eu, incauta marinheira, o adverti disso, pedindo para que o jovem saudável do recinto pudesse acudi-lo (meu filho, pois os demais quarentões nem de longe estavam em condições) ele riu e apenas disse: “minha filha, era só a limpeza, eu já ia chamar meu neto...”.  Eu nem precisava me antecipar, mas como os dois (pai e mãe) esquecem que são velhinhos, fazem coisas que até Deus duvida...
Minha mãe é uma formiguinha carpideira, daquelas que não sabem a hora de parar. Eu até esqueço que ela é mais velha do que eu  pois, confesso, fico cansada antes. Os quase 77 anos não a impedem de dirigir o seu carrinho e junto com meu pai fazerem pequenos passeios e terem uma relativa independência. Meu pai, mesmo depois de um AVC que o deixou com algumas sequelas motoras, continua com a língua afiada e preside, ali na Seis de Agosto, o que ele chama de DIVA (na intimidade: Departamento de Informação da Vida Alheia...).  Existe uma outra “entidade”: a FSD, Federação dos sem Dinheiro, integrada por lisos. Mas ele, radicalmente, faz questão de dizer que não a integra.
Esta é a maneira divertida que ele achou para prosear com os vizinhos,  alguns tão antigos quanto eles  na rua que me viu nascer (meus pais moram há aproximadamente 48 anos no mesmo lugar, mas minha mãe, filha do saudoso farmacêutico  “Seu” Lopes, está na rua há mais ou menos 77 anos). Ele está sempre com um sorriso matreiro no rosto e uma piada pronta, disparando uma risada gostosa de quem olha para a vida sempre  pelo lado do copo cheio.
É ele quem levanta cedo e faz o café, compra o pão e mesmo com certa dificuldade, caminha todos os dias pela rua, cumprimentando os passantes. Mamãe, fiel guardiã, está ali sempre a postos para levar o joguinho da Loto, da Sena... E puxar as orelhas dele, pois o danado é matreiro. Mesmo sem poder, descobrimos que escapava quase todos os dias para comer “quebes” e tomar tacacá pela vizinhança...
Os dois são ótimos cozinheiros, cada um na sua especialidade. Dele são o feijão com jabá e banana comprida, o rabo de galo (massa de pastel frita com goiabada dentro, mergulhada em calda de açúcar), os pastéis e o pirarucu no leite de coco, os maxixes peruanos recheados... (com a doença do meu pai, os charutinhos passaram a ser feitos pela minha mãe).
Da mamãe vem o lombo cheio (com farofa e ovo cozido) e as panquecas com molho de cenoura, o arroz de forno (camadas de arroz branco intercaladas com um refogado de banana e batata fritas, ervilhas, azeitonas, molho de tomate), o manjar branco com ameixas e a famosa torta de café, uma espécie de tiramisù mais docinho, amado até hoje na família.
Mas mamãe também escapole e é preciso vigilância para que não se embrenhe nos doces. Não resiste a um bolinho caseiro e ontem se acabou no pudim e no manjar árabe (m’hallabye), receita feita na base do experimento, mas que, humm, deu certo!    
Manjar árabe (m’hallabye)
Ingredientes:
1 litro de leite
6 colheres de sopa de açúcar (ou a gosto)
4 a 5 colheres de sopa, rasas, de amido de milho
2 colheres de sopa de água de rosas (essência comprada em lojas de produtos árabes)
3 pedrinhas de misk (opcional, também comprada em loja de produtos árabes)
Pistaches levemente torrados, sem sal
Amêndoas cruas, sem pele
Geléia de damasco de boa qualidade, comprada pronta ou damascos cozidos com água e açúcar, processados até virar uma pasta

Modo de fazer:

Coloque o leite para ferver, junto com o açúcar e as pedrinhas de misk, se usar. Dissolva o amido de milho em água ou leite e acrescente cuidadosamente à panela, mexendo sempre. Ao engrossar, cozinhe por mais cinco minutos e acrescente a água de rosas. O ponto deve ser de um mingau grosso, que ao esfriar, ficará encorpado, mas não no ponto de corte.
Despeje em uma vasilha bonita e por cima, delicadamente, coloque a geléia de damasco. Enfeite com os pistaches e amêndoas. Espere esfriar e coloque em geladeira. Sirva bem gelado.

domingo, 18 de dezembro de 2011

O BOLO DA MINHA AVÓ


Doce de leite na cobertura e nozes...


Não sou chef de cozinha, longe disso. Admiro e respeito profundamente a técnica, o trabalho de pesquisa, o processo de criação de uma receita, as experimentações. A descoberta de novos ingredientes e esse novo olhar para os produtos amazônicos, com a (re) descoberta de sabores tão conhecidos nossos como o tucupi, a farinha crocante, o cupuaçu, a pupunha, os peixes de rio, o açaí, me deixa feliz. Produtos esses que hoje estão fazendo a alegria de chefs e consumidores Brasil afora, como é exemplo o festival sobre a cozinha do Acre no restaurante Brasil a Gosto, da chef Ana Luísa Trajano e a menção disso na revista Menu de dez/2011.

Muitos trabalham com a tradição e hoje há um verdadeiro retorno às origens, com as comidas de antigamente sendo revisitadas, repaginadas, reinterpretadas. Eu gosto desse olhar para o passado. Porque se somos quem somos hoje e se podemos viver o presente e sonhar com o futuro, é porque o passado nos sustenta e nos ajuda a corrigir o rumo. Portanto, longa vida aos assados substanciosos, aos doces de colher, aos pavês e bolos de banana, às galinhas de cabidela e coquetéis de camarão e tantas outras delícias resgatadas desse baú sem fundo das comidinhas de mãe e avós, tios e outros queridos.

Minha avó materna foi uma pessoa muito, muito especial e foi entre as duas avós, a que mais convivi. Exímia cozinheira, costureira, cabeleireira, cabo eleitoral, fazedora de botões e crochê, perdi a conta das coisas que minha avó me ensinou e só lamento não ter tido tempo de aprender mais com ela. Visionária, extremamente vaidosa, até hoje não tem na família quem lhe ganhe em cuidados. Nunca vi minha avó sem as unhas feitas e  o cabelo caprichosamente penteado.

Nas visitas à minha casa, invariavelmente de tailleur, parava na soleira, sacava de sua frasqueirinha (uma pequena maleta de mão) uma sandália de couro trançada e ali já trocava os sapatos de rua pelos de casa. Ato contínuo, sentava no sofá e retirava as meias (só saía de meia-calça), dobrando-as cuidadosamente e guardando-as na maletinha. Só então, adentrava a casa e trocava a roupa por um robe. Essa rotina, até onde me lembro, visualizei muitas vezes, mesmo com ela já velhinha e morando fora daqui.

Quando fui para o Ceará, onde morei por quase vinte anos, não sabia cozinhar direito. Meus pratos, eu os contava nos dedos da mão: maionese caseira, arroz branco com alho, charuto e bife. De doce, fazia umas bolinhas de leite e uns biscoitinhos recheados de goiabada, muito elogiados na família. Mas, apesar da minha mãe fazer ótimos bolos, eu nunca tinha me arriscado, com o medo característico de quem está começando a virar gente grande: e se solar? E se não prestar? Numa família onde quase todos cozinham muito bem, tinha um certo receio de não estar à altura do desafio.

Mas, mamãe estava longe e minha avó, que nessa época morava com minha tia no Ceará, já velhinha, ainda estava ali para me ajudar. Foi então que resolvi pedir sua receita de bolo. Lembro bem desse dia, pois meu filho mais velho tinha uns dois meses de idade só e eu havia ido passar uma tarde na casa de minha tia, onde ela morava. Perguntei: "Vó, a senhora tem uma receita de bolo simples, desses que se come com café? Uma daquelas que dá certo...". Ela riu e me deu a receita. Desde então, é a receita dos meus bolos, onde mudo as coberturas, os recheios, às vezes acrescento chocolate ou laranja, nozes ou castanhas, mas a cada vez que o faço, é como se dissesse à minha avó que ela está ali do lado, enchendo de carinho a minha vida. Carinho esse que eu repasso para o bolo e para quem o come.

Este que aqui está foi feito para meu filho mais novo que acabou de fazer dezesseis anos e segundo ele, é avesso à festas e comemorações. Eu queria  festejar a alegria que é ser mãe de uma pessoa tão especial e que me ensina muito, inclusive a não forçar a barra para fazer festa. Mas, como nem toda mãe é perfeita, terminei fazendo o bolo contra a vontade dele, que esqueceu tudo, se serviu de grossas fatias e ainda levou na bagagem para o irmão mais velho. Bom apetite!


Bolo da minha avó

Ingredientes

250 g de manteiga de boa qualidade, em temperatura ambiente
2 xícaras de açúcar refinado
3 ovos em temperatura ambiente
3 xícaras de farinha de trigo peneirada
1,5 xícara de leite em temperatura ambiente
1 colher de sopa de fermento para bolo

Modo de fazer

Antes de iniciar o bolo, separe e/ou meça todos os ingredientes. Passe manteiga e depois polvilhe farinha em uma forma média (assadeira ou de buraco no meio). Acenda o forno.
Bata muito bem a manteiga com o açúcar até virar um creme (entre oito a dez minutos). Acrescente os ovos inteiros, um a um e bata mais um pouco. Alterne o leite e a farinha e bata apenas para misturar. Acrescente o fermento e bata rapidamente, apenas para agregá-lo à massa. Despeje esta massa na forma e leve-a ao forno, deixando em temperatura média. Como a temperatura do forno pode variar, após 20 a 25 minutos, dê uma olhada e se for o caso, vire a forma para que asse por igual. Retire do forno, aguarde alguns minutos e desenforme-o. (Eu normalmente desenformo quente, mas se quiser esperar esfriar, certifique-se de que ele está solto na forma. Caso contrário, leve alguns minutos a forma à boca do fogão, para soltar o bolo).
Aguarde esfriar e com cuidado, caso vá recheá-lo, divida-o ao meio. Pode ser feito com faca de serra. Recheie-o com o doce ou geléia de sua preferência e cubra-o da mesma forma. Pode ser servido simples, com café ou chá.

Variações:
Acrescente à massa pedacinhos de nozes, castanhas ou chocolate, chocolate granulado, passas embebidas em rum, laranja cristalizada etc. Pode substituir o leite ou parte dele por suco puro de laranja e cobri-lo com glacê de laranja ou limão, enfim, o céu é o limite.

Opções de recheio: ameixas cozidas em um pouco de água e açúcar e processadas, até o ponto de pasta,doce de leite, geléia de damasco ou abacaxi.

Opções de cobertura: brigadeiro mole, doce de leite misturado com creme de leite, geléia.

Este da foto foi recheado com geléia de damasco, salpicado de nozes em pedaços e coberto com doce de leite misturado a creme de leite, para ficar mais pastoso.




domingo, 27 de novembro de 2011

BISCOITINHOS PARA UM FILHO DISTANTE


Biscoitinhos de castanha esfriando na janela...


Em saquinhos de celofane, prontos para presentear...


E nas latinhas de leite em pó recicladas, no ponto para viajar e fazer a alegria do filhote...


Quem me conhece já sabe que a forma preferida que eu encontro para dar carinho, ser solidária, confortar ou mesmo dizer que estou por perto sempre foi e sempre será oferecer um bolinho, uma fatia de torta, uma conserva, um molho ou geléia, enfim, algo que tenha sido feito para demonstrar para alguém que esse alguém é importante para mim, para nós.

Digo para nós porque meu maridinho compreende perfeitamente essa forma de ser e muitas vezes é bastante cúmplice na produção dos presentinhos. Sim, porque não basta fazer, ainda precisa colocar um lacinho, inventar uma embalagem...

Tem os clientes do doce de goiaba, os que adoram o pão de mel, os adeptos do catchup caseiro e dos bolinhos de limão, de cenoura e por aí vai. Tem os que adoram biscoitos e brigadeiros, a sopa de feijão, as batatinhas em conserva...E como a família toda adora comer, vira e mexe está todo mundo na cozinha, fazendo a maior farra!

Tenho dois maravilhosos filhos, muito amados. Um deles está residindo em Fortaleza, para alegria do pai e saudade da mãe. Dia destes, arranjei portadores pra lá de especiais (os avós paternos) para levar alguns mimos, feitos na pressa do dia atribulado, entre eles os biscoitinhos de castanha do Brasil (ou do Pará) com sementes de linhaça, que meu filhote demorou muito pouco para devorar. Se você quiser, ainda pode colocar em embalagens e presentear aos queridos, como eu fiz. A receita é simples e rende aproximadamente 120 (cento e vinte biscoitinhos).

Bom proveito!

Biscoitinhos de Castanha do Brasil

Ingredientes:

1 xícara de chá de castanha crua, batida no liquidificador até virar uma farofa fininha (não bater demais, para não ficar oleosa)
1 xícara de chá de manteiga em temperatura ambiente (se estiver muito quente, resfrie-a um pouco na geladeira)
½ xícara de chá de açúcar refinado
½ xícara de chá de farinha de trigo
2 xícaras de chá de amido de milho
1 colher de sopa de linhaça (opcional). Você também pode usar passas, pedacinhos de chocolate etc
Açúcar de confeiteiro peneirado para passar nos biscoitos

Modo de fazer:

Amasse todos os ingredientes juntos até dar liga. A massa deve ficar macia para ser moldada em pequenas bolinhas, depois achatadas com o garfo, já na assadeira. Não manuseie demais a massa, pois ela ficará dura. Não é preciso untar a forma, pois o próprio biscoito já é amanteigado. Coloque em forno moderado, previamente aquecido, até firmar, por uns quinze minutos.  Ao retirar do forno, espere alguns minutos para soltá-los, para não ter risco de quebrar. Passe delicadamente por açúcar de confeiteiro (não impalpável), espere esfriar bem e guarde em depósitos bem fechados. 







domingo, 20 de novembro de 2011

COMIDA DE PREGUIÇOSO?




A panela com os charutos pronta para ir ao fogo...




O charuto e verdurinhas, pronto para ser degustado...


Aproveitei o feriado do dia 02 e uma promessa de tempo mais fresco e iniciei os preparativos para o almoço, com uma bela panela de charutos. Prato único, não precisa de nada mais do que limão e pimenta para aquietar a fome mais persistente. Quentinho, com um belo molho de tomate e cebola por cima, era vendido pelas ruas de Rio Branco, quase sempre por algum garoto, que percorria as ruas de bairro e ia para as lojas e secretarias, onde era ansiosamente aguardado. 

O molho de pimenta ia ao lado e fazia parte do pacote. Lembro do meu primeiro emprego em um banco local e a hora mais aguardada do dia, quando a panela de charuto era avistada da janela...Comida de herança dos árabes que por aqui chegaram em tempos idos, sofreu as presumíveis adaptações: molho de tomate, folhas de couve, repolho ou vinagreira, além da chicória picadinha. 

Para os locais, nada de canela nem cardamomo.  As receitas variam um pouco, mas basicamente juntam arroz e carne moída, verdurinhas cortadas, limão, chicória, alho e pimenta, colorau, hortelã e na maioria das vezes, folhas de couve previamente aferventadas em água e sal. O recheio, bem amassado com as mãos, é então moldado na folha de couve, como um pequeno cilindro. As laterais são dobradas para dentro e depois basta enrolar o charuto sobre si mesmo, para que aguente o cozimento mais ou menos longo sem se soltar na panela. 

As cozinheiras mais antigas costumam colocar uma tampa com um peso ou panela com água para que eles não se soltem. Por cima, água fervente, limão, sal, molho de tomate a gosto, fatias de tomate, pimentão, cebola, chicória, salsinha a gosto. Tampa-se, leva-se ao fogo médio e quando a couve estiver macia, está pronto!

Há quem faça ainda um molho consistente de tomate e cebola, refogados em azeite, onde se junta molho de tomate e ao servir, acrescenta por cima do prato.
A brincadeira com o título é que, apesar de prato único, bem, dá um trabalhinho...mas o resultado compensa, experimente!  
                             

domingo, 23 de outubro de 2011

DOMINGO...

As peras, na forma, depois do banho de vodka


O livro e o bolo já pronto

Os pontinhos pretos da baunilha e os pedaços de pera cozida na massa


Domingo de falsa promessa de chuva. Acordei cedo e ao lado do café preto, uma fatia de queijo de coalho frito me fez lembrar do filhote mais velho, em terras cearenses. Do mais novo, cada dia mais comprido, senti falta de quando, bebezinho, segurava meu cabelo para mamar. Isso sem falar dos irmãos deles, meus queridos Davi e Mariana, do irmãozinho mais novo que eu ainda não conheço e da penca de sobrinhos e sobrinhas queridas. Os de Brasília, Iara e Daniel, são os companheiros do queijo frito, das comidinhas e feiras, das livrarias. O Arturzinho gosta de ovos e cuscuz. O João Neto e a Bebel, de livros e doces. Sophia bate bem qualquer prato de comida com aqueles lindos olhos cor de violeta e o Marlonzinho é um príncipe, de tão educado. Marianne já trabalha, mas não deixa de gostar de bolo xadrez, com goiabada derretida, de preferência caseira. Guilherme e Gabriel comem de tudo e a Lívia adora uma saltenha. O Davi e a Julinha ainda não sei as preferências, mas já vi repetirem uma tigela de pudim de leite...E ainda tem a Hannah, o Rafael e a Rafaela...E se for pensar nos filhos dos primos e primas, aí a conta não acaba hoje. Família grande é aquela festa quando se junta, falam todos ao mesmo tempo e as novidades viajam felizes naquele redemoinho de conversas.

Domingo é também dia de ler jornal com calma, cochilar depois do almoço e folhear revistas e mais revistas de culinária, livros antigos e novos, pesquisar receitas...Quando não estou muito cansada, a vontade é ficar testando comidinhas, experimentando pratos, assistindo programinhas estilosos, onde tudo é fácil e rápido. Na maior parte das vezes, é mesmo e de quando em vez, dou um pulo do sofá e meto a mão na massa.

A receita de hoje é do livro Cozinha de Bistrô, de Patrícia Wells, que tem outros livros publicados, todos ótimos. Tem história, receitas plenamente executáveis e o melhor, que dão certo. Como tinha peras maduras em casa, resolvi fazer um bolo, mais comida de alma impossível. Bom para comer tomando um chocolate quente ou um café passado na hora. Bom proveito!


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Quatre-Quarts Aux Poires
(Bolo Inglês de Pera - receita adaptada)

Ingredientes:

½ xícara de chá de açúcar baunilha (usei o açúcar e meia fava)
2 a 3 peras maduras (usei duas), descascadas, cortadas em fatias
7 colheres de sopa de manteiga sem sal (usei Aviação salgada)
2 ovos grandes
¾ xícara de chá de farinha de trigo
2 colheres de sopa de conhaque (usei vodka em infusão com baunilha)
1 forma de pão com 27cm, retangular

Modo de fazer:

Preaqueça o forno a 165 graus. Unte muito bem a forma de pão com manteiga e polvilhe 1 colher de sopa de açúcar. No fundo da forma, arrume as fatias de pera e regue com 01 colher de sopa da bebida. Em uma tigela, bata o açúcar com a manteiga até clarear, acrescente os ovos um por vez e bata bem. Acrescente a farinha, misture e depois coloque a colher de sopa restante de vodka. Misture tudo muito bem e coloque por cima das peras, nivelando. Leve ao forno até dourar e crescer ligeiramente. Ao esfriar, polvilhe com açúcar de confeiteiro, se desejar.